07 agosto 2006

Sobre enzimas e evolução

Um artigo interessante que apareceu no The Times.

Confie em mim, eu sou uma acetil-transferase
Como encontrar virtudes em uma enzima
Science Notebook por Terence Kealey
The Times 7 de agosot de 2006

EM SUA OBRA, "A Riqueza das Nações", Adam Smith mostrou como o crescimento econômico era dependente da especialização: um homem, sozinho, podia fazer somente 20 alfineites por dia, mas uma equipe de homens, cada um com um serviço especializado, um fazendo o corpo do alfineite, outro afiando a ponta, outro fazendo a cabeça, e por aí afora, podiam montar 4.800 alfineites por dia.

Assim é a Natureza. Experiências mostram que uma sopa primordial que imite as condições da jovem Terra (uma solução de amônia, cianeto e outras substâncias químicas tóxicas), quando aquecida e eletrocutada, faz aparecer uma substância chamada RNA [nota do tradutor: RNA = ácido ribonucleico. A descrição é algo exagerada: aparecem alguns aminoácidos que compõem o RNA, não um RNA pronto] . O RNA é notável porque, tal como o DNA [N.T: DNA = ácido desoxirribonucleico, a "dupla-hélice" do código genético] ele pode codificar sua própria reprodução (o que é a própria definição de vida) [outra N.T: outra afirmação simplista e exagerada – um vírus é capaz disso, mas não está, exatamente, vivo] e é, também, um catalizador que pode dirigir reações químicas. Portanto, presumivelmente a vida primitiva tinha como base o RNA que servia tanto como molde para reprodução, como de catalizador para esta reprodução.

Mas o RNA, de certa forma, é como o solitário fabricante de alfineites. Ele não é um bom molde para a reprodução (ao contrário do DNA, ele é instável), nem um bom catalizador (proteínas são melhores). Uma vez que o RNA pode servir de código para o DNA, e como o RNA também pode ligar aminoácidos em proteínas, a vida evoluiu de uma forma que o DNA se especializou em herança, enquanto as proteínas, tais como enzimas, se especializaram em catálises de alto desempenho. O RNA é um mero mensageiro entre os dois.

A vida continuou a se especializar. As células de animais e plantas mais evoluídos contém organelas tais como mitocôndrias (que se especializaram em usar o oxigênio) que uma vez foram bactérias livres. Eles agora coabitam com nossas células ancestrais, mas mantém seu próprio DNA como prova de seu estado independente anterior.

Igualmente, os próprios animais e plantas surgiram quando as células se juntaram em organismos multicelulares. Todas as nossas células atualmente se especializam – elas não são mais auto-suficientes e, quando isoladas do corpo principal, morrem – mas o que elas perderam em auto-suficiência, ganharam com a cooperação com outras células no complexo do corpo de um animal ou planta.

Em outra de suas grandes obras, "A Teoria dos Sentimentos Morais", Adam Smith mostrou que as equipes de seres humanos só podem sobreviver se forem embasadas em um sistema de confiança que impeça a trapaça. Igualmente, a cooperação entre as células depende do policiamento da trapaça ou do individualismo, ou vai surgir uma auto-destruição, tal como o câncer.

Em um fascinante artigo, publicado na Nature, Gregory Velicer, do Instituto Max Plank em Tübingen, Alemanha, pode ter identificado uma primitiva química de confiança. Myxococcus xanthus é uma bactéria do solo que, quando o alimento é escasso, se engaja em um ato de auto-sacrifício altruístico. Cerca de 100.000 indivíduos se fundem em um esporo que alimenta, com os restos dos 100.000, uns poucos indivíduos, permitindo sua sobrevivência.

Porém existem cepas trapaceiras de M xanthus que simplesmente invadem os esporos altruísticos e roubam a comida, levando os altrístas à morte. Aparentemente, as trapaceiras são mais espertas do que as altruístas. Entretanto, elas são suicídas, bem como assassinas, porque quando as cepas trapaceira e altruísta são misturadas, sob condições de inanição, todas as bactérias morrem, porque as trapaceiras matam as altruístas sem ter uma estratégia de sobrevivência própria.

Porém, Velicer mostrou, agora, que as trapaceiras são realmente espertas porque, sob estas condições, elas próprias podem, algumas vezes, evoluir por mutação espontânea em altruístas. Assim, na verdade, elas podem sobreviver, uma vez tendo matado as altruístas originais, se tornando elas próprias fabricantes altruístas de esporos. E Velicer mostrou, agora, que o gene que sofre a mutação para promover o altruísmo é um que codifica uma proteína chamada acetil-transferase. Em resumo, acetil-transferase é uma enzima virtuosa. Como? Isso Velicer ainda não sabe.

Mas a acetil-transferase tem ainda outro truque na manga, porque ela assegura que as novas cepas altruístas resistam à invasão por outras trapaceiras. Isto é esperteza, porque a cooperação que fica restrita aos membros de uma comunidade é o segredo do sucesso, não somente entre as bactérias. Empresas de especialistas de fabricação de alfineites podem triunfar sobre fabricantes solitários de alfineites, da mesma forma que, na política, as democracias podem suplantar as tiranias porque seus cidadãos cooperam mais eficientemente. Como Velicer mostra agora, a base para o sucesso dos grupos provavelmente reside em uma classe de enzimas que nós compartilhamos com as bactérias, a classe das acetil-transferases, cujo impacto sentimos da Bolsa de Valores, até o Parlamento.

Boas novas!... Parece que o mau-caratismo é mesmo anti-natural. Comparem com o artigo Cooperação Forçada, neste mesmo Blog.


06 agosto 2006

Quem precisa de Bush?

Outra notícia do The Observer traz um exemplo a mais da infinita capacidade da estupidez humana em se superar.

Gays fogem do Iraque, fugindo dos esquadrões da morte xiítas

Indícios mostram um aumento no número de execuções, enquanto homossexuais pedem asilo na Grã-Bretanha

Jennifer Copestake
Domingo, 6 de agosto de 2006 The Observer

Grupos de insurgentes "linha-dura" no Iraque passaram a visar um novo tipo de vítima, com a total proteção da lei iraquiana [nota do tradutor: esta alegação é feita pela repórter. Eu suspeito que possa ser verdade, mas não tenho coragem de afirmar],
The Observer pode revelar. O país está experimentando um súbito aumento de ataques brutais contra aqueles chamados de "imorais" – homens homossexuais e meninos, até de 11 anos, que tenham sido forçados à prostituição homossexual.

Existem indícios crescentes de que as milícias xiítas vêm matando homens suspeitos de serem
gays e crianças que tenham sido vendidas a quadrilhas de criminosos para exploração sexual. Esta ameaça levou a um rápido aumento no número de homossexuais iraquianos que buscam asilo no Reino-Unido, porque se tornou impossível para eles viver em segurança em seu próprio país.

[Nota do tradutor: o artigo prossegue, mas eu parei para vomitar... quem quiser pode ler o original; o link está no título]


Isso é uma atitude típica do pior tipo de covarde: não têm cojones para enfrentar os Marines e vão descontar sua frustração nas pobres bichinhas... Quantas dessas bichas morreram em combate, enfrentando os invasores patrocinados pela ONU? A grande m**** com o Oriente Médio é exatamente isso: os americanos e seus "poodles" são uns atrabilhários criminosos, que só estão lá por causa do petróleo? Evidente que sim. Mas será que esses pústulas de radicais xiítas não mereciam coisa até pior?...

Meu consolo (eu sou religioso) é que Allah está de olho: esses cretinos não sabem o que os espera "do lado de lá"...

Para onde vai a economia americana?

A coisa está ficando feia, mesmo com umas guerrinhas para estimular a produção industrial. Olhem só esta notícia do The Observer de Londres.

O "Fed" admite a possibilidade de uma recessão nos EUA

Heather Stewart, correspondente de economia
Domingo, 6 de agosto de 2006 The Observer


Os Estados Unidos estão em face de uma probabilidade de quase 40% de entrarem em uma recessão nos próximos 12 meses, de acordo com o próprio modelo de mercado do Federal Reserve.

Na hora em que o Presidente Ben Bernanke se prepara para decidir se deve aumentar as taxas de juros dos EUA, pela 18ª vez, na próxima terça-feira, os preços dos bônus e os altos níveis dos custos dos empréstimos mostram, atualmente, uma chance de 38% de ocorrer uma recessão, de acordo com um modelo publicado pelo economista Jonathan Wright, do próprio "Fed", anteriormente, neste ano.

Depois que os números oficiais sobre as folhas de pagamentos, liberados na sexta-feira, mostraram que a economia criou menos vagas de trabalho do que se esperava no mês passado, Wall Street começou a predizer que Barnake iria parar com a seqüência de aumentos nas taxas de juros, nesta semana. Mas alguns economistas acreditam que o banco central já foi longe demais.

«Eles exageraram muito nas altas», disse Ian Shepherdson do High Frequency Economics. «O "Fed" tem uma longa e inglória história de aumentar demais e baixar demais as taxas». Ele espera que o crescimento da maior economia do mundo tenha chegado a uma parada total, lá pelo fim do ano, mesmo que Barnake escolha deixar as taxas sem modificação nesta semana.

As predições de um desaquecimento nos EUA chegam junto com os avisos dos analistas de que a inesperada alta de taxas, feita pelo Banco da Inglaterra na quinta-feira, vai fazer despencar as vendas a varejo e balançar com o vulnerável mercado imobiliário – especialmente se os consumidores acreditarem que há mais altas a caminho. «Eu não desprezaria o impacto disto; as pessoas foram acostumadas a pensar que as taxas não se alteravam, e vai haver, agora, um período de ressentimento», disse Jonathan Loynes, economista-chefe para a Europa no Capital Economics.

«Um quarto de ponto percentual não é grande coisa, mas é um sinal», concorda Miles Shipside, diretor do website imobiliário "Rightmove". «Certamente, se você estava tentando vender, antes de quinta-feira, agora vai ficar ainda menos fácil».

Kevin Hawkins, diretor-geral do British Retail Consortium (algo como o "Clube dos Diretores Lojistas") – que, se espera, deve revelar esta semana que julho foi um mês de bons negócios no Reino-Unido – disse que a alta deve deixar os varejistas em dificuldades, assim que passarem os efeitos da Copa do Mundo e do Sol de verão. «Mais para o fim do ano, nós não teremos o futebol e não teremos este tipo de tempo – e, se isto realmente afetar a confiança dos consumidores, eu penso que vai ser ainda mais difícil conseguir qualquer crescimento real nas vendas».


Sem querer ser (mas sendo) "catastrofista", se os ingleses estão preocupados e prevendo efeitos sombrios na economia, seria muito bom o Governo governo brasileiro (não merece maiúsculas...) começar a se preocupar, também...

Se há alguma coisa da qual o Brasil não está precisando, é uma nova política de elevação de taxas de juros. Mas, certamente, alguma coisa tem que ser feita quanto à política cambial. Que tal parar de remunerar exageradamente o capital especulativo que entra no país?... Com toda a valorização do Real, a balança de pagamentos já está mais do que favorável e a credibilidade da economia brasileira tem que se firmar com as próprias pernas – vide Argentina – e não ficar se estressando com os chiliques das Standard & Poor (traduzido literalmente é gozadíssimo: "Medíocre e Pobre") lá em Wall Street.

Atualizando em 09/080/06: O FED manteve a taxa de juros estável, mas deixou no ar a possibilidade de novas altas. Ver nesta notícia da BBC-Brasil.


05 agosto 2006

Esse filme eu já vi...

Notícia publicada no Le Monde:

Instalado o Governo de Coalizão Esquerda–Extrema Direita

O governo eslovaco de coalizão "vermelho-pardo" do Primeiro Ministro Robert Fico obteve, nesta sexta-feira 4 de agosto, um "voto de confiança" dos deputados, após uma maratona de debates de dois dias. Mesmo com a maioria já garantida, por causa da confortável maioria com um gabinete que reúne social-democratas, populistas e nacionalistas (85 assentos em 150), cerca de cinqüenta deputados eleitos pela oposição criticaram com virulência o programa de governo. [... a notícia prossegue com detalhes que não vêm ao caso... Se alguém se interessar, é só clicar no link do título]


Em um certo país lusófono da América do Sul, há quatro anos que uma "coalizão" desse tipo vem produzindo um governo pífio, com discurso esquerdista, política econômica de direita e um sem-número de escândalos de corrupção e "arreglos" para garantir uma suposta "governabilidade". Será que vai funcionar na Eslováquia?

E algo pior acaba de me ocorrer: a última tentativa de unir populismo—direita–nacionalista em um país próximo da Eslováquia foi feita por um tal Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (mais conhecido pelo diminutivo "nazi")... E a "República de Weimar" também era parlamentarista...

«Aqueles que não se lembram do passado, estão condenados a repetí-lo.» – Santayana

«O aforismo de Santayana deveria ser invertido: freqüentemente são aqueles que podem lembrar do passado que estão condenados a repetí-lo.» – Arthur M. Schlesinger, Jr.


04 agosto 2006

Roda de Ciência


Esta á para quem gosta de ciência. Já está no ar o Blog "Roda de Ciência", onde o pessoal que publica matérias - principalmente sobre ciências - vai colocar um tema em discussão. Os colaboradores vão postar "extratos" das matérias publicadas, em seus próprios Blogs, com um link para o artigo completo.

O sem-vergonha aqui pediu inscrição, no meio de todos os "pesos pesados". Quem achar que é muita pretensão de minha parte, está com toda a razão.

O link já está aí na coluna lateral "meus favoritos".

Atualização: 05/08/06 - E não é que aceitaram minha inscrição?... Pois é... Se você costumava ler minhas asneiras, agora pode compará-las com as opinões de quem realmente entende do assunto.

03 agosto 2006

H5N1 - A ameaça continua



Um novo artigo no Blog Effect Measure sobre a Gripe Aviária.

A ameaça da Gripe Aviária continua

Karo, Indonésia, está de volta às manchetes sobre a gripe aviária. Uma outra vila no distrito de Karo foi palco do maior foco da gripe aviária até hoje (oito casos, dos quais, sete fatais). A transmissão de pessoa a pessoa foi reconhecida, de má vontade, pela Organização Munidial de Saúde, embora as autoridades da saúde da Indonèsia ainda resistam a admití-lo. Agora é o local de mais sete casos suspeitos, inclusive ao menos um foco familiar.

« Se se trata de um novo foco, isto deve ser cientificamente comprovado», disse Runizar Ruesin, chefe do Centro de Informações sobre Gripe Aviária no Ministério da Saúde da Indonésia.

Ele disse que sete pessoas foram internadas no hospital local Kaban Jahe, sendo três enviados a um hospital estatal.

Os últimos três são crianças – dois irmãos de 10 e 6 anos, e seu vizinho de 18 meses. « Eu ainda estou esperando o resultado dos exames», disse Ruesin. (Reuters via Thanhnien News)


Há relatos de galinhas mortas na área, mas nenhum outro histórico de exposição foi dado. Os ministros da Saúde, Bem-estar Social e Agricultura viajaram até a área, mas foram recebidos por uma população hostil que arrancou as máscaras dos ministros e forçou-os a remover suas roupas de proteção. O planejado abate das aves do local teve que ser cancelado e foi necessário chamar o exército para restaurar a ordem. «Esta é a primeira vez em que ocorre uma rejeição ao abate das aves» foi a declaração atribuída ao Ministro da Saúde. Isto é uma mentira deslavada, uma vez que a resistência ao abate tem sido uma marca registrada da situação na Indonésia, desde o começo. Uma questão é a grande afeição dos indonésios a suas aves e outra, certamente, é de natureza econômica. O governo está pagando uma indenização muito pequena.

As três crianças foram hospitalizadas com sintomas de gripe, em condições estáveis. Elas agora estão no hospital da capital da província, após terem sido removidas do hospital da vila. Diz-se que uma das crianças está com pneumonia. Outras quatro pessoas da mesma área estão senfo igualmente removidas para o hospital provincial, mas nenhum detalhe desses casos está disponível. (Forbes)

Ainda estamos em agosto mas a temporada de gripe parece já ter começado [nota do tradutor: hemisfério Norte; lá é pleno verão] . O que ela vai trazer, ninguém sabe. A ameaça da gripe aviária está longe de ser descartada, a despeito dos bem divulgados comunicados à imprensa em contrário.


Addendum: A TV da África do Sul diz que seis destes casos foram descartados, com base em exames feitos pelo Governo da Indonésia e pelo Laboratório da Marinha Americana, NAMR2. Não existem informações sobre o sétimo caso. Uma outra possível morte foi relatada na Tailândia, portanto a gripe aviária continua impávida, a despeito das boas notícias provisórias vindas de Karo.


Soa meio paranóico, não é?... Mas essa cepa H5N1, quando pega, mata! Então, qualquer cuidado é pouco. Se essa praga vier a sofrer a mutação que lhe permita se tornar uma pandemia, coitadinho do mundo... Só para se ter uma noção, a Gripe Espanhola também começou como uma gripe aviária, passou para os porcos e, daí, para as pessoas. E havia muito menos pessoas, em cidades bem menores e sem o tráfego aéreo atual...

02 agosto 2006

Physics News Update n° 787

PHYSICS NEWS UPDATE
O Boletim de Notícias da Física do Instituto Americano de Física, número 787, de 2 de agosto de 2006 por Phillip F. Schewe, Ben Stein, e Davide Castelvecchi Physics News Update

UM ENFOQUE TIPO "GOOLGE" PARA MAMOGRAFIAS, acelera buscas por computador de "uma segunda opinião" da interpretação de imagens dos seios. Da mesma forma que uma busca "Google" inicialmente retorna uma listagem dos websites que ela escolhe como sendo os que contêm as informações mais importantes e úteis sobre as palavras digitadas na busca, os pesquisadores médicos querem acelerar a busca por computador por nódulos nos seios com aparência suspeita. Georgia Tourassi e seus colegas na Universidade de Duke empregam um sistema de busca, tipo "Google", que pode recuperar informações úteis de bases de dados de imagens de mamografias, sempre crescentes, mais rapidamente do que antes. Cada vez mais usadas em conjuntos clínicos, a Detecção Assistida por Computadores de Bases de Conhecimentos (em inglês, knowledge-based computer-assisted detection (KB-CAD), comparam a imagem de uma mamografia com as de casos conhecidos de câncer de mama, a fim de auxiliar os radiologistas em seus diagnósticos. Quando um caso novo e desconhecido é apresentado para análise, o sistema KB-CAD compara este caso com as imagens de mamografia na base de dados. Se o caso desconhecido é suficientemente semlhante a um caso conhecido de câncer de mama, isto sugere a presença do câncer. Tradicionalmente, os sistemas KB-CAD comparam a imagem de mamografia que está sendo investigada com todas as imagnes de câncer de mama existentes em uma base de dados no computador. Embora produza diagnósticos precisos, esta prática se torna ineficiente, na medida em que as bases de dados aumentam em tamanho. Uma quantidade maior de imagens fornece mais informações para a análise pelo sistema, mas a comparação uma a uma com todas as imagens, se torna ineficiente. Portanto, os pesquisadores da Duke incorporaram um sistema adicional, tipo "Google". Eles comparam a mamografia selecionada apenas às imagens selecionadas como as mais cotadas pelo conteúdo da informação. A seleção dos casos de mamografias mais informativos é realizada com base em uma estratégia conhecida como "entropia de imagem". A entropia de imagem representa a medida de desordem ou complexidade na imagem. Uma imagem que seja totalmente preta ou branca tem uma entropia zero. Uma imagem de um tabuleiro de xadrez tem uma baixa entropia – ela contém um número igual de pixels claros e escuros. Imagens complexas com distribuições mais uniformes de diversos níveis de intensidade de pixels, têm maior entropia e são consideradas mais informativas no contexto do sistema de Duke. Entretanto, o tecido normal dos seios pode ser tão complexo como um tumor. De acordo com Tourassi, que relatou seus resultados no encontro desta semana da American Association of Physicists in Medicine (Associação dos Físicos na Medicina da América), em Orlando, esta é, precisamente, a razão porque o diagnóstico de mamografias é uma tarefa tão desafiadora. O processo da Duke inclui, também, casos normais em seu processo de tomada de decisões. Aplicado a uma base de dados existente de 2.300 imagens de mamografias, o processo da Duke compara a amostra de mamografia a 600 imagens estimadas como as mais informativas. Isto reduz o tempo que o sisitema CAD leva para analisar a mamografia em um quarto, menos de 3 segundos por pesquisa. No ano seguinte, os pesquisadores esperam estender seu estudo-piloto com uma investigação mais abrangente, para avaliar o impacto clínico desse novo processo. (Documento do encontro: TU-D-330A-8, aqui o resumo; e aqui a sala de imprensa virtual)

OS SOMBRIOS LAGOS DE TITAN. Imagens anteriores, obtidas pela sonda espacial Huygens e as novas imagens obtidas pela nave Cassini, sugerem a presença de lagos de alta latitude em Titan, a grande lua de Saturno. titan possui uma substância, metano, que, tal como a água na Terra, pode existir nas fases sólida, líquida ou gasosa. Entretanto, Titan é tão fria – cerca de 179°C na superfície – grande parte desse metano fica na atmosfera, que é dez vezes mais densa do que a da Terra. Não obstante, ao menos lagos parcialmente líquidos devem existir e as novas imagens de radas tiradas pela Cassini apoiam esta idéia. Dúzias de lagos de hidrocarbonos foram localizados, alguns com até 62 milhas. Nos anos seguntes, na medida em que a rotação sazonal de 30 anos trouxer o hemisfério Norte de Titan para o verão, a liquidificação dos lagos deve ficar ainda mais aparente. (Nature, 27 de julho de 2006.)


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PHYSICS NEWS UPDATE é um resumo de notícias sobre física que aparecem em convenções de física, publicações de física e outras fontes de notícias. É fornecida de graça, como um meio de disseminar informações acerca da física e dos físicos. Por isso, sinta-se à vontade para publicá-la, se quiser, onde outros possam ler, desde que conceda o crédito ao AIP (American Institute of Physics = Instituto Americano de Física). O boletim Physics News Update é publicado, mais ou menos, uma vez por semana.

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Como divulgado no numero anterior, este boletim é traduzido por um curioso, com um domínio apenas razoável de inglês e menos ainda de física. Correções são bem-vindas.

01 agosto 2006

H5N1

O Daniel colocou no Blog dele (It's Equal but It's Different), hoje, um link para outro Blog (Effect Measure) especificamente para a matéria abaixo traduzida, sobre os estudos acerca da possibilidade de mutação do famoso vírus H5N1 (Gripe Aviária).

A matéria é cheia de links para outros sítios (todos em inglês) e eu recomendo a quem quer mais informações, que tente ler o original.

Nova Publicação sobre a transmissibilidade e recombinação no PNAS

A experiência de 1977, cujo resultado foi longamente aguardado, sobre a recombinação do virus H5N1 com uma cepa de vírus de gripe sazonal humana (H3N2), está sendo publicada, hoje, nos "Procedimentos da Academia Nacional de Ciências" – em inglês, Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS, conhecida coloquialmente entre os cientistas como "penis"). Eu não fui capaz de obter um .pdf desse artigo, portanto, tudo o que eu sei é o que está sendo divulgado pelas agências noticiosas como resultado de uma conferência de imprensa feita pelo Diretor do CDC, Gerberding, e a co-autora do estudo, Dra. Jacquiline Katz do CDC. É difícil saber a real importância desse trabalho, até ver a verdadeira publicação, mas aqui está a sinopse, tal como foi dada aos repórteres.

Uma das grandes preocupações com respeito à evolução da gripe aviária é que ela se recombine com uma cepa humana quando ela co-infectar uma célula em uma pessoa ou outro animal, tal como um porco, capaz de ser infectado tanto por virus humanos como aviários. O material genético do virus Influenza A não fica em uma única peça, mas dividido em oito segmentos, com os códigos de 11 proteínas. Cada um dos segmentos pode sofrer uma modificação genética (alterações herdáveis do material genético, chamadas "mutações"); ou que os segmentos de um virus possam ser embaralhados com o da outra, de forma a criar uma nova cepa com alguns segmentos de um e outros, do outro. Isso é chamado "recombinação". Acredita-se que a recombinação seja o caminho pelo qual começaram as pandemias de 1957 e 1968, enquanto que o vírus de 1918 – acredita-se, agora – apareceu por moficiações de alguns segmentos que permitiram que o virus, que antes infectava aves, passasse a infectar pessoas.

Nós temos apenas uma nebulosa idéias das modificações genéticas necessárias para tornar um virus aviário em um virus pandêmico. Uma das possibilidades é uma recombinação com uma cepa humana que esteja em criculação. Usando uma técnica chamada "genética reversa", que atualmente é usada para criar rapidamente as sementes para a rápida produção de vacinas, os pesquisadores do CDC recombinaram os segmentos do H5N1 e H3N2 para produzir novos virus com várias combinações. Eu calculo que haja 62 maneiras possíveis de produzir um novo H5N1 desta forma (isto é, mantendo os segmentos H5 e N1 e permutando as várias combinações dos outros seis segmentos, sem contar os dois originais). Não fica claro nas notícias quantas dessas combinações foram tentadas, ou se todas foram. A publicação deve ser interessante em revelar quais foram as combinações permitidas, ao menos para essas duas cepas de H5N1 e H3N2. Uma vez obtido um segmento de virus replicável, ele era testado em uma doninha (achadq um bom modelo para a gripe humana) para ver se ele se tornava mais facilmente trasnmissível. Uma notícia disse também que a capacidade de causar uma doença grave também foi investigada e deixava implícito que nenhuma das combinações foi capaz disso. Uma vez que o H5N1 não conseguiu causar dorenças graves, isso também implica que a virulência deste virus é moderada pelos recombinantes, mas, até ver a publicação, não sabemos o que se quiz dizer com isso.

Parece que a conferência de imprensa que anunciou os resultados foi relativamente livre de sensacionalismo, embora as reportagens tivessem muita bombasticidade induzida peas manchetes do que em seu conteúdo. Um exemplo de uma manchete mais ou menos precisa aparece na matéria de Randolph Schimd da AP: Flu Viruses Don't Transmit Easily in Test (Virus da Gripe não se transmite facilmente durante os testes). Um exemplo de uma manchete ruim pode ser encontrada na chamada da reportagem de Amanda Gardern (HealthDay): Bird Flu Pandemic May Not Develop: Virus doesn't show signs of mutating easily, U.S. government researchers now say (Pandemia de Gripe Aviária pode Não se Desenvolver: o Virus não mostra sinais de mutações fáceis, dizem agora os pesquisadores do governo dos EUA). A despeito da manchete terrivelmente enganosa, o artigo de Gardner está entre os melhores e mais completos. Ela não é responsável pelas manchetes e foi muito mal servida por esta.

Eu ainda tenho minhas dúvidas sobre se a publicação poderá sustentar todas as coisas que estão dizendo sobre ela, particularmente que esta experiência mostra que não é fácil mudar um virus de uma cepa não transmissível para uma que seja, e que o processo não seja simples, mas muito complicado. Marc Siegel (que parece ser uma das pessoas mais sensatas sobre o assunto de gripe aviária, nestes dias) é novamente mencionado como tendo dito que seriam necessárias múltiplas mutações para que isto aconcesse, portanto uma pandemia não é iminente. Isto pode ser verdade. Mas pode não ser e esta experiência não lança muita luz sobre esta questão. Pode-se afirmar, plausivelmente, que ela mostra que um tal resultado não é um resultado freqüente da recombinação com um subtipo de gripe humana, e essa informação é um conhecimento váildo. E, embora não diga que algum recombinante não testadp, até agora, não possa fazê-lo, ao menos diz que isso não acontece freqüentemente, nem de várias maneiras. Já que sabemos que a recombinação é muito mais freqüente do que pensávamos antes, isto é um ponto importante.

Por outro lado, sem sabermos os fatores que tornam um virus facilmente transmissível, a experiência não nos autoriza a dizer que isso seja difícil ou complicado. Este virus é capaz de realizar supreendentes "truques de mágica", e os "truques de mágica" sempre parecem impossíveis, até que se aprende como são feitos. Aí, eles parecem simples. Até que tenhamos um quadro mais nítido de como o virus faz suas várias "mágicas", nós não sabemos se são simples ou complicadas, fáceis ou difíceis, prováveis ou improváveis. Portanto, isto é um passo à frente, mas um passo pequeno em termos da distância que temos que percorrer.

Adendo: alguém me enviou um .pdf do artigo que eu vou tentar ler amanhã e atualizar se houver qualquer outra coisa interessante a relatar.


Enquanto eu passei o dia inteiro tentando traduzir o artigo acima (enquanto as mais variadas interrupções me assolavam...), o Daniel já postou um link para o artigo
Lack of transmission of H5N1 avian-human reassortant influenza viruses in a ferret model
, onde há um link para baixar a versão original do artigo em formato pdf (deixo isso para os biólgos, mádicos e outros interessados).

Ataulizando em 3 de agosto de 2006: Em um novo artigo, de ontem, no Blog Effect Measure, o Revere comenta que o artigo do PNAS ainda deixa muitas dúvidas. Eu destaco o seguinte trecho:

Existem diversas maneiras pelas quais as proteínas de sueprfície e internas podem ser produzidas pelo embaralhamento. Se olharmos apenas para a metade pertencente ao H5N1 e nos perguntarmos quantas combinações de proteínas internas, parte aviárias, parte humanas, podem ser obtidas pela recombinação das proteínas internas, a resposta parece ser 63. Sobram seis segmentos, depois que nós misturamos H5 e H1 e 64 maneiras de obter combinações desses dois virus com essas seis peças, uma daas quais é o H5N1 original, o que deixa ainda 63 outras combinações. O documento não nos diz, realmente, quantas combinações foram experimentadas. Os dados na Tabela 2 dão resultados para apenas quatro delas e menciona uma quinta, dando a entender que aoutras combinações foram também testadas, mas não realatadas. Seja qual for o número, provavelmente é apenas uma pequena fração das possibilidades, somente para as cepas desses dois subtipos. Se fizermos isso com outras cepas de H3N2 ou H5N1 e outros subtipos humanos (tais como H2N2 ou H1N1), poderemos obter resultados diferentes.


E encerra com a seguinte afirmação:

Ainda estamos fazendo adivinhações sobre este virus


Hoje (03 de agosto), ele publicou um novo artigo sobre a Gripe Aviária, que eu pretendo traduzir, mais tarde.


29 julho 2006

Estão procurando chifre em cabeça de cavalo...

Outra notícia do Jornal da Ciência, me deixou preocupado... Negros são apenas 33% na escola privada.

"Apenas??? Considerando que os negros foram trazidos à força para o Brasil, como escravos, e, após a "Abolição", nunca houve qualquer política de integração dos negros libertos à sociedade (com o racismo extra-oficial e mal disfarçado que predomina na sociedade), um terço dos estudantes de escolas privadas se declararem negros ou pardos é um fato digno de comemorações efusivas (a notícia dá conta de que cerca de 20% dos pesquisados se recusou a preencher o campo referente à cor no questionário).

Se alguma coisa essa pesquisa mostra – sem sombra de dúvida – é o emporbrecimento geral da classe média e que os negros e mestiços ("afro-descendente" é a PQP!... O falecido humorista Leon Eliachar (que era Caucasiano) se auto-denominava "Cairoca", porque tinha nascido no Cairo – e, que me conste, o Egito fica na África) estão, apesar de todo o racismo, ascendendo por seus próprios méritos na escala social.

Surpreendente? Nem um pouco... Eu mesmo cunhei o bordão: "Para três coisas não há substituto: dinheiro, juventude e competência". A "competência" é a chave da coisa.

O que me preocupa é esta recente "preocupação" com os negros ("consciência pesada", em dúvida...) e com iniciativas assistencialistas popularescas (Sim! eu estou falando do sistema de quotas nas Universidades!) que – para variar, só um pouco... – não são dirigidas ao verdadeiro problema: a falência dos Serviços Públicos, e tentam ludibriar o povão com paliativos discriminatórios.

Não se deve tratar de "negros", "pardos", "silvícolas", etc. Se deve tratar de brasileiros pobres, tenham eles o grau de melanina que tiverem. O resto, é demagogia barata!

Uma notícia que devia ser excelente

Uma notícia publicada no Jornal da Ciência, com o título Decisão de conselho tira cientistas da ilegalidade, deveria ser festejada por todos, já que os entraves absurdos colocados à pesquisa biológica (sob o pretexto de impedir a "biopirataria") estavam, praticamente, paralisando a pesquisa legítima no Brasil.

Então, por que o "devia" no título? Diversas razões:

1 - A Medida Provisória que criou as restrições não devia, em primeiro lugar, ter sido publicada com a redação imbecil que teve (e não foi por falta de aviso da SBPC e outras entidades);

2 - Uma "Decisão de Conselho" não tem força de Lei (pelo menos no aspecto constitucional). Aliás, o Brasil anda cheio dessas "decisões com força de lei". As mais perniciosas são as do "Conselho Monetário" e do "Conselho Nacional de Trânsito".

3 - Pelo texto da notícia, «... uma proposta aprovada ontem pelo Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN), pesquisas de nível básico (apenas para produção de conhecimento) nas áreas de taxonomia e epidemiologia ficarão isentas das exigências legais impostas à pesquisa com interesses econômicos.» Mas o que isso realmente significa? Que o CGEN adquiriu poderes (auto-conferidos) para isentar as pesquisas das exigências legais, não que essas exigências tenham sido definitivamente removidas das pesquisas onde essas exigências nem cabiam.

Em resumo: uma Medida Provisória (coisa que nem devia existir, mas o Congresso adora delegar seus poderes legislativos, para poder se dedicar a tarefas mais importantes, tais como fazer CPIs bombásticas e "emendas orçamentárias", das quais nem é bom falar...) mal redigida e estupidamente xenófaba, conferindo poderes legislativos a mais um desses malditos "Conselhos disto e daquilo", cujas "decisões" têm força de Lei e cujas motivações para tomar as decisões são, descaradamente, resultados das atuações de "grupos de pressão".

Que bom que, neste caso, a "decisão" veio facilitar alguma coisa. Normalmente, essas "decisões" só trazem prejuízo...

Em suma: a notícia é boa para o progresso da ciência no Brasil, mas péssima para as "garantias constituicionais" de que "todo o poder emana do povo e, em seu nome, é exercido"...

28 julho 2006

Carros particulares: os grandes vilões!...

Salve, Pessoal!

Este artigo foi motivado pelos artigos postados pela Maria Guimarães no "Ciência e Idéias", ontem, com os títulos «“Declaração de São Paulo” define metas para melhorar a qualidade do ar e dos transportes urbanos na América Latina» e «Manifesto por cidades humanas».

O assunto é de grande importância e – por que não dizer – urgência. Os níveis de poluição nos grandes centros urbanos e a contaminação da atmosfera, em geral, são questões que não podem ser mais "empurradas com a barriga". Os efeitos já estão se fazendo sentir!

O que me deixa avesso, são certas afirmações simplistas, mentirosas em essência, e que, em lugar de procurar soluções realmente adequadas, se preocupam mais em achar "bodes expiatórios". Senão vejamos alguns trechos pinçados do primeiro dos artigos em causa.

Já começa o texto com a seguinte afirmação:

Boa parte da poluição do ar é causada por carros particulares. As conseqüências são sérias e vão desde mudanças climáticas globais até mortes e internações.


"Boa parte", quanto? Exatamente, quanto? Qual o índice de emissão de poluentes "per capita" para os carros particulares? E qual é a parte correspondente aos ônibus e caminhões desregulados? Qual é o índice "per capita" destes? Notem o recurso retórico de começar a segunda frase logo após a expressão "carros particulares", fazendo uma velada associação às "sérias conseqüências". Vejam o mesmo trecho, refraseado:

Os carros particulares são responsáveis por boa parte da poluição do ar. As conseqüências são sérias e vão desde mudanças climáticas globais até mortes e internações.


O conteúdo é o mesmo, mas a "apelação" emocional diminui bastante. As conseqüências são causadas pela poluição, não pelos carros somente. Claro que os carros são uma das fontes de poluição, mas o problema a enfrentar é a poluição em si, não o uso de carros particulares.

O texto, mais abaixo, prossegue:

Grande parte da poluição do ar se deve ao crescimento da frota de veículos.


Indiscutível! Mas com a frase inicial, ainda na cabeça, o leitor associa "frota de veículos" com "carros particulares", o que é, simplesmente, mentira! O número de veículos de transporte coletivo e de cargas cresce igualmente, em virtude da maior demanda por meios de transporte para pessoas e de mercadorias para essas pessoas (mas o crescimento desordenado das conurbações é solenemente ignorado – claro! Carros não votam, pessoas, sim. E o número de eleitores pedestres é bem maior do que o de "motorizados").

Outra "agulhada politicamente correta" aparece mais abaixo:

A proliferação de pequenos coletivos como as peruas são um problema sério, pois acabam por dividir o trânsito (e a emissão de poluentes) em veículos menores e mais “sujos”. A primeira medida, portanto, é limpar os veículos — tanto em termos de regulagem e tecnologia como do combustível utilizado.


Opa! E o motivo da "proliferação dos pequenos coletivos"? Não é algo que mereça atenção? Esse "transporte alternativo" (eufemismo para "van", no Rio, e "perua", em Sampa) começou a operar em locais onde o Serviço Público de transporte não ia. De repente, perceberam que, mesmo nas rotas servidas pelos Transportes Públicos, havia espaço para os "piratas". Isto, certamente, é um dado relevante; mas que "passa batido": vamos "limpar os veículos"... Só não esqueçam de começar pelos ônibus legalizados e caminhões. E pelas "viaturas oficiais", a começar pelas latas velhas com as quais "equipam" as polícias (para quem não sabe: no Estado do Rio de Janeiro, as polícias recebiam veículos reprovados nos controles de qualidade das fábricas – portanto, mais baratos...) A perua clandestina (toda amarrada com arame e com um "kit-gás" clandestino) polui. Mas a ambulância (também caindo aos pedaços, porque jamais viu uma revisão), também. Dos ônibus que parecem equipados com geradores de fumaça, eu nem vou falar...

A questão dos combustíveis é realmente relevante. O Brasil tem tecnologia de ponta nesse setor: só resta passar do discurso de campanha para a prática (mas será que isso realmente interessa à Petrobrás?... O Brasil exporta, a preço vil, o excedente de gasolina, para custear a importação de Diesel — aliás, outro dado pouco conhecido: nosso combustível para aviação é dos mais baratos do mundo! Por que? Produção excedente...)

Desde a "crise do petróleo" da década de 1970, a Petrobrás sabia que um dispositivo combinando o óleo de mamona com o GLP poderia substituir o Diesel, sem necessidade de regulagem diferente do motor. Mas o GLP já é pouco para o consumo dos botijões domésticos e, gás natural canalizado, custa caro para implantar...

A matriz do transporte, no Brasil, é de um total absurdo. As cargas e passageiros são transportados, preferencialmente, pelos meios mais caros: aéreo e rodoviário. Isso, no país com a maior malha de aquavias interiores... Mas, construir uma hidroelétrica em Sete Quedas, tudo bem. Construir eclusas para a navegação... ah!... isso fica muito caro!... A navegação no São Francisco só sobrexiste por motivos turísticos. E pensar que ele foi uma das vias de penetração da colonização do Brasil-Colônia... Inventar uma absurda "transposição das águas do São Francisco" para resolver (será?...) o problema de meia-dúzia de municípios nordestinos, pode. Abrir canais para ligar as bacias fluviais, não.

Só para dar um exemplo de como, no Brasil, "o carro anda na frente dos bois", na época em que eu residi em Corumbá-Ladário, MS, mandar uma encomenda do Rio para Corumbá por via aérea, não só era mais rápido: era mais barato do que pela ferrovia! Dá para entender?...

Continuando a pinçar o texto:

Mas ônibus movidos a combustíveis mais limpos, como gás natural ou biodiesel, não resolvem o problema de poluição se estão presos no trânsito, afirma Schipper. “A mobilidade sustentável é o que resolve o problema”. Segundo ele, a ênfase em combustíveis limpos traz o problema de aumentar sua demanda. A solução é reduzir a necessidade de combustível, explicou.


Explicou o problema, mas não indicou uma solução. Mais pessoas, mais coletivos, mais combustível, mais tráfego, mais engarrafamentos, mais combustível desperdiçado, mais poluição. Qualquer um pode ver isso. E a solução?

Lloyd Wright, da Fundação Viva, em Quito (Equador)[...] acredita que vias para pedestres, ciclovias e transporte público são soluções muito mais efetivas do que depender de um tipo de combustível. Mas ele avisa que essas soluções só serão adotadas pelo público se oferecerem velocidade, comodidade e segurança.


Sim... E carregar algumas sacolas de compras a pé, ou penduradas no guidom da bicicleta são uma excelente solução... para a mãe dele! E uma ciclovia Seropédica - Centro do Rio é uma excelente alternativa para a Avenida Brasil – para quem não se importa de pedalar 120 km de ida e 120 km de volta, todo dia... Fácil! Você acorda às três da madruga, monta no "camelo" e sai pedalando... lá pelas 9, você está pronto para bater o ponto (e cair duro de cansaço no trabalho)... lá pelas cinco da tarde, você acorda, bate o ponto de novo, pega o "camelo" (se é que ele ainda está onde você deixou...) e chega em casa lá pelas 11 da noite... e cai na cama, sem tomar banho, porque, no dia seguinte, você tem que acordar às três da madruga... Ora, faça-me o favor!!!...

Existe uma linda ciclovia, no Rio, que liga Copacabana ao Centro da Cidade. Se há meia dúzia de pessoas que a usam, regularmente, para ir e voltar do trabalho, eu vou ficar muito surpreso...

Triste é um longo trecho que se segue:

Mas para realmente solucionar o problema, é preciso ousar. Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá, contou sobre as mudanças feitas na capital colombiana. Segundo ele, a questão do transporte transcende questões científicas e técnicas. “As cidades têm que refletir que os seres humanos são sagrados”, diz. Elas têm que ser planejadas para promover igualdade social e bem-estar. Até agora foi dada prioridade à mobilidade dos carros mais do que à felicidade das crianças. E segundo ele, para sermos felizes precisamos caminhar. De outra forma sobrevivemos, como um passarinho sobrevive numa gaiola.

Peñalosa chega a considerações mais filosóficas do que políticas. Segundo ele, precisamos rever nossos ideais de felicidade. Talvez ter um carro possante e andar a 200 Km/h numa auto-estrada não traga tanta felicidade quanto passear numa bicicleta velha por uma ciclovia às margens de um rio. Acima de tudo, ele defende que as cidades devem contribuir para a igualdade de qualidade de vida entre as pessoas. Para o ex-prefeito, é impossível tomar decisões sobre transporte sem definir que tipo de cidade se quer. Sua proposta é construir cidades para as pessoas, que privilegiem o espaço público para pedestres.

É esse o rumo que ele tomou durante sua gestão de Bogotá: tornar a cidade mais agradável para pessoas do que para carros. Por isso, vagas para estacionamento perderam espaço para calçadas alargadas. Se os recursos são escassos, a prioridade vai para calçamento de vias para pedestres e bicicletas; se falta espaço, o que não cabe são os carros. É esta a visão de Peñalosa. E andar de bicicleta, não porque seja simpático ou divertido. Mas porque é um direito do cidadão deslocar-se de forma barata sem correr risco de vida.


Ou seja: quem tem um automóvel é um bandido, que merece cadeia ou coisa pior. O Sr. Peñalosa é um grande demagogo! Esse discurso (supostamente, de cunho muito social e humanista) agrada àqueles que não têm recursos para comprar um carro (muito mais numerosos...); mas o trânsito em Bogotá é famoso por ser uma m****.

Este tipo de atitude é de um maniqueísmo imbecil: onde há carros, não cabem pessoas; onde há pessoas, não cabem carros. Quem anda de carro não é "gente", portanto... Não paga impostos (sobre o veículo, sobre os combustíveis, sobre a "indústria de multas de trânsito", mais aqueles embutidos no preço do carro – que, no Brasil, são mais do que a metade do preço final do carro – e nos custos de manutenção). Garanto que o Sr. Peñalosa não dispensou nenhum recurso oriundo dessas fontes para suas obras de "humanização" de Bogotá... Non olet...

E esse maniqueísmo imbecil ainda impõe outras provações aos "malditos" motoristas particulares. "Uso de cinto de segurança obrigatório". Se fosse, realmente, pela preocupação com os ocupantes dos veículos, não deveria ser permitido transportar passageiros em pé nos ônibus. Ou será que isso foi resultado do lobby das Seguradoras que sabem que a maior parte dos acidentes ocorre em velocidades abaixo dos 60 km/h (acima disso o cinto é mais perigoso do que protetor). Junte os lucros das seguradoras (que não fazem seguro para passageiros de ônibus urbanos), à "indústria de multas" e uma maciça propaganda enganosa pela mídia (que recebe bom dinheiro pela propaganda veiculada), e temos mais uma "lenda urbana" criada.

"Lombadas eletrônicas", "Pardais" com velocidades ridiculamente baixas, localizados nos pontos estratégicos (no vale entre uma descida e uma subida, por exemplo, ou logo após à saída de um túnel), funcionando em horários onde nem alma penada está na rua (quanto mais a polícia, para lhe proteger de um assalto...), estacionamentos públicos com um número ridículo de vagas e taxas absurdas, e quem tem prioridade no planejamento urbano ainda é o pedestre! É mesmo?... E quanto ao acesso ao coletivo para deficientes e idosos?... E os pontos de ônibus que servem a trocentas linhas – onde o ônibus ou para no meio da rua, ou "passa batido"?... E a fiscalização dos transportes concedidos?

Querem um exemplo dessa última? Eu dou... O órgão estadual do RJ autorizou, há mais de um ano, a cobrança da passagem Niterói-Araruama em um valor superior a R$ 12,00. Atualmente, a concessionária monopolista (Auto Viação 1001) está cobrando R$ 8,00 pela passagem, a título de "promoção" (quando o valor foi fixado, a passagem custava, "na promoção", R$ 5,00). Agora, me conte com base em que foi fixado esse valor superior a R$ 12,00, quando a mesma companhia pode cobrar R$ 11,00 pela passagem Araruama-Rio, que passa pelo pedágio mais caro do Brasil (via Lagos) e pela Ponte Rio-Niterói????

Se eu for ao Rio com minha mulher, sai mais barato a gasolina (nem vou argumentar que meu carro é adaptado para GNV... é covardia...) do que a passagem (conte as passagens de ônibus urbano no Rio). Só que eu nunca vou de carro: a casa da minha sogra não tem garagem e eu não sou louco de tentar ir de carro ao Centro do Rio. Só se meu carro tivesse a capacidade de virar supositório...

Pois é, Maria... Eu concordo com você:

Que tal ir trabalhar a pé ou de bicicleta, mesmo que demore um tanto mais? Você deixaria de poluir o ar, economizaria tempo e dinheiro com academia e ficaria mais saudável.

Eu adoraria, pena que nem sempre é possível.


Mude de "nem sempre" para "quase nunca" e eu assino em baixo também!



Um novo nível de código genético

Notícia publicada no New York Times.

Cientistas Dizem Ter Encontrado um Código Além do Genético no DNA


Figura: (Loren Williams/Chemistry and Biochemistry, Georgia Institute of Technology). Em uma célula viva, a dupla hélice do DNA se dobra em torno de um nucleossoma (no meio, em verde) e se liga a algumas de suas proteínas, conhecidas como histonas.

O código genético especifica todas as proteínas que uma célula faz. O segundo código, superposto ao primeiro, estabelece o posicionamento dos nucleossomas, carretéis proteínicos miniaturizados, em torno dos quais o DNA é enrolado. Os carretéis tanto protegem como controlam o acesso ao próprio DNA.

Esta descoberta, caso confirmada, pode abrir novas perspectivas na mais alta ordem de controle dos genes, tal como o crítico, porém ainda misterioso, processo pelo qual cada tipo de célula humana é permitida a ativar os genes que precisa, mas não pode ter acesso aos genes usados por outro tipo de células.

O novo código é descrito na corrente edição da Nature por Eran Segal do Instituto Weizmann (Israel) e Jonathan Widom da Northwestern University do Illinois e seus colegas. Existem cerca de 30 milhões de nucleossomas em cada célula humana. São necessários tantos deles porque a cadeia de DNA se enrosca em cada um somente 1,65 vezes, em uma trança que contém 147 de suas unidades, e a molécula de DNA, em um único cromossoma pode ter até 225 milhões de unidades de comprimento.

Os biólogos suspeitaram, por anos a fio, que algumas posições do DNA, notavelmente aquelas onde ele se dobrava com mais facilidade, poderiam ser mais favoráveis a nucleossomas do que outras, mas não havia um padrão aparente. Os Doutores Segal e Widom analisaram a seqüência em cerca de 200 lugares no DNA do genoma do levedo, onde os nucleossomas sabidamente se uniam, e descobriram que, com efeito, existe um padrão oculto. Conhecendo o padrão, eles foram capazes de predizr a localização de cerca de 50% dos nucleossomas em outros organismos. O padrão é uma combinação de seqüências que torna mais fácil para o DNA se dobrar e se enrolar apertadamente em torno de um nucleossoma. Mas o padrão necessita da presença de apenas algumas das seqüências em cada ponto de união de nucleossomas, de forma que não é óbvio.

O grau de liberdade desses requisitos é, presumivelmente, a razão pela qual ele não entra em conflito com o código genético, que também tem um pouco de redundância ou espaço de variação em sua composição. Ter uma seqüência de unidades no DNA que determinam a localização dos nucleossomas, explicaria uma característica intrigante dos fatores de transcrição, as proteínas que ativam os genes. Os fatores de transcrição reconhecem curtas seqüências de DNA, com cerca de seis a oito unidades de comprimento, que jazem bem em frente ao gene a ser transcirto.

Mas essas curtas seqüências ocorrem tão freqüentemente no DNA que os fatores de transcrição, parecia, deveriam se ligar freqüentemente aos errados. O Dr. Segal, um biólogo computacional, acredita que, de fato, as posições erradas são inacessíveis porque elas ficam na parte do DNA enrolada no nucleossoma. Os fatores de transcrição só podem "ver" as partes do DNA "nú" que ficam entre os nucleossomas.

Os nucleossomas freqüentemente se movimentam, deixando o DNA flutuar livremente quando um gene deve ser transferido. Dado este constante fluxo, o Dr. Segal disse que estava surpreso que pudesse prever tantos como a metade das posições preferenciais para os nucleossomas,

Mas, tendo quebrado o código, «Acreditamos que, pela primeira vez, temos um controle quantitativo real» para a exploração de como os nucleossomas e outras proteínas interagem para controlar o DNA», disse ele. Os outros 50% das posições podem ser determinadas pela competição entre os nucleossomas e outras proteínas, sugere o Dr. Segal. Muitos experts disseram que o novo resultado é plausível porque ele generaliza a antiga idéia de que o DNA é mais encurvável em certas seqüências, que deveriam, assim, favorecer o posicionamento dos nucleossomas.

«Eu penso que é realmente interessante», disse Bradley Bernstein, um boólogo do Massachusetts General Hospital. Jerry Workman do Instituto Stowers Institute em Kansas City disse que a detecção do código dos nucleossomas era «uma visão profunda, caso verdadeira», porque ajudaria a explicar muitos aspectos de como o DNA é controlado.

Os nucleossomas são feitos de proteínas conhecidas com histonas, que são das mais conservadas pela evolução, o que quer dizer que elas mudam muito pouco de uma espécie para outra. Uma histonade uma ervilha e a de uma vaca diferem em apens duas de suas 102 unidades de amno ácidos. Essa conservação é usualmente atribuída à necessidade do perfeito encaixe entre as histonas e o DNA enrolado em torno delas. Mas outra razão, sugere o Dr. Segal, poderia ser que qualquer mudança iria interferir com a capacidade dos nucleossomas encontrarem suas posições designadas no DNA.

No código genético, conjuntos de três unidades de DNA especificam várias espécies de ammino ácidos, as unidades das proteínas. Uma característica curiosa desse código é que ele é redundante, o que significa que un determinado amino ácido pode ser definido por qualquer um de vários tripletos diferentes. Os biólogos têm especulado longamente que a redundância tenha sido projetada para coexistir com outro tipo de código, e este, diz o Dr. Segal, pode ser o código dos nucleossomas.


Uma idéia fascinante! Imaginem o que a obtenção do controle sobre esse suposto código de nucleossomas pode faciltar na cura de doenças geneticamente transmissíveis. Ou em termos de imunologia. E até das neoplasias...

Como dizia o falecido Robert Anson Heilein: "a era dos milagres ainda nem começou..."

Nova ameaça ao meio ambiente: falta de insetos



Artigo publicado no "Le Monde" (on line), dá conta de uma nova ameaça ao meio ambiente: a extinção dos insetos polinizadores. Reparem bem na frase final do artigo.


O número e a variedade dos insetos polinizadores diminui na Europa de maneira importante
LE MONDE | 22.07.06 | 15h06 • Atualizado em 22.07.06 | 15h06


Os insetos polinizadores são indispensáveis à reprodução de plantas com flores que geram sementes, o que representa 80% do reino vegetal terrestre: voando de flor em flor para recolher o pólen (o elemento fecundante masculino), eles o transportam até o estigma de de uma flor fêmea, permitindo a fecundação. Ora, após alguns anos, os cientistas pensam que este serviço gratúito, oferecido pela natureza por 140 milhões de anos, está ameaçado pela baixa na biodiversidade.

Uma pesquisa realizada por Jacobus Biesmeijer e William Kunin (Universidade de Leeds, no Reino Unido) e uma equipe de pesquisadores britânicos, alemães e holandeses confirma, na revista Science de 21 de julho, que a ameaça é séria. Ao estudar diferentes zonas na Grã-Bretanha e nos Países Baixos, os cientistas constataram que as abelhas selvagens pagaram o tributo mais pesado, com uma baixa de 52% de sua diversidade, no primeiro caso, e de 67% no segundo, em comparação com a situação antecedente aos anos 1980. Em contrapartida, a situação é menos catastrófica para as moscas polinizadoras, cuja população diminuiu em 33% na Grã-Bretanha, mas aumentou em 25% nos Países Baixos.

Os pesquisadores também viram qual era a influência dessa situação sobre as plantas visitadas pelos insetos. Dessa forma, constataram que, na Grã-Bretanha, 75 plantas selvagens que precisam ser polinizadas por insetos, viram sua distribuição diminuir, ao passo que 30 outras, polinizadas pelo vento ou pela água, ao contrário, expandiram sua presença. Nos Países Baixos, somente as plantas polinizadas pelas abelhas selvagens foram reduzidas. Jacobus Biesmeijer e William Kunin, suspeitam, então, que exista uma ligação de causa e efeito entre o declínio dos insetos polinizadores e das plantas polinizadas, sem poder precisar qual é o elemento motor dessa situação: a evolução das práticas de cultura agrícola, a utilização de produtos químicos na agricultura ou a modificação climática? Eles estão inquietos porque «seja qual for a causa constatada, o estudo sugere enfaticamente que o declínio de algumas espécies pode deslanchar uma cascata de extinções localizadas entre outras espécies associadas».


Para Guy Rodet, entomologista no Instituto Nacional de Pesquisa Agrícola (Institut national de la recherche agricole = INRA) de Avignon (Departamento de Saúde das Plantas e Ambiente), este artigo é importante porque «é o primeiro a por em evidência, cientificamente, o declínio dos insetos polinizadores. E o faz com um grande número de dados e sobre uma longa escala de tempo». Os autores do artigo da Science, com efeito, trabalharam sobre um milhão de registros, feitos no passado por naturalistas, dos quais alguns remontam ao tempo da Rainha Vitória. Aplicando técnicas destinadas a tornar esses dados comparáveis entre si, os pesquisadores dividiram os Países Baixos e a Grã-Bretanha em quadrículas de 10 km de lado e compararam a diversidade dos insetos polinizadores antes e depois de 1980. Esta data foi estabelecida porque ocorreram grandes modificações na agricultura durante este período.

Este estudo foi realizado dentro do quadro do programa europeu Alarm, destinado a avaliar os riscos nos quais incorrem as biodiversidades terrestre e aquática. Uma pesquisa similar foi realizada na França, pela equipe de pesquisa sobre polinização entomófila do INRA-Avignon, liderada por Bernard Vaissière e que tinha como objetivo avaliar o declínio dos polinizadores, sobre um período de tempo muito curto. Dez localizações foram escolhidas na França, na Alemanha, na Polônia, na Suécia e no Reino Unido.

A baixa na diversidade dos insetos polinizadores pode ter diversos efeitos. Ela pode se traduzir, desde já, em «uma mudança na paisagem», como explica Guy Rodet, «porque há um risco de ver desaparecer diferentes espécies de plantas». Mais grave ainda, «nós podemos ter dificuldades em produzir frutas e legumes, se bem que se pode, em certos casos, usar insetos produzidos em criadouros», afirma Guy Rodet. «Mas para grandes superfícies cultivadas, como nos Estados Unidos, isto corre o risco de ficar muito caro».

Christiane Galus

Artigo publicado na edição de 23.07.06


Repararam na última linha? (NÃO? Pombas!... Eu avisei lá em cima!...) Quando falam em «grandes superfícies cultivadas», eu fiquei logo pensando no "avanço da fronteira agrícola brasileira" pelo cerrado adentro (isso, sem falar nas regiões desmatadas da Amazônia...)

25 julho 2006

Physics News Update n° 786

PHYSICS NEWS UPDATE
O Boletim de Notícias da Física do Instituto Americano de Física, número 786, de 25 de julho de 2006 por Phillip F. Schewe, Ben Stein, e Davide Castelvecchi Physics News Update

TRANSISTOR QUÍMICO. Um novo dispositivo, o equivalente químico de um transistor, pode tornar possível a detecção ultrasensível biomédica de antígenos isolados. As coisas que costumamos associar com transistores, a abertura ou fechamento de um interruptor ou a amplificação de um sinal, são, normalmente, realizados por meio da injeção de um pequeno sinal elétrico em um eletrodo de porta, o qual, então, modifica o ambiente de uma região de canalização próxima. Isto permite que uma corrente seja interrompida ou amplificada. Em uma experiência realizada por físicos da Universidade da Califórnia em Irvine, as mesmas coisas são realizadas através de reações químicas. Philip Collins e seus colegas usam nanotubos de carbono como a substância funcional central de seu dispositivo. Os nanotubos, imersos em um líquido, pode ser mudado de um estado condutivo para um estado isolador por meio de sua oxidação – os seja, pela remoção química dos elétrons livres. As reações químicas são disparadas pela aplicação de um potencial elétrico, ao longoda área de integração (ver figura em www.aip.org/png/2006/262.htm ). O que os pesquisadores de Irvine mostram é que este processo pode ser realizado de modo reversível e em curtos períodos de tempo, tão rápidos como 10 microssegundos. Isto é bastante lento, em comparação dos padrões atuais dos transistores; a promessa mais importante para os projetados transistores químicos de efeito de campo (chemical field effect transistors = ChemFETs) reside nas amplificações potencialmente grandes. Parece que a mera oxidação de uns poucos elétrons pode ser utilizada para comutar correntes da magnitude de microamperes. Em um futuro biodetector, esse chavamento seria ativado, não por um sinal eletroquímico aplicado, mas pelos traços da presença de antígenos que se ligassem a anticorpos anexados aos nanotubos. Em detectores anteriores, a ativação química necessitava de dezenas de antígenos; aqui um único antígeno pode ser suficiente para modificar o estado do nanotubo. (Mannik et al., Physical Review Letters, 7 de julho de 2006; website do laboratório: www.physics.uci.edu/~collinsp/)

AUMENTO DA PROBABILIDADE DE UM CHOQUE COM UM ASTERÓIDE. Tudo o que você queria ficar sabendo! Que a probabilidade de um choque entre a Terra e um asteróide é aumentada pela mútua atração gravitacional entre os dois corpos. A fómula para esse aumento é demonstrada em um novo artigo do físico James Van Allen, da Universidade de Iowa, o mesmo homem que, meio século atrás, predisse a existência (mais tarde confirmada) de cinturões de radiação de partículas de plasma. O aumento da seção transversal da probabilidade de colisão, que Van Allen admite ignorar as forças adicionais exercidas pelo Sol e outros planetas do Sistema Solar, é igual a 1 mais o quadrado da razão entre a velocidade de escape para o planetas (Van Allen calculou o caso para a Terra, Marte, Júpiter e Saturno) e a velocidade de aproximação do asteróide (começando de bem longe).(American Journal of Physics, agosto de 2006)

TEMPESTADES NA ÁSIA BALANÇAM A TERRA. O eixo da Terra passa por vários deslocamentos cíclicos, tais como a Precessão dos Equinócios que dura cerca de 26.000 anos. Recentemente os dois deslocamentos mais importantes inadvertidamente se cancelaram mutuamente, permitindo aos geofísicos medir outros deslocamentos mais sutís que, normalmente, seriam difíceis de detectar. As duas oscilações maiores são a Oscilação de Chandler (cuja origem não é bem conhecida) e a oscilação causada pelas variações climáticas anuais. Seus efeitos combinados, normalmente, fazem o eixo de rotação se deslocar cerca de 10 metros. Mas de dezembro de 2005 a fevereiro de 2006, seu mútuo anulamento reduziu a excursão do eixo para menos de 1 metro. Isto permitiu que cientistas belgas estudassem forças menores e menos fortes, cujas atuações puderam ser brevemente medidas. Os cientistas viram sinais do que eles acreditam ser uma influência na oscilação da Terra, dia a dia, ocasionada por tempestades sobre a Ásia e a Europa do Norte. (Geophysical Research Letters, julho de 2006)

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PHYSICS NEWS UPDATE é um resumo de notícias sobre física que aparecem em convenções de física, publicações de física e outras fontes de notícias. É fornecida de graça, como um meio de disseminar informações acerca da física e dos físicos. Por isso, sinta-se à vontade para publicá-la, se quiser, onde outros possam ler, desde que conceda o crédito ao AIP (American Institute of Physics = Instituto Americano de Física). O boletim Physics News Update é publicado, mais ou menos, uma vez por semana.

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Como divulgado no numero anterior, este boletim é traduzido por um curioso, com um domínio apenas razoável de inglês e menos ainda de física. Correções são bem-vindas.

20 julho 2006

Novo Mar na África?



Notícia publicada no site da BBC em português:

20 de julho, 2006 - 14h57 GMT (11h57 Brasília)

Helen Briggs
Novo oceano pode estar se formando na África

A maior fenda da crosta terrestre vista em décadas, ou talvez em séculos, pode ser o início de um novo oceano, de acordo com dados recolhidos por satélite.

Geologistas dizem que a fenda de 60 km, aberta no ano passado, pode chegar a atingir o Mar Vermelho, isolando grande parte da Etiópia e Eritréia do resto da África.


A fenda chega a 8m de largura em certos pontos

Ela foi aberta por um terremoto em setembro e, segundo observações de cientistas publicadas na revista Nature, estaria crescendo com uma velocidade sem precedentes.

A fenda reflete movimentos subterrâneos, onde algumas das placas tectônicas que formam a África estão se distanciando gradualmente da placa Arábica, obrigando a crosta a se abrir.

À medida em que a fenda cresce, rochas derretidas são empurradas para a superfície, se solidificando e formando o piso de um eventual novo oceano.

Os cientistas calcularam que 2.5 km cúbicos de lava afloraram da fenda aberta na crostra terrestre, volume suficiente para encher um estádio de futebol de grande porte pelo menos duas mil vezes.

Tim Wright, da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, diz que, se o movimento continuar, a região conhecida como o Chifre da África vai se separar do resto do continente em cerca de um milhão de anos.

Ele afirma que, neste caso, a fenda "vai alcançar o Mar Vermelho e o oceano vai jorrar por ela".

Primeira vez

Wright integra uma equipe da Grã-Bretanha e Etiópia que vem monitorando a criação da nova bacia oceânica, um evento raro em terra firme.


Uma equipe internacional está monitorando os eventos

Eles utilizam instrumentos sísmicos de ponta, medidores de campo e imagens de satélite da Agência Espacial Européia, Envisat, para a pesquisa.

"Obtivemos um mapa bastante preciso", diz ele.

"É a maior fenda que se abre desde os anos 1970 e, talvez, em centenas de anos."

"Esta é a primeira vez que podemos usar imagens de satélite para investigar o processo fundamental no momento em que ele acontece."

Os movimentos nas placas terrestres vêm acontecendo gradualmente nos últimos dois milhões de anos, mas de tempos em tempos, terremotos e erupções vulcânicas causam rupturas repentinas.







Imagem obtida na WikiPedia.

A notícia para por aí, mas este fenômeno parece ser um agravamento da conhecida Falha da África Oriental (onde, por mera coincidência, foram encontrados, na Garganta de Olduvai, os fósseis humanos mais antigos).

A falha em questão parece ser aquela marcada pela linha pontilhada mais à direita (junto à inscrição "Gulf of Aden").

19 julho 2006

Não é um país sério...



Vejam se dá para aguentar... Olhem só o tipo de notícia que se publica sobre o Brasil no exterior. Essa é uma reportagem especial do The Guardian.

O Projetado Museu do Sexo no Rio.
Tom Phillips no Rio de Janeiro
Quarta-feira, 19 de Julho de 2006
The Guardian
Foto: Marcio Nisembaum

Dizer a sua avó de 71 anos que você planeja construir uma gigantsca réplica de um útero na porta da casa dela pode ser uma tarefa das mais desagradáveis para qualquer neto.

Entretanto, esta é sina ne Igor de Vetyemy, um jovem arquiteto brasileiro, por trás de um controverso projeto de construir um museu inspirado totalmente pelo sexo em uma das mais famosas praias do mundo.

O plano de erigir uma "Cidade do Sexo" "interativa" logo ao lado da Praia de Copacabana dividiu o Rio de Janeiro – uma cidade renomada por sua sensualidade, mas igualmente uma empenhada [orbrigado, Maria!] em acabar com o turismo sexual e a prostituição infantil.

Empenhada em romper os laços de sua cidade com o turismo sexual, a Governadora evangélica do Rio, Rosinha Matheus, recentemente proibiu a venda de cartões postais exibindo mulheres nuas. Embora ela ainda tenha que se pronunciar oficialmente sobre o projeto, as plantas para o museu não devem agradá-la.

Alardeando casas de striptease, "cápsulas" para sexo e um clube de "swing" – tudo empacotado em um labirinto branco futurístico e fálico – o planejado museu se parece com um gigantesco estúdio de filmagem de "A Laranja Mecância" de Stanley Kubrick.

«O Brasil tem esta enorme ligação com o sexo, mas não tem um museu para celebrar esse fato», diz Vetyemy, 25, cujos partidários vão do Prefeito do Rio a Nigel Coates, o arquiteto britânico da Zona do Corpo do "Millenium Dome".

«Existe esta enorme hipocrisia envolvendo o sexo aqui. As pessoas ficam aterrorizadas em falar acerca da idéia e somente discutem as coisas negativas relacionadas com o sexo, tais como o turismo sexual ou a prostituição infantil. Eu quero lidar com isso de maneira natural e oficial», diz Vetyemy, um arquiteto formado por Oxford.

O Sr. Coates disse que o projeto seria um passo chave na atualização da tradição do Rio em arquitetura contemporânea. Mas isso não é consolo para os residentes de Copacabana. «É totalmente absurdo», diz Horácio Magalhães, líder da Associação dos Moradores e Amigos de Copacabana. «O projeto so pode servir para encorajar o turismo sexual e estigmatizar o bairro».

A controvérsia cresceu durante esta semana, na medida em que outros mebros proeminentes da sociedade carioca juntaram-se ao debate. Zuenir Ventura, autor de "Cidade Partida", um livro a respeito das divisões sociais no Rio, acusou o projeto de "segregacionista". O que os que apoiam a idéia chamam de "sexódromo", disse ele, seria um bordel gigante.

Mas Vetyemy não se arrepende. «Não é uma coisa que vá denegrir a viinhança - é um projeto sério», disse ele. «Teoricamente, minha avó realmente gostou da idéia - até que ela compreendeu que ele poderia ser realmente construído»

Examinando a fotografia acima, bem que o Prefeito e o Sr. Vetyemy poderiam colocar a idéia dentro da estrutura e fazê-la de supositório.

Em uma cidade onde falta praticamente tudo e os serviços públicos são de péssima qualidade, construir um museu para o Sexo, das duas, uma: ou o pessoal que quer construí-lo precisa de um museu para se lembrar de como se faz sexo; ou estão querendo mais é foder a paciência do cidadão.

Eu só fico pensando se o The Guardian publicaria um lixo desses se o arquiteto não fosse formado por Oxford...

Os olhos da cara

O Daniel Doro Ferrante publicou no Blog dele, It's Equal but it's different um link para um artigo no Boletim Eurekalert, da Associação Americana para o Progresso da Ciência. Como eu não consigo me conter, lá vai a tradução:

Cientistas descobrem porque a córnea é transparente e livre de vasos sanguíneos, permitindo a visão

Os resultados são promissores para o tratamento de doenças dos olhos e do câncer

Boston, MA – Cientistas do Instituto Schepens de Pesquisa dos Olhos e da Enfermaria de Olhos e Ouvidos de Massachussets (MEEI), do Departamento de Oftalmologia de Harvard são os primeiros a aprender por que a córnea, a clara janela do olho, é livre de vasos sanguíneos – um fenômeno único que torna a visão possível. A chave, dizem os pesquisadores, é a inesperada presença de grandes quantidades da proteína VEGFR-3 (vascular endothelial growth factor receptor-3) no topo da camada epitelial das córneas normalmente saudáveis. De acordo com as descobertas, a VEGFR-3 para a angiogênese (crescimento dos vasos sanguíneos), atuando como um "ralo" para juntar ou neutralizar os fatores de crescimento enviados pelo corpo para estimular o crescimento dos vasos sanguíneos. A córnea era, há muito tempo, conhecida por não ter vasos sanguíneos, mas os motivos exatos para isso permaneciam desconhecidos.

Estes resultados, publicados na edição de 25 de julho de 2006 em "Proceedings of the National Academy of Sciences" e em edição online em 17 de julho, não só resolvem um profundo mistério científico, como também traz grandes promessas para a prevenção e cura de doenças dos olhos e males como o câncer, nos quais os vasos sanguíneos crescem de maneira anormal e incontrolável, uma vez que esse fenômeno, presente normalmente na córnea, pode ter emprego terapêutico em outros tecidos.

«Esta é uma descoberta muito significativa» dir o Dr. Reza Dana, Cientista Sênior do Instituto Schepens de Pesquisa dos Olhos, chefe do Serviço de Córneas da Enfermaria de Olhos e Ouvidos de Massachussets e Professor Associado da Escola de Medicina de Harvard, também autor sênior e principal investigador do estudo. «Uma córnea clara é essencial para a visão. Sem a capacidade de manter uma córnea sem vasos sanguíneos, nossa visão seria significativamente prejudicada», diz ele, acrescentando que córneas claras e sem vascularização são vitais para qualquer animal que precise de um alto grau de acuidade visual para sobreviver.
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A córnea, um dos poucos tecidos do corpo que se mantêm ativamente desvascularizados (o outro é a cartilagem), é o fino tecido transparente que cobre a frente do olho. É a clareza da córnea que permite que a luz passe para a retina e, dela, para o cérebro, para interpretação. Quando a córnea é embaçada por ferimentos, infecção ou crescimento anormal de vasos sanguíneos, a visão é seriamente prejudicada, se não for destruída.

Os cientistas têm lutado com o mistério da "claridade" por muitas décadas. E, embora alguns estudos anteriores tenham dado pequenas pistas, nenhum apontou um mecanismo principal, até o presente estudo.

Na maior parte dos tecidos do corpo, o crescimento dos vasos sanguíneos ou angiogênese, ocorre em resposta a uma necessidade pelo aumento do fluxo de sangue para curar uma área ferida ou infeccionada. O sistema imunológico envia para lá fatores de crescimento, tais como o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF) para se ligar a uma proteína receptora, chamada VEGFR-2, nos vasos sanguíneos, para ativar o crescimento dos vasos. Três tipos de VEGF
– A, C e D – se ligam a este receptor. Dois deles – C e D – também se ligam com a VEGFR-3, que é usualmente encontrada nas células que revestem os vasos linfáticos, para estimular o crescimento dos vasos linfáticos.

A equipe de Dana começou a suspeitar do envolvimento da VEGFR-3 no impedimento do crescimento dos vasos sanguíneos nas córneas, quando perceberam inesperadamente que grandes quantidades da proteína pareciam existir naturalmente no epitélio corneal sadio, um local anteriormente desconhecido para este receptor. Dana e sua equipe já tinham conhecimento, a partir da experiência clínica, que o epitélio provavelmente tinha um papel na supressão do crescimento de vasos sanguíneos, tendo testemunhado o crescimento de vasos sanguíneos em córneas despidas de suas camadas epiteliais.

Eles começaram a aventar a teoria de que grandes quantidades de VEGFR-3, nesta nova e não-vascularizada localização, poderia estar atraíndo e absorvendo todos os fatores de crescimento VEGF C e D, impedindo-os, assim, de se ligarem com o VEGFR-2. E, porque essa ligação ocorria em um ambiente não-vascularizado, os fatores de crescimento eram neutrlizados.

Para verificar sua teoria, a equipe conduziu uma série de experiências.

Usando tecido corneal de ratos, a equipe fez o seguinte.

Eles realizaram análises químicas que demonstraram que a VEGFR-3 e o gene a ela associado, estavam realmente presentes no epitélio corneal. A seguir, em duas experiências separadas, eles compararam córneas com e sem camadas epiteliais que estavam feridas. Eles descobriram que somente as córneas sem a camada epitelial desenvolviam vasos sanguíneos, o que implicava no papel do epitélio na supressão do crescimento dos vasos sanguíneos. Para demonstrar ainda mais sua teoria, eles adicionarm um substituto da VEGFR-3 em córneas despidas de suas camadas epiteliais e descobriram que o crescimento dos vasos continuava suprimido, substituindo o papel anti-angiogênico normal do epitélio. Finalmente, eles expuseram córneas intáctas a um agente bloqueador da VEGFR-3 e descobriram que os vasos sanguíneos começaram a crescer, demonstrando formalmente que o epitélio corneal é a chave para a supressão de vasos sanguíneos e que o mecanismo chave é a presença da VEGFR-3.
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«Os resultados desta série de testes confirmou nossa crença de que a presença da VEGFR-3 é o principal fator na prevenção da formação de vasos sanguíneos na córnea», diz Dana, que diz que a descoberta terá um impacto de longo alcance no desenvolvimento de novas terapias para os olhos e outras doenças.

«Drogas projetadas para manipular os níveis desta proteína podriam curar córneas que sofreram severos traumatismos ou auxiliar a encolher tumores alimentados por vasos sanguíneos de crescimento rápido e anormal», diz ele. «De fato, o próximo passo de nosso trabalho é exatamente este».

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Outros autores do estudo incluem: Claus Cursiefen¹ ², Lu Chen¹, Magali Saint-Geniez¹, Pedram Hamrah¹, Yiping Jin¹, Saadia Rashid¹, Bronislaw Pytowky³, Kris Persaud³, Yan Wu³, J. Wayne Streilein¹†, Raza Dana¹.

¹ - Intituto Schepens para Pesquisa de Olhos e a Enfermaria de Olhos e Ouvidos de Massachussets, do Departamento de Oftalmologia, Escola de Medicina de Harvard, Boston, Massachuessets, EUA;
² - Departamento de Oftalmologia, Universidade Friederich-Alexander de Erlanger-Nuremberg, Erlangen, Alemanha;
³ - ImClone Systems, Inc., Nova York;
†Dr. J. Wayne Streilein, falecido em 15 de março de 2004.

Acerca da Enfermaria de Olhos e Ouvidos de Massachussets: é um hospital especializado independente e um centro internacional para tratamento e pesquisa, bem como um hospital-escola da Escola de Medicina de Harvard.

O Instituto Schepens para Pesquisa sobre Olhos é afiliado à Escola de Medicina de Harvard e é o maior instituto independente de pesquisa sobre olhos no mundo.


17 julho 2006

Physics News Update n° 785

PHYSICS NEWS UPDATE
O Boletim de Notícias da Física do Instituto Americano de Física, número 785, de 17 de julho de 2006 por Phillip F. Schewe, Ben Stein, e Davide Castelvecchi Physics News Update

UM NOVO MAGNETÔMETRO DE BEC representa a primeira aplicação de Concentrados de Bose-Einstein (Bose Einstein condensates = BEC) fora dos domínios da física atômica. Físicos da Universidade de Heidelberg usaram um BEC unidimensional como sonda sensistiva dos campos magnéticos emanados de uma amostra próxima. A sensibilidade aos campos assim obtida ficou na casa dos campos magnéticos de intensidade de nanotesla (equivalente a uma escala de energia de cerca de 10-14 eV) com uma resolução espacial de somente 3 mícrons. Alguns processos (tais como varreduras com microscópios de sondagem hall) podem obter resoluções espaciais ainda maiores e alguns processos (tais como dispositivos supercondutores de interferência quântica {Superconducting Quantum Interference Devices – SQUIDs) podem conseguir uma maior sensibilidade magnética, mas, para esta faixa, o dispositivo de Heildelberg tem uma região de sensitividade vs. resolução toda própria. Joerg Schmiedmayer e seus colegas são pioneiros nos progressos da jovem ciência da óptica atômica integrada (ver www.aip.org/pnu/2000/split/516-1.html ), que busca guiar átomos em torno de microscópios e explorá-los para futuras aplicações, de maneira muito sememlhante ao modo como a eletrônica manipula os elétons em circuitos integrados e a fotônica usa os fótons em estruturas optrônicas. Para ver como um BEC mede o potencial eletromagnético acima de uma superfície, considere o potencial como uma paisagem, coberta de picos e vales. Se alagássemos toda a paisagem com água, criaríamos uma superfície equipotencial na superfície. Para identificar toda a topografia submersa, poderíamos medir a quantidade total de água abaixo da superfície em qualquer ponto. Isto é o que fazem os pesquisadores de Heidelberg. Ao longo da amosta, onde o potencial é profundo (ou seja, onde os campos são particularmente fortes), mais átomos do BEC se acumulam. Dessa form, a densidade dos átomos no BEC (que pode ser medida vendo-se quanta luz de uma sonda laser é absorvida nos pontos ao longo do BEC – ver figura em http://www.aip.org/png/2006/261.htm ) pode ser convertida em um mapa dos campos na superfície da amostra. De acordo com Schmiedmayer, a sensitividade deste processo já é tão grande que fica limitada, de certo modo, pelo "ruído de disparo atômico", o equivalente atômico do "ruído de disparo", o ruído encontrado na medição de correntes fracas, por causa das flutuações no número de elétrons que passam por um determinado ponto em um circuito, ou na medição dos níveis de luminosidade em um determinado ponto de uma fibra óptica, por causa da variação do número de fótons que passa por um determinado ponto. No caso do BEC, as medições dos campos seriam menos influenciadas por este ruído de disparo atômico, se fosse possível carregar mais átomos no BEC, que fica em uma pequena armadilha atômica, apenas a alguns mícrons da superfície em estudo, enquanto se mantivesse simultaneamente o potencial químico constante. A sensibilidade de nT e a resolução espacial micrométrica do sensor podem torná-lo útil para descobrir novos fenômenos de dísica de estado sólido e de superfícies. (Wildermuth et al., Applied Physics Letters, publicado online em 27 de junho de 2006; website do laboratório em www.atomchip.org )

MÚSICA DAS DUNAS (DUNE TUNES). Há séculos que os viajantes pelo mundo conhecem dunas de areia que emitem sons baixos, algumas vezes de grande qualidade tonal. No século XII, Marco Polo ouviu areias cantantes na China e Charles Darwin descreveu os claros sons oriundos de um depósito de areias de encontro a uma montanha no Chile. Agora, uma equipe de cientistas provou ser falsa a antiga crença de que o som era proveniente de vibrações das dunas como um todo, e provaram, através de estudos de campo e experiências controladas em laboratório, que os sons vêm de movimentos sincronizados de grãos em avalanches de determinado tamanho. Pequenas avalanches não produzem quaisquer sons detectáveis, enquanto grandes avalanches porduzem sons em um monte de freqüências (produzindo um ruído cacofônico). Porém, deslizamentos de areia do tamanho e velocidade adequados resultam em sons de uma freqüência pura, com apenas as oscilações sonoras suficientes para dar "colorido" ao som, como se as dunas fossem instrumentos musicais. Neste caso, porém, o ajuste não é devido a qualquer influência externa, mas a críticas tendências de auto-organização da própria duna. Os pesquisadores, desta forma, excluiram diversas explicações "musicais". Por exemplo, o som das dunas não vem do atrito de blocos de areia contra o corpo principal da duna (tal como o som de um violino é produzido pelo atrito do arco sobre uma corda presa ao corpo do violino). Nem a música das dunas surge de um efeito de ressonância (da mesma forma que o ar ressoando no interior de uma flauta produz um tom puro), uma vez que se observou que o volume do som das dunas pode ser gravado em vários locais em torno da duna. Em vez disso, o som das areias vem do movimento do deslizamento livre, sincronizado, de areia grossa e seca, o que produz um som de freqüência mais baixa. Os cientistas – da Universidade de Paris (França), Harvard (EUA), Laboratório CNRS em Paris e a Inversidade Ibn Zohor (Marrocos) – estabeleceram um website
onde se pode ouvir os sons de diferentes dunas na China, Oman, Marrocos e Chile.
( http://www.lps.ens.fr/~douady/SongofDunesIndex.html ) . (Douady et al., Physical Review Letters, artigo em fase de publicação)


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PHYSICS NEWS UPDATE é um resumo de notícias sobre física que aparecem em convenções de física, publicações de física e outras fontes de notícias. É fornecida de graça, como um meio de disseminar informações acerca da física e dos físicos. Por isso, sinta-se à vontade para publicá-la, se quiser, onde outros possam ler, desde que conceda o crédito ao AIP (American Institute of Physics = Instituto Americano de Física). O boletim Physics News Update é publicado, mais ou menos, uma vez por semana.

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Como divulgado no numero anterior, este boletim é traduzido por um curioso, com um domínio apenas razoável de inglês e menos ainda de física. Correções são bem-vindas.

16 julho 2006

Google Earth e a minha casa

Salve, Pessoal!

Como uma frescurinha, de vez em quando, não custa nada, quem tiver o Google Earth pode descobrir onde fica meu esconderijo minha casa.

É só colocar o cursor em 22º 53' 22.22" S e 42° 21' 59.40" W (altura de cerca de 1.300 pés) dá para ver até a piscininha nos fundos (ainda bem que, quando tiraram a foto, ela estava limpa...)

Não é nada, não é nada, não é coisa nenhuma mesmo!...

15 julho 2006

Gripe Aviária - Notícia Preocupante



Notícia publicada no "O Globo on line":

13/07/2006 - 19h51m - "Vírus da gripe aviária já tem múltiplas mutações Reuters

LONDRES - Múltiplas mutações foram encontradas no vírus H5Nl que matou sete membros de uma família na Indonésia, mas cientistas ainda não têm certeza sobre o significado da descoberta, segundo reportagem do jornal "Nature". Os pesquisadores, no entanto, acreditam que a descoberta reforça a necessidade de que as informações sobre a gripe aviá ria sejam mais divulgadas para melhorar a compreensão sobre vírus letal.

"O significado prático das mutações não é clara, a maioria parece não ser importante," diz a reportagem publicada na "Nature" em sua edição do dia 13 de julho. A análise das amostras de vírus de seis dos oito membros da família mostrou 32 mutações. O estudo foi apresentado pelo virologista Mallk Pereis, da Universidade de Hong Kong, num evento fechado para especialistas em Jacarta em junho.

Cientistas temem que o H5Nl, que já matou mais de cem pessoas e milhões de aves desde que se espalhou da Ásia para a Europa, poderia produzir mutações que causariam uma pandemla entre os humanos.


Particularmente curiosa (e inquietante) é a afirmação «O significado prático das mutações não é clara, a maioria parece não ser importante». Como assim? Esse caso da família da Indonésia causou preocupação exatamente porque parece ser o primeiro indício de uma mutação que permite a transmissão pessoa-a-pessoa.

Certamente a maior parte pode ser perfeitamente inócua, mas há a grande chance de que uma delas seja exatamente a que todos estão temendo.

Há uma grande diferenção entre "não ser alarmista" e "esconder um dado importante". A menos que, por trás das pesquisas que estão sendo realizadas, existam os interesses financeiros de Laboratórios Farmacêuticos que querem desenvolver uma vacina – para vendê-la por bom preço na ocasião oportuna...