Salve, Pessoal!
Este artigo foi motivado pelos artigos postados pela Maria Guimarães no "Ciência e Idéias", ontem, com os títulos «“Declaração de São Paulo” define metas para melhorar a qualidade do ar e dos transportes urbanos na América Latina» e «Manifesto por cidades humanas».
O assunto é de grande importância e – por que não dizer – urgência. Os níveis de poluição nos grandes centros urbanos e a contaminação da atmosfera, em geral, são questões que não podem ser mais "empurradas com a barriga". Os efeitos já estão se fazendo sentir!
O que me deixa avesso, são certas afirmações simplistas, mentirosas em essência, e que, em lugar de procurar soluções realmente adequadas, se preocupam mais em achar "bodes expiatórios". Senão vejamos alguns trechos pinçados do primeiro dos artigos em causa.
Já começa o texto com a seguinte afirmação:
"Boa parte", quanto? Exatamente, quanto? Qual o índice de emissão de poluentes "per capita" para os carros particulares? E qual é a parte correspondente aos ônibus e caminhões desregulados? Qual é o índice "per capita" destes? Notem o recurso retórico de começar a segunda frase logo após a expressão "carros particulares", fazendo uma velada associação às "sérias conseqüências". Vejam o mesmo trecho, refraseado:
O conteúdo é o mesmo, mas a "apelação" emocional diminui bastante. As conseqüências são causadas pela poluição, não pelos carros somente. Claro que os carros são uma das fontes de poluição, mas o problema a enfrentar é a poluição em si, não o uso de carros particulares.
O texto, mais abaixo, prossegue:
Indiscutível! Mas com a frase inicial, ainda na cabeça, o leitor associa "frota de veículos" com "carros particulares", o que é, simplesmente, mentira! O número de veículos de transporte coletivo e de cargas cresce igualmente, em virtude da maior demanda por meios de transporte para pessoas e de mercadorias para essas pessoas (mas o crescimento desordenado das conurbações é solenemente ignorado – claro! Carros não votam, pessoas, sim. E o número de eleitores pedestres é bem maior do que o de "motorizados").
Outra "agulhada politicamente correta" aparece mais abaixo:
Opa! E o motivo da "proliferação dos pequenos coletivos"? Não é algo que mereça atenção? Esse "transporte alternativo" (eufemismo para "van", no Rio, e "perua", em Sampa) começou a operar em locais onde o Serviço Público de transporte não ia. De repente, perceberam que, mesmo nas rotas servidas pelos Transportes Públicos, havia espaço para os "piratas". Isto, certamente, é um dado relevante; mas que "passa batido": vamos "limpar os veículos"... Só não esqueçam de começar pelos ônibus legalizados e caminhões. E pelas "viaturas oficiais", a começar pelas latas velhas com as quais "equipam" as polícias (para quem não sabe: no Estado do Rio de Janeiro, as polícias recebiam veículos reprovados nos controles de qualidade das fábricas – portanto, mais baratos...) A perua clandestina (toda amarrada com arame e com um "kit-gás" clandestino) polui. Mas a ambulância (também caindo aos pedaços, porque jamais viu uma revisão), também. Dos ônibus que parecem equipados com geradores de fumaça, eu nem vou falar...
A questão dos combustíveis é realmente relevante. O Brasil tem tecnologia de ponta nesse setor: só resta passar do discurso de campanha para a prática (mas será que isso realmente interessa à Petrobrás?... O Brasil exporta, a preço vil, o excedente de gasolina, para custear a importação de Diesel — aliás, outro dado pouco conhecido: nosso combustível para aviação é dos mais baratos do mundo! Por que? Produção excedente...)
Desde a "crise do petróleo" da década de 1970, a Petrobrás sabia que um dispositivo combinando o óleo de mamona com o GLP poderia substituir o Diesel, sem necessidade de regulagem diferente do motor. Mas o GLP já é pouco para o consumo dos botijões domésticos e, gás natural canalizado, custa caro para implantar...
A matriz do transporte, no Brasil, é de um total absurdo. As cargas e passageiros são transportados, preferencialmente, pelos meios mais caros: aéreo e rodoviário. Isso, no país com a maior malha de aquavias interiores... Mas, construir uma hidroelétrica em Sete Quedas, tudo bem. Construir eclusas para a navegação... ah!... isso fica muito caro!... A navegação no São Francisco só sobrexiste por motivos turísticos. E pensar que ele foi uma das vias de penetração da colonização do Brasil-Colônia... Inventar uma absurda "transposição das águas do São Francisco" para resolver (será?...) o problema de meia-dúzia de municípios nordestinos, pode. Abrir canais para ligar as bacias fluviais, não.
Só para dar um exemplo de como, no Brasil, "o carro anda na frente dos bois", na época em que eu residi em Corumbá-Ladário, MS, mandar uma encomenda do Rio para Corumbá por via aérea, não só era mais rápido: era mais barato do que pela ferrovia! Dá para entender?...
Continuando a pinçar o texto:
Explicou o problema, mas não indicou uma solução. Mais pessoas, mais coletivos, mais combustível, mais tráfego, mais engarrafamentos, mais combustível desperdiçado, mais poluição. Qualquer um pode ver isso. E a solução?
Sim... E carregar algumas sacolas de compras a pé, ou penduradas no guidom da bicicleta são uma excelente solução... para a mãe dele! E uma ciclovia Seropédica - Centro do Rio é uma excelente alternativa para a Avenida Brasil – para quem não se importa de pedalar 120 km de ida e 120 km de volta, todo dia... Fácil! Você acorda às três da madruga, monta no "camelo" e sai pedalando... lá pelas 9, você está pronto para bater o ponto (e cair duro de cansaço no trabalho)... lá pelas cinco da tarde, você acorda, bate o ponto de novo, pega o "camelo" (se é que ele ainda está onde você deixou...) e chega em casa lá pelas 11 da noite... e cai na cama, sem tomar banho, porque, no dia seguinte, você tem que acordar às três da madruga... Ora, faça-me o favor!!!...
Existe uma linda ciclovia, no Rio, que liga Copacabana ao Centro da Cidade. Se há meia dúzia de pessoas que a usam, regularmente, para ir e voltar do trabalho, eu vou ficar muito surpreso...
Triste é um longo trecho que se segue:
Ou seja: quem tem um automóvel é um bandido, que merece cadeia ou coisa pior. O Sr. Peñalosa é um grande demagogo! Esse discurso (supostamente, de cunho muito social e humanista) agrada àqueles que não têm recursos para comprar um carro (muito mais numerosos...); mas o trânsito em Bogotá é famoso por ser uma m****.
Este tipo de atitude é de um maniqueísmo imbecil: onde há carros, não cabem pessoas; onde há pessoas, não cabem carros. Quem anda de carro não é "gente", portanto... Não paga impostos (sobre o veículo, sobre os combustíveis, sobre a "indústria de multas de trânsito", mais aqueles embutidos no preço do carro – que, no Brasil, são mais do que a metade do preço final do carro – e nos custos de manutenção). Garanto que o Sr. Peñalosa não dispensou nenhum recurso oriundo dessas fontes para suas obras de "humanização" de Bogotá... Non olet...
E esse maniqueísmo imbecil ainda impõe outras provações aos "malditos" motoristas particulares. "Uso de cinto de segurança obrigatório". Se fosse, realmente, pela preocupação com os ocupantes dos veículos, não deveria ser permitido transportar passageiros em pé nos ônibus. Ou será que isso foi resultado do lobby das Seguradoras que sabem que a maior parte dos acidentes ocorre em velocidades abaixo dos 60 km/h (acima disso o cinto é mais perigoso do que protetor). Junte os lucros das seguradoras (que não fazem seguro para passageiros de ônibus urbanos), à "indústria de multas" e uma maciça propaganda enganosa pela mídia (que recebe bom dinheiro pela propaganda veiculada), e temos mais uma "lenda urbana" criada.
"Lombadas eletrônicas", "Pardais" com velocidades ridiculamente baixas, localizados nos pontos estratégicos (no vale entre uma descida e uma subida, por exemplo, ou logo após à saída de um túnel), funcionando em horários onde nem alma penada está na rua (quanto mais a polícia, para lhe proteger de um assalto...), estacionamentos públicos com um número ridículo de vagas e taxas absurdas, e quem tem prioridade no planejamento urbano ainda é o pedestre! É mesmo?... E quanto ao acesso ao coletivo para deficientes e idosos?... E os pontos de ônibus que servem a trocentas linhas – onde o ônibus ou para no meio da rua, ou "passa batido"?... E a fiscalização dos transportes concedidos?
Querem um exemplo dessa última? Eu dou... O órgão estadual do RJ autorizou, há mais de um ano, a cobrança da passagem Niterói-Araruama em um valor superior a R$ 12,00. Atualmente, a concessionária monopolista (Auto Viação 1001) está cobrando R$ 8,00 pela passagem, a título de "promoção" (quando o valor foi fixado, a passagem custava, "na promoção", R$ 5,00). Agora, me conte com base em que foi fixado esse valor superior a R$ 12,00, quando a mesma companhia pode cobrar R$ 11,00 pela passagem Araruama-Rio, que passa pelo pedágio mais caro do Brasil (via Lagos) e pela Ponte Rio-Niterói????
Se eu for ao Rio com minha mulher, sai mais barato a gasolina (nem vou argumentar que meu carro é adaptado para GNV... é covardia...) do que a passagem (conte as passagens de ônibus urbano no Rio). Só que eu nunca vou de carro: a casa da minha sogra não tem garagem e eu não sou louco de tentar ir de carro ao Centro do Rio. Só se meu carro tivesse a capacidade de virar supositório...
Pois é, Maria... Eu concordo com você:
Mude de "nem sempre" para "quase nunca" e eu assino em baixo também!
Este artigo foi motivado pelos artigos postados pela Maria Guimarães no "Ciência e Idéias", ontem, com os títulos «“Declaração de São Paulo” define metas para melhorar a qualidade do ar e dos transportes urbanos na América Latina» e «Manifesto por cidades humanas».
O assunto é de grande importância e – por que não dizer – urgência. Os níveis de poluição nos grandes centros urbanos e a contaminação da atmosfera, em geral, são questões que não podem ser mais "empurradas com a barriga". Os efeitos já estão se fazendo sentir!
O que me deixa avesso, são certas afirmações simplistas, mentirosas em essência, e que, em lugar de procurar soluções realmente adequadas, se preocupam mais em achar "bodes expiatórios". Senão vejamos alguns trechos pinçados do primeiro dos artigos em causa.
Já começa o texto com a seguinte afirmação:
Boa parte da poluição do ar é causada por carros particulares. As conseqüências são sérias e vão desde mudanças climáticas globais até mortes e internações.
"Boa parte", quanto? Exatamente, quanto? Qual o índice de emissão de poluentes "per capita" para os carros particulares? E qual é a parte correspondente aos ônibus e caminhões desregulados? Qual é o índice "per capita" destes? Notem o recurso retórico de começar a segunda frase logo após a expressão "carros particulares", fazendo uma velada associação às "sérias conseqüências". Vejam o mesmo trecho, refraseado:
Os carros particulares são responsáveis por boa parte da poluição do ar. As conseqüências são sérias e vão desde mudanças climáticas globais até mortes e internações.
O conteúdo é o mesmo, mas a "apelação" emocional diminui bastante. As conseqüências são causadas pela poluição, não pelos carros somente. Claro que os carros são uma das fontes de poluição, mas o problema a enfrentar é a poluição em si, não o uso de carros particulares.
O texto, mais abaixo, prossegue:
Grande parte da poluição do ar se deve ao crescimento da frota de veículos.
Indiscutível! Mas com a frase inicial, ainda na cabeça, o leitor associa "frota de veículos" com "carros particulares", o que é, simplesmente, mentira! O número de veículos de transporte coletivo e de cargas cresce igualmente, em virtude da maior demanda por meios de transporte para pessoas e de mercadorias para essas pessoas (mas o crescimento desordenado das conurbações é solenemente ignorado – claro! Carros não votam, pessoas, sim. E o número de eleitores pedestres é bem maior do que o de "motorizados").
Outra "agulhada politicamente correta" aparece mais abaixo:
A proliferação de pequenos coletivos como as peruas são um problema sério, pois acabam por dividir o trânsito (e a emissão de poluentes) em veículos menores e mais “sujos”. A primeira medida, portanto, é limpar os veículos — tanto em termos de regulagem e tecnologia como do combustível utilizado.
Opa! E o motivo da "proliferação dos pequenos coletivos"? Não é algo que mereça atenção? Esse "transporte alternativo" (eufemismo para "van", no Rio, e "perua", em Sampa) começou a operar em locais onde o Serviço Público de transporte não ia. De repente, perceberam que, mesmo nas rotas servidas pelos Transportes Públicos, havia espaço para os "piratas". Isto, certamente, é um dado relevante; mas que "passa batido": vamos "limpar os veículos"... Só não esqueçam de começar pelos ônibus legalizados e caminhões. E pelas "viaturas oficiais", a começar pelas latas velhas com as quais "equipam" as polícias (para quem não sabe: no Estado do Rio de Janeiro, as polícias recebiam veículos reprovados nos controles de qualidade das fábricas – portanto, mais baratos...) A perua clandestina (toda amarrada com arame e com um "kit-gás" clandestino) polui. Mas a ambulância (também caindo aos pedaços, porque jamais viu uma revisão), também. Dos ônibus que parecem equipados com geradores de fumaça, eu nem vou falar...
A questão dos combustíveis é realmente relevante. O Brasil tem tecnologia de ponta nesse setor: só resta passar do discurso de campanha para a prática (mas será que isso realmente interessa à Petrobrás?... O Brasil exporta, a preço vil, o excedente de gasolina, para custear a importação de Diesel — aliás, outro dado pouco conhecido: nosso combustível para aviação é dos mais baratos do mundo! Por que? Produção excedente...)
Desde a "crise do petróleo" da década de 1970, a Petrobrás sabia que um dispositivo combinando o óleo de mamona com o GLP poderia substituir o Diesel, sem necessidade de regulagem diferente do motor. Mas o GLP já é pouco para o consumo dos botijões domésticos e, gás natural canalizado, custa caro para implantar...
A matriz do transporte, no Brasil, é de um total absurdo. As cargas e passageiros são transportados, preferencialmente, pelos meios mais caros: aéreo e rodoviário. Isso, no país com a maior malha de aquavias interiores... Mas, construir uma hidroelétrica em Sete Quedas, tudo bem. Construir eclusas para a navegação... ah!... isso fica muito caro!... A navegação no São Francisco só sobrexiste por motivos turísticos. E pensar que ele foi uma das vias de penetração da colonização do Brasil-Colônia... Inventar uma absurda "transposição das águas do São Francisco" para resolver (será?...) o problema de meia-dúzia de municípios nordestinos, pode. Abrir canais para ligar as bacias fluviais, não.
Só para dar um exemplo de como, no Brasil, "o carro anda na frente dos bois", na época em que eu residi em Corumbá-Ladário, MS, mandar uma encomenda do Rio para Corumbá por via aérea, não só era mais rápido: era mais barato do que pela ferrovia! Dá para entender?...
Continuando a pinçar o texto:
Mas ônibus movidos a combustíveis mais limpos, como gás natural ou biodiesel, não resolvem o problema de poluição se estão presos no trânsito, afirma Schipper. “A mobilidade sustentável é o que resolve o problema”. Segundo ele, a ênfase em combustíveis limpos traz o problema de aumentar sua demanda. A solução é reduzir a necessidade de combustível, explicou.
Explicou o problema, mas não indicou uma solução. Mais pessoas, mais coletivos, mais combustível, mais tráfego, mais engarrafamentos, mais combustível desperdiçado, mais poluição. Qualquer um pode ver isso. E a solução?
Lloyd Wright, da Fundação Viva, em Quito (Equador)[...] acredita que vias para pedestres, ciclovias e transporte público são soluções muito mais efetivas do que depender de um tipo de combustível. Mas ele avisa que essas soluções só serão adotadas pelo público se oferecerem velocidade, comodidade e segurança.
Sim... E carregar algumas sacolas de compras a pé, ou penduradas no guidom da bicicleta são uma excelente solução... para a mãe dele! E uma ciclovia Seropédica - Centro do Rio é uma excelente alternativa para a Avenida Brasil – para quem não se importa de pedalar 120 km de ida e 120 km de volta, todo dia... Fácil! Você acorda às três da madruga, monta no "camelo" e sai pedalando... lá pelas 9, você está pronto para bater o ponto (e cair duro de cansaço no trabalho)... lá pelas cinco da tarde, você acorda, bate o ponto de novo, pega o "camelo" (se é que ele ainda está onde você deixou...) e chega em casa lá pelas 11 da noite... e cai na cama, sem tomar banho, porque, no dia seguinte, você tem que acordar às três da madruga... Ora, faça-me o favor!!!...
Existe uma linda ciclovia, no Rio, que liga Copacabana ao Centro da Cidade. Se há meia dúzia de pessoas que a usam, regularmente, para ir e voltar do trabalho, eu vou ficar muito surpreso...
Triste é um longo trecho que se segue:
Mas para realmente solucionar o problema, é preciso ousar. Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá, contou sobre as mudanças feitas na capital colombiana. Segundo ele, a questão do transporte transcende questões científicas e técnicas. “As cidades têm que refletir que os seres humanos são sagrados”, diz. Elas têm que ser planejadas para promover igualdade social e bem-estar. Até agora foi dada prioridade à mobilidade dos carros mais do que à felicidade das crianças. E segundo ele, para sermos felizes precisamos caminhar. De outra forma sobrevivemos, como um passarinho sobrevive numa gaiola.
Peñalosa chega a considerações mais filosóficas do que políticas. Segundo ele, precisamos rever nossos ideais de felicidade. Talvez ter um carro possante e andar a 200 Km/h numa auto-estrada não traga tanta felicidade quanto passear numa bicicleta velha por uma ciclovia às margens de um rio. Acima de tudo, ele defende que as cidades devem contribuir para a igualdade de qualidade de vida entre as pessoas. Para o ex-prefeito, é impossível tomar decisões sobre transporte sem definir que tipo de cidade se quer. Sua proposta é construir cidades para as pessoas, que privilegiem o espaço público para pedestres.
É esse o rumo que ele tomou durante sua gestão de Bogotá: tornar a cidade mais agradável para pessoas do que para carros. Por isso, vagas para estacionamento perderam espaço para calçadas alargadas. Se os recursos são escassos, a prioridade vai para calçamento de vias para pedestres e bicicletas; se falta espaço, o que não cabe são os carros. É esta a visão de Peñalosa. E andar de bicicleta, não porque seja simpático ou divertido. Mas porque é um direito do cidadão deslocar-se de forma barata sem correr risco de vida.
Ou seja: quem tem um automóvel é um bandido, que merece cadeia ou coisa pior. O Sr. Peñalosa é um grande demagogo! Esse discurso (supostamente, de cunho muito social e humanista) agrada àqueles que não têm recursos para comprar um carro (muito mais numerosos...); mas o trânsito em Bogotá é famoso por ser uma m****.
Este tipo de atitude é de um maniqueísmo imbecil: onde há carros, não cabem pessoas; onde há pessoas, não cabem carros. Quem anda de carro não é "gente", portanto... Não paga impostos (sobre o veículo, sobre os combustíveis, sobre a "indústria de multas de trânsito", mais aqueles embutidos no preço do carro – que, no Brasil, são mais do que a metade do preço final do carro – e nos custos de manutenção). Garanto que o Sr. Peñalosa não dispensou nenhum recurso oriundo dessas fontes para suas obras de "humanização" de Bogotá... Non olet...
E esse maniqueísmo imbecil ainda impõe outras provações aos "malditos" motoristas particulares. "Uso de cinto de segurança obrigatório". Se fosse, realmente, pela preocupação com os ocupantes dos veículos, não deveria ser permitido transportar passageiros em pé nos ônibus. Ou será que isso foi resultado do lobby das Seguradoras que sabem que a maior parte dos acidentes ocorre em velocidades abaixo dos 60 km/h (acima disso o cinto é mais perigoso do que protetor). Junte os lucros das seguradoras (que não fazem seguro para passageiros de ônibus urbanos), à "indústria de multas" e uma maciça propaganda enganosa pela mídia (que recebe bom dinheiro pela propaganda veiculada), e temos mais uma "lenda urbana" criada.
"Lombadas eletrônicas", "Pardais" com velocidades ridiculamente baixas, localizados nos pontos estratégicos (no vale entre uma descida e uma subida, por exemplo, ou logo após à saída de um túnel), funcionando em horários onde nem alma penada está na rua (quanto mais a polícia, para lhe proteger de um assalto...), estacionamentos públicos com um número ridículo de vagas e taxas absurdas, e quem tem prioridade no planejamento urbano ainda é o pedestre! É mesmo?... E quanto ao acesso ao coletivo para deficientes e idosos?... E os pontos de ônibus que servem a trocentas linhas – onde o ônibus ou para no meio da rua, ou "passa batido"?... E a fiscalização dos transportes concedidos?
Querem um exemplo dessa última? Eu dou... O órgão estadual do RJ autorizou, há mais de um ano, a cobrança da passagem Niterói-Araruama em um valor superior a R$ 12,00. Atualmente, a concessionária monopolista (Auto Viação 1001) está cobrando R$ 8,00 pela passagem, a título de "promoção" (quando o valor foi fixado, a passagem custava, "na promoção", R$ 5,00). Agora, me conte com base em que foi fixado esse valor superior a R$ 12,00, quando a mesma companhia pode cobrar R$ 11,00 pela passagem Araruama-Rio, que passa pelo pedágio mais caro do Brasil (via Lagos) e pela Ponte Rio-Niterói????
Se eu for ao Rio com minha mulher, sai mais barato a gasolina (nem vou argumentar que meu carro é adaptado para GNV... é covardia...) do que a passagem (conte as passagens de ônibus urbano no Rio). Só que eu nunca vou de carro: a casa da minha sogra não tem garagem e eu não sou louco de tentar ir de carro ao Centro do Rio. Só se meu carro tivesse a capacidade de virar supositório...
Pois é, Maria... Eu concordo com você:
Que tal ir trabalhar a pé ou de bicicleta, mesmo que demore um tanto mais? Você deixaria de poluir o ar, economizaria tempo e dinheiro com academia e ficaria mais saudável.
Eu adoraria, pena que nem sempre é possível.
Mude de "nem sempre" para "quase nunca" e eu assino em baixo também!
