20 outubro 2005

Isso é mentira!

Salve, Pessoal! Mais uma tradução de artigo do Times de Londres (vou fingir que não ouvi o engraçadinho aí atrás dizer: mais uma!...). O artigo original é Liars, cheats? Join the club.

The Times 20 de outubro de 2005

Mentrosos, trapaceiros? Junte-se ao Clube
por Camilla Cavendish

Agora que se tornou aceitável dissimular à menor oportunidade, nós todos devemos ajudar a inverter essa maré.

EM UMA RECENTE manhã, no cafezinho da escola, uma mãe amiga fez uma pergunta espantosa. "Será que eu estou errada em ensinar meus filhos a serem honestos?", foi o que ela perguntou. "Será que eu estou impedindo eles de abrirem seus caminhos no mundo?" Isto foi chocante. Será que nós nos tornamos, atualmente, tão mais mendazes que a dissimulação deveria passar a ser uma habilidade vital no currículo?

Essa mulher não era uma pobre coitada. Ela teve uma carreira de sucesso nos negócios. Ela tem visto como as pessoas contam pequenas mentiras e como outras, cada vez mais, aceitam-nas pelo valor de face. Ela uma vez monitorou o balcão de devoluções e reembolsos de um supermercado. As pessoas pediam reembolso, sem qualquer comprovante, por mercadorias que o mercado não tinha em estoque há algum tempo. Mas os funcionários freqüentemente pagavam. Eles não queriam confusão. Eles presumiam que as pessoas são desonestas e não pareciam se preocupar com isso.

Quando foi que nós começamos a esperar que as pessoas mintam? Nós passamos por um ponto sem retorno, para um mundo que é cheio de dissimuladores profissionais. "Marqueteiros", pessoal de relações públicas, advogados, alguns "promotores de campanhas" e um, sempre mutante, elenco de "operadores de serviços de atendimento ao consumidor" que prometem ligar em retorno, prometem apagar aquele débito na sua conta, mas, na verdade, apagam todos os registros de sua conversa, de forma que, na próxima vez, você será tratado como o principal suspeito, em um jogo surrealista de gato e rato, no qual, subitamente, tudo é culpa sua. Mentir virou uma indústria em crescimento, na qual freqüentemente parece mais importante jogar a culpa, complicar e confundir do que simplesmente consertar a maldita conexão de banda larga.

Nosso cinismo tem conseqüências peculiares. A largamente difundida presunção de que políticos são mentirosos, faz com que alguns jornalistas imaginem "estórias de cobertura", ao ponto de inventá-las, ao passo que assumem um ar blasé quando as verdadeiras mentiras são reveladas. Os tablóides sensacionalistas estavam tão desesperados por notícias escabrosas (para aumentar sua tiragem) sobre David Cameron, neste fim de semana, que eles publicaram uma foto, que eles tinham há pelo menos cinco meses, mas não usaram, porque sabiam que a "estória" era mais fraca do que macarrão molhado.

A foto dos tempos de estudante de George Osborne, Membro do Parlamento, em situação comprometedora, meramente fê-lo parecer quadrado demais para estar tramando algo escuso. O Sr. Osborne foi devidamente exposto – mas somente como um homem que tentou salvar um amigo das drogas e de de uma mulher que, claramente, achou editores tão ávidos quanto ela em exagerar a verdade.

O que poderíamos chamar de uma mentira Classe A, contada por Stephen Byers, o antigo Secretário de Transportes, gerou menos indignação. Levado aos tribunais pelos acionistas da "Railtrack", que acusam o Governo de roubá-los, forçando a falência da companhia, o Sr. Byers admitiu que ele disse "inverdades" aos Membros do Parlamento, quanto à data em que ele começou a desenhar seus planos para falir a "Railtrack" e se tornar o Grande Patrão. Mas será que há algum jornalista querendo investigar qual foi a substância perturbadora da mente que fez o Sr. Byers perder a noção do tempo?

Mais fascinante é a nova definição de verdade e mentira que o Sr, Juiz Lindsay nos deu, achando na Alta Corte, na sexta-feira, que o Sr. Byers não era um "comprovado mentiroso", a despeito dele ter admitido que mentiu para o Parlamento. "Ele aceitou para mim que ele disse uma inverdade. Mas isso, por si só, não o rotula como mentiroso, se definirmos como "mentiroso" uma pessoa que diz uma inverdade, sabendo que ela é uma inverdade, ou sendo leviano quando a sua veracidade ou inveracidade. Se ele é ou não um "mentiroso" nesta acepção, não é problema meu; eu devo deixar essa decisão para a Câmara dos Comuns". Então, a Comissão de Padrões e Privilégios torna-se o árbitro final sobre a verdade; e os parlamentares podem aceitar uma visão edulcorada da declaração do Sr. Byers, nesta semana, na qual ele se desculpou pelo que ele rebaixou a um "ato falho".

É da natureza humana fazer distinções bem sutís entre diferentes matizes de desonestidade, Existe uma hierarquia de mentiras, de "mentirinhas" para cima. O problema é que "mentira mesmo" é, geralmente, vista como uma coisa que outras pessoas fazem: a Enron, ou o Programa "Petróleo-por-comida" da ONU, ou Jaques Chirac, que prometeu 100 libras por dia para frutas e legumes. Existe uma categoria mental, totalmente diferente, para você não pagar suas dívidas, tirar um dia para ficar na cama, ou contestar aquela multa de trânsito, porque você acha que tem uma chance razoável de se livrar dela. Estas coisas ainda parcem um pouco desonestas para a maioria de nós. Mas a honestidade não está começando a parecer "fora-de-moda", um pouco ingênua mesmo, quando todo o mundo "está levando vantagem"? Um ponto de vista bem difundido, mas um que é seriamente corrrosivo.

Uma pesquisa, realizada neste ano, mostrou que um em cada quatro estudantes britânicos adimite que "copia e cola" material da internet e apresenta como original seu. Tão chocante como a mentira é a honestidade brutal dos estudantes acerca do fato. Quase um em cada cinco disse encarar o plágio como uma prática aceitável. No entanto, as universidades ficam estranhamente embaraçadas em adotar uma linha moralizante contra a desonestidade. Na mesma Grã-Bretanha onde "grupos de pressão para a cortesia" tentam restaurar os "bons modos", também há um Serviço de Assessoramento para Plágios que se empenha em "identificar exemplos dos melhores desempenhos". Por que não dizer que plágio é errado e parar de inventar desculpas polidas?

A verdade é que, talvez, nós não valorizemos mais a honestidade como fazíamos, mas ainda valorizamos a aparência de honestidade. Nós traçamos uma distinção grande demais entre corrupção, que ainda provoca uma indignada tomada de fôlego, e a desonestidade que, mais e mais, parecemos encarar como algo natural, conquanto possamos nos livrar das conseqüências. As empresas estão contratando psicólogos e assessores de recrutamento para investigar os Curricula Vitae que não são mais confiáveis. E o fato de que as pessoas admitem mais prontamente suas desonestidades, é um sinal seguro de sua degradação moral.

Não é inevitável que um flerte com inverdades Classe C, venha a tentar os potoqueiros a contar mentiras Classe A. Mas ser complascente com a desonestidade, como as universidades e os empregados do supermercado parecem fazer, pode alimentar, seguramente, a impressão de que todo o mundo "está levando vantagem". A Universidade de Virgínia achou falsidades em um quinto de todas as conversas de dez minutos, que aumentam para um terço entre os estudantes graduados. Se a educação está dando às pessoas confiança em tapear os outros, teremos que trabalhar especialmente duro para manter nossos filhos honestos.


Resta mais algo a dizer?...

16 outubro 2005

Três artigos do The Sunday Times

Salve, Pessoal! Uma rápida vista no The Sunday Times (on line) de Londres, e três artigos de capa me chamaram a atenção. Eu não vou passar uma tradução completa dos três, primeiro porque são muito extensos, segundo porque eu dou os links (quem quizer conferir, vá lá e leia...)

O primeiro traz o auspicioso título "Chefe da Polícia Metropolitana: Eu posso ser forçado a pedir demissão" (Met boss: I may be forced to quit), escrito por Robert Winnett and David Leppard. Começa assim:

SIR IAN BLAIR, o Comissário da Polícia Metropolitana, admitiu que ele pode ser brevemente forçado a pedir demissão, por conta do caso do assassinato de um brasileiro inocente no Metrô de Londres.
O mais alto policial da Grã-Bretanha declarou, a uma reunião privada de líderes de negócios e altos funcionários que ele terá que ir embora "muito breve" por causa da morte de Jean Charles de Menezes.
Descrevendo a pressão que está sofrendo por causa da malfadada operação, ele disse: "Onde a demissão termina? É claro, ela pode terminar muito em breve"
Ele acrescentou: "Eu prefiro renunciar do que ser demitido".
[....]
Oficiais do alto escalão da polícia disseram que o inquérito sobre a operação revelará um "conto de terror", quando for completado antes do Natal. Uma dessas fontes internas disse: "Ele (Blair) ficou obviamente prejudicado. Sua auto-confiança ficou prejudicada. Vocês podem ver que ele parece visivelmente mais velho".
Blair explicou, na reunião, que sua atuação pessoal no caso estava sendo agora investigada pela Comissão Independente de Queixas da Polícia (IPCC). Blair tentou bloquear uma investigação imediata da IPCC do tiroteio na estação de metrô de Stockwell.
Em uma carta enviada ao Home Office (nota do tradutor: O ministério Inglês da Justiça), escrita poucas horas depois do tiroteio, ele dizia que ele deveria ter o poder de suspender as investigações por questões de segurança nacional. Ele foi derrotado (no original: "overruled) por Sir John Gieve, o principal funcionário do Home Office.
[....]
Ao menos 10 oficiais envolvidos no tiroteio devem ter recebido notificações disciplinares da polícia. Inclusive os agentes especiais (no original: "marksmen") do CO19, que dispararam 11 tiros em Menezes depois que ele embarcou em um trem em Stockwell. Oficiais superiores, até o grau de Comissário Assistente podem enfrentar acusações de assassinato.
[....]
À medida em que a IPCC examina se Blair realizou declarações falsas ao público, fica claro que alguns de seus oficiais mais graduados estavam cientes, na metade da tarde de 22 de julho, que Menezes era inocente. Um Oficial Superior disse ao Sunday Times que Blair estava em uma posição que lhe permitia saber aquilo que seus oficiais já tinham descoberto.
Outra fonte interior disse: "Sérias dúvidas acerca de se eles tinham atirado no homem certo, apareceram logo após o incidente. Tudo o que eles tinham a fazer era olhar os documentos de identidade na carteira dele para ver que ele não era um terrorista".
O Comissário também deve encontrar dificuldades em justificar sua decisão de ativar a Operação Kratos, o "procedimento padrão" secreto que autoriza os "peritos" da polícia a atirar na cabeça dos suspeitos de serem "homens-bomba".
Essa política foi estabelecida por um comitê especial sobre terrorismo da Associação de Chefes de Polícia em 2003. Muitos dos Chefes, entretanto, estão preocupados com a base legal para tal política.
Blair continua a defender esse "procedimento padrão" em público, mas vários outros Chefes de Polícia se afastaram dessa política e diversas forças planejam jamais utilizá-la.
Copyright 2005 Times Newspapers Ltd.



O segundo artigo tem o seguinte título: Oficial da RAF enfrenta a prisão por ser contra a "Guerra Ilegal" (RAF officer faces jail over ‘illegal war’). Artigo de David Leppard. O início do artigo diz assim:

Um oficial da RAF pode ser preso por se recusar a servir no Iraque, porque ele acredita que a guerra lá foi ilegal.
O Flight-Lieutenant (Primeiro-Tenente) Malcolm Kendall-Smith deve ser submetido à Corte Marcial por "se recusar a cumprir uma ordem legal", após dizer a seu Comandante que ele não iria para Basra.
Ele é o primeiro oficial britânico a enfrentar acusações criminais por desafiar a legalidade da guerra.
Kendall-Smith, 37, oficial médico da unidade da RAF de Kinloss em Morayshire, foi condecorado por sua atuação no apoio às operações militares no Afeganistão e por duas passagens prévias no Iraque.
Entretanto, após estudar os aspectos legais, inclusive a orientação do Lord Goldsmith, o Advogado-Geral, ele decidiu, este ano, que a guerra era ilegal e, portanto, seria errado que ele retornasse.
[...]
O principal argumento da defesa de Kendall-Smith vai ser o manual da RAF que declara que um oficial, em serviço, pode se recusar a obedecer a uma ordem, se esta for ilegal. Seus advogados também argumentam que sua comissão, concedida pela Rainha, o obriga a agir de acordo com "as regras e disciplina de guerra".
[...]



O terceiro artigo é mais uma crítica aos costumes britânicos. Se intitula Densas núvens de hipocrisia induzida pelas drogas (Dense clouds of drug-induced hypocrisy). Artigo de Minette Marrin.

"Não conhecemos outro espetáculo tão ridículo", diz uma citação famosa de Lord Macaulay, "quanto o público britânico em um de seus periódicos ataques de moralismo". Parece que estamos no meio de um particularmente absurdo agora mesmo. Embora existam muitas questões de grande importância na vida pública em geral e mesmo algumas poucas na luta pela liderança entre os Conservadores, a obsessão da mídia é a tentativa de forçar David Cameron a fazer algum tipo de confissão sobre o uso de drogas. É ridículo e vergonhoso.
Cameron já disse o bastante sobre isso para satisfazer qualquer um com um devido interesse em seu passado e tanto quanto se podia esperar de qualquer figura pública, no entanto tem sido assediado por dias. Questionado, mais uma vez, no programa "Question Time" da BBC1, ele admitiu que, como muitas pessoas, ele fez coisas em sua juventude que não deveria ter feito.
"Eu me permito ter tido uma vida privada, antes de entrar para a política, na qual cometemos erros e fazemos coisas que não devíamos", disse ele. E prosseguiu, fazendo uma distinção perfeitamente razoável entre sua vida, antes da política e suas atuais responsabilidades. Para qualquer pessoa com a mente não deturpada, isso deveria ser tudo. Fica bem claro o que ele quer dizer.
Insistir em querer que ele diga mais – e eu fico impressionada com a quantidade de pessoas que se dizem liberais e libertárias que reclamam, aos gritos, que ele deveria – é por si só desonestidade. De fato, o que estamos vendo não é tanto um ataque periódico de moralismo, quanto é um, mais comum ainda, ataque de periódico de hipocrisia.
[...]
O uso recreativo de drogas não é, em si próprio, uma matéria de moral. Isso sempre foi um dos maiores prazeres e grandes consolações da espécie humana, encontrado em todas as civilizações. Várias drogas "recreativas" são legais na Grã-Bretanha, a despeito de seus riscos reais.
[...]
Sempre me pareceu que aqueles que se viciam, são impelidos a isso por outros problemas – alguns por suas personalidades dependentes, outros pela pobreza de suas vidas ou expectativas. Uma das grandes injustiças dessa vida que as pessoas mais inclinadas a se meterem em sérios problemas com drogas, são aquelas que já estão com algum outro problema sério e que a lei não parece preocupada em protegê-los.
Por isso é que eu, há vários anos, venho sendo firmemente a favor de descriminalizar as drogas. Eu penso que, a despeito dos altos riscos envolvidos – possivelmente, para alguns – isso poria fim ao tráfico [ilegal] de drogas, ao vício-apoiando-o-crime, a drogas contaminadas e ao vasto império do mal do tráfico ilegal de narcóticos.
[...]


Comentando rapidamente essas três matérias (auto-explicativas, a meu ver...). A primeira, sobre o infame Chefe da Scotland Yard, mostra que em alguns lugares do mundo o comportamento criminoso das autoridades não acaba, necessariamente, em "pizza". Mas também mostra que os "poderosos" são iguais, seja em Uganda, seja na Grã-Bretanha: querem todo o poder (inclusive o que a Lei não lhes confere) e não aceitam a responsabilidade por suas cagadas...

O segundo é uma outra faceta da mesma imbecilidade criminosa do governo britânico. O Tenente Kendall-Smith leva grandes chances de criar uma camisa de onze varas para o outro infame Blair. Mesmo que a Corte Marcial decida pela culpabilidade do Tenente, ele pode recorrer à Justiça Real e, como já foi dito, a posição do Advogado-Geral é de que a guerra do Iraque é ilegal, por ser baseada em mentiras comprovadas.

O terceiro, apesar de ser apenas um comentário sobre a disputa pela liderança do Partido Conservador, põe a nú toda a hipocrisia vitoriana dos britânicos e – já que eu estou falando nisso – de toda a subcultura WASP americana, na qual se apoia a camarilha do W. Bush.

Mas o mais importante é ver essas três matérias publicadas em uma mesma edição do The Sunday Times. É notável o quanto uma imprensa realmente independente pode esclarecer os cidadãos e mostrar que "o rei está nú".

Bem diferente de um certo país da América do Sul, onde a imprensa que adora se fazer de "independente", desavergonhadamente manipula a informação, para tentar conduzir a opinião pública na direção da "opinião que se publica", com apelações ridículas e estatísticas distorcidas.

O caso Jean Charles de Menezes, parece estar caminhando para uma punição exemplar das "otoridades" da Scotland Yard. Já o caso Celso Daniel...

12 outubro 2005

Mudei de idéia...

Este texto apareceu na Comunidade "Questões Militares - Brasil" do Orkut. Como o autor do post diz tê-lo recebido por email, eu vou, sem-vergonhamente, reproduzí-lo aqui:

MUDEI DE IDÉIA!!!! AGORA É SIM!!!

Antes, eu tinha certeza de que ia votar no NÃO e ninguém ia me convencer do contrário. Mas o tempo foi passando, entrei nas comunidades do SIM e do NAO no Orkut, ouvi propagandas no rádio e na TV e os argumentos do SIM me convenceram. Vou votar SIM. Sabe por que? Vou dar 18 motivos:

1. Descobri que a chance de se sair bem ao reagir a um assalto é de uma em 288.345.774.324.500. As estatísticas provam que nos outros 288.345.774.324.499 casos, a vítima que reagiu morreu.

2. Descobri que a arma legal alimenta os bandidos. Todas aquelas AR-15, AK-47, granadas e bazucas que os traficantes do Rio usam foram roubadas de cidadãos honestos que compraram as armas legalmente. Da minha casa mesmo, por exemplo: Ano passado me roubaram quatro mísseis STINGER.

3. Descobri que todos os pais que têm arma de fogo costumam deixá-las carregada e engatilhada em cima do sofá da sala. Por isso que 94 milhões de crianças brasileiras morrem brincando com armas de fogo todos os anos.

4. Descobri que todos os assaltantes de casa têm superpoderes. Eles atravessam portas e paredes e se materializam imediatamente na sua frente e apontam uma arma para a sua cabeça enquanto você ainda está deitado, tornando impossível qualquer reação. Eles não perdem tempo e não fazem barulho arrombando portas.

5. Descobri que se eu vir ou ouvir algum bandido pulando a cerca e entrando no meu quintal, eu não vou conseguir afugentá-lo com um tiro para cima ou para o chão. Se ele ouvir o tiro, aí sim, é que ele vai ficar excitado e vai querer de toda forma entrar em casa e trocar tiros comigo. Eles adoram fazer isso.

6. Descobri que se o NAO ganhar, as armas de fogo vão imediatamente ficar 90% mais baratas e vai acabar a burocracia para a compra de uma. No dia seguinte à vitória do NÃO, qualquer pessoa (bandido ou não) vai poder ir numa loja de armas, comprar uma 45 e oito caixas de munição, já vai sair armado e vai para o bar mais próximo para arrumar briga e me matar.

7. Descobri que delegados e policiais civis, militares e federais - que são em quase totalidade favoráveis ao NÃO - não entendem N-A-D-A de violência e criminalidade. Quem manja mesmo do assunto são atores, sociólogos e dirigentes de ONGs internacionais.

8. Descobri que estrangeiros que lideram ONGs como a Viva-Rio têm muita experiência no assunto. Afinal, todo mundo sabe que a situação social, econômica e de criminalidade da França, Inglaterra e Estados Unidos (que é de onde eles vêm) é IGUALZINHA à realidade do Brasil. Não tenho a menor dúvida de que as teorias que eles têm vão funcionar direitinho aqui.

9. Descobri que 90% dos casos de homicídios são cometidos pelos chamados cidadãos de bem. Claro que isso é só dos homicídios ESCLARECIDOS, que são menos de 5% dos casos. Mas pela lógica, os outros 95% dos homicídios, que não são esclarecidos, também deve ser causados pelos cidadãos de bem.

10. Descobri que o governo quer que a gente vote sim. E o governo sempre pensa no nosso bem. Afinal, todo mundo sabe que a qualidade da saúde pública, ensino público, segurança pública, e etc vêm melhorando cada vez mais, dia a dia.

11. Descobri que se o SIM ganhar, não vão mais acontecer mortes banais. Maridos ciumentos só vão agredir as mulheres com travesseiros, torcidas organizadas vão se dar às mãos, facas e canivetes vão perder o fio, tijolos e paus vão ficar macios e os pitboys vão todos se converter ao budismo.

12. Descobri que até agora, o desarmamento voluntário já deu resultados. É claro que a queda nos atendimentos dos postos do SUS em São Paulo nos últimos 12 meses foi devido à diminuição do número de armas, e não devido a maiores investimentos em segurança e educação.

13. Descobri que o jovem é a principal vítima da arma de fogo. Claro que isso não tem nada a ver com o fato de o jovem ser o maior usuário de drogas, e nem o fato de que quase 100% dos envolvidos no tráfico de drogas têm menos de 30 anos (porque morrem ou são presos antes). Isso é só coincidência.

14. Descobri que todo mundo que tem arma de fogo é um suicida em potencial. E a única causa do suicídio é a arma de fogo, e não a falta de perspectivas, falta de um ideal, falta de um sonho a buscar ou então distúrbios mentais como a depressão.

15. Descobri que se algum bandido invadir a minha casa, basta-me ligar para o 190. A polícia sempre tem homens e viaturas sobrando e levará menos de 3 minutos para me atender.

16. Caso isso não aconteça, basta-me fazer o sinalzinho do "sou da paz" com as mãos e o ladrão vai saber que eu sou um sujeito legal, e então ele vai embora em paz sem levar nada e sem violência nenhuma. Eles sempre agem assim quando descobrem que você é da paz, e não um daqueles psicopatas malvados que são a favor do NÃO.

17. Caso o ladrão seja muito, mas muito malvadão, eu só preciso gritar por socorro. Em cinco segundos vão aparecer a Fernanda Montenegro, a Maitê Proença e o Felipe Dylon para me salvar e prender o bandido. Sem usar armas.

18. Se o SIM ganhar, o Brasil vai ser um país mais feliz. Que nem na novela das oito.

11 outubro 2005

Sabe qual é o problema com os imbecís?

É que eles não se acham imbecís! E eu não estou falando dos "corações de galinha" que vão votar "sim" no referendo porque têm "medinho" de arma de fogo. A coisa é muito mais séria.

Quando a imbecilidade se une à ganância, você ve coisas como uma matéria de seis páginas (de internet) na edição on line do New York Times (aqui — eu não vou me dar ao trabalho de traduzir seis páginas de sandices) falando das benesses da redução da Calota Polar Ártica. Vai facilitar a navegação do Ártico, trazer movimento para os portos da região e, o mais importante na cabeça desses consumistas de merda, os americanos: petróleo! Vai ser possível montar plataformas para exploração do petróleo ártico!

Puta que pariu! Tadinho do capeta: vai ter que arrumar um lugarzinho pior no inferno para acomodar esses infelizes que sabem que estão fudendo tudo para as próximas gerações, mas estão cagando e andando!

E eu aqui, me preocupando com o direito do brasileiro ter ou não uma arma de fogo... Não faz a menor diferença: tanto faz morrer assassinado por um bandido, como morrer afogado, quando o nível dos Oceanos subir e Araruama for riscada do mapa... (quem foi o engraçadinho aí atrás que gritou que "merda boia!"?)

É nessas horas em que a gente desanima da humanidade, da ciência e da religião... A primeira não presta, a segunda não sabe e a terceira não resolve...

Deus deve adorar os imbecís: fez um monte deles!...


P.S: por falar em imbecís, eu fui obrigado a botar aquele infeliz campo, onde você tem que digitar aquelas letrinhas tronxas que aparecem em um quadrinho, por causa dos imbecís que mandam spam disfarçado de comentário! Quosque tandem abutere patientia nostra?...

01 outubro 2005

Acidificação dos Oceanos e diminuição das calotas polares

Salve, Pessoal! Mais uma notícia, desta vez do Le Monde, dando conta das lambanças climáticas. La vai:


A acidificação dos oceanos ameaça a cadeia alimentar do Oceano Austral LE MONDE | 01.10.05 | 14h20 • Atualizado em 01.10.05 | 14h20

A acidificação dos oceanos vai desestabilizar, de hoje a 2030-2050, os ecossistemas marinhos? Sem dúvida, se acreditarmos em um estudo internacional publicado na quinta-feira 29 de setembro na revista "Nature" e realizado por uma dezena de laboratórios alemães, americanos ou, ainda, franceses. Segundo eles, o crescimento da taxa de dióxido de carbono na atmosfera vai provocar, em um prazo mais ou menos breve, uma acidificação dos mares tal que certos organismos com esqueletos externos não poderão nele subsistir. No decurso do século XX, o pH médio dos oceanos despencou de 0,1 unidade. Esta tendência vai se acelerar no decorrer do século XXI e é prevista uma baixa do pH de 0,3 a 0,4 unidades de hoje até 2100.

"Em função de diferentes cenários de desenvolvimento", explica Patrick Monfray, co-autor dessa publicação e pesquisador no Laboratório de Geofísica e Oceanografia Espaciais (CNRS, IRD, CNES e Universidade de Toulouse-III), "nós demonstramos que a acidez dos oceanos vai crescer até o ponto em que, nas altas latitudes polares, certos organismos dotados de conchas calcárias, vão estar em uma água tão ácida que ela será capaz de dissolver suas carapaças". Se as emissões de CO2 não forem dominadas (cenário chamado "Business as usual"="Negócios como os usuais"), esse pónto será atingido cerca de 2030, estima o Sr. Monfray. Se, ao contrário, a concentração de gás carbônico se estabilizar em 650 ppm (partes por milhão), chega-se a ele em torno de 2050.

Os organismos cujas conchas são formados de calcita não deverão ser os primeiros a serem afetados. Em contrapartida, aqueles com o esqueleto externo constituído de aragonita (CaCO3 ou carbonato de cálcio) estão particularmente ameaçados.

É notadamente o caso dos moluscos planctônicos chamados pterópodes. Ora, esses organismos se revestem de uma importância particular. "Eles formam um elo importante da cadeia alimentar do Oceano Austral", explica Patrick Onfray. "Potencialmente, isso pode gerar fenômenos em cascata em grande escala", que afetarão uma grande faixa de espécies (cetáceos, salmôes, etc.).

Estes fatos são ainda mais preocupantes já que, perdurando a tendência atual, o fenômeno vai atingir, em torno de 2100, não somente as altas latitudes, mas, igualmente, as zonas mais meridionais como o Pacífico Norte. A publicação destes trabalhos vem de encontro àquilo que diversas pesquisas recentemente puseram em evidência: importantes modificações na repartição da fauna planctônica.

ENXUGAR OS EXCESSOS

No Atlântico Norte, por exemplo, certos planctons migram para o norte, sob o efeito do reaquecimento das águas da superfície (ver matéria do Le Monde de 20 de setembro de 2004). Entre uma acidez crescente ao Norte e o aumento da temperatura mais ao Sul, a dinâmica dessas espécies será realmente profundamente perturbada a curto prazo.

Os recifes de coral – nichos de uma abundante biodiversidade – poderão sofrer também com a acidificação dos mares, acrescentam os pesquisadores. Ainda assim, este ponto continua em discussão. Um estudo controvertido, publicado em dezembro de 2004 na revista "Geophysical Research Letters", concluía que os corais poderiam, ao contrário, se benefeiciar do aquecimento. Com efeito, se a baixa do pH tende a reduzir o conteúdo de aragonita na água do mar (e, portanto, desacelerar os fenômenos de calcificação) o aumento da temperatura da água contrabalancearia esta tendência.

Mesmo se estas discussões permaneçam na comunidade científica, a acidificação dos oceanos é objeto de inquietudes crescentes. Porque ela conduz, por outro lado, à redução da capacidade dos oceanos em absorver o CO2 produzido pela atividade humana. Quanto mais o oceano ficar ácido, menos será capaz de enxugar os excessos produzidos pelo homem.

Em suma, explica o Sr. Onfray, este é um caso de "realimentação positiva", Ou seja, este efeito tampão do oceano não pode ser negligenciado porque as águas da superfície absorvem mais de um terço dos rejeitos de gás carbônico engendrados pela queima de combustíveis fósseis.


Stéphane Foucart

(Quadro anexo ao artigo)

Forte redução da calota glacial ártica

A calota glacial ártica ficou fortemente reduzida este ano e isso pelo quarto verão consecutivo, indicaram na quarta-feira 28 de setembro os cientistas americanos. Este fenômeno, atribuído ao aquecimento do clima vai, provavelmente, se acelerar. "Dado o baixo nível recorde dos gelos este ano, no fim de setembro, 2005 vai, praticamente com certeza, ultrapassar 2002 em ter a mais fraca calota de gelo no Ártico em um século", declarou Julienne Stroeve do Centro Americano de Dados sobre Neves e Gelo (NSIDC). "Neste rítmo, o Ártico não terá mais gelo, durante a estação do Verão, bem antes do fim deste século", acrescentou ela. A zona gelada do Oceano Ártico fica normalmente reduzida a seu mínimo em setembro, no fim do verão. Em 21 de setembro de 2005 a banquisa não tinha mais do que 5,32 milhões de km2, ou seja, a mais tênue superfície jamais medida pelos satélites, precisaram os cientistas em um comunicado. Os "experts" do NSIDC calcularam que a calota glacial do Ártico vai se reduzir em 8% em média, a cada decênio. – (AFP.)


Artigo publicado na edição de 02.10.05


Quando será que os idiotas vão ver que estão pondo fogo na própria casa???

30 setembro 2005

O dielma:

Tadinho do Papai Noel...

Salve, Pessoal! Como a falta do que fazer é muita e eu gosto de praticar minhas habilidades de tradução, lá vai mais uma de um artigo do The New York Times, da edição de ontem, sobre a diminuição das calotas polares. Leiam e vejam se observam a mesma coisa que eu...

29 de Setembro de 2005
Em uma tendência de derretimento, menos gelo disponível no Ártico
Por ANDREW C. REVKIN

A camada flutuante de gelo marinho no Oceano Ártico encolheu, neste verão, ao que provavelmente foi seu menor tamanho em pelo menos um século de registros feitos, continuando a apresentar uma tendência na direção de menos gelo no verão, conforme relatou ontem uma equipe de "experts".

Esta mudança é algo difícil de explicar sem atribuí-la, em parte, ao aquecimento global por interferência do homem, disseram os membros da equipe e outros "experts" sobre a região.

A mudança parece, também, estar inclinada a se tornar auto-sustentável: a maior superfície de águas abertas absorve mais energia solar que, de outra forma, teria sido refletida de volta ao espaço pelo brilhante gelo branco, disse Ted A. Scambos – um cientista do Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo em Boulder, Colorado – que compilou os dados juntamente com a NASA.

"Os 'feedbacks' no sistema estão começando a tomar conta", disse o Dr. Scambos.

Os dados foram disponibilizados no site do Centro: www.nsidc.org.

As descobertas são consistentes com as recentes simulações computadorizadas que mostram que um acúmulo de emissões de gases associados ao efeito-estufa provenientes de chaminés e canos de escape, poderia levar a um Ártico profundamente transformado, lá para o final deste século, quando grande parte do Oceano que era preso na banquisa de gelo, vai se tranformar em águas abertas durante os verões.

As áreas de águas abertas no verão podem ser um benefício para as baleias e os bacalhaus e o recesso do gelo poderia criar atalhos nas rotas de navegação entre o Atlântico e o Pacífico.

Mas uma hoste de problemas está, também, pela frente. Uma das conseqüências mais significativas do aquecimento do Ártico serão fluxos aumentados de águas derretidas e icebergs, das geleiras e banquisas, e, com isso, um aumento acelerado nos níveis dos mares, ameaçando as áreas costeiras. A perda do gelo marinho também pode ser danosa para os ursos polares e os caçadores de focas Esquimós.

A calota de gelo do Ártico sempre cresce no inverno e encolhe no verão. A área média do mínimo, desde 1979 quando começou o preciso mapeamento por satélite, até 2.000 era de 2,69 milhões de milhas quadradas, um tamanho semelhante ao território dos Estados Unidos, sem o Alaska. A nova mínima de verão, medida em 19 de setembro, ficou 20% abaixo disso.

Antes de 1979, os cientistas estimavam o tamanho da calota de gelo com base em realtórios feitos por navios e aviões.

A diferença entre a área média de gelo e a área registrada neste verão foi de cerca de 500 mil milhas quadradas, uma área cerca de duas vezes o estado do Texas, disseram os cientistas.

Este verão foi o quarto de uma série em que a área da calota de gelo ficou bem abaixo da média histórica – disse Mark C. Serreze, um cientista sênior e professor na Universidade de Colorado em Boulder.

O Dr. Scambos disse que as sucessivas reduções da calota de gelo "tornam bastante certo que um declínio de longo prazo está em andamento".

Segundo o Dr. Serreze, o ciclo natural na atmosfera polar, chamado de "Oscilação Ártica" que contribuiram para redução do gelo ártico no passado, não parece ter sido um fator presente nos muitos últimos anos.

Ele disse que o papel da acumulação das emissões de gases associados ao efeito-estufa tem se tornado mais e mais aparente, com temperaturas crescentes no ar e no mar. Ainda assim, muitos cientistas dizem que não é possível estabelecer que parte das mudanças no Ártico são causados pelos níveis de dióxido de carbono e outras emissões de fontes humanas, e o quanto são as oscilações climáticas usuais.

O Dr. Serreze e outros cientistas dizem que maiores instabilidades podem estar pela frente e que a área da calota de gelo pode até aumentar em alguns anos. Mas os cientistas acharam poucos indícios de que outros fatores, tais como um aumento na nebulosidade no Ártico, em um mundo em processo de aquecimento, possa reverter a tendência.

"Com toda essa água escura aberta, você começa a ver um aumento na armazenagem de calor no Oceano Ártico", disse o Dr. Serreze. "Quando chega o outono e o inverno, isso torna mais difícil o crescimento do gelo e, na próxima primavera, você acaba com uma calota menor e mais fina. E fica mais fácil perder mais ainda no ano seguinte".

O resultado, disse ele, é que o Ártico está "se tornando um lugar profundamente diferente do lugar que nós nos acostumamos a pensar".

Outros "experts" em gelo e clima árticos discordaram de detalhes. Por exemplo, Ignatius G. Rigor da Universidade de Washington, disse que a mudança estava provavelmente ligada a uma mistura de fatores, inclusive as influências do ciclo atmosférico.

Porém ele concordou com o Dr. Serreze em que a influência dos gases associados ao efeito-estufa têm que estar envolvidos.

"A idéia do aquecimento global tem que ter um papel importante nesse cenário", disse o Dr, Rigor. "Eu penso que nós temos um estado climático diferente no Ártico agora. Todos esses 'feedbacks' estão começando a influenciar diretamente e realmente estão sumindo com o gelo no fim do verão".

Outros "experts" expressaram alguma cautela. Claire L. Parkinson, uma "expert" em gelo oceânico no Centro Goddard de Vôos Espaciais (da NASA) em Greenbelt, Mariland, dise que uma pletora de de mudanças no Ártico – inclusive temperaturas mais altas, derretimento dos gelos perenes e a reução da calota de gelo marinho – são consistentes com o aquecimento de origem humana. Mas ela enfatizou que o complexo sistema está, ainda, longe de ser completamente compreendido.

William L. Chapman, um pesquisador de gelo marinho na Universidade de Illinois Urbana-Chamapaign, disse que é importante ter em mente que o tamanho da calota de gelo pode variar tremendamente, em parte por causa das mudanças nos padrões de ventos, que podem fazer com que a calota de gelo se acumule de um lado do litoral ártico ou se afaste do outro.


Perceberam?... Diversos especialistas estão dizendo "é o efeito-estufa!" Os outros dizem: "é possível que seja o efeito-estufa..." O curioso é que os que dizem que é só "possível" são os dos Órgãos do Governo, como a especialista da NASA.

Isso tudo porque o imbecil chapado do W. Bush se recusa a admitir que tem que aderir ao Protocolo de Kioto e os caras querem manter seus empregos públicos...

Tadinho do Papai Noel: daqui a pouco, tudo que vai restar de sua fábica de brinquedos e de sua casa vai ser a piscina...

Mas o que ninguém está falando, com clareza, é das conseqüências do efeito-estufa. Em uma primeira etapa, as calotas polares vão se derretendo. Isso faz com que o nível dos mares suba (e lá se vai minha casa em Araruama, junto com a cidade...) e, também, aumenta a umidade da atmosfera (se vocês acharam as gêmeas Catarina e Katrina interessantes, aguardem o que vem por aí...). No final, o mundo inteiro vai ficar coberto por núvens. Aí começa a segunda etapa. Essas nuvens vão refletir a radiação solar de volta para o espaço e a temperatura geral da Terra vai mergulhar rapidamente. As chuvas vão continuar a cair, cada vez mais fortes e os invernos vão ficar cada vez mais rigorosos. E as geleiras vão se expandir mais uma vez, tornando todas as áreas temperadas da Terra inabitáveis e os Trópicos em uma área fria e seca.

Esse foi o quadro pintado por Louis Agassiz em 1837, assumindo que o efeito-estufa tenha sido causado por um ciclo particularmente violento de vulcanismo, para a Idade do Gelo que, por pouco, não fez perecer uma certa espécie de macaquinhos muito promissores...

Mas eu confio em Mamãe Natureza: ela nunca vai à loucura; vai à forra... O mundo inteiro vai sofrer com isso, mas quem vai para o brejo primeiro são as vacas sagradas... E o Primeiro Mundo vai ficar no dilema da cigarra da fábula: não cantou? Agora dance! (E seus arsenais nucleares podem ser usados como supositório: se usarem, as terras que eles precisam vão ficar inabitáveis, também...)

Quem semeia "Tempestades no Deserto", colhe furacões na Costa do Golfo...

27 setembro 2005

Estados Unidos: a próxima União Soviética?

Salve, Pessoal! Um amigo me mandou um link para uma matéria que é uma tradução de uma entrevista com um historiador e demógrafo, publicada originalmente pelo jornal francês Le Figaro (eu não sei como essa matéria me escapou, mas, felizmente, eu tenho bons amigos). A matéria é de conteúdo explosivo e, como esse amigo diz:
Esta entrevista com Emmanuel Todd expõe possíveis implicações profundas do despreparo estadunidense para lidar com o Katrina

http://www.truthout.org/docs_2005/091205H.shtml

Emmanuel Todd é historiador e demógrafo, na década de setenta publicou artigos prevendo, com precisão, detalhes de como se daria o declínio soviético nas décadas seguintes baseado em análise comparativa de dados demográficos da mortalidade infantil na URSS.

Recentemente ele escreveu um livro chamado 'Après l'empire" (depois do império), no qual sugere, apontando evidências demográficas e histórico-econômicas, o porvir de uma condição não-hegemônica dos EUA.



Como este amigo não publicou, ele mesmo este texto, preferindo mandar por email, eu vou tomar a liberdade de omitir minha fonte, apresentando apenas a tradução (da tradução — eu não localizei a matéria original no Le Figaro). Se ele quiser assumir a paternidade, sinta-se livre para fazê-lo. Lá vai:
Emmanuel Todd: O Espectro de uma Crise no Estilo Soviético
Por Marie-Laure Germon and Alexis Lacroix
Le Figaro

2ª feira, 12 de Setembro de 2005

De acordo com este demógrafo, o Furacão Katrina revelou o declínio do Sistema Americano.

Engenheiro de pesquisas no Instituto Nacional de Estudos Demográficos, historiador, autor de "Après l'empire" ("Após o Império"), publicado pela Gallimard em 2002 – um ensaio em que ele prevê o "desmoronamento" do sistema americano – Emmanuel Todd faz uma revisão para Le Figaro das sérias falhas reveladas pela tempestade.

Le Figaro - Qual é a primeira lição moral e política que se pode aprender da catástrofe provocada por Katrina? necessidade de uma modificação "global" em nosso relacionamento com a natureza?

Emmanuel Todd - Vamos nos precaver de uma interpretação extrapolada. Não devemos perder de vista o fato de que estamos falando de um furacão de intensidade extraordinária que teria porduzido danos monstruosos em qualquer lugar. Um elemento que surpreendeu a muitos – a erupção da população negra, uma grande maioria neste desastre – não me surpreendeu pessoalmente, já que eu realizei um grande estudo sobre os mecanismos da segregação racial nos Estados Unidos. Eu sabia, há muito tempo, que o mapa da mortalidade infantil nos Estados Unidos é sempre uma cópia exata da densidade das populações negras. Por outro lado, eu fiquei surpreso que os espectadores desta catástrofe subitamente se deram conta de que Condolezza Rice e Colin Powell não são ícones particularmente representativos das condições da América negra. O que realmente fez eco a minha representação dos Estados Unidos – como desenvolvido em Après l'empire – foi que os Estados Unidos ficaram desabilitados e ineficazes. O mito da eficiência e do super-dinamismo da economia americana estão em perigo.

Nós pudemos observar a inadequação dos recursos técnicos, dos engenheiros, das forças militares no local, para confrontar a crise. Isso levantou o véu sobre uma economia americana, percebida como muito dinâmica, beneficiária de uma taxa de desemprego baixa, creditada com uma sólida taxa de crescimento do PIB. Em confronto com os Estados Unidos, a Europa é tida como praticamente patética, esmagada pelo desemprego endêmico e golpeada com um crescimento anêmico. Mas o que as pessoas não queriam ver é que o dinamismo dos Estados Unidos é um dinamismo de consumo.

LF - O consumo doméstico americano é artificialmente estimulado?

ET - A economia americana está no coração de um sistema econômico globalizado e os Estados Unidos funcionam como uma notável bomba de circulação financeira, importando capital em um nível de 700 a 800 bilhões de dólares ao ano. Esses fundos, após a redistribuição, financiam o consumo de mercadorias importadas – um setor realmente dinâmico. O que tem caracterizado os Estados Unidos, por anos, é a tendência de inflar o monstruoso déficit das contas externas, que agora está perto dos 700 bilhões de dólares. A grande fraqueza desse sistema econômico é que ele não se apoia em uma fundação de real capacidade industrial doméstica.

A indústria americana foi sangrada até o fim e é o declínio industrial que, acima de tudo, explica a negligência de uma nação confrontada com uma situação de crise: para gerenciar uma catástrofe natural, você não precisa de técnicas financeiras sofisticadas. ou de advogados especializados na extorsão de fundos em nível global, mas você precisa de material, engenheiros e técnicos, bem como de um sentimento de solidariedade coletiva. Uma catástrofe natural em teritório nacional confronta um país com sua identidade mais profunda, com suas capacidades de resposta tecnológica e social. Agora, se a população da América pode muito bem concordar em consumir juntos – o nível de poupança doméstica é praticamente nulo – em termos de produção de material, de prevenção e planejamento de longo prazo, ela se provou desastrosa. A tempesatade mostrou os limites de uma economia virtual que identifica o mundo com um vasto video-game.

LF - É lícito relacionar o sistema americano de margem de lucro – esse "neo-liberalismo" denunciado pelos comentaristas europeus – e a catástrofe que atingiu Nova Orleans?

ET - A gerência da catástrofe teria sido muito melhor nos Estados Unidos do passado. Depois da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos asseguravam metade da produção dos bens produzidos no planeta. Hoje em dia, os Estados Unidos se mostram com pontas soltas, atolado em um Iraque devastado que eles não conseguem reconstruir. Os americanos levaram um longo tempo para blindar seus veículos, para proteger suas próprias tropas. Eles tiveram que importar munição leve. Que diferença dos Estados Unidos da Segunda Guerra que, ao mesmo tempo, esmagou o exército japonês com sua frota de porta-aviões, organizou os desembarques na Normandia, reequipou o Exército russo com material leve, contribuiu magistralmente para a libertação da Europa e manteve as populações européia e alemã, libertas de Hitler, vivas. Os americanos sabiam como dominar a tempestade nazista com uma maestria de que hoje se mostram incapazes em uma única de suas regiões. A explicação é simples: o capitalismo americano daquela era foi um capitalismo industrial, com base na produção de bens; em resumo, um mundo de engenheiros e técnicos.

LF - Não seria mais pertinente reconhecer que, virtualmente, não há mais desastres puramente naturais, em uma definição rigorosa, em virtude da falta de moderação das atividades humanas? Não seria o caso de que o "American Way of Life" deva se auto-reformar? Por exemplo, aceitando as limitações do Protocolo de Kyoto?

ET - As sociedades e incorporações socias da Europa e dos Estados Unidos são radicalmente diferentes. A Europa é parte de uma economia agrícola muito antiga, acostumada a tirar sua subsistência do solo com dificuldade em um clima relativamente temperado, a salvo das catástrofes naturais. Os Estados Unidos são um tipo de sociedade inteiramente nova que começou trabalhando um solo virgem e fértil no coração de um ambiente natural mais hostil. Seu clima continental, muito mais violento, não constituiu um problema para os Estados Unidos enquanto eles desfrutaram de uma real vantagem econômica, isto é, enquanto eles detinham os meios técnicos para dominar a natureza. No presente, a hipótese de uma dramatização humana da natureza, nem é mais necessária. A simples deterioração da capaciade técnica de uma economia americana, não mais produtiva, criou a ameaça de que a Natureza faça nada mais do que retomar seus direitos (naturais).

Os americanos precisam de mais aquecimento no inverno e mais ar-condicionado no verão. Se nós formos, um dia, confrontados com uma penúria, não mais relativa, mas absoluta, os europeus vão se adaptar a ela melhor porque seu serviço de transporte é muto mais concentrado e econômico. Os Estados Unidos foram concebidos, com respeito ao consumo de energia e espaço, de uma maneira quase caprichosa, não bem pensada.

Não vamos apontar nossos dedos para o agravamento das condições naturais, mas preferencialmente para a deterioração econômica de um sociedade que tem que se confrontar com uma natureza muito mais violenta. Os europeus, como os japoneses, demonstraram sua excelência com respeito à economia de energia, durante os antecedentes "choques do petróleo". Era de se esperar: as sociedades européia e asiática se desenvolveram gerenciando a escassez e, ao final, várias décadas de abundância de energia vão parecer um breve parênteses em um dia de sua história. Os Estados Unidos foram construídos na abundância e não sabem gerenciar a esacassez. Dessa forma, eles agora são confrontados com o desconhecido. Os passos iniciais dessa adaptação não se mostraram muito promissores: os europeus têm estoques de gasolina, os americanos têm estoques de petróleo cru – eles não construiram uma só refinaria desde 1971.

LF - Então não é só no sistema econômico que você põe a culpa?

ET - Eu não estou fazendo um julgamento moral. Eu focaliso minha análise no apodrecimento de todo o sistema. Après l'impire desenvolve teses que, em seu todo, eram bem moderadas e que eu me sinto tentado a radicalizar hoje. Eu predisse o colapso da do sistema soviético com base no aumento das taxas de mortalidade infantil, durante o período de 1970 a 1974. Agora, os últimos números publicados sobre este tema pelos Estados Unidos – os de 2002 – demonstram um recrudescimento das taxas de mortalidade infantil para todas as, assim chamadas, "raças" americanas. O que se pode deduzir a partir disso? Em primeiro lugar, que devemos evitar o enforque estritamente racial na interpretação da catástrofe do Katrina e trazer tudo à conta do problema dos negros, em particular a desintegração da sociedade local e o problema dos saques. Isso constituiria um problema de esconde-esconde ideológico. O saque dos supermercados é só uma repetição nos escalões mais baixos da sociedade, do sistema predatório que está no coração do sistema social americano de hoje.


LF - O sistema predatório?

ET - Este sistema social não se assenta mais sobre a ética Calvinista dos "Founding Fathers" ("Pais Fundadores") e seu gosto pela poupança – mas, ao contrário, em um novo ideal (eu não ouso falar em ética ou moral): a busca da maior remuneração em troco do mínimo de esforço. Dinheiro adquirido rapidamente, por especulação e, por que não, por roubo. A gangue de negros desempregados que saqueia um supermercado e o grupo de oligarcas que tentam organizar o seqüestro do século das reservas de hidrocarbonetos do Iraque, têm um princípio de ação em comum: predação. As disfunções em Nova Orleans refletem certos elementos centrais da cultura americana presente.


LF - Você postula que o gerenciamento do Katrina revela uma preocupante fragmentação territorial, acrescida do pouco caso do aparato militar. O que devemos então temer no foturo?

ET - A hipótese do declínio, desenvolvida em Après l'empire, evoca uma possibilidade do simples retorno dos Estados Unidos ao normal, certamente associado a uma queda no padrão de vida de 15 a 20%, porém garantindo para a população um nível de consumo e de energia "padrão" no mundo desenvolvido. Eu só estava atacando o mito da superpotência. Hoje, eu tenho medo de ter sido muito otimístico. A inabilidade dos Estados Unidos em responder a uma competição industrial, seu grande déficit em bens de alta tecnologia, o recrudescimento das taxas de mortalidade infantil, a perda de eficiência (e prática ineficiência) do aparato militar, a persistente negligência das elites, incitam-me a considerar a possibilidade de uma real crise do tipo soviético nos Estados Unidos.

LF - Seria uma tal crise uma conseqüência da política da Administração Bush, que você estigmatiza por seus aspectos paternalísticos e de Darwinismo social? Ou seriam suas causas mais estruturais?

ET - O neo-conservadorismo americano não deve ser culpado sozinho. O que me parece mais chocante é a maneira como esta América que encarna o absoluto oposto da União Soviética, está ao ponto de causar a mesma catástrofe pela caminho oposto. O comunismo, em sua loucura, supôs que a sociedade era tudo e o indivíduo não era nada, uma base ideológica que causou sua própria ruína. Hoje, os Estados Unidos nos asseguram, com uma fé cega tão intensa como a de Stálin, que o indivíduo é tudo, o mercado é o suficiente e que o Estado é odioso. A intensidade da fixação ideológica é totalmente comparável à fixação do delírio comunista. Esta postura individualista e inequalitária desorganiza a sociedade americana para a ação. O mistério real, para mim, reside aí: como pode uma sociedade renunciar ao bom-senso e pragmatismo a um tal ponto, e entrar em um tal processo de auto-destruição ideológica? É um beco-sem saída histórico para o qual eu não tenho resposta e o problema não pode ser abstraído das políticas da atual administração somente. É toda a sociedade americana que parece estar se lançando em uma política de escorpião, um sistema doentio que termina se aplicando seu próprio veneno. Este comportamento não é racional, mas, ao mesmo tempo, ele não contradiz a lógica da história. As gerações pós-guerra perderam a familiaridade com a tragédia e com o espetáculo dos sistemas auto-destrutivos. Mas a realidade empírica da história humana é que isto não é racional.



Apavorante, não?...

Corrupção e desvio de dinheiro público

Alô, Pessoal! Você que andava desanimado, achando que o Brasil é o lar dos corruptos, que a roubalheira da coisa pública é uma "claúsula pétrea da Constiuição" e que "no Primeiro Mundo isso não acontece", que "isso é coisa de subdesenvolvido" — Seus problemas acabaram! Seu "Personal Translator Tabajara" apresenta mais uma tradução de um artigo do famigerado New York Times, falando de... corrupção! Senão, vejamos:
27 de Setembro de 2005
Ex-Chefe de Distrito Escolar se declara culpado de Grande Roubo
Por PAUL VITELLO

MINEOLA, N.Y., 26 Set - O antigo Superintente das Escolas de Roslyn, uma figura antes reverenciada, cujas credenciais acadêmicas e contatos com os escritórios de Admissão da "Ivy League" (nota do tradutor: as Universidades mais tradicionais do Leste dos EUA) pareciam fazê-lo o guardião ideal para as aspirações das crianças de um distrito rico, declarou-se culpado, na 2ª feira, de roubar US$ 2 milhões do sistema escolar nos últimos seis anos.

Em um tribunal totalmente preenchido por irados pais e presidentes de Associações de Pais e Alunos ("P.T.A."), vários dos quais vaiaram quando ele entrou na Sala de Audiências, o antigo superintendente, Frank A. Tassone, 58, concordou em cooperar em uma ampla investigação criminal dos roubos no distrito por outros – uma suposta rede de desvio de recursos públicos, descrita pelo "Comptroller" Estadual Alan G. Hevesi como "o maior, mais notável, mais extraordinário roubo" de um sistema escolar da história americana.

Tudo somado, foram roubados cerca de US$ 11 milhões do distrito em um esquema que envolveu alguns dos administradores de mais alto escalão, de acordo com os Promotores. O Dr. Tassone concordou em devolver sua parte, US$ 2 milhões.

O Dr. Tassone é, até agora, o primeiro de cinco indiciados, inclusive seu companheiro Setphen Signorelli, 60, a resolver as acusações criminais contra si.

Em troca de sua cooperação, o Promotor Distrital Denis Dillon prometeu recomendar que o Dr. Tassone, ameaçado de até 25 anos de prisão por acusações de grandes desvios de fundos e fraude, receba, no máximo, uma sentença de 4 a 12 anos. O Dr. Tassone vai restituir o dinheiro de acordo com um calendário de pagamentos ainda a ser acordado com o escritório do Promotor Distrital.

Os residentes de Roslyn, na audiência, criticaram amplamente o acordo de "delação premiada". Muitos exigiram que o Dr. Tassone cumpra uma pena de 25 anos, não só pelo prejuízo que ele causou às finanças do Distrito, mas pelo impacto que seus crimes tiveram – e continuam a ter, após 16 meses de sua demissão forçada – no senso comunitário de Roslyn.

"Ele causou um grande dano a esta comunidade escolar", declarou Judi Winters, uma ativista cívica de longa data em Roslyn. "É uma questão moral, não uma questão de dólares". Tal como outros, ela descreveu uma comunidade dividida sobre a questão sobre o que deve ser um conselho escolar: fiscal da educação ou fiscal das finanças.

"Você fica com a impressão de que há um sentimento de 'turba irada' dirigindo a política dos conselhos escolares agora", disse Chris Messina, uma mãe. "Isso fez com que muitas pessoas se sintam relutantes a se envolver com o assunto".

Em uma declaração lida em um sussuro diante do Juiz Alan L. Honorof da Corte do Condado de Nassau, o Dr. Tassone pediu desculpas pelos danos que causou, embora muitos presentes na Sala de Audiências tenham reclamado que ele tentou passar a imagem de ser uma das maiores vítimas.

"Durante o último ano e meio", disse o Dr. Tassone, "eu tenho refletido diariamente sobre os erros que cometi nos últimos anos, após uma brilhante carreira de 35 anos na eduação pública. Esse erros capitais danificaram irreparavelmente, se não destuíram, minha carreira na educação pública. Eu não posso explicar adequadamente a dor que meus erros me causaram".

"Eu vou restituir o dinheiro às escolas de Roslyn e eu estou arrependido de meu fraco discernimento", disse ele. "Eu só posso esperar e rezar para que, algum dia, a comunidade de Roslyn se lembre o bem que eu fiz pelo distrito, bem como que achem em seus corações o perdão para mim e meus erros".

Os US$ 2 milhões que o Dr. Tassone admitiu ter roubado, pagaram férias, refeições, contas de lavandeira, mobília, tratamentos dermatológicos, aluguel de carros, investimentos imobiliários e despesas pessoais em uma média de US$ 20 mil por mês, em alguns anos. Em uma confissão separada, ele dise que apresentou "notas frias" no valor de US$ 219.000 em favor de seu parceiro, o Sr. Signorelli, pela impressão de manuais escolares.

Como parte de seu acordo de cooperação, espera-se que o Dr. Tassone deponha contra o Sr. Signorelli, com quem ele dividiu um apartamento em Manhattan por vários anos.

De acordo com o escritório do Promotor Distrital, o roubo de US$ 11 milhões foi realizado por um pequeno grupo de empregados do distrito de Roslyn, que inclue a Superintendente Assistente de Finanças, Pamela Gluckin, que é acusada de usar o dinheiro das escolas para pagar suas prestações de financiamento habitacional, aluguéis de carros, computadores pessoais e contas de água.

Em quase todos os aspectos, a habilidade do Dr. Tassone em fraudar o sistema escolar, parece ser, em retrospecto, uma faceta de sua habilidade em encantar, cair nas boas graças e forjar laços com conselhos escolares, companheiros da administração e, especialmente, com os pais, disseram os habitantes do distrito.

Ele mantinha sua porta aberta para visitantes não agendados, atendia a pedidos de favores, escrevia uma coluna regular para o jornal semanal local e dirigia um grupo de leitura dedicado às novelas de Charles Dickens, acerca de quem ele escreveu sua tese no Colégio de Professores da Univesidade de Colúmbia.

"Ele tinha todas as credencias corretas, o vocabulário certo", disse Judy Birnbaum, uma ex-presidente da Associação de Pais e Mestres da Escola Primária de East Hills. "Ele fez tantos favores às pessoas que, se alguém dissesse uma palavra contra ele, aparecia sempre alguém para defendê-lo: 'Oh, não. Não o Sr. Tassone. Ele não faria isto'".

Os pais ansiosos por conseguir a aceitação de seu filhos para a escolas da Ivy League eram reassegurados pelo Sr. Tassone, como relataram muitos pais, de que suas cartas de recomendação trariam grande ajuda a seus requerimentos.

Fosse ou não por sua intervenção, os 95% dos estudantes de Roslyn que se graduavam em seus cursos de 2° grau incluiam um grande número dos que eram aceitos pelas melhores Universidades do país.

O escândalo de Roslyn, que até agora implicou a Srta. Gluckin, dois outros antigos funcionários escolares e o diretor de uma firma de auditoria, Andrew Miller, tem um impacto significativo na supervisão estadual sobre os distritos escolares locais.

As auditorias estaduais sobre os distritos foi grandemente descontinuada em 1980, para economizar dinheiro. Porém, desde que a fraude de Roslyn foi revelada, a Secretaria de Finanças foi reinstada a conduir auditorias regulares em todos os 700 distritos escolares do estado fora da cidade de Nova York, cujas auditorias são conduzidas pela Controladoria Municipal.

Em Roslyn, uma comunidade suburbana a 20 milhas de Manhatan Leste, onde advogados, pequenos comerciantes e professores compõem uma parte substancial dos residentes, a raiva sobre o escândalo fica um pouco misturada com a vergonha de terem sido engazopados por pilantras.

"Eu sou uma professora", disse a Sra. Birnbaum. "Eu estava no comitê que entrevistou ele. Ele causava uma boa impressão. Sim, nós fomos tapeados e traídos".

Alguns pais começaram a circular uma petição para que o Sr. Tassone receba uma sentença mais dura. Ela será apresentada ao juiz na sessão de sentenciamento do Dr. Tassone, agendada para 29 de novembro.

Outros, entretanto, dizem que a reparação monetária do Dr. Tassone, sua cooperação na investigação que continua, e um mínimo de quatro anos na prisão estadual, parecem um pagamento justo por seu débito para com a comunidade.

"Não importa muito para mim se ele realmente está arrependido, ou só está dizendo que está", disse Rebecca Katz-White, uma moradora e mãe que assistiu à sessão ontem. "Eu sou uma antiga advogada de defesa criminalística que já esteve em um estabelecimento correcional. Eu acho que quatro anos em uma prisão é um tempo grande, muito grande".

Faiza Akhtar, em Roslyn, N.Y., contribuiu para este artigo.


Pelo menos, lá a "pizza" leva uns quatro anos para ser digerida... E não exite essa de "réu primário, com bons antecedentes", respondendo ao processo em liberdade, até que se esgote o último dos trocentos recursos possíveis.

Como se depreende, o problema do Brasil não é a corrupção (que esta existe em todas as partes): é a impunidade!

25 setembro 2005

Sobre furacões e aquecimento global

Salve, Pessoal! Lá vai mais uma tradução de um artigo do The New York Times, sobre a questão do "efeito estufa" e os recentes furacões.
24 de Setembro de 2005

Então quem está certo no debate sobre as responsabilidades pelo Aquecimento Global?

Por ANDREW C. REVKIN


Com uma cidade americana afogada por um grande furacão e, então, por outro, menos de um mes depois, e com os meteorologistas federais "gaivotando" no fim da lista de 21 nomes anuais em uma prancheta, não é surpesa alguma que o debate sobre as responsabilidades sobre o aquecimento global tenha se inflamado.


Afinal, um dos sinais mais claros de que as ações humanas levaram o recente aquecimento além de seus ciclos naturais, é a medição feita na temperatura dos oceanos da Terra e o calor oceânico é o combustível que alimenta os furacões.


O assunto tem sido abordado de pontos de vista radicalmente diferentes. Por exemplo, o ex-Vice-Presidente Al Gore realizou uma "tournée" de contínuos discursos sobre a necessidade de cortar a emissão de poluentes que causam retenção de calor, enquanto o Senador James M. Inhofe, Republicano do Oklahoma, acusou os ativistas do meio-ambiente de fomentar medos infundados sobre o aquecimento causado pelos seres humanos.


Então, o que tem a dizer a ciência acerca das discussões sobre a mensagem enviada pelos furacões Rita e Katrina?


O que fica claro é que vários "experts" em oceanos e climas concordam que os oceanos tropicais se aqueceram de uma maneira que dificlmente pode ser atribuída a outra coisa diferente de um aquecimento generalizado do clima, causado pelo acúmulo de dióxido de carbono e outras emissões causadoras do efeito-estufa.


Para muitos cientistas meteorológicos e oceanógrafos fica claro, também, que oceanos mais quentes eventualmente aumentarão a intensidade dos ventos e das chuvas dos furacões, não necessariamente sua freqüência.


De fato, dois recentes estudos sobre furacões, feitos por diferentes cientistas, usando processos diferentes, declaram detetar um grande crescimento na intensidade dos furacões por todo o mundo, ao longo das muitas últimas décadas.


Porém os autores de ambas as análises reconheceram que necessitariam de mais dados para confirmar uma ligação entre isso e um aquecimento de origem humana. Essa nebulosidade aparece porque a relação entre o aquecimento de longo prazo do clima e dos mares somente é perceptível no estudo estatístico de dúzias de tempestades, não na origem ou no destino de qualquer tempestade em particular.


O crescimento e a trajetória de qualquer uma das tempestades são moldados pelas grandes variações naturais na atmosfera e nos oceanos, assim como eventos aleatórios, tais como a passagem de ambos os recentes furacões por cima de meandrosas ressurgências de águas incomumente quentes no Golfo do México.


"É uma coincidência de condições ideais", disse Christopher W. Landsea, um "expert" em furacões do Laboratório Oceanográfico e Meteorológico do Atlântico, do Departamento do Comércio, próximo de Miami.


Kerry Emanuel, o autor de um dos recentes estudos que mostram a crescente intensidade, fez eco a vários colegas ao dizer que o impacto do aquecimento global provavelmente não iria se manifestar de maneira "preto-sobre-o-branco" que serviria como toque de rebate para os que buscam eliminar as emissões. Ao contrário, disse o Dr. Emanuel, um cientista atmosférico no "Massachussets Institute of Techniology", isso vai emergir como se alguem tivesse sutil, porém progressivamente, viciado um par de dados.


E enquanto os "experts" continuam debatendo sobre se a cabeça da vaca causa o rabo, ou se a vaca é causada pela convergência do rabo com a cabeça, a dita cuja vai pro brejo...

E o mais triste é constatar que cientistas do calibre de um Luboš Motl classificam o Protocolo de Kioto como lixo científico ("junk science"). Para que gastar dinheiro com essas "frescuras", em lugar de construir um acelerador de partículas mais poderoso?

24 setembro 2005

O FMI e o desequilíbrio econômico mundial

Salve, Pessoal! Mais uma matéria interessante do New York Times na seção de economia sobre os desequilíbrios no consumo mundial. Lá vai a tradução:
22 de setembro de 2005
FMI Alerta para Desequilíbrio no Consumo Mundial
por EDMUND L. ANDREWS

WASHINGTON, 21 Set - Os Estados Unidos provavelmente experimentarão um crescimento econômico mais lento no ano que vem e sua dívida externa, rapidamente crescente, está no coração de perigosos desequilíbrios globais, disse o Fundo Monetário Internacional na 4ª feira.

O Fundo disse que o crescimento econômico global se tornou muito dependente de um punhado de países, liderados pelos Estados Unidos, que consomem muito mais do que produzem. Este desequilíbrio, alerta o Relatório Semestral sobre a Economia Mundial, pode levar a uma correção violenta.

Em uma evidente referência aos Estados Unidos, com seus grandes déficits orçamentários e desenfreados gastos em consumo, o FMI alertou para que o consumo mundial está "sendo alimentado por crescentes estímulos fiscais insustentáveis, bem como preços de moradia que estão ignorando a Lei da Gravidade".

Mas o FMI também criticou abertamente a União Européia, dizendo que ela continuará a crescer em um passo anêmico, por não flexibilizar suas rígidas legislações trabalhistas e puxar as rédeas dos gastos com subsídios sociais.

"Os cidadãos Eurpeus não parecem estar convencidos de que o remédio amargo de reformas estruturais continuadas possam curar a parálise que aflige grande parte do continente", disse Raghuram Rajan, Diretor de Pesquisas do Fundo. "É uma falha da política que as pessoas não cheguem a ver que, quanto mais eles quiserem manter o atraente estilo de vida Europeu, mais a maneira pela qual eles trabalham terá que mudar".

No geral, o relatório prediz que o crescimento econômico americano vai diminuir para 3,3% em 2006, dos 3,5% deste ano. As economias das 12 nações que usam o Euro como moeda comum, vai se expandir apenas 1,8% no próximo ano, prediz o relatório, mais, porém, do que os 1,2% em 2005.

O Japão, que teve um crescimento real muito pequeno ao longo da última década, foi uma das poucas nações industrializadas cujas previsões de crescimento foram revistas para cima. Com sinais de que a longa batalha do Japão contra a deflação está quase no fim e o consumo, subindo, o Fundo diz que a economia japonesa deve crescer cerca de 2% no ano que vem. Seis meses atrás, a previsão era de crescimento zero para o Japão.

Os economistas do FMI indicaram que eles não esperam que os efeitos do Furacão Katrina deixem marcas profundas na economia americana, reduzindo o crescimento, segundo suas estimativas, em um décimo de ponto percentual.

Mas eles expresaram uma preocupação considerável quanto ao impacto dos altos preços do petróleo, que subiu mais de US$ 20 por barril este ano e tem estado acima de US$ 60 desde o início de Agosto (o petróleo fechou em Nova York, na 4ª, a US$ 66,80). Na verdade, o Fundo alertou para que outra alta nos preços do petróleo, talvez até US$ 80, continuava sendo possível.

No relatório, divulgado em antecipação das reuniões anuais das Diretorias do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, o fundo alardeou seus alertas anteriores acerca dos desequilíbrios globais.

O défcit nos balanços das contas de comércio exterior dos Estados Unidos é estimado em cerca de US$ 700 bilhões e ficar em torno de 6% do PIB. Dito de outra forma, os Estados Unidos estão absorvendo uma porção recorde do dinehiro das poupanças e investimentos mundiais. Tal como no passado, o Fundo diz que o desequilíbrio financeiro americano tem sido agravado pelos grandes déficits orçamentários.

Mesmo sem os grandes gastos do tesouro americano esperados para a reconstrução das áreas atingidas pelos furacões, disse o FMI, a meta da administração Bush para a redução do déficit permaneceu "desambicioso".

O Presidente Bush e os Republicanos no Congresso começaram a propor cortes nos gastos para compensar parte dos gastos com o furacão e as enchentes. Mas as autoridades da administração continuavam, na 4ª feira, a sustentar que os cortes de impostos do Sr. Bush se tornassem permanentes, o que custaria, ao menos, US$ 1,4 trilhões em um prazo de dez anos, e se recusam a retardar o início do programa de distribuição de medicamentos ("Medicare") que se estima que vá custas cerca de US$ 45 bilhões por ano.

"Nós queremos estar certos de que a maneira pela qual nós vamos tratar dos desequilíbrios, maximize o crescimento", declarou Timothy D. Adams, sub-secretário do Tesouro para Assuntos Internacionais. "É uma resposabilidade partilhada".

O relatório do FMI concorda com isso, ao menos em parte. Ele atribui grande parte do aumento do desequlíbrio global aos países europeus e asiáticos, observando que a demanda doméstica na Europa permanece fraca, deixando os Estados Unidos como a locomotiva mundial para o crescimento do consumo. E alerta para que esta fraqueza européia a torna mais vulnerável a choques oriundos dos preços do petróleo ou uma grande mudança nas taxas de câmbio.

Até que, enfim, alguém reparou no fato de que qualquer nação não pode gastar mais do que ganha, inclusive os países do "Primeiro Mundo".

Ou eu sou muito paranóico, ou a China está preparando um golpe de mestre: vão acabar deixando os EUA (e todos os panacas que forem na onda dos americanos) pendurados na broxa, enquanto levam a escada embora. Eles estão absorvendo toda a tecnologia de ponta e, de uma hora para outra, podem fechar a fronteira de novo. Afinal, um quinto da humanidade é chinesa. Dos outros quatro quintos, uns três são de fudidos terceiro-mundistas que podem, perfeitamente, mudar o padrão de moeda de dólar para yuan rapidinho...

Os americanos são cada vez menos "donos" da própria economia. Eu não espero estar vivo para ver, mas vocês, mais jovens, deveriam começar a aprender Mandarim...

22 setembro 2005

A Amazônia é um lugar de "altos e baixos"...

Alô, Pessoal! Uma curiosidade sobre nosso país foi publicada no Boletim Physics News Update n° 746 de 21 de setembro de 2005. Lá vai a tradução:
A PESAGEM DO RIO AMAZONAS foi conseguida através da medição da subida e descida da crosta terrestre com uma unidade de GPS (Global Positioning Service). ao longo de vários anos, à medida em que o Rio enche e vaza durante seus ciclos sazonais. O sistema GPS, através de sua rede de satélites e sinais cuidadosamente sincronizados, graças à extrema precisão de seus relógios atômicos, pode fornecr informações sobre o posicionamento na superfície da Terra com uma incerteza horizontal de cerca de 1 mm e uma incerteza vertical de cerca de 9 mm. Medições repetidas, feitas ao longo de vários anos, dão medições de deslocamentos para qualquer ponto com uma precisão de cerca de 1 mm/ano. Ao redor do vasto mundo, a movimentação típica para baixo ou para cima é, em média de 2 a 10 mm/ano. Mas em grandes áreas de drenagem tropicais, com grandes volumes de água comprimindo o talvegue de um rio e as áreas alagáveis, a oscilação pode ser maior. De fato, a amplitude entre os picos relatados, nesta medição em particular, chega a uma variação de 50 a 70 mm/ano. Quando o Rio está cheio, a terra afunda. Mais tarde, quando o nível do Rio baixa, a terra "desamassa". Os cientistas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituo Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) (ambos do Brasil), em conjunto com a Universidade Estadual de Ohio, da Universidade de Menphis e da Universidade do Hawaii (todos dos EUA), registraram o maior deslocamento em Manaus, AM. Um dos pesquisadores, Michael Bevis, da Universidade Estadual de Ohio, declarou sua surpresa com a magnitude da oscilação (Bevis et al., Geophisical Research Letters, de 15 de setembro de 2005)

Pode parecer um dado apenas curioso, mas essa grande oscilação na superfície da crosta terrestre provavelmente deve ter alguma influência sobre os movimentos das Placas Tectônicas da América do Sul, o que seria um dado a mais para a análise dos raríssimos movimentos sísmicos na Placa Continental Brasileira. E, em matéria de terremotos, já nos basta os produzidos em Brasília...

19 setembro 2005

Não fui eu quem disse. Foi o London Times:

Alô, pessoal! Para quem acha que a violência no Brasil está fora de controle, que estamos a beira de uma guerra civil, e, principalmente, para os que advogam a proibição da comercialização das armas de fogo, como se isso fosse resolver os problemas da violência no Brasil, eu tive a paciência de traduzir esse pequeno artigo do The London Times:

19 de setembro de 2005

A Escócia no topo da lista dos países mais violentos do mundo
Por Katrina Tweedie

Um relatório da ONU rotulou a Escócia como o país mais violento do mundo desenvolvido, onde a probabilidade das pessoas serem atacadas é três vezes maior do que na América.

A Inglaterra e País de Gales registraram o segundo maior número de assaltos violentos, enquanto a Irlanda do Norte registrou o menor.

O estudo, baseado em entrevistas pelo telefone com vítimas de crimes de 21 países, descobriu que mais de 2.000 escoceses são atacados a cada semana, quase dez vezes mais do que os números oficiais da polícia. Isto inclui crimes não-sexuais de violência e ataques graves.

O crime violento dobrou na Escócia nos últimos 20 anos e os níveis, em termos de densidade demográfica, são comparáveis aos de cidades como Rio de Janeiro, Johannesburg e Tbilisi. (o grifo é do tradutor)

Os ataques têm sido alimentados por uma cultura de "bebida e lâminas" (N.T: no original: "booze and blades") no Oeste da Escócia, que tirou mais de 160 vidas nos últimos cinco anos. Desde Janeiro, ocorreram 13 assassinatos, 145 tentativas de assassinato e 1.100 ataques graves, envolvendo facas no Oeste da Escócia. O problema é agravado pela violência do tipo sectário, com os hospitais relatando um número maior de atendimentos depois de partidas da "Old Firm". (N.T: os clubes de futebol "Rangers" e "Celtic").

David Ritchie, um consultor de acidentes e emergências na "Victoria Infirmary" de Glasgow, disse que esses números são uma desgraça nacional. "Eu fico embaraçado, como escocês, de que estejamos vendo este nível de violência. Os políticos têm que fazer algo a respeito deste problema. Isto é uma séria questão de saúde pública. A violência é um câncer nesta parte do mundo", declarou ele.

O Superintendente Detetive-Chefe John Carnochan, chefe da unidade de redução da violência da Polícia de Strathclyde, disse que o problema era crônico e que a redução do acesso a bebidas e a limitação da venda de facas, ao menos reduziriam o problema.(o grifo é do tradutor)

O estudo, realizado pelo instituto de pesquisas criminais da ONU, descobriu que 3% dos escoceses foram vítimas de ataques, comparados aos 1,2% na América e aos somente 0,1% no Japão, 02,% na Itália e 0,8% na Áustria. Na Inglaterra e no País de Gales os números são de 2,8%.

A Escócia ocupa a oitava posição no total de crimes, 13ª em crimes contra o patrimônio, 12ª em roubos e 14ª em ataques sexuais. A Nova Zelândia foi a primeira em crimes contra o patrimônio e ataques sexuais, enquanto a Polônia é a 1ª em roubos.

O Condestável-Chefe Peter Wilson, presidente da Associação dos Chefes de Polícias da Escócia, questionou os números. "Deve ser quase impossível comparar o número de ataques, de um país para outro, com base em entrevistas por telefone", disse ele.

"Nós temos realizado extensas pesquisas sobre o crime violento na Escócia, há alguns anos, e isso mostrou que, na vasta maioria dos casos, as vítimas de crimes violentos se conhecem. Nós aceitamos, entretanto, que, a despeito de suas chances de ser vítima de um ataque na Escócia sejam baixas, existe um real problema".


Ora, ora... quem diria... quer dizer que miséria, falta de educação, de condições de cidadania, enfim, não são os únicos motivos para a violência urbana, afinal!...

E que quem não tem arma de fogo, usa arma branca, mesmo... (afinal, a vítima, no máximo, tem outra faca...)

Como eu já disse alhures: "todo problema complexo tem uma solução simples, elegante e errada!




07 setembro 2005

Estados Unidos da Vergonha...

Salve, Pessoal!

Este artigo está no top dos most emailed do New York Times, desde que foi publicado em 3 de setembro. Para quem não tem saco para ler em inglês, o besta aqui fez uma tradução. Os trechos em [itálico] são meus. Lá vai:


3 de setembro de 2005
Estados Unidos da Vergonha
por MAUREEN DOWD

Coisas acontecem.

E, quando você combina um governo limitado com um governo incompetente, coisas letais acontecem.

A América está de novo mergulhada em um poço de serpentes com anarquia, morte, pilhagens, bandos de malfeitores fazendo incursões, inocentes sofrendo, uma infra-estrutura aos pedaços, uma força policial impotente, quantidades de tropas insuficientes e planejamento governamental criminosamente negligente. Mas, desta vez, isto está acontecendo na América.

W. trouxe seu Chevy "corta-orçamentos" para os diques e eles não estavam secos. Bye, bye, vidas americanas [isto é um trocadilho, intraduzível com a letra da música "The day the music has died"]. "Eu não acho que ninguém pensou que os diques pudessem se romper", disse ele a Diane Sawyer.

Com as mangas arregaçadas, W. finalmente pousou no Inferno, ontem, e falou sorridente de seus dias de bebedeiras na "grande cidade" de "N'Awlins". Ele estava visivelmente emocionado. "Vocês sabem, eu vou ter que voar para longe daqui em um minuto", disse ele na pista do Aeroporto Internacional de Nova Orleans, "mas eu quero que vocês saibam que eu não vou esquecer o que eu vi". Fora do alcance das câmeras, e evitado por W., estava um comboio de milhares de pessoas doentes e à morte, alguns espalhados pelo chão ou empilhados em carrinhos de bagagens em um Hospital de Campanha improvisado [o termo em inglês é "makeshift M*A*S*H*"] dentro do terminal.

Por que será que esse arrogante presidente, tipo "nós podemos", sempre recai nessas velhas desculpas do tipo "quem podia saber disso"?

Quem na face da Terra poderia saber que Osama bin Laden queria nos atacar, jogando aviões contra edifícios? Qualquer autoridade que tivesse se incomodado de ler e interpretar os relatórios de inteligência antes de 11 de setembro.

Quem na face da Terra poderia saber que uma invasão americana ao Iraque iria levantar uma brutal insurgência, um "boom" de recrutamento de terroristas e uma possível guerra civil? Qualquer autoridade que se desse ao trabalho de ler os relatórios pré-guerra da CIA.

Quem na face da Terra poderia saber que os diques avariados de Nova Orleans corriam risco de não agüentar um forte furacão? Qualquer um que se desse ao trabalho de ler os inúmeros avisos, ao longo dos anos, sobre a situação [em inglês: "the Big Easy's uneasy fishbowl"].

Em Junho de 2004, Walter Maestri, Chefe da Defesa Civil ["emergency management chief"] da Paróquia [equivalente a uma administração municipal na Louisiana] de Jefferson, se queixava ao Times-Picayune [jornal local] de Nova Orleans: "Parece que o dinheiro desapareceu no Orçamento do Presidente para a Segurança Nacional e a Guerra no Iraque, e eu acho que esse é o preço que temos que pagar. Ninguém, aqui, está feliz com o fato de que os diques não possam ser terminados e estamos fazendo tudo o que podemos para o caso de que isso se torne uma questão de segurança para nós".

Não somente o dinheiro foi desviado para a loucura de Bush no Iraque; 30 por cento da Guarda Nacional e cerca de metade de seu equipamento estão no Iraque.

Ron Fournier da Associated Press relatou que o Corpo de Engenharia do Exército [nos EUA, a Engenharia do Exército é a responsável por todas as obras em aquavias interiores] pediu US$ 105 milhões para programas para prevenção de furacões ou inundações em Nova Orleans, no ano passado. A Casa Branca reduziu-os a cerca de US$ 40 milhões. Mas o Presidente Bush e o Congresso concordaram com projeto superfaturado de US$ 286,4 bilhões para uma estrada, com 6.000 pequenos projetos, inclusive uma ponte de US$ 231 milhões para uma pequena e desabitada ilha no Alaska.

Ainda no ano passado, as autoridades da Agencia Federal de Controle de Emergências [Federal Emergency Management Agency = FEMA] ensaiaram como responderiam a um furação fictício que causaria inundações e isolaria os moradores de Nova Orleans. Imaginem como seria ridícula a resposta da FEMA à Katrina se eles não tivessem ensaiado.

Michael Brown, o idiota chapado encarregado da FEMA – um cargo para o qual ele se capacitou por dirigir algo chamado Associação Internacional de Cavalos Árabes – admitiu que ele não sabia, até a 5ª feira, que havia 15.000 vítimas da Katrina, desesperadas, desidratadas, famintas, enraivecidas e à morte no Centro de Convenções de Nova Orleans.

Ele foi demitido instantaneamente? Não, nosso presidente, que só escuta o que quer [em inglês: "tone deaf"], elogiou-o em Mobile, Alabama, ontem: "Brownie, você está fazendo um trabalho dananado de bom".

Seria uma outra coisa se ao Presidente Bush e seu círculo interno — Dick Cheney estava de férias no Wyoming; Condi Rice estava comprando sapatos na Ferragmo da 5ª Avenida e antendeu "Spamalot" antes que os bloggers a caçassem de volta a Washington; e Andy Card estava fora, no Maine — faltasse a empatia, mas pudessem fazer o trabalho. Mas é uma assustadora falta de empatia, combinada com uma espantosa falta de eficiência que poderia fazer esta administração implodir.

Quando o presidente e o vice-presidente rudemente sacudiram nossos aliados e nosso respeito às leis internacionais para perseguir uma guerra constuída sobre mentiras, quando eles sancionaram a tortura, eles abalaram a fé do mundo nos ideais americanos. Quando eles se mostraram surdos por tanto tempo à horrorosa miséria e aos gritos por socorro das vítimas de Nova Orleans — a maioria delas pobres e negras, tais com aquelas enfiadas no final das filas de evacuação ontem, enquanto os 700 hóspedes e empregados do Hotel Hyatt eram embarcados antes nos ônibus — eles abalaram a fé de todos os americanos nos ideais americanos. E nos envergonharam.

Quem somos nós, se não podemos cuidar dos nossos?

E-mail: liberties@nytimes.com

Copyright 2005 The New York Times Company


Preciso acrescentar algo?

20 agosto 2005

Acende a luz e para para organizar!!

Salve, Pessoal!

Cansou, torrou, esgotou a paciência. Eu não vou mais traduzir os artigos do Times de Londres sobre a cagada da Scotland Yard no caso Jean Charles de Menezes. Eu não vou mais discutir sobre a Lulambança, a não ser para dizer que, mais uma vez, um elo que deveria ser invstigado, não vai, por causa das "conveniências".

O primeiro caso, foi na época do linchamento político do Collor. Saiu uma pequenina nota, no meio da página que tratava do caso, dando grande destaque às declarações deste e daquele político. A nota dizia que o avião do PC Farias (o famoso "Morcego Negro") tinha feito um último percurso, antes de ficar meses estacionado em Brasília: uma viagem a Santa Cruz della Sierra, Cali e Medelin. Para quem sabia (como eu) que o Collor, no tempo em que era deputado, era conhecido como "Fernandinho do pó", a notícia parecia uma ponta de uma meada que iria dar em conseqüências extraordinárias. Pois bem... Foi a última vez que eu ouvi falar no assunto...

Agora, descobriram que o Valério trabalhou para o PSDB, mais exatamente para o Azeredo e patota, em Minas Gerais. Como é que o PT ficou sabendo do Valério? Mistério... Teoricamente, ele é amigo de longa data do Delúbio... Mas existe um fato que ninguém está querendo remexer: lembram-se por que a Senadora Heloisa Helena foi expulsa do PT (ela e mais dois deputados)? Porque ela se recusou a aceitar o Henrique Meirelles para Diretor do Banco Central. E não foi só porque ele tinha sido um dos Diretores do Banco de Boston: ele era "tucano" de carteirinha! Oficialmente filiado ao PSDB! É, no mínimo, uma coincidência interessante que já deveria ter sido investigada... Mas não vai ser. O mero fato do Pallocci ter sido denunciado como envolvido no caso do assassinato do Celso Daniel fez a Bolsa cair e o dólar subir... Apesar desse envolvimento ser conhecido desde que o Pallocci foi indicado para Minsitro.

Outro assunto que já encheu definitivamente meu saco: tem um monte de gente pedindo que os militares dêm um novo golpe de estado, para "por ordem na casa".

Não funcionou em 1964 e não vai funcionar agora... Primeiro, porque os próprios militares não querem. A grande maioria dos militares jamais esteve ligada ao processo de tomada de decisões, durante o período da "ditadura". Levamos a fama e nenhum proveito. Só se lembram dos "desaparecidos" e dos "exilados" – os soldados e policiais mortos pelos "combatentes da liberdade", alguns executados barbaramente, a porrada, não contam. Só quem matou e torturou foram "os militares" (a sentinela do 5°BI de Lorena, SP, explodido por um carro-bomba, era um "japinha" de dezessete anos, que queria ser professor...). Segundo: para por o que, no lugar? Um bando de generais otários que vai ser, de novo, enrolada pelos economistas e sociólogos. Nenhum general (de qualquer força) atual é tão bobo. Sabe o tamanho da 'batata quente" e não vai por as mãos nela.

O pânico é mau conselheiro. Esse é o título de um tópico na Comunidade Orkut "Questões Militares - Brasil", da autoria deste nada modesto blogger. Nele, eu traço um paralelo entre a cagada feita pela Scotland Yard e o faniquito dos brasileiros. E digo, textualmente: "Quem está disposto a entregar sua liberdade, em troca de sua segurança, tem nome: "Escravo!" O povo brasileiro tem que se conscientizar de que esse bando de corruptos safados foi posto lá por um bando de otários que queria se beneficiar com as promessas que eles fizeram. Toda vítima de "conto do vigário" é um vigarista burro que foi tapeado por um vigarista mais esperto que contou com a ganância do "pato".

Em resumo, Deus não é brasileiro! Se foi, há muito tempo ele cruzou a fronteira pelo Rio Grande e foi viver como "ilegal" nos EUA, ou então, teve seu passe vendido para o Real Madrid. O problema é nosso, do povo inteiro, e a gente tem que resolver com as leis que tem. Se acharem que as leis não estão boas, elejam legisladores decentes... E não quem vai puxar a brasa para a sua (minha, deles) sardinha...

Se (como diz o título deste BLOG) "quem faz, não sabe", trate de aprender a fazer! Chega de arrumar "bodes expiatórios" e dar uma de mulherinha "dona-de-casa": "chama 'o homem' para resolver"... Essa casa tem "homem" (e, eu desconfio de que, a maioria deles, são do sexo feminino) e não precisa "chamar" ninguém, seja de fora, seja de farda...

17 agosto 2005

Quem policia a polícia?

Matéria publicada no The Times de Londres, sobre o assassinato de Jean Charles de Menezes (matéria de capa do The Times on-line).

17 de agosto de 2005

Relatório "vazado" enumera "mancadas" que a polícia deu quando atirou no suspeito de ser homem-bomba
Por Daniel McGrory and Stewart Tendler

A SCOTLAND YARD cometeu uma "série de erros catastróficos" que levaram policiais armados, que caçavam os homens-bomba de 21 de julho, a matar a tiros um brasileiro inocente, é o que foi revelado na noite passada.
O vazamento do depoimento dos policiais que tomaram parte na malfadada operação, revela que Jean Charles de Menezes foi dominado por um dos componentes da equipe de vigilância, antes de ser alvejado oito vezes, quando se sentava em um vagão do metro.
Documentos e fotografias da Comissão Independente de Queixas da Polícia também revelam que um dos componentes da equipe à paisana, que deveria ser o responsável pela identificação do suspeito, estava "aliviando necessidades fisiológicas", no momento em que Menezes saiu de seu apartamento, em 22 de julho, de forma que ele não podia afiançar que eles estariam seguindo Hussain Osman, um dos supostos homens-bomba. Também fica implícito que Menezes poderia ter sido capturado vivo.
Sir Ian Blair, o Comissário da Polícia Metropolitana, vai ter que se explicar sobre como uma sofisticada operação policial saiu-se tão incrivelmente errada.
Uma investigação da ITV News afirma que, quando o Sr. Menezes, 27, foi abordado pela polícia no trem da Linha Norte na estação de Stockwell, ele não teve qualquer atitude agressiva. As afirmações da polícia que, na ocasião, o eletricista estava "se comportando de modo errático", são presumivelmente falsas.
As mancadas começaram quando o Sr. Menezes saiu de seu apartamento em Tulse Hill, na Zona Sul de Londres às 9:30h. O agente disfarçado que deveria estar identificando qualquer um que saísse dos apartamentos, admitiu que abandonou seu posto, de forma que não pode comunicar observações ou fazer imagens de vídeo.
Seu conselho foi: "Seria bom que alguém mais desse uma olhada", para se assegurar que eles tinham seguido o homem certo. Aparentemente, nenhum outro policial tirou uma foto dele, apesar do Sr. Menezes ter tido que tomar um ônibus. Mesmo assim, o "Gold Command" na Scotland Yard, que dirigiu esta operação, declarou um "código vermelho" e passou a responsabilidade para o CO19 ─ a equipe armada.
Esta equipe armada tinha recebido fotografias dos supostos homens-bomba, ainda assim, ninguém percebeu que o Sr. Menezes não guardava qualquer semelhança com eles. O relatório declara que a equipe armada foi avisada que poderiam ser necessárias "táticas não usuais" e que "tinham sido acionados para interceptar o suspeito e, se houvesse uma oportunidade de abordá-lo, mas o suspeito não cooperasse, poderiam atirar para matar (no original: "a critical shot may be taken”. )
As fitas do Circuito Interno de Vigilância do Metro mostram que o Sr. Menezes estava usando uma jaqueta fina de jeans que não poderia esconder uma bomba, e que não levava uma sacola. Longe de correr da polícia, ele não percebeu que qualquer pessoa o estivesse seguindo e até pegou um dos jornais gratuitos, antes de usar seu bilhete de múltiplas viagens para passar pelas roletas. Ele só começou a correr quando viu seu trem parando na estação. No dia do incidente, a Scotland Yard disse que "a roupa e o comportamento na estação do Sr. Menezes fez aumentar suas suspeitas". Foi somente quando o Sr. Menezes entrou no trem que um policial da vigilância guiou quatro policiais armados para dentro do mesmo vagão.
Um homem que estava sentado de frente para ele teria declarado: "Em poucos segundos eu vi um homem entrando pelas portas duplas a minha esquerda. Ele estava apontando uma pequena arma preta na direção da pessoa sentada a minha frente".
"Ele apontou a arma para o lado direito da cabeça do homem. A arma estava a umas doze polegadas (cerca de trinta centímetros) da cabeça do homem quando o primeiro tiro foi disparado".
O relatório revela que um dos policiais do grupo de vigilância agarrou o Sr. Menezes antes de atirarem nele. "Eu agarrei o homem de jaqueta de jeans abraçando-o com ambos os braços em torno de seu tórax, colando seus braços a seus flancos", diz um dos depoimentos.
"Então eu o empurrei de volta para o banco onde ele estava sentado antes... Eu ouvi um disparo de arma de fogo muito perto de minha orelha esquerda e caí no chão do vagão".
Na noite passada Harriet Wistrich, advogada da família do homem morto, disse que ainda há "muito mais perguntas do que respostas" sobre a conduta da polícia. A família pede por uma investigação completa.
Rosangela Rebelo, uma prima que mora na cidade natal do morto, Gonzaga, disse: "A família sempre acreditou no que os primos que viviam com ele em Londres, diziam, ao invés da versão da polícia sobre os eventos. Eu nunca acreditei que ele tivesse corrido para fugir. A família continua esperando por justiça. Eles mataram um homem inocente".
CONTRADIÇÕES
Polícia: Menezes usava uma roupa suspeita. Provado pela investigação: ele estava usando uma fina jaqueta de jeans.
Polícia: atitude suspeita no caminho para a Estação de Stockwell. Provado pela investigação: nada de estranho em seu comportamento.
Polícia: abordado na estação e se recusou a obedecer às instruções. Provado pela investigação: abordado pela primeira vez quando já estava sentado no trem.
Polícia: Menezes pulou a catraca da estação. Provado pela investigação: não pulou nada; apenas correu para pegar o trem.
Polícia: efetuou oito disparos sobre ele. Provado pela investigação: onze disparos efetuados; três erraram o alvo.


Mentiras, covardia, decisões tomadas por um idiota com um posto de comando dado por um político de merda. Jean Charles foi assassinado porque o filho da puta que deveria estar vigiando a porta do prédio "saiu para dar uma mijadinha"...

Atualizando em 18/8:

O Times publicou, hoje, que o púsutla do Sir Ian Blair (Chefe da Scotland Yard) tentou impedir a instauração do inquérito, alegando que isso "iria prejudicar o trabalho da Polícia". Com certeza! Se a verdade fosse conhecida, eles perderiam o "direito" de sair matando a torto e a direito! E essa é a "melhor polícia do mundo"... Que sábios são os britânicos: não deixam seus policiais andarem armados. Porque, se andassem armados, a ROTA ia ser considerada aliada da "Amnesty International"...

Polícia de merda por polícia de merda, voltemos ao Brasil. Impressionante como a polícia do Pará encontra rápido assassinos, quando quem morre é um estrangeiro...

E a Polícia Federal! Que rapidez em achar o dinheiro roubado do Banco Central em Fortaleza! Já as malas do Valério...

Quem policia a polícia?...

13 agosto 2005

Deu na Imprensa Internacional

Salve, Pessoal!

Você não está sentindo orgulho de ser brasileiro?! A imprensa internacional toda está publicando:

Le Monde (França): Lula apresenta suas desculpas aos brasileiros pelos escândalos de corrupção

The Times (Londres): Presidente do Povo se Penitencia por Propinas e Corrupção

The New York Times: Assessor do Líder do Brasil Admite que o Partido usou financiamento ilegal (pelo menos essa não é de primeira página)
Atualizando em 14/8:
Quem mandou eu dar idéia a quem não tinha? A edição deste sábado traz, na primeira página, a matéria A Oposição Brasileira protege o Presidente do Escândalo, por enquanto .

The Washington Post: Lula pede desculpas aos brasileiros pelo escândalo

Eu não vou me dar ao trabalho de traduzir os artigos. O Le Monde apenas dá um resumo das últimas notícias e da pesquisa Datafolha que indica Lula perdendo um 2° turno contra José Serra.

O Times de Londres é um pouco mais ácido. A notícia começa com seguinte parágrafo: "O primeiro presidente esquerdista fez ontem uma tentativa desesperada para salvar seu governo, indo à televisão para se desculpar sobre um grande escândalo de propinas e financiamento de campanha".

O The New York Times dá menor destaque, na parte das notícias internacionais, mencionando também a pesquisa Datafolha.

O Washington Post termina a notícia com o dado de que a Bolsa e a Moeda caíram, junto com a popularidade do Presidente.

Na quarta feira, quando eu fui para o Rio, todas as manchetes falavam do roubo da Agência do Banco Central em Fortaleza (segundo a WikiPedia, o 2° maior assalto a Bancos em toda a história...)

Depois disso tudo, eu vou estranhar que uma das pontes no meu coração esteja entupida? Para corno, todo castigo é pouco...