30 setembro 2005

Tadinho do Papai Noel...

Salve, Pessoal! Como a falta do que fazer é muita e eu gosto de praticar minhas habilidades de tradução, lá vai mais uma de um artigo do The New York Times, da edição de ontem, sobre a diminuição das calotas polares. Leiam e vejam se observam a mesma coisa que eu...

29 de Setembro de 2005
Em uma tendência de derretimento, menos gelo disponível no Ártico
Por ANDREW C. REVKIN

A camada flutuante de gelo marinho no Oceano Ártico encolheu, neste verão, ao que provavelmente foi seu menor tamanho em pelo menos um século de registros feitos, continuando a apresentar uma tendência na direção de menos gelo no verão, conforme relatou ontem uma equipe de "experts".

Esta mudança é algo difícil de explicar sem atribuí-la, em parte, ao aquecimento global por interferência do homem, disseram os membros da equipe e outros "experts" sobre a região.

A mudança parece, também, estar inclinada a se tornar auto-sustentável: a maior superfície de águas abertas absorve mais energia solar que, de outra forma, teria sido refletida de volta ao espaço pelo brilhante gelo branco, disse Ted A. Scambos – um cientista do Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo em Boulder, Colorado – que compilou os dados juntamente com a NASA.

"Os 'feedbacks' no sistema estão começando a tomar conta", disse o Dr. Scambos.

Os dados foram disponibilizados no site do Centro: www.nsidc.org.

As descobertas são consistentes com as recentes simulações computadorizadas que mostram que um acúmulo de emissões de gases associados ao efeito-estufa provenientes de chaminés e canos de escape, poderia levar a um Ártico profundamente transformado, lá para o final deste século, quando grande parte do Oceano que era preso na banquisa de gelo, vai se tranformar em águas abertas durante os verões.

As áreas de águas abertas no verão podem ser um benefício para as baleias e os bacalhaus e o recesso do gelo poderia criar atalhos nas rotas de navegação entre o Atlântico e o Pacífico.

Mas uma hoste de problemas está, também, pela frente. Uma das conseqüências mais significativas do aquecimento do Ártico serão fluxos aumentados de águas derretidas e icebergs, das geleiras e banquisas, e, com isso, um aumento acelerado nos níveis dos mares, ameaçando as áreas costeiras. A perda do gelo marinho também pode ser danosa para os ursos polares e os caçadores de focas Esquimós.

A calota de gelo do Ártico sempre cresce no inverno e encolhe no verão. A área média do mínimo, desde 1979 quando começou o preciso mapeamento por satélite, até 2.000 era de 2,69 milhões de milhas quadradas, um tamanho semelhante ao território dos Estados Unidos, sem o Alaska. A nova mínima de verão, medida em 19 de setembro, ficou 20% abaixo disso.

Antes de 1979, os cientistas estimavam o tamanho da calota de gelo com base em realtórios feitos por navios e aviões.

A diferença entre a área média de gelo e a área registrada neste verão foi de cerca de 500 mil milhas quadradas, uma área cerca de duas vezes o estado do Texas, disseram os cientistas.

Este verão foi o quarto de uma série em que a área da calota de gelo ficou bem abaixo da média histórica – disse Mark C. Serreze, um cientista sênior e professor na Universidade de Colorado em Boulder.

O Dr. Scambos disse que as sucessivas reduções da calota de gelo "tornam bastante certo que um declínio de longo prazo está em andamento".

Segundo o Dr. Serreze, o ciclo natural na atmosfera polar, chamado de "Oscilação Ártica" que contribuiram para redução do gelo ártico no passado, não parece ter sido um fator presente nos muitos últimos anos.

Ele disse que o papel da acumulação das emissões de gases associados ao efeito-estufa tem se tornado mais e mais aparente, com temperaturas crescentes no ar e no mar. Ainda assim, muitos cientistas dizem que não é possível estabelecer que parte das mudanças no Ártico são causados pelos níveis de dióxido de carbono e outras emissões de fontes humanas, e o quanto são as oscilações climáticas usuais.

O Dr. Serreze e outros cientistas dizem que maiores instabilidades podem estar pela frente e que a área da calota de gelo pode até aumentar em alguns anos. Mas os cientistas acharam poucos indícios de que outros fatores, tais como um aumento na nebulosidade no Ártico, em um mundo em processo de aquecimento, possa reverter a tendência.

"Com toda essa água escura aberta, você começa a ver um aumento na armazenagem de calor no Oceano Ártico", disse o Dr. Serreze. "Quando chega o outono e o inverno, isso torna mais difícil o crescimento do gelo e, na próxima primavera, você acaba com uma calota menor e mais fina. E fica mais fácil perder mais ainda no ano seguinte".

O resultado, disse ele, é que o Ártico está "se tornando um lugar profundamente diferente do lugar que nós nos acostumamos a pensar".

Outros "experts" em gelo e clima árticos discordaram de detalhes. Por exemplo, Ignatius G. Rigor da Universidade de Washington, disse que a mudança estava provavelmente ligada a uma mistura de fatores, inclusive as influências do ciclo atmosférico.

Porém ele concordou com o Dr. Serreze em que a influência dos gases associados ao efeito-estufa têm que estar envolvidos.

"A idéia do aquecimento global tem que ter um papel importante nesse cenário", disse o Dr, Rigor. "Eu penso que nós temos um estado climático diferente no Ártico agora. Todos esses 'feedbacks' estão começando a influenciar diretamente e realmente estão sumindo com o gelo no fim do verão".

Outros "experts" expressaram alguma cautela. Claire L. Parkinson, uma "expert" em gelo oceânico no Centro Goddard de Vôos Espaciais (da NASA) em Greenbelt, Mariland, dise que uma pletora de de mudanças no Ártico – inclusive temperaturas mais altas, derretimento dos gelos perenes e a reução da calota de gelo marinho – são consistentes com o aquecimento de origem humana. Mas ela enfatizou que o complexo sistema está, ainda, longe de ser completamente compreendido.

William L. Chapman, um pesquisador de gelo marinho na Universidade de Illinois Urbana-Chamapaign, disse que é importante ter em mente que o tamanho da calota de gelo pode variar tremendamente, em parte por causa das mudanças nos padrões de ventos, que podem fazer com que a calota de gelo se acumule de um lado do litoral ártico ou se afaste do outro.


Perceberam?... Diversos especialistas estão dizendo "é o efeito-estufa!" Os outros dizem: "é possível que seja o efeito-estufa..." O curioso é que os que dizem que é só "possível" são os dos Órgãos do Governo, como a especialista da NASA.

Isso tudo porque o imbecil chapado do W. Bush se recusa a admitir que tem que aderir ao Protocolo de Kioto e os caras querem manter seus empregos públicos...

Tadinho do Papai Noel: daqui a pouco, tudo que vai restar de sua fábica de brinquedos e de sua casa vai ser a piscina...

Mas o que ninguém está falando, com clareza, é das conseqüências do efeito-estufa. Em uma primeira etapa, as calotas polares vão se derretendo. Isso faz com que o nível dos mares suba (e lá se vai minha casa em Araruama, junto com a cidade...) e, também, aumenta a umidade da atmosfera (se vocês acharam as gêmeas Catarina e Katrina interessantes, aguardem o que vem por aí...). No final, o mundo inteiro vai ficar coberto por núvens. Aí começa a segunda etapa. Essas nuvens vão refletir a radiação solar de volta para o espaço e a temperatura geral da Terra vai mergulhar rapidamente. As chuvas vão continuar a cair, cada vez mais fortes e os invernos vão ficar cada vez mais rigorosos. E as geleiras vão se expandir mais uma vez, tornando todas as áreas temperadas da Terra inabitáveis e os Trópicos em uma área fria e seca.

Esse foi o quadro pintado por Louis Agassiz em 1837, assumindo que o efeito-estufa tenha sido causado por um ciclo particularmente violento de vulcanismo, para a Idade do Gelo que, por pouco, não fez perecer uma certa espécie de macaquinhos muito promissores...

Mas eu confio em Mamãe Natureza: ela nunca vai à loucura; vai à forra... O mundo inteiro vai sofrer com isso, mas quem vai para o brejo primeiro são as vacas sagradas... E o Primeiro Mundo vai ficar no dilema da cigarra da fábula: não cantou? Agora dance! (E seus arsenais nucleares podem ser usados como supositório: se usarem, as terras que eles precisam vão ficar inabitáveis, também...)

Quem semeia "Tempestades no Deserto", colhe furacões na Costa do Golfo...

27 setembro 2005

Estados Unidos: a próxima União Soviética?

Salve, Pessoal! Um amigo me mandou um link para uma matéria que é uma tradução de uma entrevista com um historiador e demógrafo, publicada originalmente pelo jornal francês Le Figaro (eu não sei como essa matéria me escapou, mas, felizmente, eu tenho bons amigos). A matéria é de conteúdo explosivo e, como esse amigo diz:
Esta entrevista com Emmanuel Todd expõe possíveis implicações profundas do despreparo estadunidense para lidar com o Katrina

http://www.truthout.org/docs_2005/091205H.shtml

Emmanuel Todd é historiador e demógrafo, na década de setenta publicou artigos prevendo, com precisão, detalhes de como se daria o declínio soviético nas décadas seguintes baseado em análise comparativa de dados demográficos da mortalidade infantil na URSS.

Recentemente ele escreveu um livro chamado 'Après l'empire" (depois do império), no qual sugere, apontando evidências demográficas e histórico-econômicas, o porvir de uma condição não-hegemônica dos EUA.



Como este amigo não publicou, ele mesmo este texto, preferindo mandar por email, eu vou tomar a liberdade de omitir minha fonte, apresentando apenas a tradução (da tradução — eu não localizei a matéria original no Le Figaro). Se ele quiser assumir a paternidade, sinta-se livre para fazê-lo. Lá vai:
Emmanuel Todd: O Espectro de uma Crise no Estilo Soviético
Por Marie-Laure Germon and Alexis Lacroix
Le Figaro

2ª feira, 12 de Setembro de 2005

De acordo com este demógrafo, o Furacão Katrina revelou o declínio do Sistema Americano.

Engenheiro de pesquisas no Instituto Nacional de Estudos Demográficos, historiador, autor de "Après l'empire" ("Após o Império"), publicado pela Gallimard em 2002 – um ensaio em que ele prevê o "desmoronamento" do sistema americano – Emmanuel Todd faz uma revisão para Le Figaro das sérias falhas reveladas pela tempestade.

Le Figaro - Qual é a primeira lição moral e política que se pode aprender da catástrofe provocada por Katrina? necessidade de uma modificação "global" em nosso relacionamento com a natureza?

Emmanuel Todd - Vamos nos precaver de uma interpretação extrapolada. Não devemos perder de vista o fato de que estamos falando de um furacão de intensidade extraordinária que teria porduzido danos monstruosos em qualquer lugar. Um elemento que surpreendeu a muitos – a erupção da população negra, uma grande maioria neste desastre – não me surpreendeu pessoalmente, já que eu realizei um grande estudo sobre os mecanismos da segregação racial nos Estados Unidos. Eu sabia, há muito tempo, que o mapa da mortalidade infantil nos Estados Unidos é sempre uma cópia exata da densidade das populações negras. Por outro lado, eu fiquei surpreso que os espectadores desta catástrofe subitamente se deram conta de que Condolezza Rice e Colin Powell não são ícones particularmente representativos das condições da América negra. O que realmente fez eco a minha representação dos Estados Unidos – como desenvolvido em Après l'empire – foi que os Estados Unidos ficaram desabilitados e ineficazes. O mito da eficiência e do super-dinamismo da economia americana estão em perigo.

Nós pudemos observar a inadequação dos recursos técnicos, dos engenheiros, das forças militares no local, para confrontar a crise. Isso levantou o véu sobre uma economia americana, percebida como muito dinâmica, beneficiária de uma taxa de desemprego baixa, creditada com uma sólida taxa de crescimento do PIB. Em confronto com os Estados Unidos, a Europa é tida como praticamente patética, esmagada pelo desemprego endêmico e golpeada com um crescimento anêmico. Mas o que as pessoas não queriam ver é que o dinamismo dos Estados Unidos é um dinamismo de consumo.

LF - O consumo doméstico americano é artificialmente estimulado?

ET - A economia americana está no coração de um sistema econômico globalizado e os Estados Unidos funcionam como uma notável bomba de circulação financeira, importando capital em um nível de 700 a 800 bilhões de dólares ao ano. Esses fundos, após a redistribuição, financiam o consumo de mercadorias importadas – um setor realmente dinâmico. O que tem caracterizado os Estados Unidos, por anos, é a tendência de inflar o monstruoso déficit das contas externas, que agora está perto dos 700 bilhões de dólares. A grande fraqueza desse sistema econômico é que ele não se apoia em uma fundação de real capacidade industrial doméstica.

A indústria americana foi sangrada até o fim e é o declínio industrial que, acima de tudo, explica a negligência de uma nação confrontada com uma situação de crise: para gerenciar uma catástrofe natural, você não precisa de técnicas financeiras sofisticadas. ou de advogados especializados na extorsão de fundos em nível global, mas você precisa de material, engenheiros e técnicos, bem como de um sentimento de solidariedade coletiva. Uma catástrofe natural em teritório nacional confronta um país com sua identidade mais profunda, com suas capacidades de resposta tecnológica e social. Agora, se a população da América pode muito bem concordar em consumir juntos – o nível de poupança doméstica é praticamente nulo – em termos de produção de material, de prevenção e planejamento de longo prazo, ela se provou desastrosa. A tempesatade mostrou os limites de uma economia virtual que identifica o mundo com um vasto video-game.

LF - É lícito relacionar o sistema americano de margem de lucro – esse "neo-liberalismo" denunciado pelos comentaristas europeus – e a catástrofe que atingiu Nova Orleans?

ET - A gerência da catástrofe teria sido muito melhor nos Estados Unidos do passado. Depois da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos asseguravam metade da produção dos bens produzidos no planeta. Hoje em dia, os Estados Unidos se mostram com pontas soltas, atolado em um Iraque devastado que eles não conseguem reconstruir. Os americanos levaram um longo tempo para blindar seus veículos, para proteger suas próprias tropas. Eles tiveram que importar munição leve. Que diferença dos Estados Unidos da Segunda Guerra que, ao mesmo tempo, esmagou o exército japonês com sua frota de porta-aviões, organizou os desembarques na Normandia, reequipou o Exército russo com material leve, contribuiu magistralmente para a libertação da Europa e manteve as populações européia e alemã, libertas de Hitler, vivas. Os americanos sabiam como dominar a tempestade nazista com uma maestria de que hoje se mostram incapazes em uma única de suas regiões. A explicação é simples: o capitalismo americano daquela era foi um capitalismo industrial, com base na produção de bens; em resumo, um mundo de engenheiros e técnicos.

LF - Não seria mais pertinente reconhecer que, virtualmente, não há mais desastres puramente naturais, em uma definição rigorosa, em virtude da falta de moderação das atividades humanas? Não seria o caso de que o "American Way of Life" deva se auto-reformar? Por exemplo, aceitando as limitações do Protocolo de Kyoto?

ET - As sociedades e incorporações socias da Europa e dos Estados Unidos são radicalmente diferentes. A Europa é parte de uma economia agrícola muito antiga, acostumada a tirar sua subsistência do solo com dificuldade em um clima relativamente temperado, a salvo das catástrofes naturais. Os Estados Unidos são um tipo de sociedade inteiramente nova que começou trabalhando um solo virgem e fértil no coração de um ambiente natural mais hostil. Seu clima continental, muito mais violento, não constituiu um problema para os Estados Unidos enquanto eles desfrutaram de uma real vantagem econômica, isto é, enquanto eles detinham os meios técnicos para dominar a natureza. No presente, a hipótese de uma dramatização humana da natureza, nem é mais necessária. A simples deterioração da capaciade técnica de uma economia americana, não mais produtiva, criou a ameaça de que a Natureza faça nada mais do que retomar seus direitos (naturais).

Os americanos precisam de mais aquecimento no inverno e mais ar-condicionado no verão. Se nós formos, um dia, confrontados com uma penúria, não mais relativa, mas absoluta, os europeus vão se adaptar a ela melhor porque seu serviço de transporte é muto mais concentrado e econômico. Os Estados Unidos foram concebidos, com respeito ao consumo de energia e espaço, de uma maneira quase caprichosa, não bem pensada.

Não vamos apontar nossos dedos para o agravamento das condições naturais, mas preferencialmente para a deterioração econômica de um sociedade que tem que se confrontar com uma natureza muito mais violenta. Os europeus, como os japoneses, demonstraram sua excelência com respeito à economia de energia, durante os antecedentes "choques do petróleo". Era de se esperar: as sociedades européia e asiática se desenvolveram gerenciando a escassez e, ao final, várias décadas de abundância de energia vão parecer um breve parênteses em um dia de sua história. Os Estados Unidos foram construídos na abundância e não sabem gerenciar a esacassez. Dessa forma, eles agora são confrontados com o desconhecido. Os passos iniciais dessa adaptação não se mostraram muito promissores: os europeus têm estoques de gasolina, os americanos têm estoques de petróleo cru – eles não construiram uma só refinaria desde 1971.

LF - Então não é só no sistema econômico que você põe a culpa?

ET - Eu não estou fazendo um julgamento moral. Eu focaliso minha análise no apodrecimento de todo o sistema. Après l'impire desenvolve teses que, em seu todo, eram bem moderadas e que eu me sinto tentado a radicalizar hoje. Eu predisse o colapso da do sistema soviético com base no aumento das taxas de mortalidade infantil, durante o período de 1970 a 1974. Agora, os últimos números publicados sobre este tema pelos Estados Unidos – os de 2002 – demonstram um recrudescimento das taxas de mortalidade infantil para todas as, assim chamadas, "raças" americanas. O que se pode deduzir a partir disso? Em primeiro lugar, que devemos evitar o enforque estritamente racial na interpretação da catástrofe do Katrina e trazer tudo à conta do problema dos negros, em particular a desintegração da sociedade local e o problema dos saques. Isso constituiria um problema de esconde-esconde ideológico. O saque dos supermercados é só uma repetição nos escalões mais baixos da sociedade, do sistema predatório que está no coração do sistema social americano de hoje.


LF - O sistema predatório?

ET - Este sistema social não se assenta mais sobre a ética Calvinista dos "Founding Fathers" ("Pais Fundadores") e seu gosto pela poupança – mas, ao contrário, em um novo ideal (eu não ouso falar em ética ou moral): a busca da maior remuneração em troco do mínimo de esforço. Dinheiro adquirido rapidamente, por especulação e, por que não, por roubo. A gangue de negros desempregados que saqueia um supermercado e o grupo de oligarcas que tentam organizar o seqüestro do século das reservas de hidrocarbonetos do Iraque, têm um princípio de ação em comum: predação. As disfunções em Nova Orleans refletem certos elementos centrais da cultura americana presente.


LF - Você postula que o gerenciamento do Katrina revela uma preocupante fragmentação territorial, acrescida do pouco caso do aparato militar. O que devemos então temer no foturo?

ET - A hipótese do declínio, desenvolvida em Après l'empire, evoca uma possibilidade do simples retorno dos Estados Unidos ao normal, certamente associado a uma queda no padrão de vida de 15 a 20%, porém garantindo para a população um nível de consumo e de energia "padrão" no mundo desenvolvido. Eu só estava atacando o mito da superpotência. Hoje, eu tenho medo de ter sido muito otimístico. A inabilidade dos Estados Unidos em responder a uma competição industrial, seu grande déficit em bens de alta tecnologia, o recrudescimento das taxas de mortalidade infantil, a perda de eficiência (e prática ineficiência) do aparato militar, a persistente negligência das elites, incitam-me a considerar a possibilidade de uma real crise do tipo soviético nos Estados Unidos.

LF - Seria uma tal crise uma conseqüência da política da Administração Bush, que você estigmatiza por seus aspectos paternalísticos e de Darwinismo social? Ou seriam suas causas mais estruturais?

ET - O neo-conservadorismo americano não deve ser culpado sozinho. O que me parece mais chocante é a maneira como esta América que encarna o absoluto oposto da União Soviética, está ao ponto de causar a mesma catástrofe pela caminho oposto. O comunismo, em sua loucura, supôs que a sociedade era tudo e o indivíduo não era nada, uma base ideológica que causou sua própria ruína. Hoje, os Estados Unidos nos asseguram, com uma fé cega tão intensa como a de Stálin, que o indivíduo é tudo, o mercado é o suficiente e que o Estado é odioso. A intensidade da fixação ideológica é totalmente comparável à fixação do delírio comunista. Esta postura individualista e inequalitária desorganiza a sociedade americana para a ação. O mistério real, para mim, reside aí: como pode uma sociedade renunciar ao bom-senso e pragmatismo a um tal ponto, e entrar em um tal processo de auto-destruição ideológica? É um beco-sem saída histórico para o qual eu não tenho resposta e o problema não pode ser abstraído das políticas da atual administração somente. É toda a sociedade americana que parece estar se lançando em uma política de escorpião, um sistema doentio que termina se aplicando seu próprio veneno. Este comportamento não é racional, mas, ao mesmo tempo, ele não contradiz a lógica da história. As gerações pós-guerra perderam a familiaridade com a tragédia e com o espetáculo dos sistemas auto-destrutivos. Mas a realidade empírica da história humana é que isto não é racional.



Apavorante, não?...

Corrupção e desvio de dinheiro público

Alô, Pessoal! Você que andava desanimado, achando que o Brasil é o lar dos corruptos, que a roubalheira da coisa pública é uma "claúsula pétrea da Constiuição" e que "no Primeiro Mundo isso não acontece", que "isso é coisa de subdesenvolvido" — Seus problemas acabaram! Seu "Personal Translator Tabajara" apresenta mais uma tradução de um artigo do famigerado New York Times, falando de... corrupção! Senão, vejamos:
27 de Setembro de 2005
Ex-Chefe de Distrito Escolar se declara culpado de Grande Roubo
Por PAUL VITELLO

MINEOLA, N.Y., 26 Set - O antigo Superintente das Escolas de Roslyn, uma figura antes reverenciada, cujas credenciais acadêmicas e contatos com os escritórios de Admissão da "Ivy League" (nota do tradutor: as Universidades mais tradicionais do Leste dos EUA) pareciam fazê-lo o guardião ideal para as aspirações das crianças de um distrito rico, declarou-se culpado, na 2ª feira, de roubar US$ 2 milhões do sistema escolar nos últimos seis anos.

Em um tribunal totalmente preenchido por irados pais e presidentes de Associações de Pais e Alunos ("P.T.A."), vários dos quais vaiaram quando ele entrou na Sala de Audiências, o antigo superintendente, Frank A. Tassone, 58, concordou em cooperar em uma ampla investigação criminal dos roubos no distrito por outros – uma suposta rede de desvio de recursos públicos, descrita pelo "Comptroller" Estadual Alan G. Hevesi como "o maior, mais notável, mais extraordinário roubo" de um sistema escolar da história americana.

Tudo somado, foram roubados cerca de US$ 11 milhões do distrito em um esquema que envolveu alguns dos administradores de mais alto escalão, de acordo com os Promotores. O Dr. Tassone concordou em devolver sua parte, US$ 2 milhões.

O Dr. Tassone é, até agora, o primeiro de cinco indiciados, inclusive seu companheiro Setphen Signorelli, 60, a resolver as acusações criminais contra si.

Em troca de sua cooperação, o Promotor Distrital Denis Dillon prometeu recomendar que o Dr. Tassone, ameaçado de até 25 anos de prisão por acusações de grandes desvios de fundos e fraude, receba, no máximo, uma sentença de 4 a 12 anos. O Dr. Tassone vai restituir o dinheiro de acordo com um calendário de pagamentos ainda a ser acordado com o escritório do Promotor Distrital.

Os residentes de Roslyn, na audiência, criticaram amplamente o acordo de "delação premiada". Muitos exigiram que o Dr. Tassone cumpra uma pena de 25 anos, não só pelo prejuízo que ele causou às finanças do Distrito, mas pelo impacto que seus crimes tiveram – e continuam a ter, após 16 meses de sua demissão forçada – no senso comunitário de Roslyn.

"Ele causou um grande dano a esta comunidade escolar", declarou Judi Winters, uma ativista cívica de longa data em Roslyn. "É uma questão moral, não uma questão de dólares". Tal como outros, ela descreveu uma comunidade dividida sobre a questão sobre o que deve ser um conselho escolar: fiscal da educação ou fiscal das finanças.

"Você fica com a impressão de que há um sentimento de 'turba irada' dirigindo a política dos conselhos escolares agora", disse Chris Messina, uma mãe. "Isso fez com que muitas pessoas se sintam relutantes a se envolver com o assunto".

Em uma declaração lida em um sussuro diante do Juiz Alan L. Honorof da Corte do Condado de Nassau, o Dr. Tassone pediu desculpas pelos danos que causou, embora muitos presentes na Sala de Audiências tenham reclamado que ele tentou passar a imagem de ser uma das maiores vítimas.

"Durante o último ano e meio", disse o Dr. Tassone, "eu tenho refletido diariamente sobre os erros que cometi nos últimos anos, após uma brilhante carreira de 35 anos na eduação pública. Esse erros capitais danificaram irreparavelmente, se não destuíram, minha carreira na educação pública. Eu não posso explicar adequadamente a dor que meus erros me causaram".

"Eu vou restituir o dinheiro às escolas de Roslyn e eu estou arrependido de meu fraco discernimento", disse ele. "Eu só posso esperar e rezar para que, algum dia, a comunidade de Roslyn se lembre o bem que eu fiz pelo distrito, bem como que achem em seus corações o perdão para mim e meus erros".

Os US$ 2 milhões que o Dr. Tassone admitiu ter roubado, pagaram férias, refeições, contas de lavandeira, mobília, tratamentos dermatológicos, aluguel de carros, investimentos imobiliários e despesas pessoais em uma média de US$ 20 mil por mês, em alguns anos. Em uma confissão separada, ele dise que apresentou "notas frias" no valor de US$ 219.000 em favor de seu parceiro, o Sr. Signorelli, pela impressão de manuais escolares.

Como parte de seu acordo de cooperação, espera-se que o Dr. Tassone deponha contra o Sr. Signorelli, com quem ele dividiu um apartamento em Manhattan por vários anos.

De acordo com o escritório do Promotor Distrital, o roubo de US$ 11 milhões foi realizado por um pequeno grupo de empregados do distrito de Roslyn, que inclue a Superintendente Assistente de Finanças, Pamela Gluckin, que é acusada de usar o dinheiro das escolas para pagar suas prestações de financiamento habitacional, aluguéis de carros, computadores pessoais e contas de água.

Em quase todos os aspectos, a habilidade do Dr. Tassone em fraudar o sistema escolar, parece ser, em retrospecto, uma faceta de sua habilidade em encantar, cair nas boas graças e forjar laços com conselhos escolares, companheiros da administração e, especialmente, com os pais, disseram os habitantes do distrito.

Ele mantinha sua porta aberta para visitantes não agendados, atendia a pedidos de favores, escrevia uma coluna regular para o jornal semanal local e dirigia um grupo de leitura dedicado às novelas de Charles Dickens, acerca de quem ele escreveu sua tese no Colégio de Professores da Univesidade de Colúmbia.

"Ele tinha todas as credencias corretas, o vocabulário certo", disse Judy Birnbaum, uma ex-presidente da Associação de Pais e Mestres da Escola Primária de East Hills. "Ele fez tantos favores às pessoas que, se alguém dissesse uma palavra contra ele, aparecia sempre alguém para defendê-lo: 'Oh, não. Não o Sr. Tassone. Ele não faria isto'".

Os pais ansiosos por conseguir a aceitação de seu filhos para a escolas da Ivy League eram reassegurados pelo Sr. Tassone, como relataram muitos pais, de que suas cartas de recomendação trariam grande ajuda a seus requerimentos.

Fosse ou não por sua intervenção, os 95% dos estudantes de Roslyn que se graduavam em seus cursos de 2° grau incluiam um grande número dos que eram aceitos pelas melhores Universidades do país.

O escândalo de Roslyn, que até agora implicou a Srta. Gluckin, dois outros antigos funcionários escolares e o diretor de uma firma de auditoria, Andrew Miller, tem um impacto significativo na supervisão estadual sobre os distritos escolares locais.

As auditorias estaduais sobre os distritos foi grandemente descontinuada em 1980, para economizar dinheiro. Porém, desde que a fraude de Roslyn foi revelada, a Secretaria de Finanças foi reinstada a conduir auditorias regulares em todos os 700 distritos escolares do estado fora da cidade de Nova York, cujas auditorias são conduzidas pela Controladoria Municipal.

Em Roslyn, uma comunidade suburbana a 20 milhas de Manhatan Leste, onde advogados, pequenos comerciantes e professores compõem uma parte substancial dos residentes, a raiva sobre o escândalo fica um pouco misturada com a vergonha de terem sido engazopados por pilantras.

"Eu sou uma professora", disse a Sra. Birnbaum. "Eu estava no comitê que entrevistou ele. Ele causava uma boa impressão. Sim, nós fomos tapeados e traídos".

Alguns pais começaram a circular uma petição para que o Sr. Tassone receba uma sentença mais dura. Ela será apresentada ao juiz na sessão de sentenciamento do Dr. Tassone, agendada para 29 de novembro.

Outros, entretanto, dizem que a reparação monetária do Dr. Tassone, sua cooperação na investigação que continua, e um mínimo de quatro anos na prisão estadual, parecem um pagamento justo por seu débito para com a comunidade.

"Não importa muito para mim se ele realmente está arrependido, ou só está dizendo que está", disse Rebecca Katz-White, uma moradora e mãe que assistiu à sessão ontem. "Eu sou uma antiga advogada de defesa criminalística que já esteve em um estabelecimento correcional. Eu acho que quatro anos em uma prisão é um tempo grande, muito grande".

Faiza Akhtar, em Roslyn, N.Y., contribuiu para este artigo.


Pelo menos, lá a "pizza" leva uns quatro anos para ser digerida... E não exite essa de "réu primário, com bons antecedentes", respondendo ao processo em liberdade, até que se esgote o último dos trocentos recursos possíveis.

Como se depreende, o problema do Brasil não é a corrupção (que esta existe em todas as partes): é a impunidade!

25 setembro 2005

Sobre furacões e aquecimento global

Salve, Pessoal! Lá vai mais uma tradução de um artigo do The New York Times, sobre a questão do "efeito estufa" e os recentes furacões.
24 de Setembro de 2005

Então quem está certo no debate sobre as responsabilidades pelo Aquecimento Global?

Por ANDREW C. REVKIN


Com uma cidade americana afogada por um grande furacão e, então, por outro, menos de um mes depois, e com os meteorologistas federais "gaivotando" no fim da lista de 21 nomes anuais em uma prancheta, não é surpesa alguma que o debate sobre as responsabilidades sobre o aquecimento global tenha se inflamado.


Afinal, um dos sinais mais claros de que as ações humanas levaram o recente aquecimento além de seus ciclos naturais, é a medição feita na temperatura dos oceanos da Terra e o calor oceânico é o combustível que alimenta os furacões.


O assunto tem sido abordado de pontos de vista radicalmente diferentes. Por exemplo, o ex-Vice-Presidente Al Gore realizou uma "tournée" de contínuos discursos sobre a necessidade de cortar a emissão de poluentes que causam retenção de calor, enquanto o Senador James M. Inhofe, Republicano do Oklahoma, acusou os ativistas do meio-ambiente de fomentar medos infundados sobre o aquecimento causado pelos seres humanos.


Então, o que tem a dizer a ciência acerca das discussões sobre a mensagem enviada pelos furacões Rita e Katrina?


O que fica claro é que vários "experts" em oceanos e climas concordam que os oceanos tropicais se aqueceram de uma maneira que dificlmente pode ser atribuída a outra coisa diferente de um aquecimento generalizado do clima, causado pelo acúmulo de dióxido de carbono e outras emissões causadoras do efeito-estufa.


Para muitos cientistas meteorológicos e oceanógrafos fica claro, também, que oceanos mais quentes eventualmente aumentarão a intensidade dos ventos e das chuvas dos furacões, não necessariamente sua freqüência.


De fato, dois recentes estudos sobre furacões, feitos por diferentes cientistas, usando processos diferentes, declaram detetar um grande crescimento na intensidade dos furacões por todo o mundo, ao longo das muitas últimas décadas.


Porém os autores de ambas as análises reconheceram que necessitariam de mais dados para confirmar uma ligação entre isso e um aquecimento de origem humana. Essa nebulosidade aparece porque a relação entre o aquecimento de longo prazo do clima e dos mares somente é perceptível no estudo estatístico de dúzias de tempestades, não na origem ou no destino de qualquer tempestade em particular.


O crescimento e a trajetória de qualquer uma das tempestades são moldados pelas grandes variações naturais na atmosfera e nos oceanos, assim como eventos aleatórios, tais como a passagem de ambos os recentes furacões por cima de meandrosas ressurgências de águas incomumente quentes no Golfo do México.


"É uma coincidência de condições ideais", disse Christopher W. Landsea, um "expert" em furacões do Laboratório Oceanográfico e Meteorológico do Atlântico, do Departamento do Comércio, próximo de Miami.


Kerry Emanuel, o autor de um dos recentes estudos que mostram a crescente intensidade, fez eco a vários colegas ao dizer que o impacto do aquecimento global provavelmente não iria se manifestar de maneira "preto-sobre-o-branco" que serviria como toque de rebate para os que buscam eliminar as emissões. Ao contrário, disse o Dr. Emanuel, um cientista atmosférico no "Massachussets Institute of Techniology", isso vai emergir como se alguem tivesse sutil, porém progressivamente, viciado um par de dados.


E enquanto os "experts" continuam debatendo sobre se a cabeça da vaca causa o rabo, ou se a vaca é causada pela convergência do rabo com a cabeça, a dita cuja vai pro brejo...

E o mais triste é constatar que cientistas do calibre de um Luboš Motl classificam o Protocolo de Kioto como lixo científico ("junk science"). Para que gastar dinheiro com essas "frescuras", em lugar de construir um acelerador de partículas mais poderoso?

24 setembro 2005

O FMI e o desequilíbrio econômico mundial

Salve, Pessoal! Mais uma matéria interessante do New York Times na seção de economia sobre os desequilíbrios no consumo mundial. Lá vai a tradução:
22 de setembro de 2005
FMI Alerta para Desequilíbrio no Consumo Mundial
por EDMUND L. ANDREWS

WASHINGTON, 21 Set - Os Estados Unidos provavelmente experimentarão um crescimento econômico mais lento no ano que vem e sua dívida externa, rapidamente crescente, está no coração de perigosos desequilíbrios globais, disse o Fundo Monetário Internacional na 4ª feira.

O Fundo disse que o crescimento econômico global se tornou muito dependente de um punhado de países, liderados pelos Estados Unidos, que consomem muito mais do que produzem. Este desequilíbrio, alerta o Relatório Semestral sobre a Economia Mundial, pode levar a uma correção violenta.

Em uma evidente referência aos Estados Unidos, com seus grandes déficits orçamentários e desenfreados gastos em consumo, o FMI alertou para que o consumo mundial está "sendo alimentado por crescentes estímulos fiscais insustentáveis, bem como preços de moradia que estão ignorando a Lei da Gravidade".

Mas o FMI também criticou abertamente a União Européia, dizendo que ela continuará a crescer em um passo anêmico, por não flexibilizar suas rígidas legislações trabalhistas e puxar as rédeas dos gastos com subsídios sociais.

"Os cidadãos Eurpeus não parecem estar convencidos de que o remédio amargo de reformas estruturais continuadas possam curar a parálise que aflige grande parte do continente", disse Raghuram Rajan, Diretor de Pesquisas do Fundo. "É uma falha da política que as pessoas não cheguem a ver que, quanto mais eles quiserem manter o atraente estilo de vida Europeu, mais a maneira pela qual eles trabalham terá que mudar".

No geral, o relatório prediz que o crescimento econômico americano vai diminuir para 3,3% em 2006, dos 3,5% deste ano. As economias das 12 nações que usam o Euro como moeda comum, vai se expandir apenas 1,8% no próximo ano, prediz o relatório, mais, porém, do que os 1,2% em 2005.

O Japão, que teve um crescimento real muito pequeno ao longo da última década, foi uma das poucas nações industrializadas cujas previsões de crescimento foram revistas para cima. Com sinais de que a longa batalha do Japão contra a deflação está quase no fim e o consumo, subindo, o Fundo diz que a economia japonesa deve crescer cerca de 2% no ano que vem. Seis meses atrás, a previsão era de crescimento zero para o Japão.

Os economistas do FMI indicaram que eles não esperam que os efeitos do Furacão Katrina deixem marcas profundas na economia americana, reduzindo o crescimento, segundo suas estimativas, em um décimo de ponto percentual.

Mas eles expresaram uma preocupação considerável quanto ao impacto dos altos preços do petróleo, que subiu mais de US$ 20 por barril este ano e tem estado acima de US$ 60 desde o início de Agosto (o petróleo fechou em Nova York, na 4ª, a US$ 66,80). Na verdade, o Fundo alertou para que outra alta nos preços do petróleo, talvez até US$ 80, continuava sendo possível.

No relatório, divulgado em antecipação das reuniões anuais das Diretorias do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, o fundo alardeou seus alertas anteriores acerca dos desequilíbrios globais.

O défcit nos balanços das contas de comércio exterior dos Estados Unidos é estimado em cerca de US$ 700 bilhões e ficar em torno de 6% do PIB. Dito de outra forma, os Estados Unidos estão absorvendo uma porção recorde do dinehiro das poupanças e investimentos mundiais. Tal como no passado, o Fundo diz que o desequilíbrio financeiro americano tem sido agravado pelos grandes déficits orçamentários.

Mesmo sem os grandes gastos do tesouro americano esperados para a reconstrução das áreas atingidas pelos furacões, disse o FMI, a meta da administração Bush para a redução do déficit permaneceu "desambicioso".

O Presidente Bush e os Republicanos no Congresso começaram a propor cortes nos gastos para compensar parte dos gastos com o furacão e as enchentes. Mas as autoridades da administração continuavam, na 4ª feira, a sustentar que os cortes de impostos do Sr. Bush se tornassem permanentes, o que custaria, ao menos, US$ 1,4 trilhões em um prazo de dez anos, e se recusam a retardar o início do programa de distribuição de medicamentos ("Medicare") que se estima que vá custas cerca de US$ 45 bilhões por ano.

"Nós queremos estar certos de que a maneira pela qual nós vamos tratar dos desequilíbrios, maximize o crescimento", declarou Timothy D. Adams, sub-secretário do Tesouro para Assuntos Internacionais. "É uma resposabilidade partilhada".

O relatório do FMI concorda com isso, ao menos em parte. Ele atribui grande parte do aumento do desequlíbrio global aos países europeus e asiáticos, observando que a demanda doméstica na Europa permanece fraca, deixando os Estados Unidos como a locomotiva mundial para o crescimento do consumo. E alerta para que esta fraqueza européia a torna mais vulnerável a choques oriundos dos preços do petróleo ou uma grande mudança nas taxas de câmbio.

Até que, enfim, alguém reparou no fato de que qualquer nação não pode gastar mais do que ganha, inclusive os países do "Primeiro Mundo".

Ou eu sou muito paranóico, ou a China está preparando um golpe de mestre: vão acabar deixando os EUA (e todos os panacas que forem na onda dos americanos) pendurados na broxa, enquanto levam a escada embora. Eles estão absorvendo toda a tecnologia de ponta e, de uma hora para outra, podem fechar a fronteira de novo. Afinal, um quinto da humanidade é chinesa. Dos outros quatro quintos, uns três são de fudidos terceiro-mundistas que podem, perfeitamente, mudar o padrão de moeda de dólar para yuan rapidinho...

Os americanos são cada vez menos "donos" da própria economia. Eu não espero estar vivo para ver, mas vocês, mais jovens, deveriam começar a aprender Mandarim...

22 setembro 2005

A Amazônia é um lugar de "altos e baixos"...

Alô, Pessoal! Uma curiosidade sobre nosso país foi publicada no Boletim Physics News Update n° 746 de 21 de setembro de 2005. Lá vai a tradução:
A PESAGEM DO RIO AMAZONAS foi conseguida através da medição da subida e descida da crosta terrestre com uma unidade de GPS (Global Positioning Service). ao longo de vários anos, à medida em que o Rio enche e vaza durante seus ciclos sazonais. O sistema GPS, através de sua rede de satélites e sinais cuidadosamente sincronizados, graças à extrema precisão de seus relógios atômicos, pode fornecr informações sobre o posicionamento na superfície da Terra com uma incerteza horizontal de cerca de 1 mm e uma incerteza vertical de cerca de 9 mm. Medições repetidas, feitas ao longo de vários anos, dão medições de deslocamentos para qualquer ponto com uma precisão de cerca de 1 mm/ano. Ao redor do vasto mundo, a movimentação típica para baixo ou para cima é, em média de 2 a 10 mm/ano. Mas em grandes áreas de drenagem tropicais, com grandes volumes de água comprimindo o talvegue de um rio e as áreas alagáveis, a oscilação pode ser maior. De fato, a amplitude entre os picos relatados, nesta medição em particular, chega a uma variação de 50 a 70 mm/ano. Quando o Rio está cheio, a terra afunda. Mais tarde, quando o nível do Rio baixa, a terra "desamassa". Os cientistas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituo Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) (ambos do Brasil), em conjunto com a Universidade Estadual de Ohio, da Universidade de Menphis e da Universidade do Hawaii (todos dos EUA), registraram o maior deslocamento em Manaus, AM. Um dos pesquisadores, Michael Bevis, da Universidade Estadual de Ohio, declarou sua surpresa com a magnitude da oscilação (Bevis et al., Geophisical Research Letters, de 15 de setembro de 2005)

Pode parecer um dado apenas curioso, mas essa grande oscilação na superfície da crosta terrestre provavelmente deve ter alguma influência sobre os movimentos das Placas Tectônicas da América do Sul, o que seria um dado a mais para a análise dos raríssimos movimentos sísmicos na Placa Continental Brasileira. E, em matéria de terremotos, já nos basta os produzidos em Brasília...

19 setembro 2005

Não fui eu quem disse. Foi o London Times:

Alô, pessoal! Para quem acha que a violência no Brasil está fora de controle, que estamos a beira de uma guerra civil, e, principalmente, para os que advogam a proibição da comercialização das armas de fogo, como se isso fosse resolver os problemas da violência no Brasil, eu tive a paciência de traduzir esse pequeno artigo do The London Times:

19 de setembro de 2005

A Escócia no topo da lista dos países mais violentos do mundo
Por Katrina Tweedie

Um relatório da ONU rotulou a Escócia como o país mais violento do mundo desenvolvido, onde a probabilidade das pessoas serem atacadas é três vezes maior do que na América.

A Inglaterra e País de Gales registraram o segundo maior número de assaltos violentos, enquanto a Irlanda do Norte registrou o menor.

O estudo, baseado em entrevistas pelo telefone com vítimas de crimes de 21 países, descobriu que mais de 2.000 escoceses são atacados a cada semana, quase dez vezes mais do que os números oficiais da polícia. Isto inclui crimes não-sexuais de violência e ataques graves.

O crime violento dobrou na Escócia nos últimos 20 anos e os níveis, em termos de densidade demográfica, são comparáveis aos de cidades como Rio de Janeiro, Johannesburg e Tbilisi. (o grifo é do tradutor)

Os ataques têm sido alimentados por uma cultura de "bebida e lâminas" (N.T: no original: "booze and blades") no Oeste da Escócia, que tirou mais de 160 vidas nos últimos cinco anos. Desde Janeiro, ocorreram 13 assassinatos, 145 tentativas de assassinato e 1.100 ataques graves, envolvendo facas no Oeste da Escócia. O problema é agravado pela violência do tipo sectário, com os hospitais relatando um número maior de atendimentos depois de partidas da "Old Firm". (N.T: os clubes de futebol "Rangers" e "Celtic").

David Ritchie, um consultor de acidentes e emergências na "Victoria Infirmary" de Glasgow, disse que esses números são uma desgraça nacional. "Eu fico embaraçado, como escocês, de que estejamos vendo este nível de violência. Os políticos têm que fazer algo a respeito deste problema. Isto é uma séria questão de saúde pública. A violência é um câncer nesta parte do mundo", declarou ele.

O Superintendente Detetive-Chefe John Carnochan, chefe da unidade de redução da violência da Polícia de Strathclyde, disse que o problema era crônico e que a redução do acesso a bebidas e a limitação da venda de facas, ao menos reduziriam o problema.(o grifo é do tradutor)

O estudo, realizado pelo instituto de pesquisas criminais da ONU, descobriu que 3% dos escoceses foram vítimas de ataques, comparados aos 1,2% na América e aos somente 0,1% no Japão, 02,% na Itália e 0,8% na Áustria. Na Inglaterra e no País de Gales os números são de 2,8%.

A Escócia ocupa a oitava posição no total de crimes, 13ª em crimes contra o patrimônio, 12ª em roubos e 14ª em ataques sexuais. A Nova Zelândia foi a primeira em crimes contra o patrimônio e ataques sexuais, enquanto a Polônia é a 1ª em roubos.

O Condestável-Chefe Peter Wilson, presidente da Associação dos Chefes de Polícias da Escócia, questionou os números. "Deve ser quase impossível comparar o número de ataques, de um país para outro, com base em entrevistas por telefone", disse ele.

"Nós temos realizado extensas pesquisas sobre o crime violento na Escócia, há alguns anos, e isso mostrou que, na vasta maioria dos casos, as vítimas de crimes violentos se conhecem. Nós aceitamos, entretanto, que, a despeito de suas chances de ser vítima de um ataque na Escócia sejam baixas, existe um real problema".


Ora, ora... quem diria... quer dizer que miséria, falta de educação, de condições de cidadania, enfim, não são os únicos motivos para a violência urbana, afinal!...

E que quem não tem arma de fogo, usa arma branca, mesmo... (afinal, a vítima, no máximo, tem outra faca...)

Como eu já disse alhures: "todo problema complexo tem uma solução simples, elegante e errada!




07 setembro 2005

Estados Unidos da Vergonha...

Salve, Pessoal!

Este artigo está no top dos most emailed do New York Times, desde que foi publicado em 3 de setembro. Para quem não tem saco para ler em inglês, o besta aqui fez uma tradução. Os trechos em [itálico] são meus. Lá vai:


3 de setembro de 2005
Estados Unidos da Vergonha
por MAUREEN DOWD

Coisas acontecem.

E, quando você combina um governo limitado com um governo incompetente, coisas letais acontecem.

A América está de novo mergulhada em um poço de serpentes com anarquia, morte, pilhagens, bandos de malfeitores fazendo incursões, inocentes sofrendo, uma infra-estrutura aos pedaços, uma força policial impotente, quantidades de tropas insuficientes e planejamento governamental criminosamente negligente. Mas, desta vez, isto está acontecendo na América.

W. trouxe seu Chevy "corta-orçamentos" para os diques e eles não estavam secos. Bye, bye, vidas americanas [isto é um trocadilho, intraduzível com a letra da música "The day the music has died"]. "Eu não acho que ninguém pensou que os diques pudessem se romper", disse ele a Diane Sawyer.

Com as mangas arregaçadas, W. finalmente pousou no Inferno, ontem, e falou sorridente de seus dias de bebedeiras na "grande cidade" de "N'Awlins". Ele estava visivelmente emocionado. "Vocês sabem, eu vou ter que voar para longe daqui em um minuto", disse ele na pista do Aeroporto Internacional de Nova Orleans, "mas eu quero que vocês saibam que eu não vou esquecer o que eu vi". Fora do alcance das câmeras, e evitado por W., estava um comboio de milhares de pessoas doentes e à morte, alguns espalhados pelo chão ou empilhados em carrinhos de bagagens em um Hospital de Campanha improvisado [o termo em inglês é "makeshift M*A*S*H*"] dentro do terminal.

Por que será que esse arrogante presidente, tipo "nós podemos", sempre recai nessas velhas desculpas do tipo "quem podia saber disso"?

Quem na face da Terra poderia saber que Osama bin Laden queria nos atacar, jogando aviões contra edifícios? Qualquer autoridade que tivesse se incomodado de ler e interpretar os relatórios de inteligência antes de 11 de setembro.

Quem na face da Terra poderia saber que uma invasão americana ao Iraque iria levantar uma brutal insurgência, um "boom" de recrutamento de terroristas e uma possível guerra civil? Qualquer autoridade que se desse ao trabalho de ler os relatórios pré-guerra da CIA.

Quem na face da Terra poderia saber que os diques avariados de Nova Orleans corriam risco de não agüentar um forte furacão? Qualquer um que se desse ao trabalho de ler os inúmeros avisos, ao longo dos anos, sobre a situação [em inglês: "the Big Easy's uneasy fishbowl"].

Em Junho de 2004, Walter Maestri, Chefe da Defesa Civil ["emergency management chief"] da Paróquia [equivalente a uma administração municipal na Louisiana] de Jefferson, se queixava ao Times-Picayune [jornal local] de Nova Orleans: "Parece que o dinheiro desapareceu no Orçamento do Presidente para a Segurança Nacional e a Guerra no Iraque, e eu acho que esse é o preço que temos que pagar. Ninguém, aqui, está feliz com o fato de que os diques não possam ser terminados e estamos fazendo tudo o que podemos para o caso de que isso se torne uma questão de segurança para nós".

Não somente o dinheiro foi desviado para a loucura de Bush no Iraque; 30 por cento da Guarda Nacional e cerca de metade de seu equipamento estão no Iraque.

Ron Fournier da Associated Press relatou que o Corpo de Engenharia do Exército [nos EUA, a Engenharia do Exército é a responsável por todas as obras em aquavias interiores] pediu US$ 105 milhões para programas para prevenção de furacões ou inundações em Nova Orleans, no ano passado. A Casa Branca reduziu-os a cerca de US$ 40 milhões. Mas o Presidente Bush e o Congresso concordaram com projeto superfaturado de US$ 286,4 bilhões para uma estrada, com 6.000 pequenos projetos, inclusive uma ponte de US$ 231 milhões para uma pequena e desabitada ilha no Alaska.

Ainda no ano passado, as autoridades da Agencia Federal de Controle de Emergências [Federal Emergency Management Agency = FEMA] ensaiaram como responderiam a um furação fictício que causaria inundações e isolaria os moradores de Nova Orleans. Imaginem como seria ridícula a resposta da FEMA à Katrina se eles não tivessem ensaiado.

Michael Brown, o idiota chapado encarregado da FEMA – um cargo para o qual ele se capacitou por dirigir algo chamado Associação Internacional de Cavalos Árabes – admitiu que ele não sabia, até a 5ª feira, que havia 15.000 vítimas da Katrina, desesperadas, desidratadas, famintas, enraivecidas e à morte no Centro de Convenções de Nova Orleans.

Ele foi demitido instantaneamente? Não, nosso presidente, que só escuta o que quer [em inglês: "tone deaf"], elogiou-o em Mobile, Alabama, ontem: "Brownie, você está fazendo um trabalho dananado de bom".

Seria uma outra coisa se ao Presidente Bush e seu círculo interno — Dick Cheney estava de férias no Wyoming; Condi Rice estava comprando sapatos na Ferragmo da 5ª Avenida e antendeu "Spamalot" antes que os bloggers a caçassem de volta a Washington; e Andy Card estava fora, no Maine — faltasse a empatia, mas pudessem fazer o trabalho. Mas é uma assustadora falta de empatia, combinada com uma espantosa falta de eficiência que poderia fazer esta administração implodir.

Quando o presidente e o vice-presidente rudemente sacudiram nossos aliados e nosso respeito às leis internacionais para perseguir uma guerra constuída sobre mentiras, quando eles sancionaram a tortura, eles abalaram a fé do mundo nos ideais americanos. Quando eles se mostraram surdos por tanto tempo à horrorosa miséria e aos gritos por socorro das vítimas de Nova Orleans — a maioria delas pobres e negras, tais com aquelas enfiadas no final das filas de evacuação ontem, enquanto os 700 hóspedes e empregados do Hotel Hyatt eram embarcados antes nos ônibus — eles abalaram a fé de todos os americanos nos ideais americanos. E nos envergonharam.

Quem somos nós, se não podemos cuidar dos nossos?

E-mail: liberties@nytimes.com

Copyright 2005 The New York Times Company


Preciso acrescentar algo?

20 agosto 2005

Acende a luz e para para organizar!!

Salve, Pessoal!

Cansou, torrou, esgotou a paciência. Eu não vou mais traduzir os artigos do Times de Londres sobre a cagada da Scotland Yard no caso Jean Charles de Menezes. Eu não vou mais discutir sobre a Lulambança, a não ser para dizer que, mais uma vez, um elo que deveria ser invstigado, não vai, por causa das "conveniências".

O primeiro caso, foi na época do linchamento político do Collor. Saiu uma pequenina nota, no meio da página que tratava do caso, dando grande destaque às declarações deste e daquele político. A nota dizia que o avião do PC Farias (o famoso "Morcego Negro") tinha feito um último percurso, antes de ficar meses estacionado em Brasília: uma viagem a Santa Cruz della Sierra, Cali e Medelin. Para quem sabia (como eu) que o Collor, no tempo em que era deputado, era conhecido como "Fernandinho do pó", a notícia parecia uma ponta de uma meada que iria dar em conseqüências extraordinárias. Pois bem... Foi a última vez que eu ouvi falar no assunto...

Agora, descobriram que o Valério trabalhou para o PSDB, mais exatamente para o Azeredo e patota, em Minas Gerais. Como é que o PT ficou sabendo do Valério? Mistério... Teoricamente, ele é amigo de longa data do Delúbio... Mas existe um fato que ninguém está querendo remexer: lembram-se por que a Senadora Heloisa Helena foi expulsa do PT (ela e mais dois deputados)? Porque ela se recusou a aceitar o Henrique Meirelles para Diretor do Banco Central. E não foi só porque ele tinha sido um dos Diretores do Banco de Boston: ele era "tucano" de carteirinha! Oficialmente filiado ao PSDB! É, no mínimo, uma coincidência interessante que já deveria ter sido investigada... Mas não vai ser. O mero fato do Pallocci ter sido denunciado como envolvido no caso do assassinato do Celso Daniel fez a Bolsa cair e o dólar subir... Apesar desse envolvimento ser conhecido desde que o Pallocci foi indicado para Minsitro.

Outro assunto que já encheu definitivamente meu saco: tem um monte de gente pedindo que os militares dêm um novo golpe de estado, para "por ordem na casa".

Não funcionou em 1964 e não vai funcionar agora... Primeiro, porque os próprios militares não querem. A grande maioria dos militares jamais esteve ligada ao processo de tomada de decisões, durante o período da "ditadura". Levamos a fama e nenhum proveito. Só se lembram dos "desaparecidos" e dos "exilados" – os soldados e policiais mortos pelos "combatentes da liberdade", alguns executados barbaramente, a porrada, não contam. Só quem matou e torturou foram "os militares" (a sentinela do 5°BI de Lorena, SP, explodido por um carro-bomba, era um "japinha" de dezessete anos, que queria ser professor...). Segundo: para por o que, no lugar? Um bando de generais otários que vai ser, de novo, enrolada pelos economistas e sociólogos. Nenhum general (de qualquer força) atual é tão bobo. Sabe o tamanho da 'batata quente" e não vai por as mãos nela.

O pânico é mau conselheiro. Esse é o título de um tópico na Comunidade Orkut "Questões Militares - Brasil", da autoria deste nada modesto blogger. Nele, eu traço um paralelo entre a cagada feita pela Scotland Yard e o faniquito dos brasileiros. E digo, textualmente: "Quem está disposto a entregar sua liberdade, em troca de sua segurança, tem nome: "Escravo!" O povo brasileiro tem que se conscientizar de que esse bando de corruptos safados foi posto lá por um bando de otários que queria se beneficiar com as promessas que eles fizeram. Toda vítima de "conto do vigário" é um vigarista burro que foi tapeado por um vigarista mais esperto que contou com a ganância do "pato".

Em resumo, Deus não é brasileiro! Se foi, há muito tempo ele cruzou a fronteira pelo Rio Grande e foi viver como "ilegal" nos EUA, ou então, teve seu passe vendido para o Real Madrid. O problema é nosso, do povo inteiro, e a gente tem que resolver com as leis que tem. Se acharem que as leis não estão boas, elejam legisladores decentes... E não quem vai puxar a brasa para a sua (minha, deles) sardinha...

Se (como diz o título deste BLOG) "quem faz, não sabe", trate de aprender a fazer! Chega de arrumar "bodes expiatórios" e dar uma de mulherinha "dona-de-casa": "chama 'o homem' para resolver"... Essa casa tem "homem" (e, eu desconfio de que, a maioria deles, são do sexo feminino) e não precisa "chamar" ninguém, seja de fora, seja de farda...

17 agosto 2005

Quem policia a polícia?

Matéria publicada no The Times de Londres, sobre o assassinato de Jean Charles de Menezes (matéria de capa do The Times on-line).

17 de agosto de 2005

Relatório "vazado" enumera "mancadas" que a polícia deu quando atirou no suspeito de ser homem-bomba
Por Daniel McGrory and Stewart Tendler

A SCOTLAND YARD cometeu uma "série de erros catastróficos" que levaram policiais armados, que caçavam os homens-bomba de 21 de julho, a matar a tiros um brasileiro inocente, é o que foi revelado na noite passada.
O vazamento do depoimento dos policiais que tomaram parte na malfadada operação, revela que Jean Charles de Menezes foi dominado por um dos componentes da equipe de vigilância, antes de ser alvejado oito vezes, quando se sentava em um vagão do metro.
Documentos e fotografias da Comissão Independente de Queixas da Polícia também revelam que um dos componentes da equipe à paisana, que deveria ser o responsável pela identificação do suspeito, estava "aliviando necessidades fisiológicas", no momento em que Menezes saiu de seu apartamento, em 22 de julho, de forma que ele não podia afiançar que eles estariam seguindo Hussain Osman, um dos supostos homens-bomba. Também fica implícito que Menezes poderia ter sido capturado vivo.
Sir Ian Blair, o Comissário da Polícia Metropolitana, vai ter que se explicar sobre como uma sofisticada operação policial saiu-se tão incrivelmente errada.
Uma investigação da ITV News afirma que, quando o Sr. Menezes, 27, foi abordado pela polícia no trem da Linha Norte na estação de Stockwell, ele não teve qualquer atitude agressiva. As afirmações da polícia que, na ocasião, o eletricista estava "se comportando de modo errático", são presumivelmente falsas.
As mancadas começaram quando o Sr. Menezes saiu de seu apartamento em Tulse Hill, na Zona Sul de Londres às 9:30h. O agente disfarçado que deveria estar identificando qualquer um que saísse dos apartamentos, admitiu que abandonou seu posto, de forma que não pode comunicar observações ou fazer imagens de vídeo.
Seu conselho foi: "Seria bom que alguém mais desse uma olhada", para se assegurar que eles tinham seguido o homem certo. Aparentemente, nenhum outro policial tirou uma foto dele, apesar do Sr. Menezes ter tido que tomar um ônibus. Mesmo assim, o "Gold Command" na Scotland Yard, que dirigiu esta operação, declarou um "código vermelho" e passou a responsabilidade para o CO19 ─ a equipe armada.
Esta equipe armada tinha recebido fotografias dos supostos homens-bomba, ainda assim, ninguém percebeu que o Sr. Menezes não guardava qualquer semelhança com eles. O relatório declara que a equipe armada foi avisada que poderiam ser necessárias "táticas não usuais" e que "tinham sido acionados para interceptar o suspeito e, se houvesse uma oportunidade de abordá-lo, mas o suspeito não cooperasse, poderiam atirar para matar (no original: "a critical shot may be taken”. )
As fitas do Circuito Interno de Vigilância do Metro mostram que o Sr. Menezes estava usando uma jaqueta fina de jeans que não poderia esconder uma bomba, e que não levava uma sacola. Longe de correr da polícia, ele não percebeu que qualquer pessoa o estivesse seguindo e até pegou um dos jornais gratuitos, antes de usar seu bilhete de múltiplas viagens para passar pelas roletas. Ele só começou a correr quando viu seu trem parando na estação. No dia do incidente, a Scotland Yard disse que "a roupa e o comportamento na estação do Sr. Menezes fez aumentar suas suspeitas". Foi somente quando o Sr. Menezes entrou no trem que um policial da vigilância guiou quatro policiais armados para dentro do mesmo vagão.
Um homem que estava sentado de frente para ele teria declarado: "Em poucos segundos eu vi um homem entrando pelas portas duplas a minha esquerda. Ele estava apontando uma pequena arma preta na direção da pessoa sentada a minha frente".
"Ele apontou a arma para o lado direito da cabeça do homem. A arma estava a umas doze polegadas (cerca de trinta centímetros) da cabeça do homem quando o primeiro tiro foi disparado".
O relatório revela que um dos policiais do grupo de vigilância agarrou o Sr. Menezes antes de atirarem nele. "Eu agarrei o homem de jaqueta de jeans abraçando-o com ambos os braços em torno de seu tórax, colando seus braços a seus flancos", diz um dos depoimentos.
"Então eu o empurrei de volta para o banco onde ele estava sentado antes... Eu ouvi um disparo de arma de fogo muito perto de minha orelha esquerda e caí no chão do vagão".
Na noite passada Harriet Wistrich, advogada da família do homem morto, disse que ainda há "muito mais perguntas do que respostas" sobre a conduta da polícia. A família pede por uma investigação completa.
Rosangela Rebelo, uma prima que mora na cidade natal do morto, Gonzaga, disse: "A família sempre acreditou no que os primos que viviam com ele em Londres, diziam, ao invés da versão da polícia sobre os eventos. Eu nunca acreditei que ele tivesse corrido para fugir. A família continua esperando por justiça. Eles mataram um homem inocente".
CONTRADIÇÕES
Polícia: Menezes usava uma roupa suspeita. Provado pela investigação: ele estava usando uma fina jaqueta de jeans.
Polícia: atitude suspeita no caminho para a Estação de Stockwell. Provado pela investigação: nada de estranho em seu comportamento.
Polícia: abordado na estação e se recusou a obedecer às instruções. Provado pela investigação: abordado pela primeira vez quando já estava sentado no trem.
Polícia: Menezes pulou a catraca da estação. Provado pela investigação: não pulou nada; apenas correu para pegar o trem.
Polícia: efetuou oito disparos sobre ele. Provado pela investigação: onze disparos efetuados; três erraram o alvo.


Mentiras, covardia, decisões tomadas por um idiota com um posto de comando dado por um político de merda. Jean Charles foi assassinado porque o filho da puta que deveria estar vigiando a porta do prédio "saiu para dar uma mijadinha"...

Atualizando em 18/8:

O Times publicou, hoje, que o púsutla do Sir Ian Blair (Chefe da Scotland Yard) tentou impedir a instauração do inquérito, alegando que isso "iria prejudicar o trabalho da Polícia". Com certeza! Se a verdade fosse conhecida, eles perderiam o "direito" de sair matando a torto e a direito! E essa é a "melhor polícia do mundo"... Que sábios são os britânicos: não deixam seus policiais andarem armados. Porque, se andassem armados, a ROTA ia ser considerada aliada da "Amnesty International"...

Polícia de merda por polícia de merda, voltemos ao Brasil. Impressionante como a polícia do Pará encontra rápido assassinos, quando quem morre é um estrangeiro...

E a Polícia Federal! Que rapidez em achar o dinheiro roubado do Banco Central em Fortaleza! Já as malas do Valério...

Quem policia a polícia?...

13 agosto 2005

Deu na Imprensa Internacional

Salve, Pessoal!

Você não está sentindo orgulho de ser brasileiro?! A imprensa internacional toda está publicando:

Le Monde (França): Lula apresenta suas desculpas aos brasileiros pelos escândalos de corrupção

The Times (Londres): Presidente do Povo se Penitencia por Propinas e Corrupção

The New York Times: Assessor do Líder do Brasil Admite que o Partido usou financiamento ilegal (pelo menos essa não é de primeira página)
Atualizando em 14/8:
Quem mandou eu dar idéia a quem não tinha? A edição deste sábado traz, na primeira página, a matéria A Oposição Brasileira protege o Presidente do Escândalo, por enquanto .

The Washington Post: Lula pede desculpas aos brasileiros pelo escândalo

Eu não vou me dar ao trabalho de traduzir os artigos. O Le Monde apenas dá um resumo das últimas notícias e da pesquisa Datafolha que indica Lula perdendo um 2° turno contra José Serra.

O Times de Londres é um pouco mais ácido. A notícia começa com seguinte parágrafo: "O primeiro presidente esquerdista fez ontem uma tentativa desesperada para salvar seu governo, indo à televisão para se desculpar sobre um grande escândalo de propinas e financiamento de campanha".

O The New York Times dá menor destaque, na parte das notícias internacionais, mencionando também a pesquisa Datafolha.

O Washington Post termina a notícia com o dado de que a Bolsa e a Moeda caíram, junto com a popularidade do Presidente.

Na quarta feira, quando eu fui para o Rio, todas as manchetes falavam do roubo da Agência do Banco Central em Fortaleza (segundo a WikiPedia, o 2° maior assalto a Bancos em toda a história...)

Depois disso tudo, eu vou estranhar que uma das pontes no meu coração esteja entupida? Para corno, todo castigo é pouco...

31 julho 2005

Deu no "The Sunday Times"

Salve, Pessoal! Abaixo vai a tradução da matéria publicada no The Sunday Times, de Londres, nesta data. Meus comentários, eu faço depois da tradução.
The Sunday Times On Line

31 de julho de 2005


Atirar para matar, sem aviso

Jon Ungoed-Thomas & David Leppard


Altas fontes na polícia confirmaram que os policiais envolvidos na operação que levaram-nos a atirar em Jean Charles de Menezes, o brasileiro inocente, não teriam que ter gritado um aviso, antes de atirar.
A morte de de Menezes foi um terrível erro que devastou sua família e ameaça diminuir o moral da polícia em um momento crítico da guerra contra o terror. Isto agora ameaça se tornar uma cause celebre entre os ativistas dos direitos humanos.
Os parentes que velavam de Menezes em seu funeral, reclamaram que ele teria sido "exterminado" sem qualquer chance de se render. Um grande cartaz em seu funeral, em sua cidade natal de Gonzaga, exibia: "Jean, mártir do terrorismo britânico".
Gareth Pierce, um dos mais proeminentes Advogados de Defesa da Grã-Bretanha, vai representar a família de Menezes contra a polícia. A Comissão Independente de Queixas contra a Polícia está examinando as fitas dos circuitos fechados de vigilância que registraram os últimos momentos de Menezes. O que já está claro é que os comunicados oficiais de sua morte em 22 de julho estavam errados.
Quando o tiroteio na Estação de Metro de Stockwell foi confirmado inicialmente, uma alta fonte da polícia disse aos repórteres, off the record, que eles tinham matado um dos prováveis homens-bomba que estava em fuga, após falharem nos ataques de 21 de julho. Sir Ian Blair, o Comissário da Polícia Metropolitana, disse que o tiroteio estava "diretamente ligado" à operação terrorista.
O homem, de acordo com a polícia, era suspeito por causa de "sua indumentária e comportamento". Ele tinha sido seguido, a partir de uma casa que estava sob vigilância. Quando foi intimado na Estação de Stockwell, ele teria ignorado as instruções e corrido. Ele teria pulado sobre as catracas da bilheteria e estaria usando um casaco escuro e pesado, que poderia esconder uma bomba.
Uma testemunha descreveu Menezes como um asiático com barba e fios saindo do peito. A verdade é mais mundana. Menezes, um eletricista, estava indo para a zona Norte de Londres para reparar um alarme contra incêndios...
Ele não estava vestindo o que a testemunha chamou de "um casaco preto de homem-bomba", mas uma jaqueta de jeans. A temperatura era de 17°C e sua indumentária não teria nada de extraordinário.
Ele não pulou sobre a catraca da bilheteria, como afirmado. Ele usou um bilhete de múltiplas viagens, passando pela estação de maneira normal. Seus familiares acreditam que ele começou a correr simplesmente porque ouviu o trem parando na estação — uma coisa que os londrinos fazem todos os dias. De fato, um trem estava parado na plataforma quando ele chegou.
A polícia claramente acreditava que Menezes poderia ser um homem-bomba, embora não estivesse carregando uma mochila. Isto levanta uma questão chave: por que deixaram Menezes tomar um ônibus em Tulse Hill e viajar até a Estação de Stockwell, se os policiais acreditavam que seu corpo poderia estar cheio de explosivos? Também levanta questões acerca do novo protocolo de "atirar-para-matar". O protocolo − que é específico para alvos individuais − só podem ser acionados quando a polícia tiver razões para acreditar que o suspeito possa estar portando uma bomba. A ordem só pode ser dada por um "Gold Commander" na Scotland Yard.
A ordem, uma vez expedida, permite aos policiais que atirem na cabeça do alvo, se eles acreditarem que ele esteja pronto para ativar uma bomba. A idéia e não dar tempo ao indivíduo para reagir. A polícia não tem que gritar um aviso antes de agir: fazer isso negaria a eficácia do tiro na cabeça.
Algumas testemunhas dizem que Menezes nem teve chance de se render. Eles dizem que, logo que entrou no trem, ele foi derrubado e imobilizado no chão e fuzilado.
Lee Ruston, 32, estava na parte de baixo da escadaria pela qual Menezes desceu correndo. Ele acredita ter ouvido cada palavra dita pelos policiais.
De acordo com ele, os policiais não disseram a palavra "polícia" ou deram voz de prisão a Menezes. "Eu ouvi uma voz gritando 'no chão, deita no chão'. Uma outra voz disse a mesma coisa: 'deita no chão'. Então eu ouvi os disparos", disse ele.
Se Menezes foi avisado — como alega a polícia — vai ser uma questão crítica, bem como a identificação do "Gold Commander" que decidiu que Menezes era uma ameaça e pôs em ação o protocolo de "atirar-para-matar".
Menezes vivia em um bloco de apartamentos que estava sob vigilância, por causa de suas ligações com os ataques terroristas, mas qual é a prova de que ele era um risco específico? Será um ultraje para a família se ele foi assassinado por causa de seu comportamento aparentemente suspeito e da infelicidade de morar em um endereço associado ao terrorismo.
Blair disse que o público deveria também apreciar a bravura dos policiais que se acercaram de um suspeito que eles pensavam que poderia se explodir.
Como disse um policial, ontem: "Eles fizeram um bom trabalho pelo seu país. Mas, é claro, eles estão muito tristes".
"Eles pensaram que estavam agindo no melhor interesse de todos e com as informações que lhes deram. É uma coisa muito triste, não é?"
Informações adicionais: Michael Smith, Andrew White


Pinçando alguns trechos da matéria, podemos chegar a algumas conclusões preliminares alarmantes. Em primeiro lugar, é sempre bom lembrar que a Scotland Yard é considerada uma polícia-modelo e que os ingleses se acham o povo mais civilizado da terra.

Mas vamos aos trechos que interessam:

1. A Comissão Independente de Queixas contra a Polícia está examinando as fitas dos circuitos fechados de vigilância que registraram os últimos momentos de Menezes. Se as imagens não foram reveladas, até a presente data, é porque comprometem diretamente a Scotland Yard! Três dias depois do primeiro ataque, o mundo inteiro viu as imagens dos terroristas, gravadas pelo mesmo sistema de segurança. Quero ver se as autoridades britâncias não vão dar uma de " Universidade Estácio de Sá" e apagar exatamente as imagens que mostram o assassinato...

2. O homem, de acordo com a polícia, era suspeito por causa de "sua indumentária e comportamento". Ele tinha sido seguido, a partir de uma casa que estava sob vigilância. Quando foi intimado na Estação de Stockwell, ele teria ignorado as instruções e corrido. Ele teria pulado sobre as catracas da bilheteria e estaria usando um casaco escuro e pesado, que poderia esconder uma bomba.
Uma testemunha descreveu Menezes como um asiático com barba e fios saindo do peito. A verdade é mais mundana. Menezes, um eletricista, estava indo para a zona Norte de Londres para reparar um alarme contra incêndios...
Ele não estava vestindo o que a testemunha chamou de "um casaco preto de homem-bomba", mas uma jaqueta de jeans. A temperatura era de 17°C e sua indumentária não teria nada de extraordinário.
Ele não pulou sobre a catraca da bilheteria, como afirmado. Ele usou um bilhete de múltiplas viagens, passando pela estação de maneira normal. Seus familiares acreditam que ele começou a correr simplesmente porque ouviu o trem parando na estação − uma coisa que os londrinos fazem todos os dias. De fato, um trem estava parado na plataforma quando ele chegou.

Mentiras, histeria, cagada e assassinato! Frescura de "testemunhas" que viram o que a polícia mandou elas verem!

3. A polícia claramente acreditava que Menezes poderia ser um homem-bomba, embora não estivesse carregando uma mochila. Isto levanta uma questão chave: por que deixaram Menezes tomar um ônibus em Tulse Hill e viajar até a Estação de Stockwell, se os policiais acreditavam que seu corpo poderia estar cheio de explosivos? Também levanta questões acerca do novo protocolo de "atirar-para-matar". O protocolo − que é específico para alvos individuais − só podem ser acionados quando a polícia tiver razões para acreditar que o suspeito possa estar portando uma bomba. A ordem só pode ser dada por um "Gold Commander" na Scotland Yard.

Ou seja, um filho da puta, em um escritório com ar-condicionado, no centro da City, com base em informações furadas passadas por policiais histéricos e xenófobos, tem autoridade para mandar executar um "suspeito". Puta que os pariu! Se isso é que é civilização e "democracia", podem fazer supositório dos dois.


E aposto que todo o mundo já reparou no nome do Comissário-Chefe da Scotland Yard: Sir Ian Blair!

Nada mais a declarar: os fatos falam por si... Os terroristas já ganharam esta guerra...


Como disse um policial, ontem: "Eles fizeram um bom trabalho pelo seu país. Mas, é claro, eles estão muito tristes".
"Eles pensaram que estavam agindo no melhor interesse de todos e com as informações que lhes deram. É uma coisa muito triste, não é?"


Triste, senhor Policial da Scotland Yard, a polícia mais "fodosa" do mundo, é ver que pimenta, nu cú dos outros, é refresco! Não foi nenhum parente seu, né?...

29 julho 2005

Voltando ao tema "Educação"

Salve, Pessoal!

Vou voltar a bater em uma tecla que, coitadinha, já quase nem soa mais. A importância da educação para o Brasil deixar de ser o eterno Subdesenvolvido.

O que me motivou a escrever foram dois links que o Daniel colocou no BLOG dele (o link está aí do lado, mas eu vou dar os atalhos: Educação, cidadania e soberania nacional, artigo de Raimundo Braz Filho e Lula sanciona criação da Universidade Federal do Grande ABC

No primeiro, o articulista se lança em uma apaixonada defesa da Universidade Pública, observando, em determinado momento:
Reafirmando o que disse em outra ocasião, julgo oportuno destacar três questões importantes que devem preocupar e mobilizar todo o povo brasileiro, porque dizem respeito à garantia do progresso da ciência como fator de desenvolvimento social e de defesa da soberania do país:

a) democratização da educação através da melhoria, manutenção e ampliação do ensino público e gratuito em todos os níveis;

b) defesa dos recursos do patrimônio público que nos restam em face da síndrome de privatização que se desencadeou no país, principalmente a partir de 1994, preservando a expectativa de reparação e punição dos envolvidos nas transações impatrióticas;

c) melhoria das condições de vida da população brasileira, garantindo-lhe o bem estar a que tem direito, através da oferta de empregos e de serviços básicos, resguardando-se os padrões de qualidade e suficiência compatíveis com uma sobrevivência digna.
Sem dúvida, os ítens a) e c) são, aparentemente, indiscutíveis. O item b) corre por conta do articulista. Se, por um lado, eu concordo que houve mais um processo de "privadização" do que de "privatização", por outro, só um cego deixaria de perceber que grande parte desse "patrimônio nacional" não tem nada a ver com Governo.

E por que a ressalva de "aparentemente" que eu fiz à indiscutibilidade dos outros itens? Comecemos pelo terceiro: blá, blá, blá e discurso de palanque. Isso é o que em bom jargão da ESG (Escola Superior de Guerra) se chama de "Objetivo Nacional Permanente". Qualquer governo, de qualquer matiz político, quer isso. O articulista limita-se a exigir o "direito", sem dizer como fazê-lo. É esse tipo de discurso populista vazio que a choldra do PT fazia, enquanto estava na oposição. Pode crer que você vai achar esse trecho no programa de todos os partidos políticos, dos Integralistas até o Partido Surrealista Exaltado...

(Puxa, como dá trabalho chegar ao assunto a partir de uma demagogia esquerdista...) Chegamos, então, ao ponto que eu considero crucial: a educação. Essa, sem dúvida alguma, é fundamental para o desenvolvimento de qualquer nação. Mas, analisemos com cuidado o que propõe o articulista: "democratização da educação através da melhoria, manutenção e ampliação do ensino público e gratuito em todos os níveis".

Eu já começo discordando, quando constato que a educação pré-escolar só começou a ser cogitada pela Proposta de Emenda Constitucional de autoria da Senadora Heloisa Helena (que foi banida do PT por se recusar a aceitar o FMeIrelles na presidência do Banco Central). Então, está faltando o termo "implantação" no elenco de medidas propostas. E continuo discordando quanto à ordem de prioridade dos níveis da educação. Em meu entender, há que se cuidar, primeiro, da pré-escola, que é fundamental para a formação da mentalidade dos cidadãos e que tem sido sistematicamente negligenciada até agora.

Em segundo lugar, há uma urgente necessidade de melhorar e ampliar a Educação Básica. A verdade é que o aluno do ensino fundamental entra analfabeto por uma porta e sai "analfabeto funcional" pela outra. Nem poderia ser de outra forma. Só dois tipos de pessoa vão ser professor de ensino fundamental: os que fazem de sua profissão um sacerdócio e aqueles que não conseguiram, sequer, uma vaga de operador de tele-marketing. Como os primeiros são extremamente raros, percebe-se que a qualidade dos professores não é lá essas coisas... E, como eu já abordei no artigo "Reaprendendo a Ensinar", há que repensar todo o conteúdo do Ensino Fundamental.

Dito isto, facilmente chegaremos à conclusão de que, sem realmente democratizar, melhorar e ampliar o Ensino Fundamental (e, para isso, a pré-escola é imprescindível), a última prioridade é exatamente a do Ensino Superior, exatamente a Universidade Pública, tão cara ao articulista e a tantos que se iludem com uma grande "produção" de bacharéis e tecnólogos, nas mais diversas especialidades, como se diploma fosse atestado de competência. Eu já disse e torno a repetir: Se o Conselho Federal de Medicina fizesse uma "prova de suficiência", tal como o faz a Ordem dos Advogados do Brasil, os resultados seriam (para não ser alarmista) alarmantes.

Eu ficaria muito mais contente se o presidente anunciasse a criação de um CEFET no ABC... E se a "elite intelectual de esquerda" abandonasse os velhos bordões do tempo que o (com perdão dá má lembrança) José Dirceu era presidente da UNE...




24 julho 2005

Eu, positivamente, estou de saco cheio!

Salve, Pessoal!

Meu sumiço temporário tem um motivo: minha mãe morreu no dia 12 e até agora, eu ainda estou a braços com as milhares de providências administrativas que se tem que tomar. Desde os papa-defuntos que fazem qualquer coisa para extorquir seu dinheiro, passando pelos burocratas que exigem um monte de papéis (original e cópia autenticada), até simplesmente desmontar a casa dela e dar destino às milhares de tralhas que uma pessoa ajunta em 84 anos de vida.

Quem sabe, um dia desses, eu consigo parar e chorar adequadamente...

Enquanto isso, a política tem andado animada, com os corruptos conhecidos acusando os corruptos insuspeitos, meu reajuste salarial não sai, e, de repente, a gente descobre que a Scotland Yard veio tomar umas aulas com a ROTA sobre como "proteger" a população...

E um pit-boy, no Orkut, resolveu me aporrinhar o saco, porque eu mandei os "galinhas verdes" de plantão pararem de gritar histéricamente por uma nova intervenção militar no Brasil.

Ah, sim... Eu já ia me esquecendo: o Vasco só me dá alegrias!... (não ousem responder a isso, Daniel e Veri!).

Querem mais, ou já está de bom tamanho?...

09 julho 2005

Perguntinha inocente....

Você, que saiu de "cara pintada" pedindo o impeachment do Collor e, agora, está vendo essa coisa enojante que está surgindo do governo do Lula, não está se sentindo meio "corno"?...

02 julho 2005

Deu no New York Times...

Aí, pessoal! Olha só essa notícia:

New York Times

1 de julho de 2005

Cientistas Britânicos dizem aque o Dióxido de Carbono está tornando os Oceanos ácidos

Por KENNETH CHANG

Contribua ou não para o aquecimento global, o dióxido de carbono está tornando os oceanos ácidos, avisou ontem a principal organização científica da Inglaterra.

Em um relatório feito por um painel de cientistas, a organização, a Royal Society, disse que a acidez crescente provavelmente causará danos aos recifes de coral e outras formas de vida marinha, lá pelo fim do século.

"Eu acho que existem várias questões sérias a serem abordadas", disse em uma entrevista o Dr. John Raven da Universidade de Dundee, na Escócia. "Isto vai afetar todos os organismos que têm esqueletos, conchas e tecidos rígidos feitos de carbonato de cálcio". [nota do tradutor: "Raven", em inglês, quer dizer "Corvo" — será que eles não tinham outro porta-voz?...]

O relatório, com 60 páginas, foi agendado para influenciar a Conferência de Cúpula do G-8, na próxima semana. O Primeiro Ministro Britânico, Tony Blair, presidente do Grupo este ano, tem advogado ações enérgicas para limitar as alterações do clima global.

Diferentemente das previsões de aquecimento global, que são baseadas em modelos computadorizados, complexos e incompletos, a química do dióxido de carbono é simples e direta.

A queima de combustíveis fósseis por automóveis e usinas elétricas libera mais de 25 bilhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera, a cada ano. Aproximadamente, um terço disso é absorvido pelos oceanos, onde o gás passa por reações químicas que produzem ácido carbônico, que é corrosivo para as conchas.

"Isso é indicutível", disse o Dr. Raven. "Eu não acredito que ninguém possa se esquivar disso. Trata-se de química de segundo grau, sólida como rocha".

A escala de pH, que mede a concentração de hidrogênio, vai de 1, o grau mais ácido e com a maior concentração de íons, até 14, o grau mais alcalino, quase sem íons. As águas dos oceanos são, atualmente, meio alcalinas, com um pH de 8,1, cerca de 0,1 a menos do que no começo da Revolução Industrial de dois séculos atrás.

Porém, tal como a escala de magnitude de terremotos, uma unidade na escala de pH reflete uma mudança de fator 10 [nota do tradutor: tal como a Escala Richter, que mede os terremotos, a escala de pH é logarítmica]. A mudança de 0,1 pH significa que atualmente existem 30% mais íons de Hidrogênio na água.

Dependendo da taxa da queima de combustíveis fósseis, o pH da água dos oceanos deve cair para algo entre, 7.9 e 7,7, até 2100, o que, segundo a Royal Society é a taxa mais baixa nos últimos 420.000 anos.

O Dr. Patrick J. Michaels, membro sênior em estudos ambientais no Instituto Cato, o grupo libertário de pesquisas com base em Washington e que é cético quanto a se o aquecimento global pode causar sérios danos ambientais, apontou para o fato de que os níveis de dióxido de carbono na atmosfera têm sido mais altos por 90 dos últimos 100 milhões de anos.

Mas o Dr. Ken Caldeira, um cientista pesquisador do Departamento de Ecologia Global do Carnegie Institute, de Stanford, Califórnia, e um dos membros do painel da Royal Society, disse que a diferença estava em que a corrente emissão de dióxido de carbono estava ocorrendo rapidamente, por apenas dois séculos. No passado, as águas das profundezas do oceano teriam tempo para se misturarem, diluindo o efeito do dióxido de carbono. "Se pusermos o mesmo ao longo de algumas centenas de milhares de anos, não teríamos com o que nos preocupar", disse ele.

A mudança no pH ameaça diminuir a taxa de crescimento dos recifes de coral, que já sofrem com as temperaturas mais altas e a poluição, diz o relatório.

"Já na metade do século, por volta de 2050, nós provavelmente poderemos observar falhas notáveis nos recifes de coral", disse o Dr. Raven. "Qualquer enfraquecimento de seu esqueleto os tornará mais suscetíveis a eventos de tempestades".

Os cientistas dizem, ainda, que a acidez aumentada pode, também, reduzir as populações de plânctons com conchas de carbonato de cálcio, perturbando seriamente a cadeia alimentar de certas espécies de peixes.


É o que certos "cientistas" (como os tais do Instituto Cato) chamam de Junk Science...

Quando a nova era glacial chegar, eles vão por a culpa nos políticos, nos crioulos, nos judeus, nos macumbeiros, na falta de verbas para pesquisa, ou vão, com o financiamento da Templeton Foundation "provar" que isso é uma "obra de Deus, para punir a humanidade pecadora"...

Ou vocês achavam que, entre os cientistas, não havia "Jeffersons" e "Delúbios"?...

01 julho 2005

Reaprendendo a ensinar

Salve, Pessoal!

Finalmente apareceu uma matéria interessante e que não tem nada a ver com essa porcariada toda que tem aparecido nos jornais. O Daniel (link para o BLOG dele aí do lado) publicou um link para uma matéria da Nature, intitulada Educational Research: Big Plans for Little Brains (que, traduzido, dá algo como: "Pesquisa Educacional: Grandes Planos para Pequenos Cérebros").

Eu li, meio que en passant a matéria, mas a "grande novidade" parece ser que os neurocientistas estão estudando, a fundo, os processos pelos quais os cérebros aquirem conhecimentos, principalmente nas mais tenras idades, com o fito de aprimorar os processos de ensino.

Eu, do alto de minhas tamancas de auto-didata metido à besta, digo que não é nem perto de ser o bastante. Certamente, se você compreende como o cérebro "grava" as informações recebidas e como as "recupera", quando necessário, você vai ter meios de criar "FAT" cerebrais muito mais eficientes. E daí?

O que eu não vi, até agora, foi nenhum educador se questionar sobre o que se deve ensinar às pessoas. Não estou falando de "conteúdo programático". Eu estou falando de raciocínio.

Não interessa se você vai ensinar aritmética na base 10, ou 16. O que importa é que a criança saiba o que está fazendo com as operações aritméticas. E é exatamente isso que a maior parte das pessoas não sabe. Não importa em que língua você vai alfabetizar a criança. O que importa é que ela seja capaz de expressar suas idéias e compreender as idéias alheias. Em resumo, o importante é ensinar às crianças a pensar com suas próprias cabeças!

E todo o sistema de ensino mundial (pelo menos que eu conheça) se baseia exatamente no oposto! "Decore o que o professor diz, porque ele sabe mais do que você!" Te enchem de "peixes", mas não te ensinam a "pescar"! Atocham uma porção de informações em seu crânio e esperam que você regurgite essas informações quando instado. Para que servem essas informações? Não ouse questionar! E, se você for capaz de regurgitar cerca de 50% das informações que lhe foram administradas goela abaixo, muito bem! Você está apto a receber outra dose desse "óleo de rícino" informacional. Ao fim e ao cabo, vamos ter, por exemplo, um Médico que aprendeu cerca de metade do que lhe foi ensinado na Faculdade de Medicina (não é um caso fictício, não! Eu ajudei um Médico a preparar seu Curriculum Vitæ e vi o histórico escolar do cara: a maior nota dele foi 6...)

Depois, causa espécie em todos quando mais da metade dos "Bacharéis em Direito" formados no Brasil não conseguem passar no exame da Ordem dos Advogados do Brasil. Se fosse o Conselho Federal de Medicina que fizesse um exame desses, eu aposto que o resultado ia ser ainda pior!

Tudo porque, quando se está na pré-escola ou na alfabetização, não ensinam os alunos a pensar. Todo o conhecimento é entregue com base na "autoridade de quem sabe mais". Mariazinha escreveu "cachorro" no lugar de "casa"? Nota zero nela. Juquinha escreveu "caza" em lugar de "casa"? Nota zero nêle, também. O importante não é só saber do que se está falando: é a forma!

Eu nem vou entrar no mérito do que se ensina como História, Geografia e Ciências, porque isso seria assunto para algo da ordem de 6,25 × 10ℵ artigos...

E, é claro, as crianças, cada vez mais desestimuladas de "aprender" coisas "sem sentido", vão preferir brincar, "matar aula", ou a fazer qualquer outra coisa mais prazeirosa do que ouvir o "blá, blá, blá" recitado por pessoas que, muitas vezes, nem deviam estar onde estão. (Também não é caso fictício. Eu tive alguns entreveros com uma Professora de História [que arrotava ter "30 anos de magistério"] que tinha absoluta incapacidade de se expresar em português. Dois exemplos: uma questão, tipo "Palavras Cruzadas", tinha como conceito "País fundador do Pacto de Varsóvia", com 7 letras, terminada com "A"; cabem duas respostas: HungriA e RomêniA; quem respondeu Hungria, ela deu "errado" porque queria Romênia... outra questão, tipo complete a frase: "Os Estados Unidos usaram a Bomba Atômica em _____" (o grifo é meu); minha filha respondeu "Hiroshima e Nagasaki" — resposta errada! Ela queria "Japão"... 30 anos ensinando isso!)

Então, para finalizar, eu declaro: aprender os processos cognitivos do cérebro é uma coisa útil, na medida em que se ensine as pessoas a pensar. Caso contrário, você só está passando um "Doublespace" no seu HD, para caber mais lixo...