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09 agosto 2008

Resolvido o problema de armazenagem da energia solar?

Notícia veiculada pelo EurekAlert (que quase me passou despercebida), de uma pesquisa promissora do MIT.

Massachusetts Institute of Technology

“Importante descoberta” do MIT promete desencadear uma revolução solar

  • Cientistas imitam a essência do sistema de armazenagem de energia das plantas
  • CAMBRIDGE, Mass. — Em um salto revolucionário que pode transformar a energia solar de uma fonte de energia marginal, de butique, em uma fonte principal de energia, os pesquisadores do MIT superaram uma das principais barreiras no uso em larga escala da energia solar: a armazenagem da energia para utilização quando o Sol não estiver brilhando.

    Até agora, a energia solar era uma fonte apenas diurna, porque armazenar a energia solar excedente para uso posterior era proibitivamente caro e grosseiramente ineficiente. Com o que foi anunciado hoje [31/07], os pesquisadores do MIT acertaram em um processo simples, barato e altamente eficiente para armazenar a enegia solar.

    Necessitando de nada mais do que materiais naturais, não-tóxicos e abundantes, esta descoberta pode ser a chave para a mais potente e livre de carbono fonte de energia de todas: o Sol. “Este é o nirvana do qual vínhamos falando por anos”, disse Daniel Nocera, o Henry Dreyfus Professor of Energy do MIT e principal autor do artigo que descreve o trabalho na edição de 31 de julho da Science. “ A energia solar sempre foi uma solução limitada, remota. Agora podemos pensar seriamente na energia solar como ilimitada e para breve”.

    Inspirados pela fotossíntese realizada pelas plantas, Nocera e Matthew Kanan, um colega pós-doutorado no laboratório de Nocera, desenvolveram um processo sem precedentes que permite que a energia solar seja usada para dividir a água em hidrogênio e oxigênio gasosos. Posteriormente, o oxigênio e o hidrogênio podem ser recombinados dentro de uma célula de combustível, criando eletricidade (livre de carbono) para alimentar sua casa ou seu carro elétrico, de dia ou de noite.

    O componente chave do processo de Nocera e Kanan é um novo catalizador que produz oxigênio gasoso a partir da água; outro catalizador produz o valioso hidrogênio gasoso. O novo catalizador consiste de cobalto metálico, fosfato e um eletrodo, imerso em água. Quando a eletricidade – produzida por uma célula fotovoltáica, uma turbina eólica ou qualquer outra fonte – atravessa o eletrodo, o cobalto e o fosfato formam uma fina película no eletrodo e se produz oxigênio gasoso.

    Combinado com outro catalizador, tal como a platina, que pode produzir hidrogênio gasoso a partir da água, o sistema pode produzir a reação de divisão da água que ocorre durante a fotossíntese.

    O novo catalizador funciona à temperatura ambiente, em água com pH neutro e é bem fácil de preparar, diz Nocera. “Por isso sabemos que vai funcionar. Porque é tão fácil de implementar”, declarou ele.

    UM “SALTO GIGANTESCO”

    A luz solar tem o maior potencial de todas as fontes de energia para resolver os problemas de energia do mundo, argumentou Nocera. Em uma hora, a luz solar que atinge a Terra é suficiente para prover a energia necessária para um ano.

    James Barber, um dos principais estudiosos da fotossíntese, que não esteve envolvido nesta pesquisa, chamou a a descoberta de Nocera e Kanan de “um salto gigantesco” para a geração de energia limpa, livre de carbono, em larga escala.

    “Esta é uma importante descoberta com enormes implicações para a prosperidade futura da humanidade”, afirmou Barber, o Professor “Ernst Chain” de Bioquímica no Imperial College de Londres. “A importância da descoberta deles não pode ser superestimada, uma vez que ela abre as portas para o desenvolvimento de novas tecnologias para a produção de energia, reduzindo, assim, nossa dependência de combustíveis fósseis e contribui para a solução do problema das mudanças climáticas globais”.

    “SOMENTE O COMEÇO”

    Os eletrolisadores atualmente disponíveis, que separam a água com eletricidade e são de uso freqüente na indústria, não são adequados para a fotossíntese artificial, porque eles são muito caros e requerem um ambiente extremamente básico [N.T: em oposição a "ácido"] que não é benigno e que tem muito pouco a ver com as condições em que se processa a fotossíntese.

    Mais trabalho de engenharia precisa ser realizado para integrar esta nova descoberta científica nos sistemas fotovoltaicos existentes, porém Nocera disse estar confiante em que tais sistemas se tornarão uma realidade.

    “Isto é apenas o começo”", declarou Nocera, o principal investigador do Solar Revolution Project (Projeto Revolução Solar), patrocinado pela Chesonis Family Foundation, e co-Diretor do Eni-MIT Solar Frontiers Center. “A comunidade científica vai realmente correr atrás disso”.

    Nocera espera que, dentro de dez anos, as pessoas possam energizar suas casas durante a luz do dia com células fotovoltaicas, ao mesmo tempo que usam a energia solar excedente para produzir hidrogênio e oxigênio para energizar suas próprias células combustíveis domésticas. A energia elétrica distribuída por fios a partir de uma fonte central pode ser uma coisa do passado.

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    O projeto é parte da MIT Energy Initiative, um programa projetado para ajudar a transformar o sistema global de produção de energia para atender as demandas do futuro e ajudar a construir uma ponte para esse futuro por meio da melhoria dos atuais sistemas de produção de energia. O diretor do MITEI, Ernest Moniz, Professor Cecil and Ida Green de Física e Sistema de Engenharia, observou que “esta descoberta no laboratório de Nocera demonstra que os melhoramentos necessários para a transformação de nosso sistema de produção de energia para um com base em recursos renováveis, vai depender grandemente de pesquisa científica básica de ponta”.

    O sucesso do laboratório de Nocera demonstra o impacto de uma mistura de fundos de financiamento – governos, filantropia e indústria. Este projeto foi financiado pela National Science Foundation e pela Chesonis Family Foundation, que doou ao MIT US$10 milhões no início do ano para lançar o Solar Revolution Project, com a meta de possibilitar a disseminação em larga escala de energia solar, dentro de dez anos.


    Nota para os fãs de sci-fi: Robert A. Heinlein sugeria a existência de coisa parecida no seu romance Friday. A exemplo dos braços mecânicos articulados que são popularmente conhecidos como Waldos, poderiam chamar essas células combustíveis de Shipstones...



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    08 agosto 2008

    Na Inglaterra, ser "verde", não é mais "fashion"

    Notícia do The Times de ontem, revela que, nos atuais tempos “bicudos”, ser “verde” está fora de moda. Suddenly being green is not cool any more (De repente, ser verde não é mais bacana), é o título do artigo de Alice Thomson. O subtítulo é um pouco menos sombrio: À medida em que as restrições de crédito mordem o bolso, as políticas ambientais vão sendo atiradas à sarjeta. Porém, estranhamente, estamos nos saindo melhor para salvar o planeta.

    Em resumo, o velho debate entre os que defendem “vamos gastar um pouco mais, mas ter uma comida menos tóxica e agredir menos o meio ambiente” e os tradicionalistas que argumentam que isso não passa de “frescura de alta classe média”, está sendo ganho pelos últimos, não porque tenham demonstrado que têm razão, ou, pelo menos, tenham demonstrado que a preocupação com o meio ambiente é baseada em exageros. O problema está no bolso do cidadão (sempre a parte mais sensível de sua anatomia...)

    A um ano atrás, pesquisas mostravam que 15% dos entrevistados colocavam a conservação do meio ambiente entre suas principais preocupações. No mês passado, esse número caiu para 10%.

    De acordo com Andrew Cooper, diretor da firma de pesquisa Populus: “Existe uma correlação direta entre como as pessoas percebem a situação econômica e a importância que dão ao meio ambiente. Quando os tempos estão duros, as pessoas se importam em pagar mais para apaziguar suas consciências.” Isto significa que menos pessoas estão comprando comidas “orgânicas”, quando podem pagar mais barato pela comum. E, com todos os preços dos alimentos subindo, o mercado para alimentos “orgânicos” está sofrendo, também, com as restrições de crédito. A demanda por esses produtos, que tinha crescido 70% de 2002 a 2007, agora está estagnada, de acordo com a consultoria Organic Monitor.


    Até nos discursos dos políticos a conservação do meio ambiente está perdendo espaço. Quando a bicicleta do líder do Partido Conservador, David Cameron, foi roubada, o noticiário e os comentários não foram acerca de como ele era “verde” em usar uma bicicleta para ir ao trabalho; a ênfase foi posta no fato de que a sociedade britânica anda tão degenerada que não respeita nem a bicicleta de um VIP.

    Gordon Brown também parou de discursar sobre seus painéis solares e do compostador na Escócia, e está tentando se dissociar das taxas municipais de lixo - muito embora essas tenham sido resultantes de planos do governo central para criar taxas para aterros sanitários


    Os políticos não estão mais falando em multas para quem não fizer coleta seletiva de lixo para reciclagem; ao contrário, estão falando de incentivos fiscais para quem aderir.

    E não é só o aperto econômico que está mudando a opinião das pessoas. Muitos estão cansados de “causas verdes” que acabam causando mais inconveniências do que benefícios. As pessoas não querem um monte de geradores eólicos ao longo das paisagens da Inglaterra, quando as usinas nucleares podem fazer mais pela redução da emissão de gases de efeito estufa [Nota remissiva: o Caio de Gaia já mencionou, neste post, que esses monstrengos eólicos não são as maravilhas que se costuma dizer]. Da mesma forma, os recentes efeitos sobre os preços dos alimentos causados pela onda de produção de biocombustíveis, não ajudaram muito. E sempre existe a questão dos impostos embutidos para financiar a conservação do meio ambiente: na verdade, estão estudando uma redução nos impostos sobre combustíveis a base de petróleo, cujo preço está afetando, principalmente, o preço das passagens aéreas.

    Paradoxalmente, aponta a articulista, os britânicos estão adotando comportamentos que beneficiam o meio ambiente. Menos gente está comprando novos eletrodomésticos da “linha branca”. Menos comida tem sido jogada fora. As vendas de água mineral engarrafada cairam. As pessoas estão economizando, fazendo mini-hortas em seus quintais, estão deixando o aquecimento central desligado por mais alguns meses e dispensando um segundo carro para a família, em lugar de comprar um veículo elétrico. E, em lugar de “compensar a emissão de CO2” de suas viagens de férias, simplesmente não estão viajando.

    E o artigo termina com a seguinte afirmação: “É a crise econômica que tornou a moda verde não-atraente - mas ela pode acabar se mostrando mais eficaz do que qualquer outra coisa para salvar o planeta”.



    07 agosto 2008

    Macaco, olha seu rabo!...

    Uma notícia do Le Figaro me chamou a atenção: "Metade das espécies de primatas correm grave perigo" (veja aqui o original em francês). E a causa?... Outra espécie de primata (uma que chama a si própria de Sapiens...) Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza, 48% das espécies estão ameaçadas de extinção em um prazo que vai de médio a curto.

    Um estudo que reuniu dados coletados por diversos cientistas, divulgado no 22° Congresso da Sociedade Internacional de Primatologia (realizada em Edimburgo, Escócia), com dados de recenseamento coletados desde 1966, mostra que, das 634 espécies estudadas, 303 estão na “Lista Vermelha”: 15% classificadas como “vulneráveis”, 22% “em perigo” e 11% “em grave perigo de extinção”.

    Diversas ações humanas põem nossos “primos” em perigo: a destruição de seus habitats (por incêndios, desmatamento e ampliação das áreas urbanas) e, por incrível que pareça, a caça. Não só se come os macacos, como ainda servem como animais “domésticos” e como fonte de “medicamentos” na medicina tradicional do Oriente (notadamente a chinesa).

    A situação é mais grave na Ásia, onde 71% das espécies estão na “lista vermelha”. Cinco países apresentam situações tidas como catastróficas: 90% das espécies do Cambodja, 86% no Vietnam, 84% na Indonésia, 83% no Laos e 79% na China.

    Pelas mesmas causas, o México e a Guatemala aparecem a seguir (67% das espécies na “lista vermelha”). As Américas, em geral, têm uma média de 40% de espécies ameaçadas.

    Até na África a coisa não vai bem... 37% das espécies (chimpanzés, bonobos, colobos...) estão nos “grupos de risco”, dos quais 43% em Madagascar, o santuário dos lêmures...

    Mas existem boas notícias, também... Desde 2000, os primatologistas descobriram 53 espécies de primatas, até então desconhecidas, principalmente em Madagascar. A descoberta de uma grande população de gorilas (cerca de 125.000) em regiões remotas do Congo, foi relatada por pesquisadores americanos. E uma para nos diminuir o “complexo de inferioridade tupiniquim”: o mico leão preto (Leontopithecus chrysopygus) do Brasil, está se recuperando, graças aos esforços de nossos conservacionistas.



    02 agosto 2008

    Petróleo extraído de algas

    “Petróleo extraído de Algas”, uma promessa de um combustível “climate friendly”

    Por Alok Jha, correspondente de tecnologias “verdes”
    Quinta-feira, 31 de julho de 2008

    Green crude

    Um novo começo... o website da companhia Sapphire Energy faz promoção do “petróleo-verde” feito de algas


    Um combustível líquido feito de plantas que é quimicamente idêntico ao petróleo cru, mas que não contribui para as alterações climáticas quando é queimado, ou, diferentemente dos outros bio-combustíveis, não precisa de terras agricultáveis para ser produzido, parece ser bom demais para ser verdade. Porém uma compahia em San Diego afirma que produziu exatamente isto — uma versão sustentável de petróleo que ela chama de “green crude” (literalmente “cru verde”).

    A Sapphire Energy utiliza organismos unicelulares, tais como algas, para produzir uma mistura química da qual é possível extrair combustíveis para carros ou aviões. Quando é queimado, o combustível libera na atmosfera apenas o dióxido de carbono absorvido pelas algas durante seu crescimento, o que torna o processo inteiro neutro em termos de Carbono.

    Grandes investidores já estão abrindo seus talões de cheques: a Sapphire já levantou um total de US$50 milhões em capital de risco nas últimas semanas, a maior quantia já levantada por uma companhia de biotecnologia de algas, inclusive um significativo investimento do Wellcome Trust da Grã-Bretanha.

    Algas são vistas por muitos experts como uma fonte promissora de combustível verde no futuro: variando de organismos unicelulares até grandes plantas marinhas, elas são a forma de vida vegetal mais abundante do mundo e, através da fotossíntese, elas são extremamente eficientes no uso da energia solar e do dióxido de carbono do ar para fazer materiais orgânicos tais como açúcares, proteínas e, sob as novas condições, petróleo.

    Yusuf Chisti da Universidade Massey na Nova Zelândia estima que as algas possam produzir quase 100.000 litros de biodiesel por ano por hectare de terra, comparados aos 6.000 litros por hectare do óleo de palmeira, atualmente o biocombustível mais produtivo.

    O dinheiro para a Sapphire começou a chegar em avalanches depois que a companhia atingiu sua mais significativa marca até agora, refinar gasolina de alta octanagem a partir de seu “green crude”. “A gasolina resultante é completamente compatível com a atual infraestrutura, o que significa que não serão necessárias quaisquer modificações nos automóveis dos consumidores”, declarou um porta-voz da Sapphire.

    Uma vantagem adicional é que a gasolina deles não tem contaminantes tais como enxofre, nitrogênio e benzeno, contidos no petróleo cru comum, e a companhia acredita que o custo de seus combustíveis será comparável ao dos combustíveis fósseis vendidos no mercado.

    Muitas companhias de biotecnologia por todo o mundo estão trabalhando no uso de algas para produzir etanol ou biodiesel que possa substituir os tradicionais combustíveis usados nos transportes, enquanto se evita os problemas causados pelos biocombustíveis tirados da agricultura, tais como a diminuição da área para o plantio de alimentos. Um porta-voz da Sapphire declarou que, com o uso de algas, não existiria a necessidade de usar o valioso terreno agricultável para o crescimento do insumo básico. “De fato, o processo utiliza área não arável e água não-potável, e produz de 10 a 100 vezes mais energia por hectare do que os biocombustíveis agrícolas”.

    O que diferencia a Sapphire de outras companhias que pesquisam algas, é que ela não almeja produzir biocombustíveis normais, tais como etanol ou biodiesel. Em lugar disto, eles se inspiram na maneira como o petróleo cru foi criado em primeiro lugar, milhões de anos atrás.

    “Naquela época, quando as algas eram responsáveis pela criação de hidrocarbonetos de cadeias longas, tais como o diesel e as frações mais pesadas, a biomassa simplesmente ficou enterrada e foi comprimida na forma de petróleo cru”, diz Steven Skill, um pesquisador sobre o emprego de algas na fabricação de substâncias químicas orgânicas no Plymouth Marine Laboratory e que está familiarizado com o trabalho da Sapphire. “Algas sintetizam esses hidrocarbonetos de cadeias longas dentro das células”.

    A Sapphire não revela detalhes dos tipos de algas que está empregando, porém Skill acha que ela provavelmente está usando cianobactérias geneticamente modificadas, que costumam ser chamadas de algas azuis. Esses organismos podem crescer rapidamente (algumas eflorescências podem dobrar sua massa em apenas uma hora), funcionar em altas temperaturas e algumas cepas podem até fixar o nitrogênio do ar para criar seus próprios fertilizantes.

    “A Sapphire declara que pode desenvolver o que ela quiser na cepa de algas com a qual está trabalhando agora”, declara Skill. O novo passo, diz ele, depende do desenvolvimento dos sistemas de engenharia e cultivo, para fazer as algas crescerem em escala economicamente viável.

    Produção Comercial

    John Loughhead, diretor executivo do Centro de Pesquisa de Energia da Grã-Bretanha declarou que a pesquisa com algas é uma parte crucial do trabalho no desenvolvimento de fontes de energia verdes no futuro. “Eu diria que é uma idéia muito sensata, mas a questão é: eles são capazes de fazer qualquer coisa prática de maneira eficiente? A questão chave é com qual eficiência esse processo funciona”.

    Ele aduziu: “Eles também têm o principal problema quando se lida com as fontes renováveis clássicas: o fato de que você está lidando com a fonte básica de energia, o Sol, que é bastante difusa, de forma que o máximo que se obtém é em torno de 0,5 KW por metro quadrado. Serão necessárias grandes, vastas áreas de cultivo”.

    Algas podem ser facilmente cultivadas em cisternas abertas, mas isto resultaria em eflorescências de densidade muito baixa e, portanto, uma maneira ineficiente para produzir grandes quantidades de combustível. Skill declarou que a Sapphire precisa melhorias na tecnologia chamada foto-bio-reatores para cobrir a distância até a produção em escala comercial.

    Foto-bio-reatores são vasos fechados que fornecem muita luz e condições cuidadosamente ajustadas para o crescimento intensivo de microorganismos. Várias equipes, por todo o mundo, estão testando projetos para cultivar algas, mas, até agora, nenhuma conseguiu um resultado comercializável.

    Igualmente crucial para tornar o “green crude” comercialmente viável é o uso dos resíduos de produção além do petróleo extraído das algas. “Provavelmente se pode transformar 40% do peso das algas em petróleo e se fica com 60% de outras substâncias, e aí há muitos componentes valiosos em termos de substâncias químicas alimentícias”.

    Esses ingredientes extra, que incluem gorduras, açúcares e proteínas, podem ser usados para rações animais ou mesmo como substitutos para outros produtos derivados de petróleo, usados em tudo, desde cosméticos, até plásticos.

    A Sapphire declarou que espera entrar em produção comercial de “green crude” dentro de três a cinco anos. Geoffrey Love, encarregado do capital de risco no Wellcome Trust, declarou que o investimento foi feito com isto em mente. “Já existia uma forte equipe de ciências e gerenciamento”,

    “Eles já estabeleceram marcas de progresso ao provar que podem fazer não apenas biodiesel, o que muitas outras companhias por aí podem fazer, mas (também) o próprio petróleo cru”.

    Ele acrescentou que o Fundo Caritativo Biomédico realizou suas próprias diligências científicas, antes de fazer o investimento, e que o apoio de outro grupo de invetimento, como o qual o Trust já trabalhou freqüentemente, o Arch Ventures, ajudou em sua própria decisão.

    Doug Parr, cientista chefe do Greenpeace-UK, declarou: “Nós precisamos encontrar urgentemente maneiras de mandar a economia baseada em combustíveis fósseis para a história. As algas são promissoras, mas para para saber exatamente o que essa tecnologia pode oferecer, nós precisaríamos de muito mais informações a nossa disposição. O requisito crucial é que o produto final possa ser fornecido em grandes quantidades e de maneira sustentável, senão estaremos saltando do fogo para a frigideira ”.



    guardian.co.uk © Guardian News and Media Limited 2008

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    Pronto, Maria Guimarães e Carlos Hotta... Eu não aguentei e traduzi... (Agradeço as correções que se fizerem necessárias)

    01 agosto 2008

    Mais um pouquinho sobre "Bad Science Blogging"

    Uma reportagem do The Guardian de hoje, 1 de agosto, fala da fome na Etiópia. Lá está acontecendo o nosso velho conhecido fenômeno da "seca verde": as chuvas chegaram tarde demais...

    Um dado particularmente sinistro é:

    O World Food Programme (WFP) calculou que o preço do milho, na Etiópia, aumentou 100% e o trigo, 40% desde o fim do ano passado, e os preços tendem a subir mais ainda.


    Junte isto com a constatação nos Editoriais do New York Times, também de hoje, sob o título "Colheitando dinheiro em um Mundo Faminto, de que:

    Mais de um quinto da safra americana de milho está, agora, destinada ao etanol. Para encurtar a história: a era da comida barata, tal como a era da gasolina barata, pode estar quase no fim.


    E, aí, você percebe todo o cinismo arrogante por trás da afirmativa: "pode deixar o ar condicionado ligado..."

    Claro que pode! Seu "rastro de carbono" não aumenta grande coisa... e se meia dúzia de etíopes morrem de fome para encher o tanque de sua SUV, melhor ainda: menos impostos para o governo americano para financiar a alimentação dessa "gentalha"...

    E esta pústula do Tierney ainda posa como "jornalista de ciências"... E o pior: tem gente que vai ler essas "pérolas" e vai acreditar... Afinal, "deu no New York Times"...


    Mas, hem?...

    Notícia da BBC-Brasil: Pescadores japoneses fazem campanha para proteger os atuns.

    Muito bem!... (Mas como é que ficam mesmo as baleias e os tubarões?...)

    31 julho 2008

    O que a EPA REALMENTE DIZ!...

    Questões Acerca de Sua Comunidade: Sacos para compras: Papel, Plástico, ou...?

    Você sabia que sacolas plásticas para compras consumem, em sua fabricação 40% a menos de energia e geram 80% menos lixo sólido do que sacolas de papel? Você sabia que as sacolas de plástico podem levar 1.000 anos para se decompor, enquanto que as sacolas de papel levam cerca de um mês? O debate acerca do que é melhor para o meio ambiente, sacolas de papel ou de plástico, tem uma longa história e é freqüentemente reaceso cada vez que vamos a um mercado e ouvimos a pergunta familiar [nota do tradutor: "familiar" para os americanos, talvez...]: Papel ou plástico? Muitos de nós não conseguimos resolver esta questão, mas existe uma alternativa — leia abaixo:

    Parece haver prós e contras em ambos os lados do debate. Para as sacolas de papel, o ciclo de vida consiste dos seguintes estágios: corte da madeira, transformação em polpa, daí em papel, manufatura da sacola, uso do produto e tratamento do lixo. Para as sacolas plásticas (de Polietileno), os passos são: extração do petróleo ou gás natural, manufatura do etileno, polimerização do etileno, manufatura da sacola, uso do produto e tratamento do lixo. Em todos esses passos, há um gasto de energia e geração de lixo.

    Alguns outros fatos acerca desses dois produtos podem nos auxiliar a responder a esta questão antiga:

    • As sacolas plásticas foram introduzidas em 1977 e, atualmente, são quatro em cada cinco das sacolas usadas nos mercados [nota do tradutor: lá nos EUA].

    • Sacolas de papel geram 70% mais poluentes do ar e 50 vezes mais poluentes de água do que as sacolas de plástico.

    • Sacolas de papel são feitas a partir de madeira (árvores) que são um recurso renovável. A maior parte das sacolas de plástico é feita de polietileno, que é feito de petróleo crú e gás natural, recursos não renováveis.

    • 2000 sacolas de plástico pesam 30 libras, 2000 sacolas de plástico pesam 280 libras. As primeiras ocupam um espaço bem maior nos aterros sanitários.

    • É necessário 91% menos energia para reciclar uma libra de plástico do que uma libra de papel. Gasta-se quatro vezes mais energia para manufaturar uma sacola de papel do que uma sacola de plástico. A energia (em BTUs): Sacolas plásticas: 594 BTU; Sacolas de papel: 2511 BTU.

    • Papel é aceito na maior parte dos programas de reciclagem, enquanto que a taxa de reciclagem de plésticos é muito baixa. Pesquisas feitas em 2000 mostram que 20% dos sacos de papel eram reciclados, enquanto que apenas 1% das sacolas de plástico eram recicladas.

    • Pesquisas correntes mostram que o papel, nos atuais aterros sanitários, não se decompõe ou dissolve de maneira muito mais rápida do que o plástico. Na verdade, nada se decompõe totalmente nos atuais aterros sanitários, devido à falta de água, luz, oxigênio e outros elementos importantes necessários para o processo de decomposição se completar.

    • A incineração pode diminuir a quantidade de sacolas de papel e plástico. Entretanto, a incineração causa poluição do ar e cria cinzas que têm que ser jogadas em aterros sanitários.

    Então, qual é a melhor solução: papel ou plástico? NENHUM DOS DOIS! Procure adquirir sacolas reutilizáveis ou reutilizar suas sacolas de papel ou plástico no mercado. Reutilizar uma sacola, por uma vez só que seja, tem um grande impacto. Uma sacola resistente, reutilizável, que possa ser usada até 11 vezes, terá um impacto ambiental menor do que 11 sacolas de plásticos descartável.

    • Somente na Cidade de Nova York, menos uma sacola de compras por pessoa por ano, reduziria cinco milhões de libras de lixo e reduziria os custos em US$250.000 em tratamento de lixo.

    • Quando uma tonelada de sacolas de papel é reutilizada ou reciclada, se economiza três metros cúbicos de espaço em aterro sanitário e se salva a vida de 13 a 17 árvores! Em 1997, 955.000 toneladas de sacolas de papel foram usadas nos Estados Unidos.

    • Quando uma tonelada de sacolas de plástico é reutilizada ou reciclada, a energia equivalente a 11 barrís de petróleo é economizada.

    Muitos mercados [nota do tradutor: nos EUA...] vendem, agora, resistentes bolsas de pano para compras. Alguns desses mercados até dão descontos (por exemplo, cinco cents por sacola) se você trouxer suas própria sacola. Portanto, guarde uma pilha de sacolas reutilizáveis em sua dispensa, ou, se você costuma ir de carro ao mercado, simplesmente guarde-as na mala do carro.



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    Agora, comparem com o "não se preocupe" do artigo anterior e vejam se não é canalhice pura e simples afirmar que "não faz diferença"...

    29 julho 2008

    Bad science blogging!....

    Não... Eu não estou falando da coluna semanal do Ben Goldacre no The Guardian... Eu estou falando das colunas do New York Times, especialmente de uma pletora de asneiras publicadas por John Tierney, na edição de hoje (29/07) sob o título "Dez coisas para você riscar de sua lista de preocupações" ("Ten things to Scratch From your worry list").

    Entre as "pérolas", eu destaco duas que são de um cinismo e uma falta de "semancol" impressionantes:

    2. O ar-condicionado "matador do planeta" de seu carro. Não importa o quanto você esteja preocupado com o seu rastro-de-carbono, você não tem que derreter de suar na rodovia para a praia. Depois de realizar testes [de consumo] a 65 mph, os "experts" da "edmunds.com" relatam que o arrasto aerodinâmico causado por dirigir com as janelas abertas cancela toda a economia de combustível que você faz, desligando seu ar-condicionado.

    (...)

    5. As sacolas plásticas do mal. Acreditem na Agência de Proteção do Meio Ambiente (EPA): sacolas de papel não são melhores para o meio ambiente do que sacolas de plástico. Se mostra qualquer coisa, os indícios sobre o ciclo de vida favorecem as sacolas de plástico. Elas requerem muito menos energia - e emissões de gases de efeito-estufa - para serem manufaturadas, distribuídas e recicladas. Elas geram menos poluição do ar e das águas. E ocupam menos espaço em aterros sanitários.


    Brilhante, não é?...

    O primeiro problema não são os "pantagruéis-da-goela-seca", conhecidos como SUV ("Sports Utility Vehicles"), tão queridinhos dos americanos... É o ar-condicionado... Numa porcaria de veículo que faz menos de dez km/litro (e o estudo foi feito em uma média de velocidade de cerca de 100 km/h - não em um engarrafamento daqueles onde o motor funciona somente para manter o ar-condicionado ligado), fingir que o "vilão" é o ar-condicionado só pode ser mau-caratismo...

    E, no segundo caso, para começo de conversa eu duvi-de-ó-dó dos dados da EPA. (Não seria a primeira vez que uma Agência Reguladora americana mentiria descaradamente, neste governo de mentirosos que está no poder nos EUA...). Ainda mais quando o dado se baseia no "ciclo de vida" de uma bendita sacola... O papel é uma solução porca, mas, pelo menos, é muito mais biodegradável do que o plástico. A "reciclagem" mencionada insinua que todas as benditas sacolas (sejam de papel ou plástico) são recicladas... Estão querendo tampar o Sol com uma peneira furada... E o que realmente quer dizer "ocupam menos lugar nos aterros sanitários"?... Eu realmente gostaria de poder analisar detalhadamente esta "pesquisa" da EPA, porque simplesmente não consigo acreditar em uma única palavra do que o Tierney diz que eles dizem...

    E um canalha desses ganha muitos milhares de dólares para escrever essas sandices em um dos jornais mais prestigiosos do mundo!...

    Resta saber de quem...


    27 julho 2008

    Pantanal e outras áreas úmidas

    Quando o assunto é preservação ambiental, geralmente todos pensam imediatamente na Amazônia. E se esquecem de outra área tão ou mais importante: o Pantanal.

    Nesta sexta feira, 25 de julho, encerrou-se a 8ª INTECOL, Conferência Internacional de Áreas Úmidas, realizada em Cuiabá, sob os auspícios da UFMT e do Centro de Pesquisa do Pantanal. Uma das preocupações dos 28 países participantes é o avanço das fronteiras agrícolas sobre áreas úmidas que vão desde o Pantanal aos manguezais e deltas de rios.

    O evento mereceu destaque no EurekAlert, na notícia "Rising energy, food prices major threats to wetlands as farmers eye new areas for crops" ("Crescentes preços de energia e alimentos são grandes ameaças para as áreas alagadas, na medida em que os agricultores procuram novas áreas de plantio").

    Desta 8ª INTECOL saiu a "Carta de Cuiabá", que é um documento digno de nota.

    Eu que vivi por cinco anos na área do Pantanal (quando servi na Base Fluvial de Ladário, MS) conheço razoavelmente bem a região e sei o quanto ela já sofreu apenas com uma pecuária rudimentar (a atividade, assim chamada, "plantar boi"...) e a caça e pesca desregulamentadas. Na hora em que o tão decantado "agronegócio" resolver avançar sobre a região (como os americanos fizeram com os "Everglades" da Flórida), vai ser mais uma catástrofe ambiental.

    E não dá para confiar muito em um governo (federal) que acha que uma termoelétrica a carvão não vai produzir grandes problemas ambientais (vejam esta matéria do Ciência e Idéias). Muito menos em tipos como o Governador Blairo Maggi...

    Começo a achar que a Isis tem razão quando diz que Desenvolvimento sustentável não existe...

    30 abril 2008

    O cobertor ecológico é curto...

    Via EurekAlert, uma notícia que remete àquela onde se constata que a água potável contém traços de antibióticos e outras poluições:

    University of Missouri-Columbia

    Tecnologia demais pode estar matando bactérias benéficas

    Engenheiro da UM preocupado com o impacto ambiental de nanopartículas de Prata no tratamento de águas servidas

    COLUMBIA, Mo. – Um excesso de uma coisa boa pode ser prejudicial ao meio-ambiente. Por muitos anos, os cientistas souberam da capacidade da Prata de matar bactérias prejudiciais e, recentemente, usaram este conhecimento para criar produtos de consumo que contém nanopartículas de Prata. Agora, um pesquisador da Universidade do Missouri descobriu que as nanopartículas de Prata também podem destruir bactérias benignas que são usadas para remover Amônia em sistemas de tratamento de águas servidas. O estudo foi patrocinado por recursos da National Science Foundation.

    Diversos produtos contendo nanopatículas de Prata já estão no mercado, inclusive meias que contém nanopartículas de Prata projetadas para inibir bactérias causadoras de chulé, e máquinas de lavar "high-tech", economizadoras de energia, que desinfetam roupas gerando as pequenas partículas. Os efeitos positivos desta tecnologia podem ser ofuscados pelos potenciais efeitos negativos no meio-ambiente.

    “Por causa do crescente uso de nanopartículas de Prata em produtos para o consumidor, o risco de que este material seja lançado em canalizações de esgotos, instalações de tratamento de águas servidas e, eventualmente, chegue a rios, correntes e lagos é preocupante”, declarou Zhiqiang Hu, professor assistente de Engenharia Civil e Ambiental na Faculdade de Engenharia da UM. “Nós descobrimos que as nanopartículas de Prata são extremamente tóxicas. As nanopartículas destroem as bactérias benignas que são usadas para o tratamento de águas servidas. Elas basicamente param a atividade de reprodução das boas bactérias”.

    Hu disse que as nanopartículas de Prata geram substâncias químicas mais peculiares, conhecidas como espécies de Oxigênio altamente reativas, do que pedaços de Prata maiores. Essas espécies de substâncias químicas oxigenadas provavelmente impedem o crescimento das bactérias. Por exemplo, o uso de "lodo" resultante do tratamento de águas servidas como fertilizante de solos é uma prática comum, de acordo com Hu. Se, neste "lodo", estiverem presentes altas concentrações de nanopartículas de Prata, o solo usado para agricultura pode ser prejudicado.

    Hu está lançando um segundo estudo para estabelecer a que níveis a presença de nanopartículas de Prata se torna tóxica. Ele vai determinar o quanto as nanopartículas de Prata afetam o tratamento de águas servidas, introduzindo o nanomaterial em águas servidas e no lodo. Então, ele vai realizar medições do crescimento microbial para estabelecer os níveis de nanoprata que prejudicam o tratamento de águas servidas e a digestão do lodo.

    A Water Environment Research Foundation recentemente concedeu a Hu $150,000 para determinar quando as nanopartículas de Prata começam a prejudicar o tratamento de águas servidas. Hu declarou que as nanopartículas nas águas servidas podem ser melhor gerenciadas e reguladas. Os trabalhos na pesquisa subseqüente devem estar completos até 2010.

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    A pesquisa sobre nanopartículas de Prata, realizada por Hu e seu estudante graduado, Okkyoung Choi, foi recentemente publicado em "Water Research and Environmental Science & Technology".




    Bom... Há especulações de que, em parte, as canalizações de chumbo para a água foram responsáveis pela deterioração do Império Romano. Mas alguém aprende algo com a História?...