26 junho 2005

Aquecimento global, uma questão ainda em aberto

Salve, Pessoal! Tomei a liberdade de traduzir um artigo publicado no New York Times, que julguei ser de interesse geral. Lá vai:

24, de junho de 2005
Pesquisadores Dizem que Indícios nos Oceanos Apontam para um El Niño de um Milhão de Anos
Por KENNETH CHANG

Da última vez em que a Terra se aqueceu, o Oceano Pacífico pode ter ficado preso em um padrão do tipo "El Niño" que durou mais de um milhão de anos, revelaram ontem os cientistas.

"Isto é uma indicação de que temos que nos focalizar em como "El Niño" pode mudar com o aqueciemento global", disse o Dr. Michael W. Wara, que realizou uma pesquisa durante seu curso de pós-graduação na Universidade da Califórnia em Santa Cruz. As descobertas foram publicadas ontem no Web Site do Journal Science.

Durante a primeira metade da era conhecida como Período Plioceno, entre 4,5 até 3 milhões de anos atrás, as temperaturas globais apresentavam uma média cerca de 5° F (cerca de 2,8°C) mais altas do que as temperaturas médias atuais. Assim sendo, os cientistas procuram no Período Plioceno por indícios sobre como a tendência atual de aquecimento global podem afetar o clima.

As águas da superfície do Pacífico Oeste estão, agora, usualmente cerca de 10°F (5,5°C) mais quentes do que as do Pacífico Leste. Mas, durante o fenômeno "El Niño", os ventos de Leste para Oeste desaparecem em as águas mais quentes se espalham na direção Leste, causando uma mudança nos padrões climáticos.

O Dr. Wara e seus colegas estudaram as camadas de plâncton retiradas do miolo de duas sondas de perfurações feitas no fundo do oceano, uma do Pacífico Oeste, próximo da Indonésia, e uma do Pacífico Leste, próxima das Ilhas Galápagos.

As camadas são compostas principalmente por carbonato de sódio, mas, ocasionalmente, contém um átomo de Magnésio em substituição a um de Cálcio. Essas substituições ocorrem com mais freqüência em águas mais quentes, portanto, medindo-se a quantidade de magnésio se pode calcular a temperatura na qual o plâncton viveu.

Os dados indicaram que são um indício de que as temperaturas das águas do Pacífico Leste e Oeste eram mais próximas durante o Plioceno, tal com durante um "El Niño", disseram os pesquisadores.

Em um paper publicado na Science, três meses atrás, entretanto, dois pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, usando a mesma técnica em amostras dos mesmos núcleos de sonda, chegaram à conclusão oposta. Os cientistas de Oxford disseram que, durante o Plioceno, as águas do Pacífico Leste eram muito mais frias.

A Dra. Rosalind E. M, Rickaby, uma das autoras do paper anterior, sugeriu que os resultados apresentados pela equipe de pesquisadores de Santa Cruz podem ter sido distorcidos pela presença do magnésio na cápsula das células. Os pesquisadores de Santa Cruz replicaram que suas conclusões eram mais embasadas porque teriam realizado um número muito maior de medições.

O Dr. David Lea, um professor de Ciências Geológicas da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, declarou: "Ponderando os fatos, eu penso que os indícios provavelmente dão mais apoio ao segundo paper, mas não penso que isso seja definitivo". O Dr. Lea, que não esteve envolvido com qualquer uma das equipes, disse que, a medida em que os cientistas analisarem as amostras mais acuradamente e procurarem em locais adicionais, o caso ficará mais esclarecido.
© The New York Times, 2005

Em resumo, as amostras são poucas e os resultados contraditórios. Mas as conseqüências de um "El Niño" de um milhão de anos, não é uma matéria de menor importância.

Cadeia, no Brasil, foi feita pra cachorro...

Nota extraída da Coluna do Gaspari em "O Globo" de 26/06/2005.

Publicado em 26 de junho de 2005 Versão impressa
Elio Gaspari

[...]

Retardatário

Por determinação do procurador Mário Lúcio Avelar, foi preso em Brasília e posteriormente transferido (algemado) para Cuiabá o engenheiro Antonio Carlos Hummel, diretor de Florestas do Ibama.

Acusado de tenebrosas traficâncias era a maior autoridade a bordo entre os 93 passageiros do camburão da Operação Curupira.

Quando o procurador soube que a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, não queria falar do funcionário por não ter visto o inquérito onde estariam listadas as acusações contra ele, o doutor Avelar respondeu: “Se ela quiser, eu envio para ela. Já mandei uma cópia para a Polícia Federal, é só ela pedir e vai entender tudo”.

Um dia depois, o procurador pediu a libertação de Hummel. O engenheiro, com 23 anos de ficha limpa no serviço público, gramou quatro noites na cadeia.

No último dia 7 a Comissão de Processo Disciplinar instaurada no Ibama, solicitou ao procurador uma “cópia integral” do inquérito. (Ofício CPAD n 1/2005.)

[...]

O que está faltando ao Eminente Procurador Mário Lúcio Avelar é um processo criminal por "Denunciação Caluniosa" (crime previsto no Código Penal), devidamente agravado por se tratar de Funcionário Público em exercício da função, por ter sido praticado de maneira torpe e cruel, por ter exposto o Engenheiro Hummel à humilhção pública sem provas.

O que está faltando à Polícia Federal (e, de resto, às Polícias do Brasil em geral) é a proibição do uso de algemas e por qualquer um na "caçapa" do "camburão", e cadeia em quem fizer isso! Essa merda de país não é Estados Unidos!

O que está faltando é um processo criminal e de impeachment contra o Juiz que expediu o Mandato de Prisão sem analisar os "elementos de convicção" no Pedido do Pulha do Procurador.

E é essa merda que passa por "justiça" no Brasil.

24 junho 2005

Do mal de ser "espertinho"

Salve, Pessoal! O Daniel no seu BLOG (o link está aí do lado) mas os mais apressadinhos podem ler As coisinhas interessantes de hoje... , fala da "crise política" do Brasil, vista do ponto de vista de quem está "do lado de fora".

Eu só vou dizer mais uma coisa, porque essa porcaria já me enjoou de tal forma que eu nem ligo mais para o que vai dar: na hora em que o FHC reuniu os candidatos à presidência e deu-lhes conhecimento dos termos do acordo com o FMI, se o PT tivesse um pingo de vergonha na cara, tinha caído fora. Mas resolveram continuar no páreo, porque tinham chance de ganhar. Ganharam... Agora, quem quiser, vá ao dicionário ou à enciclopédia e procure o significado do verbete "Vitória de Pirro".

Quando eu era milico da ativa, no fim do governo Geisel, circulou pelos quartéis uma mensagem do próprio Presidente, explicando que "não havia mais condições de os militares permanecerem no governo da nação e que haveria uma transição para um governo civil". Trocando em miúdos: o Brasil estava "quebrado", o "milagre brasileiro" tinha dado chabú, e estavam procurando um civil para pegar o "mico preto". Seria bem feito se o otário do Maluf tivesse pegado o mico, mas sobrou para o José Roubamais Ribamar Sarney.

Agora, quem ficou com o mico do 171 político do FHC, mantendo a falsa paridade com o dólar, até ser reeleito, foi o bestalhão do Lula. E quem vai pagar o mico somos todos nós... Podem fazer a CPI que quizerem... Enquanto as atenções estiverem nas CPIs, o Meireles continuará a endividar o Brasil e enriquecer os bancos. Se você pensa que tirar o Lula do Planalto, na próxima eleição vai resolver alguma coisa, é melhor ler o artigo Por que pessoas espertas defendem más idéias, traduzido por este Blogger aqui. Você vai estar "raciocinando no nível errado". Tanto faz quem ocupa a cadeira: o que importa é quem realmente manda!

Ou você é tão otário que pensa que, durante a "Ditadura", quem mandava eram os Generais?

20 junho 2005

Chame o ladrão!!

Salve, Pessoa!
"...era a dura, eu uma muito escura viatura,
minha nossa, Santa criatura,
Chame o ladrão! Chame o ladrão!..."
Chico Buarque de Hollanda,
Aliás "Julinho da Adelaide"


Como visto nas matérias anteriores, os Legisladores são todos uns corruptos que se vendem por qualquer trocado, os Juízes ou são simplesmente incompetentes, ou são incompetentes e arrogantes, a Receita Federal tem como objetivo principal arrancar qualquer tostão do cidadão e tembém é corrupta, a Polícia, seja Federal, Estadual ou uma Guarda Municipal, está aí para achacar o cidadão, formar grupos de extermínio ou acobertar grandes bandidos.

Como eu não sou um Banco, sou apenas mais um brasileiro insatisfeito, decepcionado, revoltado, endividado e (o que é pior) vascaíno... Bom, pelo menos no Eu, Rico e Me Rindo Eurico Miranda, eu não votei...

Me vem à memória um senhor, com cara de ser a mesma coisa que eu (Militar Reformado), que exibia, no Grajaú, uma camiseta com os dizeres: "Não sustento vagabundos. Eu voto nulo!" Me deu pena de dizer para ele: "Lamentavelmente, companheiro, você está errado! Você apenas não escolhe qual vagabundo você vai sustentar..."


Como já dizia Berthold Brecht (Galileo): "...infeliz do povo que precisa de heróis"... Eu nem acho que a gente precise de um "herói": bastava um cara decente... Parecia que o Lula era esse "cara decente", mas, na melhor das hipóteses, ele é decente e otário... Parce o Saturnino Braga que, quando foi Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, ficou conhecido como "o homem que desmoralizou a honestidade": honesto, ele foi; totalmente inoperante, também...

Desde a metade do século passado, pelo menos, que eu ouço: "O Brasil é o país do futuro!..." Já se passaram mais de 55 anos, e esse "futuro" está cada vez mais sombrio. É tudo para "amanhã", "na semana que vem", "depois que acabar a greve", "depois que a CPI acabar", "no próximo mandato" e por aí a fora...

"Os otimistas acham que todo o mundo vai acabar comendo merda; os pessimistas acham que a merda não vai dar para todo o mundo".

Eu me incluo entre os pessimistas...

16 junho 2005

Da "pizza" à cerveja...

Salve, Pessoal! Como são curiosas as "coincidências"...

Eu, que não sou nehum Sherlock Holmes, nem tenho uma rede de Baker Street Irregulars, já sabia, há, pelo menos, três anos que a Schincariol sonegava brabamente os impostos. A Receita Federal e a Polícia Federal caíram de porrada na Schin, ontem. "Resultado de quatro anos de investigações", disseram...

Curiosamente, ontem mesmo o CADE autorizou a fusão da AmBev com aquela multi com sede na Bélgica...

Quem conhece os "sacoleiros" que vão a Foz do Iguaçu, sabe qua a ABRINQ financia (e não é pouco dinheiro, não!) a "Operação Papai Noel". Os fiscais da Aduana caem de pau em cima dos sacoleiros! Mas só quando recebem um "adicional natalino" fora da folha de pagamento!

Na minha classificação das atividades abjetas, o Coletor de Impostos, vem quinze pontos abaixo do Meganha, e três abaixo do Carrasco (este só tira sua vida uma vez; os Coletores de Impostos são vampiros atracados na sua jugular pela vida inteira).

Quid custode ipsos custodes?

Atualizando em 18/06:

Extraído da Coluna do Ancelmo Góes de "O Globo" desta data:


Cerveja quente

O deputado Rodrigo Maia, intrigado com o espetáculo do crescimento, entrou com um pedido de investigação.

Nos dois dias anteriores à operação da PF na Schincariol, enquanto a bolsa caía, as ações da AmBev subiam 5% mais 5%, numa alta acumulada de 10%.

15 junho 2005

Lá vem a foice!...

Salve, Pessoa! Se eu disser que a coisa "não podia estar pior", vem o Capeta e prova que eu estou errado! Então, eu não vou dizer. [nem esta merda do blogger.com quer funcinar, hoje!...]

Mas, consideremos o que vem acontecendo por aí, e vamos ver se a coisa não está preta (é!...eu não sou politicamente correto!...)

Dos escândalos de Brasília e adjacências, temos muitas constatações a tirar. Mas a que me parece mais importante é: quem disse que o Lula não tinha preparo para ser Presidente, infelizmente, estava correto! Ele se sujeitou a assumir a presidência, sabendo que teria que cumprir o acordo do FHC com o FMI. Por que será que o maior economista do PT, o Mercadante, não quis fazer parte do ministério? Por que ele preferiu a cômoda posição de Senador? Meu palpite é que ele não quis se queimar (afinal, ele é o recordista de votos no Brasil). Aí, quem é que o Lula chama para Ministro da Fazenda? Um cara cujas principais credenciais são: ser formado em medicina e ter sido prefeito de uma cidade do interior de São Paulo. E é esse cara que vai discutir com o preposto do FMI, o Meireles (que é, inclusive, filiado ao PSDB). Vai dar certo? Vai... Que nem o Passarella ser técnico do Corinthians...

Quando o nome de um ex-assessor do Palloci surgiu associado ao assassinato do César Daniel, abafaram o caso... O Palloci veio a público dizer que tinha demitido o cara, por conta de suspeitas que nem tinham ficado provadas, de negócios escusos... E ficou por isso mesmo... Quando surgiu o "caso Waldomiro", o Zé Dirceu (que o pulha do Jefferson alcunhou, com muita felicidade, de "Rasputin") tinha passado a batata quente para o bobo do Aldo Rabelo. E pôs a culpa da indicação do Waldomiro nos Garotinho (que também não valem nada; mas será que o Dirceu não sabia disso?).

Agora o Jefferson resolveu dar uma de "Encouraçado Bismark": vai afundar atirando... Um colega meu de trabalho, na Marinha, que estava fazendo "estágio forense" (de estudante de Direito, para escapar da Prova da OAB) e era "macaca de auditório" da, então, Juíza Denise Frossard, foi assistir um julgamento em Tribunal do Juri, presidido por ela, na qual o Escadinha estava sendo julgado por um homicídio. Quando interrogado sobre sua profissão, Escadinha respondeu: "sou traficante de drogas". Aí, a Juíza se dirigiu ao Juri e esclareceu: "Estão vendo, senhores? Ele declara que é traficante de drogas. Mas não está sendo julgado aqui por isso. Mas, se ele admite que é traficante, então tudo que ele disser deve ser verdadeiro. Só que eu alerto os Senhores Jurados: pela Lei, o Réu não é obrigado a dizer a verdade". Para mim, o Jefferson está dando uma de Escadinha: "eu sou corrupto, sim! só que os outros são mais corruptos do que eu!".

O Comentarista da Globo, Alexandre Garcia, observou que, nos depoimentos de ontem, ficou a nítida impressão de que todos os que faziam acusações, diziam a verdade, e que todos os que se defendiam, diziam mentiras.

Mudando de assunto (aparentemente) eu reclamei, junto ao Banco Central, que a Caixa Econômica Federal tinha aumentado a taxa de emissão de DOC pela Internet (onde você faz todo o serviço para o Banco, e eles lhe cobram por isso) de R$ 5,00 para R$ 6,00. Pombas, João! Deixa de ser muquirana! É apenas um real.... apenas um real, a pôrra! São 20%! E um aumento de 20% é um puta aumento! Resposta do BACEN: o então Ministro da Fazenda, em 1999 (no governo do FHC, portanto) baixou um Decreto liberando os bancos para cobrar as taxas que quisessem... (ou seja, vá se queixar ao Bispo!...). Tá bem!.... E porque a pôrra do Palloci não revogou esse Decreto? Os lucros dos bancos já estão nos cornos da Lua, junto com as dívidas dos brasileiros. E o governo do PT? Nada?... Bela "defesa do trabalhador", né?!... Pelo menos, o Ministério Público recebeu minha denúncia de que os bancos subiram, a uma, as taxas de serviços e vão investigar se não é "formação de cartel". Pode ser que não dê em nada, mas, pelo menos, alguém que recebe dos meus impostos se dignou a tirar a bunda da cadeira e ir verificar! Palmas para o MP!

Enquanto isso, no resto do mundo (gostaram da expressão: "resto"?...) o que se vê? A França e a Holanda rejeitaram a Constituição Européia. Claro: franceses e holandeses se equiparando a portugueses e turcos? Nem pensar!... Agora, imagina se o bendito Mercosul vai funcionar?

Os gringos estão cada vez mais entregues ao fundamentalismo religioso. E cada vez mais hipócritas (droga, eu estou me repetindo...). Mantém um Gulag em Guantánamo, sob a alegação de que os prisioneiros, lá, não são protegidos pela Convenção de Genebra. E proíbem a exibição de fotografias do referido campo de concentração, alegando que a Convenção de Genebra defende a privacidade dos presos! Ou seja, quando convém, a Lei da Gravidade funciona, e a água desce o morro. E, quando não convém, revoga-se a Lei da Gravidade e edita-se uma Medida Provisória para que a água suba a montanha!

No Oriente Médio, continua todo o mundo brigando com os Judeus e os Americanos. Quando não têm um judeu ou um americano para detonar, eles explodem umas bombas no próprio povo, só para praticar... Daqui a pouco, Mohamed vai sair da tumba distribuindo porrada!

No Extremo Oriente, o Japão continua na mesma, e a "bola da vez" é a China neo-capitalista. Se alguém se desse ao trabalho de ler James Clavell ("Tai Pan" e "A Casa Nobre"), desconfiaria... A China não deixou de ser comunista. Quando eles tiverem absorvido a tecnologia e as indústrias estiverem no nível que eles querem, quem garante que eles não vão dar uma banana para os gringos? Quem viver, verá... (eu provavelmente, não...)

Para qualquer lado que você se vire encontra: corrupção nos serviços públicos; indiferença dos poderosos; pretensos sábios "cagando goma" sobre assuntos abstrusos, fundamentados em puro "achismo"; e uma multidão de cagões, que têm medo de pensar pela própria cabeça, e que correm para o primeiro sacerdote que lhe disser: 'meu filho, não se preocupe se aqui na Terra você é um fodido... No céu você vai morar em uma cobertura de frente para a praia (por um certo preço, em moeda terrestre, é claro...)". Ou então, a tese budista: "Essa realidade que está te aporrinhando, te tornando infeliz e roendo suas entranhas, é apenas uma ilusão! Você tem que meditar (e meditar, e meditar...) para se livrar dessa ilusão e se unir ao "vazio", onde nada existe e todo o mundo é feliz!". Com todo o respeito: não fode! O sertão não vai virar mar, nem o mar virar sertão! E, além disso, no mar, você morre afogado; no sertão, você morre de sede!

O pior é que as respostas estão bem aí, na cara de todo o mundo. Mas:

"Chi vó, non pó; chi pó, non vó; chi sá, non fá; chi fá, non sá; e, cosi, male il mondo vá".

Atualizando em 16/06:

O Lula disse que quer que seu governo "somente seja avaliado quando terminar". Ok, Lula! Só falta dizer quando ele vai começar!....

08 junho 2005

Deu no Le Monde...

Salve, Pessoal! Lá vai uma tradução de um artigo publicado no Le Monde na edição de 09/06/05.
No Brasil, sobre um fundo de escândalos, o Presidente Lula abriu o 4° Fórum Global Anti-corrupção


SÃO PAULO (correspondente)


As revelações se seguem e se parecem: durante vinte dias, os brasileiros foram avassalados por informações preocupantes sobre casos de corrupção de altos funcionários. Tudo começou com uma fita de vídeo, mostrando um dos diretores do Serviço de Correios, filmado, sem o saber, embolsando 1.000 euros em pequenos amarrados de notas, enquanto explicava que remetia essas somas ao PTB, o Partido Trabalhista Brasileiro (populista de direita), aliado do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Outros testemunhos, mais ou menos voluntários, trouxeram detalhes sobre as "comissões" levantadas em outros serviços públicos pelo PTB, que nega tudo. As acusações feitas em resposta do presidente do PTB. Roberto Jeferson, que denunciou as "mensalidades" dadas a certos deputados pelo Partido dos Trabalhadores (PT), no poder, esquentaram mais ainda o clima. Desta vez, elas afetavam o presidente Lula.

Os mercados financeiros mostraram sua inquietação com um nítido recúo nas transações na Bolsa de São Paulo. E a opinião pública, já abalada por denúncias anteriores contra três ministros de um governo de centro-esquerda, que, se acreditava, lutava contra os corruptos, balançou. Uma pesquisa de opinião do jornal Folha de São Paulo mostrou que 65% dos entrevistados acreditavam que a corrupção afeta o poder executivo.


Para sair-se desse contexto pesado, o presidente brasileiro aproveitou, na terça-feira 7 de junho, a abertura do 4° Fórum Global de Luta Contra a Corrupção, para reafirmar seu engajamento. Pondo à frente sua "biografia" e seu "patrimônio moral". o Sr. Lula da Silva prometeu uma investigação séria, durante a qual ele "não protegerá ninguém, mesmo que tenha que tenha que cortar a própria carne", isso a despeito do contexto eleitoral: a eleição presidencial está prevista para outubro de 2006.


Organisado pelas autoridades brasileiras, pela "Transparency Brasil" (filial da ONG "Transparency International", com base em Berlim) e pelas Nações Unidas, esse fórum, que deve terminar em 10 de junho, tem como tema "Das Palavras à Ação".

Agir contra a corrupção "é exatamente o que o governo faz", afirma a secretária nacional de justiça, Cláudia Chagas, que atribui a recrudescência desses casos, evocados pela imprensa, "ao combate travado pelas autoridades que mantém o público informado" e exibe números. Em dois anos a polícia federal, reequipada e reforçada com 3 000 novos agentes, realizou 76 operações de grande envergadura; 46 delas desmantelaram esquemas de corrupção e permitiram a prisão de 819 pessoas, entre as quais juízes, policiais e funcionários.


MAL CRÔNICO

Uma das mais espetaculares é, sem dúvida, a operação "Anaconda", lançada em outubro de 2003, contra um grupo de juízes e policiais federais, advogados e homens de negócios que negociavam sentenças com os malfeitores. Dois anos após, o juíz Rocha Matos e seus comparsas foram todos condenados.

Oficialmente, o númerode funcinários corruptos excluídos entre 2002 e 2004 passou de 30 para 53. Mas a administração brasileira sofre de um mal crônico: 20 a 25 mil altos responsáveis chegam a seus postos por nomeação do poder executivo. O jogo político permite, assim, que cada partido reclame uma espécie de quota-parte, em função de seu apoio à maioria parlamentar. Daí essas ligações suspeitas entre os altos funcionários dos correios e o PTB. A título de comparação, nos Estados Unidos, o poder executivo nomeia 9 mil altos funcinários.

"Este mecanismo alimenta o clientelismo, o nepotismo e as "caixas pretas" dos partidos", denuncia a deputada Denise Frossard do Partido Popular Socialista (PPS, ex-comunista). "E a chantagem entre o executivo e o legislativo se repete a todos os níveis da federação brasileira", acrescenta ela. Para ela, os concursos seriam o suficiente para eliminar essa brecha aberta para a corrupção. Denise Frossard é uma juiza aposentada que ganhou experiência ao julgar vários processos de corrupção, "mesmo que, na época, me faltassem muito leis específicas" disse ela.

Atualmente,, mesmo que a justiça seja muito lenta, o Estado dispõe de textos precisos sobre lavagem de dinheiro, crimes de "colarinho branco", a resposabilidade fiscal dos eleitos e sobre a repatriação de fundos escondidos em paraísos fiscais. Mas a Fundação Getúlio Vargas (de estudos econômicos) estima que entre 3 r 5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro se perde na corrupção.

"O Brasil não é mais corrompido do que qualquer outro país em desenvolvimento", assegura Cláudio Abramo, diretor da filial brasileira da "Transparency International". Mas ele observa que limitar o combate à repressão e à justiça, é insuficiente, sendo a busca de provas difícil e onerosa. "O Estado deve ser reformado para eliminar as falhas através das quais a corrupção se infiltra", disse ele, pedindo transparência em todos os níveis da adminsitração e nas despesas de toda a federação e seus 5 652 municípios.

Annie Gasnier

Artigo publicado na edição de 09/06/05

Preciso dizer mais alguma coisa?...

Justiça????

Salve, Pessoal! Transcrito do Plantão do O Globo on-line:
8 de junho de 2005 Versão on line
PLANTÃO
08/06/2005 - 10h52m
Procurador-geral diz que MP vai ao STJ contra absolvição de Naya

Globo Online

RIO - O procurador-geral de Justiça do estado, Marfan Vieira, anunciou nesta quarta-feira, em entrevista à Rádio CBN, que o Ministério Público vai recorrer ao Tribunal de Justiça (TJ) do Rio e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) da sentença da 7ª Câmara do TJ que absolveu o empresário Sérgio Naya do desabamento do Palace II, em 1988. Na queda do edifício, construído pela empresa de Naya, morreram oito pessoas.

Marfan Vieira rebate a informação de que o MP teria errado ao mudar, no recurso apresentado à sentença em primeira instância, a tipificação do crime de Naya de doloso (com intenção) para culposo (sem intenção). Esse foi o argumento usado pelos desembargadores do TJ para justificar os 5 votos a 0 a favor da absolvição do empresário. Segundo eles, a alteração não pode ocorrer nos processos que chegam à segunda instância. "O caso deve ser encarado tecnicamente. Na denúncia apresentada pelo MP (...), não há nenhuma menção ao tipo culposo. A desclassificação ofende o princípio da correlação entre a denúncia e a sentença, ou seja, (...) a defesa não teve a oportunidade de apresentar defesa", destacou a relatora, Elizabeth Gregory. Marfan diz, por sua vez, que não foi o MP, mas a 5ª Câmara, que desclassificou o crime para culposo.

- É claro que não construímos a acusação de que o empresário teve intenção de derrubar o prédio. Portanto, não é doloso nesse sentido. É caso de dolo eventual. Sabendo das deficiências do prédio, inclusive algumas visíveis, e construindo pilares capazes de suportar metade do peso que o prédio tinha, ele (Naya) podia prever o resultado e assumiu o risco de produzir esse resultado - explica Marfan.

O procurador-geral acrescenta:

- Ainda que não se entenda assim, no mínimo por um crime culposo ele tem que responder, não pode é ser absolvido. O MP vai recorrer. O que não se pode é deixar que empresários inescrupulosos, construtores de castelos de areia, que ceifam vidas, fiquem impunes.

Marfan Vieira está convicto de que a decisão judicial a favor de Naya será revertida. O MP vai apresentar embargo de declaração no próprio Tribunal de Justiça e depois levar o caso ao STJ.

Nesta terça, por unanimidade, a 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio absolveu Naya e o engenheiro Sérgio Murilo Domingues do crime de responsabilidade pelo desabamento do Palace II. A decisão manteve a sentença dada em primeira instância e anulou o acórdão da 5ª Câmara Criminal do TJ, que em 2002, ao julgar a apelação do Ministério Público, havia condenado os réus a dois anos e oito meses de prisão.
Cadê a Associação dos Magistrados do Brasil? Cadê a OAB? Cadê a Justiça no Brasil?

07 junho 2005

O eterno problema da Eduacação

Salve, Pessoal! O Daniel publicou no seu BLOG em 06 de junho, os seguintes links que falam sobre o problema da educação no Brasil (de Cláudio de Moura Castro: A culpa é do tataravô e de Geraldo Mendes dos Santos: A educação como base do desnvolviemtno sustentável).

Estes dois artigos lançam uma luz necessária sobre o technology gap que assola os países terceiro-mundistas, em especial o Brasil. O problema da Educação apresenta muitas facetas e não é, como parece a primeira vista, algo tão fácil de resolver.

Para dar um pouco de perspectiva histórica sobre o assunto, quando eu era um estudante do Curso Primário (atualmente chamado de 1º Grau, mas sem o 5º ano, o famoso "Admissão"), na década de 1960, o Brasil tinha mais do que a metade de sua população analfabeta. Nesses últimos 45 anos, diversos movimentos e iniciativas para erradicar o analfabetismo foram realizados e a proporção de pessoas totalmente analfabetas realmente caiu muito; e foram substituídos pelo que se denomina analfabeto funcional, um sujeito que desenha o nome e é capaz de, com muito esforço, ler placas de rua, alguns outdoors, mas não consegue ler um manual de instruções, consultar um dicionário, ou mesmo escrever algumas linhas em português claro.

Só que, enquanto nós lutávamos para conseguir que a população pudesse ter este mínimo de conhecimento, o progresso tecnológico passou a exigir mais do que a simples capacidade de garatujar o próprio nome na linha marcada com um x. (Até para gari estão exigindo o 2º grau completo — o que, convenhamos, é um exagero: para varrer ruas não é preciso sequer saber ler). Resultado: todo o esforço realizado durante 45 anos, praticamente não serviu para nada!

Por outro lado, como ressalta o primeiro articulista, o problema do declínio da qualidade da educação não é recente: ao contrário, é algo que vem dos tempos do Império. E não pensem que este problema se restringe ao Brasil: o escritor Robert A. Heinlein diz a mesma coisa a respeito dos Estados Unidos. A diferença é que, nos países de primeiro mundo, o enriquecimento das camadas do proletariado levou: um, a que elas se tornassem menos prolíficas; dois, a que elas tivessem acesso a um grau de escolaridade maior. Em suma: menos pobres e mais escolas de bom nível (mesmo que esse nível venha decrescendo). E, nas camadas mais elevadas do ensino, a disponibilidade de recursos nesses países atrai os melhores cérebros dos países subdesenvolvidos "em desenvolvimento".

Outra faceta do mesmo problema é o Raciocínio Imediatista (conforme exposto no artigo de Scott Berkun, publicado neste BLOG em 31 de maio). Para dar um exemplo bem crú, como é que você vai convencer uma menininha de programa, que fatura até R$ 500,00 por noite, que ela deve se matar de estudar, passar em um vestibular e se formar professora, para ganhar um salário mínimo de R$ 300,00 por mês?!!! Claro que a pequena prostituta de 12 ou 13 anos, quando e se chegar aos 30, vai estar acabada para a profissão e continuará burra como uma porta. Aí, sim, ela vai se tornar manicure, balconista, preenchedora de bilhetes de passagem rodoviária, ou qualquer outro menial job a seu alcance...

Por sua parte, o Sistema Educacional também contribui para afastar os estudantes do conhecimento. Paul Simon foi particularmente genial ao por na letra de Kodachrome: "when I think back of all the crap I learnt in High School, it's a wonder that I can still can think att all". No velho site "Quermos Saber" do Instituto de Física da Universidade Federal do Ceará, um vestibulando de Direito perguntou "para que ele quereria saber o Número de Avogadro?". No site atual, na Seção de Química, um estudante de Física pergunta "por que a química de segundo grau dá tanto ênfase à decoreba?". Acompanhando os estudos de meu filho, no 2º grau, eu aprendí que a ponta de um osso se chama "epífise" (puxa! que sapiência!). O que passa por ensino de Língua Portuguesa é uma decoreba infeliz de funções sintáticas e estilos literários, e as provas, principalmente as de "interpretação de textos", são um puro exercício de sadismo de professores de português. [ Exemplo: a famosa frase de Fernando Pessoa: "Navegar é preciso; viver não é preciso", pode ser interpretada de duas maneiras diferentes: "Navegar é necessário; viver não é necessário"; ou "A navegação é um ato de precisão (acurácia); a vida é incerta". E agora, José? Qual das duas interpretações o calhorada quer?] Quanto a História e Geografia... bom, deixa pra lá... Mas o fato é que toda a estrutura do ensino parece unicamente dirigida a dar emprego aos licenciandos desta ou daquela matéria, não a transmitir conhecimentos...

E, não podemos deixar de lado a questão política: eleitores esclarecidos provavelmente não elegeriam os capadócios, escroques e pilantras que compõem a "Classe Política" do Brasil. Então, quando a Senadora Heloisa Helena propõe que se ponha na Constituição o direito à pré-escola (para forçar o governo a olhar para essa importantíssima área da educação que sempre foi negligenciada), o Senado aprova por unanimidade e o governo se põe em marcha para barrar a Emenda na Câmara, por conta do controle dos gastos públicos! Venda o Airbus, Lula! Para de aumentar os juros, Meireles! Para de reter verbas e depois distribuí-las para comprar votos contra a CPI dos Correios, Palloci!

Em suma... Como dizia Capistrano de Abreu:

"A Constituição Brasileira só deveria conter dois artigos:

Art. 1° - Todo Brasileiro é obrigado a ter vergonha na cara;

Art. 2° - Revogam-se as disposições em contrário."

05 junho 2005

Até o Ministério Público...

No BLOG do Daniel (o link está aí do lado) ele menciona um artigo publicado no BLOG Ciência em Dia, sob o título Guardar célula-tronco de bebê é enganação? Nesse artigo é mencionado que o Procurador Geral da República, Cláudio Fontelles, pretende entrar no Supremo Tribunal Federal com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a parte da Lei de Bio-Segurança que permite o uso de embriões humanos em pesquisas, sob o argumento de "defesa da vida".

Da vida de quem Sr. Fontelles? Das milhares de pessoas que podem ser beneficiadas com as pequisas sobre células tronco, ou da suposta vida dos embriões guardados em criogenia por mais de cinco anos?

Como Procurador Geral, Sr. Fontelles, o Sr. tem deixado muito a desejar... Investigar casos de corrupção, já denunciados na imprensa, não é mais que sua obrigação. O Sr. ganha dos cofres públicos para defender os interesses e os direitos do Cidadão Brasileiro e não me consta que um embrião congelado seja um cidadão (nem em potencial).

Se a "Letra da Lei" fosse tão clara e imutável como o Sr. pretende, não haveria necessidade de um Poder Judiciário!

Se o "direito constitucionalmente assegurado à vida" fosse algo mais do que uma ficção piegas, eu teria todo o direito de processar o governo pela morte de meu pai (o fato de ele ter enfartado é apenas uma agravante: o brasileiro também tem "o direito constitucional à saúde")

Sr. Procurador Geral, faça juz a seu título e vá procurar coisa mais importante para se ocupar! E pare de criar "factóides" para aparecer na mídia...

Deu no New York Times...

Salve, Pessoal! Abaixo vai transcrita e traduzida a matéria do pernicioso Larry Rother, publicada no New York Times de hoje.

June 5, 2005

Líder Brasileiro Cai na Defensiva, a Medida em que O Escândalo se Alastra

RIO DE JANEIRO, 4 de junho - Um crescente escândalo de corrupção pôs o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva na defensiva e minou o apoio popular a seu governo, justamente quando as manobras políticas preparatórias para a eleição do novo presidente, no próximo ano, estão se aquecendo.

Com uma CPI, agora em andamento no Congresso Brasileiro, e que promete se arrastar por meses, os assuntos legislativos normais ficaram paralisados. Essa parálise ameaça a agenda do Sr. da Silva, que inclui reformas dos Códigos Tributário e Trabalhista, longamente esperadas por grupos de empresários, e leis sobre gastos sociais para benefício dos pobres. Os auxiliares do Sr. da Silva têm tentado atrair os congressistas "em cima do muro" da maneira tradicional, com a distribuição generosa de verbas (o termo usado por Rother foi: pork-barrel money).

O escândalo começou no mês passado, quando o semanário Veja publicou uma matéria de capa detalhando o que é descrito como um esquema de fraudes no serviço nacional de correios. Em uma fita de vídeo que foi repetidamente divulgada pela televisão, um alto funcionário dos correios é mostrado, pedindo a um potencial fornecedor por um suborno, em nome de um dos mais importantes aliados políticos do Sr. da Silva. Ele também alegava que outros funcionários politicamente nomeados em outras agências estatais, também estariam envolvidos em esquemas semelhantes para beneficiar os partidos aliados ao Sr. da Silva.

O sistema político do Brasil é estruturado de forma tal que é virtualmente impossível para um único partido obter uma maioria no Congresso. Para obter a aprovação dos Projetos de Lei, o Partido dos Trabalhadores, do Sr. da Silva, tal como seus antecessores, foi obrigado a formar coalizões com vários partidos menores, cujas ideologias são flexíveis e cujo principal interesse é indicar ocupantes de cargos públicos e outros espólios.

Um deles é o Partido Trabalhista Brasileiro, cuja representação no Congresso praticamente dobrou desde que o Sr. da Silva, um antigo líder sindical, tomou posse em janeiro de 2003. O principal líder desse partido aliado é Roberto Jefferson, a quem as reportagens e os líderes da oposição acusam de ser o principal organizador e beneficiário do esquema de corrupção.

O Sr. Jefferson nega qualquer malfeitoria. Ele também foi defendido pelo Sr. da Silva que, segundo publicou a imprensa brasileira, teria dito: "Digam a Roberto Jefferson que eu estou solidário com ele. Aliança é aliança".

Pesquisas reveladas nesta semana, indicam que o escândalo está afetando tanto a imagem do governo, como a popularidade do Sr. da Silva, que indica uma queda de nove pontos, desde fevereiro. Menos de 40 por cento dos entrevistados expressaram satisfação com o desempenho do governo, e a corrupção foi citada, a frente do crime e da violência, como o mais "vergonhoso" problema social do país.

Com o governo parecendo vulnerável, a oposição, que parecia resignada a uma reeleição do Sr. da Silva, ficou novamente energizada e está demonstrando uma nova agressividade.

"Esse governo está correndo em círculos, como um perú bêbado na Véspera de Natal", declarou, na semana passada, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do Partido Social Democrático Brasileiro, de oposição.

Mesmo alguns dos aliados mais fortes do presidente começaram a falar sobre um governo "desgovernado" e de uma situação que está fugindo ao controle. "Há uma atmosfera de deterioração moral, de perda de esperanças, de indignação individual, ao mesmo tempo", escreveu Ricardo Kotscho, Secretário de Imprensa do Sr. da Silva em seus dois primeiros anos de mandato, em um site da Web no Brasil.

Corrupção não é novidade na política do Brasil. O Presidente Fernando Collor de Mello renunciou, no meio de um processo de impeachment em 1992, depois que foi descoberto que ele tinha um fundo secreto "de campanha" com muitos milhões de dólares. Mas o Sr. da Silva e seu partido são especialmente vulneráveis a esse respeito, porque eles sempre se apresentaram como uma ilha de honestidade em meio a um "mar de lama".

Desde que tomou posse, o Sr. da Silva tem sido atormentado por um caso de corrupção, atrás do outro, começando com o de um assessor apanhado em uma fita de vídeo pedindo contribuições para fundos de campanha de um banqueiro do bicho. Em um caso separado, o Supremo Tribunal, no mês passado, aprovou uma investigação sobre as atividades do Ministro da Previdência Social do Sr. da Silva, que é acusado de fornecer garantias espúrias para tomar um empréstimo em um banco estatal.

A ira popular foi levantada por uma operação policial, no mês passado, em um dos estados mais pobres do país, que enquadrou 29 empresários e políticos, entre eles oito prefeitos de partidos aliados do Sr. da Silva. Esses homens foram acusados de corrupção em conexão com fundos federais destinados à merenda escolar e auxílios à educação, mas que terminou, dizem os promotores, em seus bolsos.

Tendo perdido a batalha para bloquear a Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o escândalo, os assessores do Sr. da Silva estão, agora, tentando limitar a abrangência da investigação. Mas os partidos de oposição, sentindo uma oportunidade para diminuir ainda mais a popularidade do governo, estão forçando a barra para investigar outras agências governamentais, inclusive o Instituto de Resseguros do Brasil.

Durante os 20 anos em que o Partido dos Trabalhadores esteve na oposição, ele sempre apoiou várias Comissões Parlamentares de Inquérito. Mas os líderes do Partido reagiram a esta uma, acusando seus opositores de tentarem fomentar um golpe.

"As elites querem derrubar o governo de Lula, o único governo de trabalhadores eleito nas Américas", disse o Senador Aloizio Mercadante, líder do PT no Senado. "É o mesmo que fizeram no Chile e veja no que deu".

Mas este argumento não parece ter ecoado entre os brasileiros comuns. Depois da difusão de outra fita de vídeo incriminadora, mostrando deputados estaduais do remoto estado amazônico de Rondônia, extorquindo o Governador do Estado, que foi ameaçado de impeachment, centenas de pessoas atacaram o prédio da Assembléia Legislativa estadual, em protesto contra a corrupção.

--------------- fim da transcição ----------------------

É sempre bom que eu diga que eu acho esse Larry Rother uma besta! E que esse cretino fala do Brasil, como se não houvesse corrupção no governo americano...

Mas, embora ele misture livremente alhos com bugalhos, está certo quanto ao sentimento de frustração de todos os idiotas (como eu!) que votaram no Lula e no PT para ver se esse país tomava vergonha na cara...


04 junho 2005

Religião e Ciência

"A fé pode ser definida resumidamente como
uma crença ilógica na ocorrência do Improvável"
H. L. Mencken


Salve, Pessoal! Por mais irônica que seja, a colocação de Mencken sobre a fé não poderia ser mais exata. E Religião (a menos que você seja um hipócrita que esfrega lama azul na barriga, para imitar os nativos) é uma questão de fé. Se você não precisa de fé, tanto melhor para você. Como disse Brecht: "Infeliz do povo que precisa de heróis". Se você se sente bem com o Universo e acha que ele não precisa de um "propósito", que tudo que existe é resultado do acaso e, mesmo assim, você se propõe a ser uma pessoa decente, a tratar os outros como você gostaria de ser tratado, a achar que cada ser humano é uma pessoa diferente, mas que merece a mesma consideração, se você se preocupa com o Mundo que você vai deixar para as gerações vindouras, e se procura ser uma pessoa melhor, a cada dia, meus parabéns! E, diga-se de passagem, tenho muito prazer em conhecê-lo!

Porque, para mim, não me importa a mínima se você reza para Buda, Alah, Jeová, Jesus Cristo, Krishna, Oxalá, ou se você nem reza. Para mim, a melhor forma de oração não é ficar entoando louvaminhas ao "Criador": é tratar bem a Criação! Me desculpem os religiosos que enfatizam "o poder da oração", mas eu acho que ficar pedinchando favores aos Deuses, puxando o saco deles e querer que, por conta disso, o acaso conspire a seu favor, é hipocrisia e perda de tempo. Será que você acha que Deus é tão otário quanto o seu pai e que, quando você diz: "eu fiz tudo errado, mas juro que vou fazer certo, na próxima vez", Ele vai acreditar? Ele te conhece, nego. Ele já sabe que você, na primeira oportunidade, vai fazer a mesma besteira de novo.

Do mesmo jeito, se você não faz nada para melhorar sua vida (nem a de seus semelhantes — aí inclusos todos os seres vivos e inanimados dessa Terra), senta no meio-fio e fica reclamando: "Deus não faz nada por mim!...", está errado! Deus faz, sim. Senta a seu lado e faz companhia...

Então, quando me perguntam: "para que serve uma religião?", eu sou obrigado a responder: "religião não é uma utilidade." Não serve para coisa alguma, a não ser para você se sentir uma parte útil do Universo e agradecer esse simples fato! Você acha que isso é pouco? Então vá fazer seu universozinho, você mesmo, e ver no que é que dá...

O que poucos querem se dar ao trabalho de ver é que qualquer religião tem uma íntima relação com magia. A magia, sim: essa tenta viciar os dados para que eles rolem a seu favor. Toda cerimônia religiosa é um ato mágico. A procura da integração com poderes maiores, com o intuito de favorecer o praticante. Mas, se você disser a um Católico que a Comunhão (o ato de ingerir a hóstia) é um ato de canibalismo ritual (você está comendo o corpo de Cristo, para ver se absorve um pouco de sua santidade), ele vai se benzer com o pé esquerdo e jogar um balde de água benta na sua cara, esperando que você desapareça, deixando no ar um cheirinho de enxôfre...

Só que, para conseguir essa integração com os poderes superiores, você tem que estar em sintonia com a freqüência deles. Se não estiver, você vai estar assistindo a um televisor desligado... E todas as religiões que praticam atos de magia branca, pregam a mesma coisa: fraternidade, caridade, justiça, tolerância e o perdão. Os quatro primeiros ítens já são bastante difíceis, mas o último!... Se você se acha incapaz de, pelo menos, tentar esses cinco itens, minha recomendação é que você atire às favas a decência e procure algum culto satanista.

Se você acha que decorar a Bíblia (ou o Torá, ou o Corão) e fingir que acredita em cada bendita letra ali escrita, vai salvar sua alma do inferno, vá em frente! Eu já estou vendo você diante do Juiz, recitando versículo após versículo, enquanto o meirinho celestial fica olhando para o relógio, com cara de poucos amigos... E, quando o Juiz lhe perguntar: "E o que você fez com o livre-arbítrio que lhe foi dado?", você sempre pode dizer: "Ah! Dava muito trabalho pensar com meu próprio cérebro, por isso eu passei a decisão para o Padre (Pastor, Imã, Rabino, Guru, Pai-de-Santo, etc.)". Aí, meu chapa, você vai ouvir o que todo o mundo sabe, nessa vida daqui mesmo, mas finge que não: você pode delegar autoridade, mas não pode delegar responsabilidade!

E o que esta churumela toda tem a ver com ciência? Tudo e nada. Tudo se você é do tipo que acredita textualmente na "letra" do "Livro Sagrado" (como eu sou Umbandista, fica pior ainda: é tudo tradição oral e, como vem de diversas nações africanas diferentes, cada uma com sua própria tradição, é contradição que não acaba mais...), a ciência é uma blasfêmia. Como diz São Paulo (não gosto do Santo, nem da cidade): "Toda a sabedoria humana é loucura aos olhos de Deus". Todo Judeu, Cristão e Muçulmano sabe que:
No princípio Deus criou o céu e a terra. A terra, porém, estava vazia e nua; e as trevas cobriam a face do abismo; e o espírito de Deus era levado por cima das águas(que águas?).
Deus disse: Faça-se a luz; e fez-se a luz. E Deus viu que era boa; e dividiu a luz das trevas (realmente, um universo pisca-pisca não era "uma solução elegante"). E chamou a luz de dia, e às trevas noite; e da tarde e da manhã (nesta ordem — pudera: Ele ainda não tinha criado os relógios) se fez o dia primeiro.
Disse também Deus, Faça-se o firmamento no meio das águas e separe umas águas das outras águas [vamos parar por aqui...]

Algum teólogo pode me explicar, por favor, quem criou as águas? Aquelas nas quais Deus boiava... Aí, seus cientistas panacas: antes de existir o primeiro fóton que fosse, já as moléculas de H2O estavam por aí... E olha que eu só citei, e de maneira incompleta, os dois primeiros versículos do Gênesis. Eu prefiro a versão na qual Olorum encarregou Oxalá de criar o mundo. Mas Oxalá era bem chegado a um vinho de palmeira e seu irmão sacana, Exu, deixou um jarro bem cheio no caminho de Oxalá. Não deu outra: Oxalá tomou um porre e dormiu. Quando Olorum veio ver se o mundo tinha ficado pronto, Exu ficou com medo, pegou os planos e saiu criando o mundo. Como ele não tinha a mesma habilidade de Oxalá, saiu tudo com um defeitinho. Aí, Olorum percebeu a tramóia e encarregou Oxalá de cuidar do mundo que ele, se fosse menos beberrão, deveria ter criado. Só que a primeira oferenda tem que ser feita a Exu, senão ele bagunça tudo mais ainda (afinal, Oxalá é o Engenheiro Responsável, mas o Mestre-de-Obras foi Exu; ele é quem sabe onde estão os defeitos...)

Mitos são isso: historinhas bonitinhas para "explicar" aquilo que nós não conhecemos a explicação. Tão úteis como Papai Noel e o Coelinho da Páscoa. Ou como o Passarela ser técnico de time brasileiro. Serve para enganar trouxa, ou a torcida do Corinthians (droga! eu estou me repetindo...). Aliás, essa é a diferença do cientista e do místico: o cientista, quando não sabe algo, vai observar e experimentar (se bem que alguns que usam esse galardão, vão mesmo é montar um modelo matemático que comprove seu "achismo"...); o místico, inventa uma historinha e "explica" qualquer coisa, com "poderes ocultos", mistérios e dogmas ("É assim, porque Deus me disse, pessoalmente, em uma carta, com firma reconhecida, que eu não posso mostrar para vocês, ímpios, que é assim, e quem não acreditar vai para o Inferno, se não for para a fogueira antes!").

Será que a desmistificação dos mitos invalida a crença em que o Universo tem um propósito e que nós, seres humanos, temos um papel a desempenhar nesse propósito? Eu acho que não. Por outro lado, propor que a ciência se ocupe em "provar" a existência ou não-existência desse propósito é uma tolice. A ciência tem que se ocupar com aquilo que existe (ou seja, que pode ser medido, pesado ou contado, mesmo que indiretamente). Um Criador de tudo o que existe (os buddhistas não acreditam em um Criador: para eles o Universo todo é uma ilusão "impermanente") teria, necessariamente, que estar, pelo menos em parte, fora do Universo. Então, quando um ateu me diz: "Deus não existe!", eu dou plena razão a ele; o "Deus" que eu aceito, transcende a noção de "existência". Se o Universo for ℵn, Deus será ℵℵ.

Se eu acredito em milagres: claro! Só que minha definição de milagre é: uma seqüência de eventos de baixíssima probabilidade, em uma ordem de ocorrência de baixíssima probabilidade. E, para acabar de vez com a discussão, eu me recuso a acreditar que um Criador de um Universo tão sutil e com regras tão abrangentes, fosse ficar quebrando essas regras, só para extasiar uns caipiras de um planetinha de trampa, da periferia de uma galáxia medíocre, só para receber elogios e sacrifícios. E, para chatear os crentes na Bíblia, o Levítico me parece direitinho um livro de receitas de Ebós. E, do jeito que Jeová gostava de um Injé (sangue sacrificial), parece que os hebreus e os africanos têm, ambos, razão: quem criou o mundo foi Exu. Laroiê!

Enquanto isso, no Bra$il

Notícias de "O Globo" de hoje


Rio, 04 de junho de 2005 Versão impressa

Abrindo a torneira

Valderez Caetano

BRASÍLIA



O resultado do Produto Interno Bruto (PIB, total de riquezas produzidas no país) no primeiro trimestre — que revelou desaceleração da economia e freio nos investimentos — e a crise política detonada pela CPI dos Correios sacudiram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que articulou estratégia para mostrar à sociedade que o governo não está parado. Ele exigiu dos seus
ministros desengavetamento dos projetos até agora parados por falta de verbas. Só nos últimos dois dias o governo decidiu liberar recursos que já chegam a R$ 17 bilhões para as áreas de agricultura e estradas [...]


Rio, 04 de junho de 2005 Versão impressa

Lucro dos bancos cresce quase 50% com tarifas, juros altos e mais crédito

Enio Vieira


BRASÍLIA. Os bancos brasileiros lucraram 49,53% mais no primeiro trimestre de 2005, na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo relatório do Banco Central (BC) sobre o sistema financeiro, os lucros bancários subiram de R$ 5,560 bilhões para R$ 8,314 bilhões. O crescimento foi ainda mais forte entre as 50 maiores instituições financeiras (Banco do Brasil, Caixa Econômica, Bradesco, Itaú, entre elas), que assaram de um lucro total de R$ 4,043 bilhões nos primeiros três meses de 2004 para R$ 6,216 bilhões neste ano. A melhora no resultado veio principalmente do crédito e de tarifas com serviços. [...]


Enquanto isso,


Governo descarta dar aumento para grevistas

Valderez Caetano e Demétrio Weber


BRASÍLIA. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, descartou ontem a possibilidade de dar reajuste aos servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em greve desde anteontem por aumento salarial de 18,86%. Paulo Bernardo disse que o governo precisa dar resposta a outras categorias, como a dos militares e dos funcionários do Ministério da Cultura, estes últimos em greve há cerca de dois meses.[...]


Eu espero que esse papo de reajuste para os militares e funcionários do MinC, não seja só desculpa de aleijado...


Mas, pombas: quem já teve o desprazer de entrar em um Posto do INSS sabe que os funcionários têm razão: são poucos, mal pagos e ouvem todas as xingações dos que não são atendidos por causa da própria estrutura do INSS, que é feita para dificultar ao máximo a concessão de "Benefícios" (como se dar aquilo que o Cidadão tem direito, fosse "benefício"...)

03 junho 2005

Ídolos de Bacon

Salve, Pessoal! Na última matéria publicada pelo Daniel em seu BLOG, ele, com justificável orgulho, cita a lista das dez pessoas mais influentes do último milênio, mostrando que 5 delas são cientistas.

Em minha reles opinião, eu chutaria da lista o eminente William Shakespeare e incluiria Sir Francis Bacon (e o número de cientistas subiria para seis).

Mas o que me irritou na tal listinha, feita por Arthur M. Schlesinger Jr. (citado pela WikiPedia como "ganhador do prêmio Pulitzer e historiador "de segunda geração") foi exatamente a Influência dos Ídolos de Bacon, sobre o autor da nefanda listinha. Como bom anglófono, o laureado (por americanos) "historiador de segunda-geração" põe Shakespeare à frente de todos os demais escritores e dramaturgos de todas as outras culturas. Igualmente, quando chega ao campo da biologia e medicina, ele coloca (em décimo lugar) o inglês Wlliam Harvey (que foi o primeiro a descrever o Sistema Circulatório do Sangue no corpo humano) à frente de Louis Pasteur (que descobriu os microorganismos, o que realmente foi a maior revolução na Medicina, depois de Paracelso).

E, evidentemente, se houvera um político na lista, tinha que ser Abraham Lincoln! Bom, você pode até não gostar deles, mas Karl Marx & Friederich Engels, bem como Adolf Hitler foram muito mais influentes do que o porcaria do Lincoln! O próprio Mao Tse Tung influenciou muito mais pessoas do que o velho Abe... E, se personagens discutíveis não valem, Mahatma Ghandi foi muito maior do que Lincoln.

Francamente, o que mais esperar de um povinho que chama seus campeonatos nacionais de baseball de World Series (= "Campeonato Mundial")?

Abre o olho Daniel!... Cuidado para o Ídolo do Mercado não apanhar você!...

02 junho 2005

A "Grande Unificação das Teorias" aka "GUT"

Salve, Pessoal! Essa eu encontrei no BLOG de Sean Carroll, o Preposterous Universe, que dá como fonte The Poor Man. Não aguentei e tive que traduzir:

A unificação Sombria

Eu entendo que está ficando cada vez mais difícil diferenciar — então, só para esclarecer as coisas, o que aparece abaixo é, na verdade, uma paródia, cortesia do The Poor Man. [...]

GOLDBERG VS. WEINBERG, PARTE XXIII [Jonah Goldberg]

Eu sei que todo o mundo já deve estar farto de ouvir sobre o assunto, e, a julgar pelos emails que estou recebendo, fica bem claro que eu obtive um KO nessa questão, mas eu simplesmente tenho que publicar este último email:

Na qualidade de alguém que vem colecionando figurinhas de Star Wars por mais de duas décadas, deixem-me dizer que o Professor Steven Weinberg é, claramente, um idiota e não faz a mais leve idéia do que está falando, quando se trata de física teórica: Não existem quatro forças fundamentais da natureza no Modelo Padrão, como ele arrogantemente afirma. Existe somente A Força, que tem um lado luminoso e um lado sombrio — mas, como nós aprendemos na clássica novela Os Lordes Sith do Último Jedi, esses lados são somente enfoques diferentes de uma mesma coisa. Então, eu não sei porque ele fica resmungando sobre "campos gauge" ou seja lá o que for, já que todo o mundo sabe que nós já descobrimos uma teoria unificada dA Força, a muito, muito tempo. No entanto, como se espera de um típico covarde liberal, ele prefere se esconder atrás das montanhas de títulos, honrarias profissionais e pequisas fundamentais, ao invés de discutir a verdade dos fatos.



E, como eu comentei no Preposterous Universe, aposto que os próximos episódios da Saga Guerra nas Estrelas vão acabar propondo alguma pequena variação do tema Intelligent Design financiado e produzido pela Templeton Foundation... É só esperar...

01 junho 2005

Enquanto isso, no BRA$IL...

Mais duas notícias de O Globo on-line de hoje:

Lula: Economia vai surpreender em 2005

Presidente assegura que não recorrerá a pacotes: 'Não é porque vamos ter eleição daqui a um ano e meio que vamos tomar uma medida populista'

Será que ele acredita no que está dizendo? Será que ele acredita que alguém acredita? [...não precisam responder; as perguntas são meramente retóricas...]

Enquanto isso:

Inadimplência cresce e valor da dívida também

Estudo leva em conta cheques devolvidos, títulos protestados, dívidas vencidas com bancos, varejo, administradoras de cartões e financeiras. Estagnação da renda, inflação e alta de juros são algumas das explicações da Serasa para crescimento frente a abril do ano passado.

As mães do Meirelles e do Palocci, vão muito bem, obrigado!... [e não são nada disso que vocês estão pensando...]

Eu só não acerto a Mega-Sena...

Da série, "eu bem que falei..." Duas notícias publicadas na edição on-line de O Globo de hoje:

FH diz que política de Lula 'é para inglês ver'
Ex-presidente critica política externa do governo dizendo que empenho com os países mais pobres tem segundas intenções

Garotinho e Rosinha recuperam direitos políticos com novo efeito suspensivo

Decisão no mês passado havia deixado a governadora do Rio e secretário estadual de Governo inelegíveis por três anos

Sobre a primeira, diga-se que é bem um caso de "O roto falando do esfarrapado e o sujo, do mal lavado"... Se alguém deveria ter vergonha na cara e não falar da política terceiro-mundista do Lula, este alguém é exatamente o FH. Mas, que é verdade, é!...

Sobre a segunda, também não é uma decisão irrecorrível: apenas uma liminar, dada por um Desembargador. Cadê a Associação dos Magistrados do Brasil? Vai fazer um ato público de repúdio conta o Desembargador? Vai emitir alguma Nota Oficial? Vai é porra nenhuma! nada...

31 maio 2005

Por que pessoas espertas defendem más idéias

Eu achei esse link para o artigo Why smart people defend bad ideas no BLOG de Peter Woit, Not even wrong. Gostei tanto que resolvi traduzir e publicar. Eu juro que pedi permissão ao autor, mas como a tradução já está pronta e ele ainda não respondeu, vou publicar assim mesmo.

Por que pessoas espertas defendem más idéias

© Scott Berkun, Abril de 2005

Todos nós conhecemos alguém que é esperto, mas que, ocasionalmente, defende idéias obviamente más. Por que isso acontece? Como podem pessoas espertas adotar posições que desafiam qualquer lógica racional? Tendo levado muitos anos trabalhando com pessoas espertas, eu cataloguei muitas ocasiões onde isso acontece e tenho alguns conselhos sobre como lidar com isso. Eu me sinto qualificado para escrever este ensaio porque sou uma pessoa esperta, em fase de recuperação, e já defendi várias idéias muito más. Então, se não fosse por outro motivo, este ensaio serve como uma espécie de sessão de terapia pessoal. No entanto, eu suspeito muito que você vai encontrar mais do que a pura diversão ("Olha só! O Scott é mais estúpido do que a gente pensava!") no que eu tenho a dizer sobre este tópico.

Sucesso na defesa de más idéias

Eu não me orgulho de admitir que sou formado em Lógica e Computação pela Universidade Carnegie Mellon. Um diploma em lógica não é o tipo de coisa que faça as pessoas quererem conversar com você nas festas, ou ler seus ensaios. Mas, se há alguma coisa que eu aprendi, depois de anos estudando teorias de lógica em nível superior, é que a proficiência na argumentação pode ser facilmente usada para derrotar os oponentes, mesmo quando você estiver inteiramente errado. Se você aprender uns poucos truques de lógica e técnica de debates, você pode refutar o óbvio e defender o ridículo. Se as pessoas com quem você estiver discutindo, não estiverem tão a vontade como você nas táticas de discussão, ou não forem tão arrogantes quanto você, eles podem até desistir e concordar com você.

O problema com pessoas espertas é que elas gostam de "ter razão" e, algumas vezes, defenderão idéias até a morte, ao invés de admitir que estão erradas. Isso é mau. Pior, ainda, se elas se deram bem com isso quando eram jovens (digamos, porque elas eram mais inteligentes do que seus pais, seus amigos e os amigos de seus pais). Elas provavelmente terão construído um ego em torno de estarem sempre certos e defenderão seu recorde perfeito de "certeza presumida" até a morte. Pessoas espertas freqüentemente caem na armadilha de preferirem "ter razão", mesmo que isso seja baseado em mentiras, ou resulte em eles, ou seus entes queridos, se sentirem infelizes (Em algum lugar do cemitério da sua cidade, existe uma fileira de tumbas, chamada "Alameda dos Espertinhos", cheios de pessoas enterradas em funerais pouco concorridos, cujas lápides dizem: "Viu?..., no fim, eu tinha razão").

Até que elas fiquem face a face com alguém com tenacidade bastante para dissecar sua lógica e com paciência bastante para aturar os insultos intelectuais velados que elas soltam durante a discussão (por exemplo: "Você realmente não pensa assim, não é?", ou "Bem se você conhecesse a regra/lei/corolário de {insira aqui uma referência obscura}, você não estaria dizendo tais coisas..."), elas não serão forçadas a questionar sua habilidade em defender más idéias. Oportunidades para isso são raras: um novo patrão, um novo companheiro de trabalho, um cônjuge novo. Mas, se sua obsessão por "ter razão" for suficientemente forte, elas rejeitarão essas pessoas imediatamente, antes de se questionarem sobre seus próprios preconceitos e auto-manipulações. Pode ser mais fácil, para pessoas espertas com o hábito de defender más idéias, mudar de emprego, cônjuge ou cidade do que examinarem honestamente o que está no cerne de sua psique (e, freqüentemente, de sua infelicidade).

Ao invés de se formarem em lógica, ou estudarem as nuances da técnica de debate, lembre-se desta única regra simples para desmistificar aqueles que têm habilidade em defender más idéias: O simples fato de que você não pode provar que eles estão errados, não os torna corretos. A maior parte dos truques, empregados por conhecedores de lógica e técnicas de debates, refutam questões e ataques, mas não conseguem estabelecer qualquer justificativa verdadeira para uma determinada idéia.

Por exemplo, só porque você não pode provar que eu não sou uma reencarnação de um Rei da França, isso não se torna verdade. Então, quando alguém lhe disser: "Meu plano A é o melhor, porque ninguém explicou como ele pode falhar", saiba que existe uma falácia neste argumento. Simplesmente porque ninguém descreveu como ele vai falhar, isso não o torna o melhor plano. É possível que os planos B, C, D e E tenham todos a mesma qualidade, ou que a razão pela qual ninguém tenha descrito como o plano A vai falhar, é que ninguém teve mais do que 30 segundos para analisá-lo. Como vamos discutir mais adiante, um raciocínio errado difuso requer que alguém (provavelmente você) construa uma estrutura mais saudável em torno do mau raciocínio, para expô-lo tal como ele é.

Morte por homogeneidade

Nossa segunda parada, no tour das más idéias comumente defendidas, é a, aparentemente amistosa, noção de pensamento comunal. Só porque todo o mundo na sala é esperto, não quer dizer que, coletivamente, eles irão chegar a idéias inteligentes. O poder da pressão dos pares é que ela atua sobre nossa estrutura psicológica, não sobre nosso intelecto. Como animais sociais, nós somos pesadamente influenciados pelo modo como as pessoas em nosso entorno se comportam, e a nossa capacidade pessoal em tomar decisões varia grandemente dependendo do ambiente em que nós estivermos. (Por exemplo, tente escrever um poema haiku, de pé, em um elevador com 15 cantores de ópera, urrando 15 árias diferentes, em 15 línguas diferentes, em falsete, diretamente em seus ouvidos; agora, compare a mesma tarefa, se você for executá-la, sentado em um banco, em um local calmo de um bosque aberto).

Dito isto, quanto mais homogêneo, em seu modo de pensar, for um grupo de pessoas, mais estreito será o leque de idéias que o grupo considerará abertamente. Quanto mais de mente aberta, criativo e corajoso for um grupo, maior será o leque de idéias que ele será capaz de explorar.

Alguns grupos de pessoas procuram grupos de interesse, consultorias e processos de pesquisa para introduzir idéias exteriores, mas isso raramente melhora a qualidade do raciocínio do próprio grupo. Essas idéias exógenas, não importa o quanto ousadas ou originais, ficam à mercê da diversidade de pensamentos dentro do próprio grupo. Se o grupo, como um coletivo, só é capaz de aprovar um trabalho de nível B, não importa quantas idéias de nível A você traga para ele. Grupos de interesse e outras fontes externas de informação não podem dar uma "alma" a uma equipe, nem a seus líderes. Uma equipe "nivelada" e homogênea de pessoas não tem "opiniões próprias", porque consiste de pessoas com as mesmas bagagens culturais, pontos de vista e experiências, que só se sentirão à vontade discutindo as idéias "seguras" que se amoldem a esses limites.

Se você quer que suas pessoas espertas sejam tão inteligentes quanto possível, procure uma diversidade de formas de pensar. Encontre pessoas com diferentes experiências, opiniões, bagagens culturais, pesos, alturas, raças, estilos de cabelos, cores, passatempos, peças favoritas de vestuário, filosofias e crenças. Junte-os em torno dos resultados que você quer, não dos meios ou enfoques que eles devem usar. É a única maneira de garantir que as melhores idéias de seus indivíduos mais espertos sejam recebidas abertamente pelas pessoas em seu redor. Para seu próprio uso, evite sempre o mesmo tipo de: livros, filmes, música, comida, sexo, mídia e pessoas. Experimente realmente a vida, indo a lugares onde usualmente você não vai, gastar tempo em companhia de pessoas que você normalmente não acompanharia. Viva o momento e esteja aberto para ele. Até recentemente, na história humana, a vida era menos previsível e nós éramos forçados a nos encontrar com coisas que não eram sempre de nossa escolha. Nós somos capazes de viver vidas mais criativas e interessantes do que as que nossa cultura moderna freqüentemente nos provê. Se você sair de seu caminho para encontrar experiências diversas, vai ser impossível você deixar passar idéias, simplesmente porque seu ponto de vista, homogeneizado, não as deixou passar pelo filtro.

Raciocinar no nível errado

Em qualquer momento, em qualquer projeto, existe um número infinito de soluções para outro número infinito de problemas. Parte de ser uma pessoa realmente inteligente é saber qual o nível é o certo em um dado instante. Por exemplo, se você estiver derrapando em sua velha Kombi, a mais de cem por hora, em uma auto-estrada, durante um temporal, quando uma carreta, cheia de fogos de artifício mal embalados e velas de ignição em caixotes abertos, travar nos freios, essa não é a hora certa de discutir com seus passageiros onde vocês gostariam de parar para jantar. Por mais ridículo que esse cenário pareça, acontece o tempo todo. As pessoas se preocupam com a coisa errada, na hora errada, e aplicam sua inteligência de maneira tal que ela não sirva para encontrar a solução para seja o que for que estejam tentando conseguir. Alguns chamam essa diferença de habilidades de sabedoria, porque um sábio sabe em que concentrar seu raciocínio, enquanto que os meramente espertos só sabem raciocinar. (Esta desvalorização da sabedoria é uma dicotomia oriente vs. ocidente: a filosofia oriental põe grande ênfase em aumentar a sabedoria, ao passo que, no ocidente pós-iluminista (e, provavelmente, particularmente na América), a ênfase recai sobre os floreios intelectuais da inteligência)

Na indústria de software, o exemplo mais comum de "raciocinar em nível errado" é uma equipe de programadores, nível pop star, que podem fazer qualquer coisa, mas não sabem, realmente, o que fazer. Daí, eles tendem a fazer quaisquer coisas que lhes venham às idéias, nunca parando para procurar alguém, que pode não ser um entusiasta em escrever programas, mas que pode ver onde o valor de suas habilidades de programação seria melhor aplicado. Outros exemplos incluem: pessoas que sempre se preocupam com dinheiro, não importa quanto eles tenham; pessoas que lutam com relacionamentos, mas investem somente em melhorar sua aparência (ao invés de terapia ou outra abordagem emocional); ou qualquer um que queira resolver o problema X, mas que parece que só faz coisas para resolver o problema Y.

O ponto principal é que nenhuma quantidade de inteligência pode ajudar um indivíduo que esteja diligentemente trabalhando no nível errado do problema. Alguém com sabedoria tem que bater no seu ombro e dizer: "Aí, cara! O buraco que você está cavando está muito bonito e o tamanho está certinho. Mas você está no terreno errado."

Morto, a longo prazo, por pensar a curto prazo

Pelo que se conhece da evolução, fica claro que nós estamos vivos por causa de nossa habilidade herdada de pensar rápido e responder às mudanças. A sobrevivência das criaturas viventes, na maior parte da história de nosso planeta, tem sido um jogo de curto prazo. Somente se você conseguisse escapar de seus predadores e apanhar suas presas, você teria o privilégio de se preocupar com o amanhã.

Disso se segue que nós temos a tendência a sermos melhores em nos preocuparmos e resolvermos questões de curto prazo, do que questões de longo prazo. Mesmo quando nós reconhecemos uma questão importante de longo prazo que temos que planejar, digamos proteger os recursos naturais ou planejar para a aposentadoria, nós somos facilmente distraídos por coisas imediatas, como o jantar ou sexo (coisas importantes, sem dúvida; mas para grande parte da espécie, a relevância da necessidade é puro imediatismo). Uma vez distraídos, nós raramente voltamos a pensar nos problemas de longo prazo de que fomos desviados.

Uma justificativa, comumente usada para o abuso do raciocínio de curto prazo, é defendê-lo com uma falsa perspectiva. O cara esperto, mas menos confiante, diz: "Ei! Você está certo de que nós devíamos estar fazendo assim?" E o cara esperto, confiante, mas menos sábio, diz: "Claro! Nós fizemos assim da última vez, fizemos assim antes, então, por que não deveríamos fazer assim de novo?" Essa "defesa" é uma "falsa perspectiva" porque não há motivos para se pensar que apenas duas amostras de dados (por exemplo: "a última vez" + "a penúltima vez") sejam suficientes para prever o futuro. As pessoas dizem coisas similares, todo o tempo, em defesa da "economia de livre mercado", da "democracia" e de "técnicas de sedução". "Bem, isso nos trouxe até aqui e é o melhor sistema que temos". Bem... Pode ser... Mas se você estivesse em sua Kombi quebrada, até as canelas de gasolina escorrendo do tanque, e com um cigarro aceso em cada mão, poderia dizer a mesma coisa...

Colocando as coisas de modo simples, o fato de você ainda não estar morto não significa que todas as coisas que você já fez, por tudo que é justo neste universo, não fossem suficientes para matar você. Você talvez só precise de mais umas poucas amostras de dados para que a Lei das Médias entre em funcionamento e ponha um fim permanente a seu raciocínio de curto prazo

Quantas amostras de dados você precisa para continuar se sentindo confortável com um comportamento, é um caso inteiramente de filosofia pessoal. Os sábios e os céticos sabem que mesmo um número infinito de amostras do passado, podem ter uma influência limitada sobre o futuro. A parte enganosa sobre o futuro é que ele é diferente do passado. Nossos dados do passado, não importa quão grande seja a pilha de dados, pode muito bem ser totalmente irrelevante. Alguns acham que essa falta de habilidade em prever o futuro é algo totalmente frustrante, enquanto outros encaram o fato como a principal justificativa para ficar por aqui mais alguns anos.

De qualquer forma, meu ponto não é que Kombis ou economias de livre mercado sejam más. Ao invés disso, o que eu estou dizendo é que pequenas amostras de dados de curto prazo não são uma maneira nem confiável, nem sábia, para tomar decisões de longo prazo. Pessoas espertas fazem isso o tempo todo e, uma vez que isso é tão aceito como uma "experiência prática" (ou seja, "a última vez" + "a penúltima vez"), que é freqüentemente aceito, em lugar de raciocínio verdadeiro. Sempre tendo em mente que os seres humanos, dada a nossa evolução, são muito ruins em ver efeitos cumulativos de comportamento e subestimam como coisas, tais como "juros compostos" ou "um cigarro por dia", podem ter, a longo prazo, um impacto surpreendentemente grande, a despeito dos efeitos claramente pequenos em curto prazo.

Como impedir pessoas espertas de defenderem más idéias

Eu passei meu primeiro ano de faculdade em um pequeno college de Nova Jersey chamado Universidade Drew. Eu me diverti, tomei muitas bebidas alcoólicas gostosas e fui a muitas festas de arromba (tendo como resultado, é lógico, que fui reprovado e tive que voltar a morar no Queens com meus pais. Como vocês podem ver, esse ensaio é, na verdade, um anúncio de utilidade pública, pago por meus pais — eu era uma pessoa esperta que fez algumas coisas estúpidas). Mas eu menciono isso porque eu aprendi uma boa dose de filosofia com as muitas horas jogando sinuca no Centro Acadêmico. A lição foi: "A Pressa Mata". Eu nunca fui muito bom em sinuca, mas tinha um cara que era e, toda vez que nós jogávamos, ele ficava me vendo perder tacadas fáceis porque eu queria enfiar as bolas na caçapa com toda a força. Eu escolhi "velocidade e força", ao invés de "controle", e, quase sempre, perdi. Da mesma forma que na sinuca, quando se trata de desmistificar pessoas espertas que estejam defendendo idéias más, você tem que achar uma maneira de "desacelerar as coisas".

A razão para isso é simples. Pessoas inteligentes, ou cujos cérebros tenham, pelo menos, uma boa "arrancada", usam a sua velocidade de raciocínio para sobrepujar os outros. Elas vão saltar de uma suposição para outra rapidamente, expelindo jargão, pedaços de lógica, ou "experiência prática", em uma cadência de tiro rápida o suficiente para intimidar a maior parte das pessoas e fazê-las desistir. Quando isso não surte efeito, os arrogantes ou pomposos vão lançar mão de um pouco de derrisão e usar quaisquer trapaças ou táticas de manipulação que estejam a seu alcance, para desencorajá-lo ainda mais de tentar dissecar suas idéias.

Então, sua melhor defesa começa por bater um argumento por partes. Quando disserem: "é óbvio que nós temos que executar o plano A, agora!", você deve responder: "Espere um pouco! Você está muito na minha frente. Para que eu possa acompanhar seu raciocínio, eu preciso bater isso por partes". E, sem esperar pela permissão para fazê-lo, vá em frente e faça isso.

Em primeiro lugar, nada é óbvio. Se fosse realmente óbvio, não haveria necessidade de dizê-lo. Então, sua primeira tarefa é estabelecer o que não é tão óbvio. Quais são as premissas que o outro cara está glosando e que vale a pena pesquisar mais detalhadamente? Podem haver 3 ou 4 premissas válidas diferentes, que precisam ser discutidas, uma de cada vez, antes que se possa considerar qualquer espécie de decisão. Pegue uma de cada vez, e exponha as questões básicas: que problema estamos tentando resolver? Quais são as alternativas para resolvê-lo? Quais são as vantagens e desvantagens de cada alternativa? Batendo por partes e fazendo perguntas você expõe mais o raciocínio à luz, torna possível para os outros fazer perguntas e torna mais difícil, para qualquer um, defender uma má idéia.

Ninguém pode tirar seu direito de raciocinar sobre as coisas, especialmente se a decisão a tomar é importante. Se sua mente não "arranca" bem e funciona melhor em 3ª ou 4ª marchas, encontre os caminhos para se dar o tempo para chegar lá. Se, quando você disser "eu preciso desta tarde para raciocinar sobre isso", eles disserem "entretanto nós temos que decidir sobre isso agora", pergunte se a decisão é tão importante; se responderem que sim, então você estará inteiramente justificado em pedir mais tempo para raciocinar e fazer perguntas.

Ache uma pessoa razoável para escutar

Algumas situações necessitam de ajuda externa. Ao invés de levar a questão ao arbítrio de uma outra pessoa, diretamente, ache terceiros que ambos respeitem, e continue a discussão em sua presença. Pode ser um superior, ou simplesmente alguém reconhecidamente inteligente, o suficiente para que seu oponente possa fazer concessões a ele sobre alguns pontos.

Conseqüentemente, se o chefe de sua equipe for sábio e razoável, pessoas espertas que poderiam, ordinariamente, defender más idéias, vão ter muito trabalho para fazê-lo. Porém, se, infelizmente, seu chefe de equipe não for nem sábio, nem razoável, pessoas espertas e arrogantes podem convencer os outros a seguir seus maus conselhos, mais vezes sim do que não.

Mais razões ainda

Eu estou certo de que você tem histórias sobre suas próprias tolices ao lidar com pessoas espertas defendendo más idéias, ou nas quais você, no papel de pessoa esperta, perdeu tempo discutindo por coisas sobre as quais você se arrependeu depois. Dada a enorme diversidade de maneiras que o universo fornece aos seres humanos para serem espertos e tolos ao mesmo tempo, existem muitas outras razões de porque pessoas espertas podem se comportar de maneira estúpida. Por pura diversão, e para alimentar os forums, lá vão mais algumas. (Se você tem algumas idéias sobre este ensaio, ou mais algumas razões a acrescentar, por favor, dirija-se a esses forums)

  • Pessoas espertas podem seguir líderes estúpidos (buscando elogios ou promoção)
  • Pessoas espertas podem ser levadas pela raiva a posições estúpidas
  • Elas podem ser treinadas ou educadas para serem estúpidas
  • Pessoas espertas podem herdar más idéias de seus pais, sob o disfarce de "tradição"
  • Elas podem querer que alguma coisa impossível seja verdade

[As referências citadas pelo autor podem ser obtidas no site do original]

29 maio 2005

Até que enfim, a Marinha falou! (E alguém publicou!)

Salve, Pessoal! O Lula anda "posando de estadista" e querendo arranjar um lugar permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU. Para dar um "passo" desses, é preciso ter "pernas". Uma das "pernas" necessárias é uma Força Armada capaz de integrar os contingentes da ONU, como, por exemplo, o que está no Haiti. Em outra matéria anterior, eu falei que o Exército gasta uma "baba" com um sistema ultrapassado de "Serviço Militar" (que podia ser o "máximo" na época de Coelho Neto, mas, agora, é apenas jogar dinheiro fora).

Eu fiz parte de um Serviço Profissional, a Marinha do Brasil, e conheço bem a situação. Desde minha passagem à reserva (em 1993), até hoje, a situação, que já era ruim, só fez piorar. A Marinha sempre mostrou isso, para quem quisesse ver, mas a midia sempre se eximiu de publicar as notas da Marinha (falar de militar é feio: eles foram ditadores...). Finalmente, um jornal publicou um extrato do que eles dizem ser um press-release de cinco páginas. Foi o Jornal "O Dia" do Rio de Janeiro, na edição de hoje, sob o título: "Marinha à míngua".

É o caso, que eu também já citei alhures, do Comandante da Guarda-Costeira dos Estados Unidos, defendendo seu orçamento perante o Congresso Americano: "Vocês estão tão acostumados à gente fazer muito, com pouco, que vão acabar querendo que a gente faça tudo, com nada!" Lá, pelo menos, o Comandante da Guarda Costeira pode ir ao Congresso defender seu Orçamento. Cá, no Brasil, o Orçamento da Marinha é enviado ao Ministério da Defesa, que, por sua vez, o manda ao Ministério do Planejamento que junta com os dos outros Ministérios, e manda para o Congresso em um bolo só. Dificilmente a Marinha (ou qualquer outra Força Singular) é chamada a dar explicações aos congressistas (navio não dá voto...).

Para se ter uma idéia da medida da ignorância com que as Forças Armadas são tratadas, uma vez o Serviço de Auditoria da Marinha (a controladoria interna que verifica a correção das contas — e, volta e meia, manda um comandante ou outro para o Tribunal) recebeu um telefonema de um setor qualquer do Tribunal de Contas da União (órgão do Congresso Nacional) perguntando: "para que a Marinha queria um trem?" Depois de muitos contatos com as Bases Navais, Arsenal da Marinha e todas as Unidades que poderiam, por algum motivo arcano, ter um trem em sua posse, o Serviço de Auditoria da Marinha respondeu ao Tribunal de Contas que a Marinha não tinha trem algum e perguntando em que relação de material aparecia o tal trem. Resposta recebida: "Como não? E esse tal "Trem da Esquadra?". Para quem nada sabe de expressões navais, Trem da Esquadra é o comando enquadrante dos navios que prestam apoio à esquadra: rebocadores de alto-mar; navios-oficina, petroleiros e outras embarcações de apoio. O termo pode parecer estranho, mas é tradição: as tralhas não-combatentes que qualquer Força é obrigada a ter, são conhecidas como "Trem de Guerra". Bastava a "otoridade" lá do Tribunal de Contas perguntar: "Que Unidade é essa: 'Trem da Esquadra'?"; não perguntar: "para que a Marinha queria um 'trem'?".

Muitos poderão estar se perguntando: "Afinal, para que o Brasil quer uma Marinha? Ou mesmo, Forças Armadas?" Minha primeira resposta para isso é que "Forças Armadas" são como um Seguro: você paga, rezando para nunca ter que usar!... Segundo, enquanto a América do Sul for o que é, é conveniente manter uma Força Armada pronta e adestrada. As nossas fronteiras com a Colômbia e o Peru são uma terra-de-ninguém, onde os governos colombiano e peruano não mandam nada. A Venezuela tem uma antiga reivindicação de tomar metade do terrirório da Guiana (para extender isso um pouco mais para o Sul e tomar uma parte de Roraima, não custa nada...). O Brasil roubou dois pedaços do território boliviano: o Acre e o saliente de Corumbá (que contém as jazidas de manganês de Urucum); a Bolívia pode, perfeitamente, resolver tomar de volta (olha só o que eles fizeram, agorinha mesmo, com os preços do gás natural — e olha que quem construiu o gasoduto foi o Brasil...) . Os uruguaios são um país que se tornou independente duas vezes: a primeira, de Portugal (como Província Cisplatina) e a segunda, da gente. Os paraguaios não têm nenhum amor pelos brasileiros: a fase final da Guerra do Paraguai foi, simplesmente um genocídio (o Paraguai começou a guerra com 5 milhões de habitantes; hoje, eles são pouco mais do que isso...). Quanto à Argentina... Bom, de um país que resolve encarar a Inglaterra por causa das Ilhas Malvinas, pode-se esperar qualquer coisa (e as recentes atitudes deles, em relação ao Mercosul, mostram que eles não estão dispostos a ver o Brasil assumir a liderança da América do Sul). Mas guerra? Que guerra?... Os holandeses achavam isso em 1940, até que acordaram com as tropas Nazistas nas suas ruas... A Suiça é neutra, mas tem um exército, uma força aérea e um sistema de mobilização de forças que foi copiado por Israel...

É uma situação de merda? É... Mas fechar os olhos para isso é suicídio. A Amazônia e o Pantanal são alvos cobiçados, inclusive pelas grandes potências militares. Se não fosse a Marinha, as frotas pesqueiras internacionais já teriam acabado com toda a vida marinha em nossas costas (alguém ainda se lembra da "Guerra da Lagosta"? Quando os franceses mandaram uma esquadra para proteger os navios lagosteiros deles que estavam acabando com as lagostas do Nordeste do Brasil?). Alguém tem alguma dúvida de que o Brasil precisa de uma guarda-costeira? Se tem, malandro, vai estudar um pouco de história; depois volta para a gente conversar...

Mas o Lulinha quer apenas o prestígio de dar pitaco no Conselho de Segurança da ONU... Afinal, não é ele quem vai para a guerra, né?...

Ah! Sim... E os salários dos militares, ó!... Sou integralmente solidário com todos os Servidores Públicos. Todos os salários estão pela hora da morte. Mas, na hora da morte, são os milicos quem vai na frente. Como dizia Rudyard Kipling:

"It's 'Tommy is this', and 'Tommy is that'
And 'Shut him out! The brute!'
But it's 'Thin red line of heroes'
When the guns beguin to shoot..."