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15 fevereiro 2008

Nova Zona Morta - 2

Via EurekAlert, esta matéria se relaciona com Nova Zona Morta cuja tradução eu publiquei em 07 de agosto de 2006.

Pesquisadores do Oregon estudam amplas áreas de baixa oxigenação ao largo da Costa Noroeste
Cientista de pesca da NOAA trabalha no caso

Uma equipe de cientistas que estudam a Corrente da Califórnia – uma massa de águas frias que se move lentamente para o Sul ao longo da costa, desde a Colúmbia Britânica até a Baja Califórnia – estão encontrando áreas cada vez maiores, ao largo das costas de Washington e Oregon com pouco ou nenhum oxigênio, que possivelmente resultarão na morte de animais marinhos que não conseguem sair dessas áreas de baixa oxigenação.

“Nós estamos vendo agora baixos níveis de oxigênio que estão muito mais difundidos e muito mais intensos do que qualquer registro passado”, declara William Peterson, um dos pesquisadores e um oceanógrafo do centro de ciências do Serviço de Pesca do NOAA em Newport, Oregon.

“Os peixes simplesmente se mudaram dessas áreas e, provavelmente, estão muito bem em outro lugar qualquer”, diz Peterson. “Mas animais que não podem se mudar para águas melhores, tais como o caranguejo Dungeness, anêmonas e estrelas-do-mar, vão morrer”.

Peterson acrescenta que, durante o verão de 2006, a anoxia – uma completa falta de oxigênio na água – foi registrada na região central da costa do Oregon pela primeira vez.

Em um artigo publicado hoje na revista 'Science', os pesquisadores dizem que os dados, que remontam a 1950, mostram poucos indícios de baixa oxigenação generalizada ao longo da estreita plataforma continental antes de 2000. Desde então as condições começaram a mudar.

A equipe realizou uma pesquisa com base em submersíveis no verão de 2006 e descobriu que não havia peixes vivendo ao longo dos penhascos rochosos que são, normalmente, o saudável habitat para várias espécies de peixes comercialmente importantes. Isto contrasta com pesquisas semelhantes, realizadas entre 2000 e 2004, que registraram abundantes populações de peixes. Nas áreas de águas rasas, em particular, a equipe encontrou uma quase completa ausência de organismos habitantes do fundo do mar e um aumento no número de bactérias que florescem nas condições de baixa ou nenhuma oxigenação.

Embora as causas para as condições de baixa e nenhuma oxigenação ainda não sejam totalmente compreendidas, é sabido que água com baixa oxigenação é associada com a ressurgência costeira – o processo no qual águas ricas em nutrientes são trazidas do fundo para a superfície do mar. Aí, estes nutrientes alimentam uma produção extraordinariamente alta de pequenos vegetais e animais ao largo das costas do Pacífico Noroeste, durante o verão.

Eventualmente, a maior parte desse plâncton morre e cai para o fundo do oceano, onde se decompõe, reduzindo o conteúdo de oxigênio da água e causando a hipoxia (pouca oxigenação) e até a anoxia (nenhum oxigênio).

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O artigo da "Science", “Emergence of Anoxia in the California Current,” foi escrito por F. Chan, J.A. Barth, J. Lubchenco, A. Kirincich e B.A. Menge da Oregon State University, H. Weeks com o Oregon Department of Fish and Wildlife, e Peterson.

A Administração Nacional do Oceano e Atmosfera (National Oceanic and Atmospheric Administration = NOAA), uma agência do Departamento de Comércio do governo dos EUA, é dedicada ao aumento da segurança econômica e a segurança nacional, através da previsão e pesquisa de eventos relacionados com o clima e o tempo, e o fornecimento de informações para transportes e a gerência geral dos recursos marítimos e costeiros da nação. Através do nascente projeto Sistema de Sistemas de Observação Global da Terra (Global Earth Observation System of Systems = GEOSS), a NOAA trabalha em conjunto com seus parceiros federais, mais de 70 países e a Comissão Européia para desenvolver uma rede de monitoramento global que seja integrada como o planeta que ela observa, prediz e protege.

Na Web:
NOAA Fisheries Service: http://www.nmfs.noaa.gov

25 novembro 2007

Ainda restam esperanças!...


Via EurekAlert, mais uma matéria sobre os Oceanos:

Cientistas marinhos avisam que a segurança e a prosperidade do ser humano dependem de uma melhor sistema de observação dos Oceanos

Um apelo por um sistema inicial adequado para o produção de compreensão, previsões úteis para o público e para os responsáveis pelas politicas

O diagnóstico rápido do temperamento e dos sinais vitais dos oceanos é cada vez mais importante para o bem estar da humanidade, afirma uma distinta comunidade internacional de cientistas, urgindo por apoio para um completo sistema global de monitoramento marinho em até 10 anos.

A Parceria para a Observação dos Oceanos Globais (Partnership for Observation of the Global Oceans = POGO) declara que o aquecimento dos mares, pesca predatória e poluição estão entre profundas preocupações que têm que ser melhor medidas para auxiliar a sociedade para responder de forma bem informada, a bom tempo e com custos bem calculados.

“Um sistema para a observação e previsão dos oceanos que cubra todos os oceanos do mundo e suas principais utilizações, pode reduzir riscos crescentes, proteger os interesses humanos e monitorar a saúde de nossos preciosos oceanos,” afirma o Dr. Tony Haymet, Diretor da Scripps Institution of Oceanography, University of California San Diego, USA, e Presidente do Comitê Executivo da POGO.

“A comundade mundial resolveu construir um sistema abrangente e integrado para a observação dos oceanos a duas décadas. A boa notícia é que nós demonstramos que um sistema global de observação dos oceanos pode ser construído, instalado e posto a funcionar com as tecnologias existentes. Agora, temos que passar da fase de experiência e da prova-do-conceito para o uso rotineiro. Progredimos menos de metade do caminho para nossas metas iniciais. Vamos completar a tarefa antes que sejamos atingidos por mais tsunamis ou calamidades comparáveis.”

O custo de um sistema inicial adequado necessitará de mais investimentos, da ordem de 2 a 3 bilhões de dólares, envolvendo:

  • uma rede estável de satélites para vigiar as vastas extensões das superfícies dos oceanos;
  • estações fixas realizando contínua medição no fundo do mar ou como flutuantes e bóias ancoradas na coluna d'água na superfície;
  • pequenos robôs monitores submarinos, alguns garrando com as correntes, outros realizando monitoramento ao longo de rotas programadas;
  • animais marinhos engenhosamente dotados de "etiquetas" eletrônicas que os equipem para capturar e transmitir dados acerca dos ambientes que visitam;
  • navios mercantes e de pesquisa, aproveitando suas rotas para realizar observações.

A análise dos dados, integrados com observações da atmosfera e outras fontes, e sua assimilação em modelos, podem produzir compreensões e previsões úteis para o público e para aqueles que estabelecem políticas.

“Os oceanos cobrem a maior pare de nosso planeta – 71% – mesmo assim são grandemente sub-amostrados,” diz o Dr. Haymet. “Nós temos uma urgente necessidade e novas maravilhas tecnológicas disponíveis hoje para completar um sistema pelo qual os cientistas marinhos podem diagnosticar com autoridade e antecipar mutações nas condições dos oceanos globais – algo parecido com o sistema que permite aos meteorologistas prever o tempo.

“Um sistema contínuo e integrado de observação dos oceanos vai dar um retorno de muitas vezes o valor do investimento em operações marítimas mais seguras, diminuição dos danos causados por tempestades e a conservação dos recursos marinhos vivos, bem como coletar os sinais vitais dos oceanos que são necessários para monitorar mudanças climáticas.”

O chamado dos cientistas para a complementação deste “primeiro recrutamento” do sistema de observação dos oceanos é feito na hora em que os ministros e oficiais das 71 nações membros do GEO (o intergovernamental Grupo para Observações da Terra = Group on Earth Observations) se reúne em Cape Town, África do Sul, entre 28 e 30 de novembro. O encontro vai revisar o progresso e traçar o mapa dos próximos passos para um esforço no período de 10 anos para construir um sistema com base em terra, se deslocando pelos oceanos, aéreo e espacial, o Sistema Global de Observação de Sistemas da Terra (Global Earth Observation System of Systems = GEOSS) para monitorar todas as condições ambientais da Terra.

Tecnologias

“O passo rápido do desenvolvimento tecnológico está abrindo abordagens inteiramente novas para a medição dos oceanos, inclusive observações físicasa e biológicas a partir de peixes e mamíferos aquáticos. O potencial para a exploração da marinha mercante como plataforma para a monitoração das propriedades dos oceanos, embora bem demonstrada, oferece uma enorme oportunidade para maior desenvolvimento. Técnicas de biologia molecular estão transformando a maneira como identificamos espécies e interpretamos seu desenvolvimento evolucionário; existem importantes oportunidades para combinar dados físicos e biológicos para melhor entender a ligação entre os ecossistemas marinhos e a dinâmica oceânica,” declara David Farmer, da Royal Society e chefe da University of Rhode Island’s Graduate School of Oceanography.

Entre as tecnologias usadas pelos observadores oceânicos:

Sondas Robóticas Mergulhadores

Incluem, atualmente,cerca de 3.000 pequenas e móveis sondas “Argo” que medem a pressão, salinidade e temperatura em profundidades de até 2 km e retornam à superfície a cada 10 dias para transmitir suas leituras via satélite. Os instrumentos medem condições que atuam sobre mudanças climáticas. Os oficiais da POGO dizem que são necessárias até 10 vezes mais dessas sondas para produzir um quadro global de alta resolução das condições marinhas.

Veículos e naves de pesquisa não-tripulados

Estão em andamento testes de campo com os assim chamados ‘air-clippers’: sensores atmosféricos e da superfície dos oceanos pendurados em balões. Com esses sensores, os cientistas conseguiram obter medições concorrentes das condições atmosféricas e da superfície do oceano de dentro o olho de um forte ciclone onde os balões foram capturados.

Enquanto isso, os cientistas que usam equipamentos robóticos submarinos para registrar a vida e as condições nas remotas profundezas oceânicas, dizem que eles ainda apenas arranharam a superfície com os recursos disponíveis.

A bordo de navios de pesquisas, os cientistas podem tirar amostras e monitorar a distribuição e a abundância de espécies marinhas, enquanto desenvolvem tecnologias da próxima geração para observação – por exemplo, dispositivos para realizar, em alto mar, o seqüenciamento do DNA de formas de vida, tais como micróbios, bactérias e plânctons, realizando medições em tempo real semelhantes às “contagens de pólen”.

Novas abordagens com Sonar

A tecnologia de acústica naval para a transmissão de som em todas as direções, porém detectando o som com uma grade de hidrofones, e transformar este sinal em uma imagem dos objetos nos oceanos, foi demonstrada com um sucesso espetacular nas águas costeiras. Imagens cobrindo milhares de km² revelaram a presença de cardumes enormes, contendo dezenas de milhares de peixes e se estendendo por vários quilômetros. Outros sistemas de sonar estão permitindo o mapeamento e a caracterização do leito do mar com uma precisão sem precedentes.

Etiquetas

Como parte do Censo da Vida Marinha Internacional (Census of Marine Life = CoML), aproximadamente 2.000 animais marinhos que viajam para o profundo mar aberto foram etiquetados pelo projeto TOPP (Tagging of Pacific Palagics), criando uma equipe de oceanógrafos animais que revelam locais importantes de biodiversidade, áreas de reprodução e rotas de migração que precisam ser protegidas e também descrevem o estado físico das áreas dos oceanos habitadas por esses animais.

As 22 espécies etiquetadas incluem elefantes marinhos, tubarões brancos, tartarugas de couro, lulas, albatrozes e uma espécie de procelária (para ver um vídeo das etiquetas em funcionamento: arquivo em formato .mpg).

Dados sobre luminosidade, profundidade, temperatura e salinidade capturados pelas etiquetas são transmitidos por satélite à medida em que as criaturas vão se deslocando. Os elefantes marinhos, por exemplo. levam 10 meses no mar e mergulham a profundidades de até 1,5 km abaixo da superfície.

Etiquetas acústicas, espalhadas por outro projeto do CoML, POST (Pacific Ocean Salmon Tracking), permite que os pesquisadores sigam os animais que permanecem nas rasas plataformas continentais, tais como o salmão e o esturjão, criando visualizações sobre suas migrações e sobrevivência onde e porque eles morrem – que sugerem melhores estratégias para pesca auto-sustentável. Mais de 12.000 etiquetas acústicas da POST foram distribuídas pela rede da POST, resultando em mais de 4 milhões de detcções dos movimentos e sobrevivência dos animais etiquetados.

O Cientista Chefe do CoML, Ron O’Dor, diz que se está buscando o aval e o apoio dos ministros em Cape Town para a Rede de Detecção Oceância, recentemente criada para expandir o uso dessas técnicas para um sistema contínuo de âmbito mundial.

Os experts do CoML também querem que os ministros da GEO endossem protocolos padrão para gerenciar um sistema de monitoração de biodiversidade de águas rasas, de baixo custo, que pode se tornar operacional em 5 anos, para lançar luzes sobre espécies invasivas, mudanças climáticas e outros assuntos dignos de nota.

Bóias ancoradas

Ao longo da região equatorial da Terra, aproximadamente 50 bóias ancoradas foram lançadas para medir a temperatura, as correntes, ondas e ventos, salinidade, dióxido de carbono, permitindo aos cientistas estudar os sinais e prever padrões meteorológicos destrutivos, tais como El Niño. Os cientistas dizem que são necessárias quatro vezes mais bóias para criar uma cobertura mais uniforme. Algumas áreas não têm sequer uma estação de coleta de dados.

Em um crescente número de lugares, enquanto isso, sensores de pressão espalhados próximos da costa e no fundo do mar ajudam a detectar tanto a elevação do nível do mar como tsunamis. A operação no alto mar envolve uma bóia de superfície para receber as informações do fundo e retransmití-la para as estações em terra via satélite. Havia seis dessas bóias Deep Ocean Assessment and Reporting of Tsunamis (DART), todas instaladas no Pacífico, na ocasião do terremoto e do devastador tsunami do Oceano Índico de dezembro de 2004. Logo foram anunciadas as instalações de mais 32 bóias DART, inclusive estações no Índico, Caribe e Oceano Atlântico.

Observatórios com cabos

Usando cabos com centenas de km de comprimento no fundo do mar, em profundidades de até 3 km, pontuadas com “nodos” de instrumentos, os cientistas podem acessar e controlar sensores científicos e veículos e câmeras de controle remoto.

A informação coletada vai melhorar a compreensão das florações de plânctons, migrações de peixes, mudanças nas condições dos oceanos, mudanças climáticas, erupções vulcânicas submarinas, terremotos e o processo que os causa, e vai auxiliar no alerta de aproximação de tsunamis.

Satélites

O sistema de observação do oceano sofre de grandes descontinuidades na cobertura de observação por satélites, que fornecem uma janela de grande altitude em características marinhas tais como os enrugamentos da superfície oceânica, temperatura, correntes, cobertura glacial e bancos de sargaços.

Benefícios sociais

Os oceanos estão absorvendo menos carbono e, assim, perdendo a capacidade de diminuir as mudanças climáticas? Estará o fluxo de águas profundas no Atlântico Norte vagarosamente freando atá o congelamento – a premissa do filme apocalíptico de Hollywood “O Dia Depois de Amanhã”? Os recifes estão sendo branqueados? Os cientistas visam um contínuo e integrado sistema de observação do oceano que pesquise e monitore rotineiramente as condições e ofereça prontos diagnósticos e oportunas previsões de problemas – informações práticas em benefício da humanidade de diversos modos:

Diminuir os danos de desastres naturais e mau tempo

Um a compreensão mais profunda do comportamento do oceano vai ajudar a sociedade a prever e se proteger melhor de tempestades catastróficas tais como furacões, tufões e tsunamis.

Melhores informações sobre o oceano vão melhorar a previsão do tempo e do clima em curto e longo prazo, reforçando assim a preparação para os desastres e mitigação de danos, assim como estratégias para colheitas agrícolas e marinhas. Bem como uma melhor observação do oceano vai melhorar a segurança do transporte marítimo – que transporta 90% das mercadorias internacionalmente comercializadas – com informações acuradas e a tempo sobre as condições oceânicas.

Saúde humana e bem estar

Entre os benefícios oferecidos por uma melhor observação dos oceanos: a medição das temperaturas da superfície dos mares pode prever a movimentação dos peixes de águas tradicionais, e até surtos de doenças associadas comágua mais quentes, enquanto a monitoração da eutroficação induzida pela poluição ajudará a predizer o crescimento de algas tóxicas.

Energia

Oa oceanos são uma fonte crescente de energia – petróleo e especialmente gás natural – na medida em que as operadoras procuram no leito do mar e em águas cada vez mais profundas, com instalações de muitos bilhões de dólares. "Fazendas de ventos" em alto mar também dependem de informação confiável e a tempo sobre as condições oceânicas. Uma melhor observação do oceano vai ajudar a coletar várias fontes de energia segura e eficientemente, com efeitos mínimos sobre o meio ambiente.

Clima e acidez dos mares

Um sistema de observação do oceano totalmente desenvolvido vai fornecer novas abordagens sobre como condições alteradas nos mares, inclusive águas mais quentes e acidificação dos mares, afetam o clima, o tempo e o papel do oceano como absorvedor de carbono. Os cientistas querem saber como águas mais quentes, por exemplo, têm impacto sobre as formas de vida microscópicas que consomem 50 gigatons de carbono por ano, mais ou menos o mesmo do que todas as plantas e árvores na terra.

Ecossitemas marinhos e biodiversidade

Uma maioria da vida na Terra come, nada, rasteja, luta e vive nos oceanos. As temperaturas das águas afetam onde as espécies vivem e viajam, assim como a distribuição de nutrientes, dos plânctons para cima na cadeia alimentar. Um sistema integrado de observação oceânica vai iluminar o impacto de mudanças nas condições do oceano e da poluição nos ecossistemas marinhos e costeiros e a distribuição, abundância e biodiversidade de organismos.

Chamada para a Ação

D. James Baker, antigo diretor da Administração Nacional Oceânica e Atosférica dos EUA, diz: “O excitante progresso até a presente data também mostra o tamanho da oportunidade restante. Nós temos uma quantidade pateticamente pequena de medições dos oceanos, com relação a sua importância sobre a vida na Terra e da extensão na qual dependemos dele para energia, clima, alimentação e recreação.”

De acordo com o oceanógrafo Sulafricano John Field, presidente do Scientific Committee of the Global Ocean Observing System: “Nas primeiras poucas décadas deste século nós podemos desenvolver um sistema de observação do oceano comparável em valor ao sistema que tanto apreciamos de meteorologia. Se no ano de 2020 a monitoração e previsão do oceano estiver tão desenvolvida, poderemos nos lembrar dessa reunião de Cúpula de Cape Town como quando os governos intensificaram suas adesões chaves.”

“O povo que vigia e se preocupa com cada mar que se una em apoio a um sistema de observação oceânica global mais aperfeiçoado e integrado,” diz o Prof. Howard Roe, Director Emeritus, National Oceanography Centre, Southampton, U.K. e antigo presidente da POGO Chair, que vai liderar a delegação da POGO em Cape Town.

Finalmente, nota Jesse Ausubel, diretor do programa CoML para a Fundação Alfred P. Sloan Foundation: "2012 será o centenário do afundamento do Titanic. Eu penso que o Capitão Smith ficaria desapontado com a continuação da hesitação em firmar nosso sistema de observação do oceano."

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15 novembro 2007

Um Oceano de Problemas


"Na terra onde o mar não bate,
não bate o meu coração.
O mar onde o céu flutua,
onde morre o Sol e a Lua,
e acaba o caminho do chão"

(Gilberto Gil, Beira Mar)

É, no mínimo, curioso que, tendo mais de 71% de sua superfície coberta por águas, este planeta seja chamado "Terra". E este "bairrismo" do ser humano vai mais longe.

Vai tão longe quanto o Sputnik 1, lançado para além da atmosfera em 04 de outubro de 1957, enquanto que o fundo da Fossa das Marianas só foi atingido pelo "Trieste" em 23 de janeiro de 1960...

O fascínio pelas estrelas é quase tão velho como a humanidade e seu estudo, como as mais antigas civilizações. Mas o mar - berço de toda a vida no planeta - continuou a ser um inimigo a ser conquistado. Os "anjos" habitavam o "céu", enquanto as profundezas marinhas eram a morada de "monstros". O "Gigante Adamastor" estava lá, à espreita, para destruir aquele que se atrevesse a cruzar sua superfície. E, se a vastidão das terras maravilhava os homens, a vastidão ainda maior dos oceanos o intimidava. Nos astros, a humanidade buscava indícios de seu futuro. Mas o mar era a sepultura dos destemidos e incautos. Para nós, macumbeiros, o Cemitério é a "Calunga Pequena", o mar é a "Calunga Grande"... Jeová, quando resolveu se livrar da humanidade que criou e que não lhe prestava as devidas homenagens, mandou que as águas cobrissem as terras...

Pois é...

Mapeamos os céus muito antes de conhecermos mais sobre as profundezas dos mares. Até mesmo "recuperamos" áreas de terra, não só dos pântanos e alagadiços, mas até do próprio mar. Dos mares, só se tirou... Tiraram os peixes, cetáceos e crustáceos. Nas últimas décadas, até o bendito petróleo conseguiram tirar do fundo dos mares. Minto!... Não "só se tirou"... Ao contrário: todos os dejetos e lixos que produzimos foram atirados às águas (afinal, os mares são grandes...)

E, como mariposas atraídas pela lâmpada, nos esforçamos em arte e engenho para desvendar os segredos do Cosmo... e esquecemos daquilo que estava do nosso lado, o tempo todo: o mar. Só agora os físicos aplicam seus modelos matemáticos (criados para explicar as curvaturas do espaço-tempo) para estudar as interações entre as correntes marinhas e o clima (no que afeta os continentes, é claro... quem se importa - além dos marinheiros - se chove ou neva nos mares?...)

Apenas agora é que esses habitantes de parte dos 29% restantes da superfície do planeta estão se dando conta de que aqueles 71% são bem mais importantes do que nossa vã filosofia percebia...

Se as condições climáticas mudarem - pouco importa se brusca ou paulatinamente - e esta espécie arrogante que chama a si mesma de "Sábia" for varrida da face da terra, junto com o restante da vida nesses 29% da superfície, a natureza voltará a povoar o planeta... a partir dos mares. Os registros fósseis estão aí para comprovar isso: vide "Oceanos Tóxicos?". E ainda há tempo suficiente: o Sol ainda vai continuar estável por tempo suficiente para que outra espécie evolua o suficiente para se adonar da Terra.

E, afinal?... Essas mudanças climáticas serão somente decorrentes das ações humanas ou serão um ciclo natural do planeta?... Que as emissões de poluentes estão agravando o problema, não há mais dúvida plausível. Corais branqueados, corais macios derretidos, níveis de acidez crescentes nas águas rasas, saturação da capacidade dos mares em absorver o CO2, concentrações de O3 na superfície, furacões e tufões cada vez mais freqüentes e devastadores... faltou alguma coisa?... sei lá!... Plantar árvores para "sequestrar CO2" é uma boa medida... Mas - e o CO2 nos mares?... 71% da superfície, lembram?... Não adianta coisa alguma tentar salvar as terras, se os mares estiverem mortos. E mortos não só pela absorção direta das emissões de poluentes atmosféricos, mas também pela poluição dos rios que vazam para os mares, com lixo, agrotóxicos, esgoto in natura e até com resíduos de transgênicos.

Qual terá sido o erro maior: interromper a conquista do espaço exterior (pelo menos teríamos para onde fugir) ou ignorar sistematicamente a maior parte da superfície do planeta?

Ah!... Tanto faz... Daqui a pouco o H5N1 arruma uma mutação que vai tornar isso tudo bem mais fácil de resolver...

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07 agosto 2006

Nova "Zona Morta"

O lixo que as superpotências lançam na atmosfera, está voltando para suas praias. Vejam este artigo do New York Times.

Reaparece uma "Zona Morta" ao largo da costa do Oregon

Por CORNELIA DEAN
Publicado em 6 de agosto de 2006

Pelo quinto ano em seguida, padrões incomuns de ventos ao largo da costa do Oregon produziram uma grande "Zona Morta", uma área com tão pouco oxigênio que os peixes e caranguejos sufocam. A zona ocupa uma área aproximadamente do tamanho de Rhode Island [nota do tradutor: o menor estado dos EUA, com uma superfície de 3.144 km²].

Esta zona morta é diferente daquelas no golfo do México e em outros lugares, resultantes do acúmulo de fertilizantes, esgotos e emissões de cirações de porcos e aves. A zona do Oregon aparece quando o vento gera fortes correntes que levam água rica em nutrientes, mas pobre em oxigênio, do mar profundo para a superfície próxima à costa,um processo chamado de ressurgência.

Os nutrientes estimulam o crescimento de plancton, o qual, eventualmente, morre e desce para o fundo do oceano. Bactérias consomem o plancton, usando oxigênio.

Jane Lubchenco, uma bióloga marinha da Oregon State University, diz que o fenômeno não parce ter ligação com os recorrentes El Niño ou La Niña, ou ciclos de longa duração dos movimentos oceânicos. Isso fez com que a Dra. Lubchenco imaginasse se a mudança climática poderia ser um fator, disse ela, acrescentando: «Não existe outra causa, em tanto quanto podemos determinar».

A zona morta, que aparece no fim da primavera e dura algumas semanas, quadruplicou de tamanho, desde que apareceu em 2002 e, neste ano, cobriu uma área quase tão grande quanto o Estado de Rhode Island, disse a Dra. Lubchenco. A zona se dissipa quando o vento muda.

Não se sabe ainda o efeito que a zona morta possa ter na futura pesca e captura de caranguejos, disse a Dra. Lubchenco. Até agora, disse ela, a zona morta não tem se formado antes que a estação de captura de caranguejos Dungeness [N.T: cancer magister] tenha quase acabado.

Hal Weeks, um ecologista marinho que dirige o Marine Habitat Project para o Departamento de Pesca e Vida Selvagem do Oregon, disse que a formação de áreas com pouca oxigenação, ou hopóxicas, até agora têm causado "disrupções localizadas" na pesca, mas nenhum declínio nas capturas e nenhuma interferência na pesca recreativa.

O Dr. Weeks disse que essas áreas podem ter ocorrido no passado e não terem sido percebidas. Mas ele acrescentou que, quando ele realizou uma reunião entre cientistas e pescadores, cerca de 18 meses atrás, para discutir a questão, os pescadores disseram não se lembrarem de problemas ocorrendo com uma tal regularidade.

«Com base nas lembranças das pessoas», disse o Dr. Weeks, «ele não tinham um padrão ou periodicidade para isso».

Ele e a Dra. Lubchenco disseram que os cientistas levarão um barco de pesquisas para o mar e, na terça-feira, baixarão um veículo-robô para fotografar o fundo do mar para verificar a mortalidade de peixes e caranguejos.

«Você, normalmente, não puxa para cima uma armadilha e acha quaisquer caranguejos mortos nela», disse a Dra. Lubchenco. «E todos os caçadores de caranguejos com quem falei, mencionaram caranguejos mortos».

O Dr. Weeks disse esperar que o cruzeiro de pesquisa ajude a explicar o que está acontecendo. «Eu deveria dar a melhor acessoria técnica a meus superiores», disse ele, «e receio que, agora mesmo, eu não tenha as respostas para eles».

Em 2002, quando a zona morta apareceu pela primeira vez, disse a Dra. Lubchenco, ela e outros pesquisadores deram pouca atenção ao que pensaram ser uma anomalia interessante. «Mas, agora, cinco anos em seguida, nós estamos começando a pensar que houve alguma mudança fundamental nas condições do oceano ao largo da Costa Oeste», disse ela, provavelemente por causa das mudançaas nas "correntes de jato" causadas pelo aquecimento global.


Enquanto isso, ainda há gente (e gente de nomeada) que acha que o "Protocolo de Kioto" é junk science e apoia o indizível presidente arbusto em seus delírios de pascácio ganancioso...