09 julho 2006

Physics News Update n° 784

PHYSICS NEWS UPDATE
O Boletim de Notícias da Física do Instituto Americano de Física, número 784, de 7 de julho de 2006 por Phillip F. Schewe, Ben Stein, e Davide Castelvecchi Physics News Update

OXIGÊNIO VERMELHO. Um novo algorítimo de cristalografia evolucionária prediz a estrutura de cristais em condições de extremas pressão e temperatura, com base somente na composição química. Um desses cristais seria uma forma de oxigênio vermelho. Predizer estruturas de cristais é difícil, mesmo para sólidos simples, em parte por causa da tarefa de escolher dentro do astronômico número de maneiras possíveis que dados átomos pode compor uma unidade celular básica repetível. Artem Oganov, um cientista no ETH de Zurique, e Colin W. Glass, um estudante de PhD, abordam o porblema combinando cálculos de estrutura eletrônica e um algorítimo evolucional especialmente desenvolvido. Ao explorar as miríades de disposições atômicas, eles procedem de uma maneira passo-a-passo de otimização contínua, que evita as configurações de sucesso menos provável. Isto torna o algorítimo muito efeiciente e permite aos pesquisadores fazerem certas previsões específicas. Um exemplo é o Carbonato de Cálcio (CaCO3) em pressões muito altas. A equipe de Oganov, pela primeira vez, previu duas novas estruturas estáveis para este mineral. Atualmente, ambas as estruturas foram confirmadas em experiências por colegas japoneses. Oganov e Glass também resolveram as estruturas cristalinas para o Oxigênio em altas pressões. O Oxigênio é único do ponto de vista químico. Sendo o único elemento molecular magnético conhecido, sob pressão ele perde seu magnetismo e se torna vermelho. A estrutura do Oxigênio vermelho, que permaneceu deconhecida por muito tempo, parece ter sido finalmente solucionada e revelou-se única; isto é, não acontece com qualquer outro elemento. A pressões ainda maiores, sabe-se que o Oxigênio fica preto e se torna supercondutor, o que acontece por causa do incremento nas interações entre as moléculas de O2. Os pesquisadores do ETH também predizem uma nova fase estável do Enxôfre e diversas formas meta-estáveis do Carbono (Journal of Chemical Physics, 28 de junho de 2006; website do laboratório em http://olivine.ethz.ch/~artem/ ; ETH Laboratory of Crystallography, )

ONDAS DE LUZ E GRAVITACIONAIS ESPREMIDAS. Um processo comprovado para a redução do ruído em medições ópticas de alta precisão será, em breve, aplicado na busca por ondas gravitacionais. O meio mais provável para detctar essas ondas é a observação de seus efeitos sutís em espelhos suspensos, como o Laser Interferometer Gravitational-wave Observatory (LIGO). No LIGO, a luz laser é dividida em dois feixes que são refletidos várias vezes por espelhos suspensos nas extrremidades de dois longos tubos posicionados em ângulo reto. Os dois feixes são recombinados para formar um padrão de interferência. Este procedimento é ajustado de forma que um foto detector fica posicionado para um padrão nulo; ou seja, ele normalmente não vê fótons em sua direção. O plano é que uma onda gravitacional passante movimentaria muito ligeiramente os espelhos suspensos nos dois tubos (que são isolados dos tipos de vibração ordinários), o que, por sua vez, provocaria um distúrbio no padrão de interferência. Subitamente o foto detector registraria fótons, indicando uma onda gravitacional. Um problema com esse esquema é o "ruído de disparo", o grau de incerteza quântica que temos da quantidade de fótons existentes em um feixe laser em um determinado momento qualquer. Flutuações no número de fótons poderiam disparar uma falsa leitura positiva. Os físicos no Instituto Max Plank (Hannover) e a Universidade de Hannover esperam poder reduzir o ruído quântico inerente a essa abordagem interferométrica, espremendo a luz. A luz espremida é produzida quando o ruído quântico em uma ou outra das variáveis complementares que descrevem um feixe de luz (tais como fase e amplitude) é grandemente reduzida, às expensas da outra, enviando-se a luz através de (uma série de) cristais ópticos especiais. O uso de luz espremida reduz o ruído quântico em vários aparatos optrônicos. Usualmente, a abordagem por meio de luz espremida é aplicada nas freqüências da faixa de megahertz, mas os pesquisadores de Hannover, pela primeira vez, fizeram a coisa funcionar nas freqüências de detecção pertinentes ao LIGO, inclusive freqüências abaixo de cem hertz, a freqüência esperada para as ondas gravitacionais oriundas de algum buraco negro distante coalescente no universo. De acordo com Henning VahlbruchVahlbruch um sistema de controle com luz espremida ajudaria a reduzir o ruído e aumentar a sensibilidade dos detectores de ondas gravitacionais. (Valbruch et al., Physical Review Letters, 7 de julho de 2006; website em http://www.geo600.uni-hannover.de/~schnabel/ )

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PHYSICS NEWS UPDATE é um resumo de notícias sobre física que aparecem em convenções de física, publicações de física e outras fontes de notícias. É fornecida de graça, como um meio de disseminar informações acerca da física e dos físicos. Por isso, sinta-se à vontade para publicá-la, se quiser, onde outros possam ler, desde que conceda o crédito ao AIP (American Institute of Physics = Instituto Americano de Física). O boletim Physics News Update é publicado, mais ou menos, uma vez por semana.

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Como divulgado no numero anterior, este boletim é traduzido por um curioso, com um domínio apenas razoável de inglês e menos ainda de física. Correções são bem-vindas.

Physics News Update n° 783

PHYSICS NEWS UPDATE
O Boletim de Notícias da Física do Instituto Americano de Física, número 783, de 30 de junho de 2006 por Phillip F. Schewe, Ben Stein, e Davide Castelvecchi Physics News Update

CANALIZANDO AS PROFUNDEZAS DO ELÉTRON. A cuidadosa observação de um elétron singelo em uma armadilha atômica, por um período de vários meses, resultou na melhor medição, até agora, do momento magnético do elétron e um valor mais preciso para "alfa", a constante de estrutura fina, o parâmetro que estabelece a força genérica da força eletromagnética. Os elétrons, é claro, fazem parte de todos os átomos e, como tais, são um essencial "tijolo" na construção do universo. E alfa é um membro importante do sistema de constantes fundamentais usadas para descrever a natureza. O elétron, muito menor do que o próton, e geralmente considerado como uma partícula puntual, é um objeto tão fundamental para estudos, quanto se possa desejar na física. Não obstante, a interação do elétron com o vácuo é qualquer coisa, menos simples. A teoria da eletrodinâmica quântica (Quantum Electrodynamics, QED) prediz que o elétron pulula perpetuamente com partículas virtuais – tais como fótons e pares posítron/elétron – que emergem brevemente do vácuo circundante. Na ausência dessas interações, o momento magnético do eléton (referido pela letra "g"), que relaciona o magnetismo do elétron com seu spin intrínseco, teria um valor de 2. Mas as medições diretas de "g" mostraram um valor ligeiramente diferente de 2. Quanto mais refinadas se tornaram essas medições, melhor se pode avaliar a natureza quântica do elétron e a própria QED. Além disso, se o elétron tivesse uma estrutura (da forma que os prótons, por exemplo, são constituídos por quarks), isso também apareceria nas medições de "g". Para obter o maior controle possível sobre o elétron e seu ambiente, Gerald Gabrielse e seus estudantes Brian Odom e David Hanneke, em Harvard, criaram um átomo macroscópico artificial, composto por um único elétron que executava uma trajetória infinita fechada, dentro de uma armadilha de eletrodos carregados
um eletrodo central positivamente carregado e dois eletrodos negativamente carregados, acima e abaixo – suplementados por bobinas que produziam um campo magnético. A combinação de forças elétricas e magnéticas mantinham o elétron em sua órbita "ciclotron" circular. Além desse movimento planar, o eletron oscilava para cima e para baixo verticalmente, na direção do campo magnético. O coração dessa experiência de Harvard é explorar esses dois movimentos – o movimento circular, que é conforme às regras quânticas, e o movimento vertical, que é conforme à física clássica – de uma nova maneira. Em primeiro lugar, a parte quântica. Como em qualquer átomo verdadeiro, este átomo artificial está sob o domínio das regras quânticas e o elétron cativo só pode possuir certas energias permitidas. Elétrons já foram confinados em armadilhas como essa, antes, mas essa nova experiência é a primeira em que o elétron pode residir em seu estado quântico ciclotrônico mais baixo. A aparelhagem faz isso controlando energias espúrias, tal como inibir o aquecimento de corpo negro do elétron, por meio da refrigerção do compartimento central a uma temperatura de 100 mK e pela inibição da emissão do próprio elétron por um engenhoso projeto da cavidade da armadilha atômica. O dispositivo todo funciona como ciclotron quântico mono-elétron. Segundo, a parte clássica. A experiência de Harvard é a primeira a introduzir um objeto microscópico para ajustar suas próprias oscilações, com base em suas interações com seu ambiente (ver sua publicação de um ano atrás: D'Urso et al., Physical Review Letters, 25 de março de 2005). O elétron, ao se mover verticalmente, induz uma mudança de voltagem extremamente pequena nos circuitos externos que alimentam os eletrodos. Ao sentir essa mudança, o circuito pode ajustar a voltagem dos eletrodos para ampliar ou reduzir as excursões para cima ou para baixo do elétron. Essa auto-excitação induzida por retroalimentação, se não for muito grande ou muito pequena, permite aos pesquisadores medirem uma freqüência de oscilação, a qual é, por sua vez, relacionada com o estado quântico do elétron. É esse quase total controle sobre os movimentos sobre os movimentos do elétron e a capacidade de medir os níveis de energia do ambiente quântico artificial do elétron que permite ao grupo de Harvard melhorar as medições de "g" em um fator de 6 sobre os trabalhos anteriores. A nova incerteza no valor, estabelecido em um artigo a ser publicado na Physical Review Letters, está agora em um nível de 0,76 partes por trilhão. Não menos importante do que "g" é alfa. Inserindo o novo valor de "g", e graças a cálculos de QED aperfeiçoados de altíssima precisão, os experimentadores e teóricos juntos determinaram um novo valor para alfa, um com uma precisão dez vezes melhor do que o obtenível por qualquer outro processo. Esta é a primeira vez que um valor mais preciso para alfa é anunciado, desde 1987. O novo alfa, publicado em um artigo seguinte na Physical Review Letters, tem uma incerteza de 0,7 partes por bilhão. O valor medido de "g" também pode ser usado para avaliar os hipotéticos componentes do elétron. Tais componentes, mostra o novo valor medido de "g", não podem ser menores do que 130 GeV. Com base nessa experiência, pode-se também impor um limite no tamanho do elétron; ele não pode ser maior do que 10-18m de diâmetro. Esses não são necessariamente os melhores limites no tamnho e na estrutura do elétron, mas é um trabalho que, patentemente, está no reino da física atômica de baixas temperaturas e não no reino dos aceleradores de partículas de altas energias, onde normalmente se mede as propriedades das partículas. A experiência com a armadilha de Harvard se prolongou por vinte anos e rendeu mais de meia dúzia de PhDs. De acordo com Gabrielse, um valor mais preciso para alfa deve (entre outras coisas) contribuir para o pendente ajuste das constantes fundamentais, dirigidas a redefinir o quilograma de forma a evitar o uso do atual peso, mantido dentro de um vidro em Paris. (Odom et al., e Gabrielse et al., em dois artigos a serem publicados na Physical Review Letters, website do laboratório em http://hussle.harvard.edu/~gabrielse/ )

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Physics News Update n° 782

PHYSICS NEWS UPDATE
O Boletim de Notícias da Física do Instituto Americano de Física, número 782, de 27 de junho de 2006 por Phillip F. Schewe, Ben Stein, e Davide Castelvecchi Physics News Update


TRANSFORMANDO O VENENO DE ESCORPIÃO RADIATIVO EM MEDICAMENTO SEGURO. No encontro desta semana da Sociedade de Física de Saúde (Health Physics Society) em Providence, pesquisadores vão descrever como eles ajudaram a estabelecer a segurança para um tratamento novo e surpreendente para uma espécie agressiva e particularmente maligna de câncer, chamada de glioma cerebral agudo, diagnosticado em mais de 17.000 pessoas nos EUA a cada ano. O tratamento se baseia no fato de que o veneno do escorpião amarelo israelense contém uma substância que se liga seletivamente às células do glioma. O procedimento utiliza um composto chamado TM-601, uma versão sintética da proteína do veneno, ligada a uma substância radiativa chamada I-131 que mata as células do glioma. Quando injetada na corrente sanguínea a proteína radiativa do veneno de escorpião se desloca para o cérbero e adere às células do glioma, onde o I-131 libera a radiação que mata as células. Ao descrever a segunda seqüência da fase II dos experimentos clínicos com pacientes humanos, o biofísico Alan M. Jackson do Henry Ford Health System em Detroit vai relatar que ele e seus colegas estabeleceram recentemente procedimentos seguros para a terapia. Os pacientes no experimento receberam uma dose radiativa de 40 millicuries (mCi) por semana. Esta dose não é extremamente alta, em comparação com a de um tratamento de câncer de tireóide, no qual os pacientes recebem até 200 mCi de I-131 em um único tratamento. Como estabeleceu Jackson, os pacientes podem retornar a suas residências em segurança várias horas depois do tratamento, porque suas famílias não estarão expostas a uma radiação maior do que aquela típica de um paciente de câncer de tireóide após o tratamento. E, de acordo com um grupo de estudop separado da primeira seqüência dos experimentos da fase II, pacientes que receberam até 40 mCi de dose semanal, não mostraram indícios de reações adversas atribuíveis à radiação. A experiência da fase II no Hernry Ford envolve 3 pacientes, com um total de 54 pacientes espalhados pelos EUA, presentemente em estudos experimentais da terapia. (Paper WAM-B.11, de quarta feira, 28 de Junho de 2006; website do encontro em http://hps.org/newsandevents/meetings/meeting5.html;
e http://www.transmolecular.com/pdfs/FiveashPR_ASCOVersion.pdf. )

OURO DENSO E QUENTE. Os físicos do Laboratório Lawrence Livermore utilizaram uma luz intensa para converter um pequeno alvo sólido de ouro em um plasma de elétrons e íons positivos. No instante imediatamente anterior em que amostra se vaporiza, os físicos foram capazes de registrar alguns resultados surpreendentes. A descoberta mais importante é que, mesmo nas condições extremas de alta densidade de energia (1017 J/kg), o ouro metálico ainda mantém a estrutura exibida por todos os metais – as energias permitidas aos elétrons não são contínuas, mas recaem em certas faixas permitidas de energia. Com a luz de um laser de femtossegundo caindo sobre a amostra, os cientistas de Livermore obtiveram a maior densidade de energia isocrônica (o que significa, sob condições de densidade constante) jamais observadas para um sólido – 107 J/kg. De acordo com um dos pesquisdores, Andrew Ng, que é o diretor científico da Instalação Jupiter de Laser do Livermore, exprimir a densidade de energia em termos de energia por unidades de massa, em lugar de energia por unidade de volume, dá uma melhor percepção da energia de excitação imprimida a cada átomo ou molécula. (Energias mais altas já foram obtidas pela implosão de um alvo com um feixe de laser ou uma explosão nuclear, mas esse novo resultado é o maior obtido para uma amostra com seu volume original). Além disso, esta experiência obtém um recorde para taxa de aquecimento – maior do que 1017°K/seg – para os elétrons no sólido; os íons que formam a estrutura ("lattice") do sólido são mais pesados e se aquecem em uma taxa muito inferior. Este trabalho pode ser considerado como um novo assunto emergente: "matéria densa quente", um meio termo entre a física de matéria condensada e a física de plasma. Esta área de pesquisa, que se relaciona com outro tópico "física de densidade em altas energias", é igualmente relevante para aqueles que trabalham em disciplinas tais como ciência de altas pressões, ciência planetária, geofísica e compressão por choques (Ping et al., Physical Review Letters, 30 de Junho de 2006)



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PHYSICS NEWS UPDATE é um resumo de notícias sobre física que aparecem em convenções de física, publicações de física e outras fontes de notícias. É fornecida de graça, como um meio de disseminar informações acerca da física e dos físicos. Por isso, sinta-se à vontade para publicá-la, se quiser, onde outros possam ler, desde que conceda o crédito ao AIP (American Institute of Physics = Instituto Americano de Física). O boletim Physics News Update é publicado, mais ou menos, uma vez por semana.

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20 junho 2006

Endless Love Mozart



Endless Love Mozart, Cocker-Spaniel Inglês, Azul-Ruão (•07-11-1993; †20-06-2006).


Adeus amigo!

(Por favor, sem comentários)

19 junho 2006

Physics News Update n° 781

PHYSICS NEWS UPDATE
O Boletim de Notícias da Física do Instituto Americano de Física, número 781, de 19 de junho de 2006 por Phillip F. Schewe, Ben Stein, e Davide Castelvecchi Physics News Update

SINCRONIZAÇÃO DA EXTINÇÃO. Um novo estudo das populações animais mostra que, mesmo populações bastante separadas de uma mesma espécie, se extinguirão juntas se uma força externa comum for aplicada. Tomemos uma analogia com dois relógios de pêndulo que entram em sicronia através de vibrações sutís nas tábuas de piso que ligam os dois relógios. Da mesma forma um estímulo comum, digamos, na forma de predadores ou de mudanças climáticas adversas, podem sincronizar o fim de enclaves separados de uma espécie ameaçada. R.E. Amritkar do Laboratório de Pesquisas Físicas (Ahmedabad) e Govindan Rangarajan do Instituo Hindú de Ciências (Bangalore) começaram com dados de campo disponíveis que demonstram a influência sincronizadora de predadores nas populações de ratos-calungas e, então,aplicaram princípios de dinâmica não-linear para simular o comportamento futuro. Eles concluírm que, desde que haja uma ameaça comum, comunidades separadas da espécie vão entrar em sintonia, antes de se extinguirem. Isso é uma má notícia para os conservacionistas que tinham esperançasde que algumas espécies dizimadas pudessem sobreviver em isolamento. Eles demonstraram que a resistência geral à extinção pode ser expressa como um parâmetro que coloca o grau de ameaça em forma numérica. Esta teoria pode ajudar a explicar porque espécies foram dizimadas em escala global em eventos de extinções anteriores. (Physical Review Letters, artigo em fase de publicação; website em http://math.iisc.ernet.in/~rangaraj )

PODE A TEORIA DAS CORDAS EXPLICAR A ENERGIA ESCURA? Um novo artigo do físico de Cambridge Stephen Hawking e Thomas Hertog do CERN sugere que sim. A principal explicação para a observada aceleração na expansão do universo é que existe uma substância, a energia escura, que preenche o vácuo e produz uma força uniformemente repulsiva entre quaisquer dois pontos no espaço – uma espécie de antigravidade. A Teoria Quântica de Campos permite a existência de uma tal tendência universal. Infelizmente, sua predição do valor da densidade da energia escura (um parâmetro conhecido como "constante cosmológica") é cerca de 120 ordens de magnitude maior do que o valor observado. Em 2003, o cosmologista Andrei Linde da Universidade Stanford e seus colaboradores mostraram que a teoria das cordas permite a existência de energia escura, mas não especifica o valor da constante cosmológica. A teoria das cordas, acharam eles, produz um gráfico matemático com o formato de uma paisagem montanhosa, onde a altitude representa o valor da constante cosmológica. Após o Big Bang, o valor deveria se estabelecer em um ponto baixo, em algum lugar entre os picos e vales dessa paisagem. Porém, poderiam haver algo da ordem de 10500 pontos possíveis
– com diferentes valores associados à constante cosmológica – e sem motivo lógico algum para que o universo escolhesse aquele que observamos na natureza. Alguns especialistas saudaram essa multiplicidade de valores como uma virtude da teoria das cordas. Por exemplo, Leonard Susskind da Universidade Stanford, em seu livro "A Paisagem Cósmica: Teoria das Cordas e a Ilusão de Projeto Inteligente", argumenta que os diferentes valores da constante cosmológica seriam reais em mundos paralelos diferentes – os universos bolsões da teoria da "eterna inflação" de Linde. Nós apenas viveríamos em um onde o valor é muito pequeno. Mas os críticos vêm a paisagem como um exemplo da incapacidade da teoria de fazer previsões úteis. O artigo Hawking/Hertog pretende resolver este problema. Nele, o universo é visto como um sistema quântico no arcabouço da teoria das cordas. A teoria quântica calcula as chances de que um sistema evolua de uma certa forma, a partir de condições iniciais, por exemplo: fótons atravessando uma dupla fenda e atingindo um certo ponto no outro lado. Repete-se a experiência com freqüência suficiente e se verifica se as chances previstas eram corretas. Na formulação da teoria quântica de Richard Feynman, a probabilidade de um fóton atingir um determinado ponto é calculada adicionando-se todas as possíveis trajetórias para o fóton. Um fóton passa por múltiplas trajetórias de uma só vez e pode até interferir com suas outras "personas" durante o processo. Hawking e Hertog argumentam que o próprio universo também deve seguir múltiplas trajetórias ao mesmo tempo, evoluindo través de muitas histórias paralelas, ou "ramos". (Esses universos paralelos não devem ser confundidos com aqueles da inflação eterna, onde múltiplos universos coexistem em um sentido mais clássico do que quântico). O que vemos no mundo atual seria um resultado mais ou menos provável do "somatório" dessas histórias. Em particular, a soma incluiria todas as possíveis condições iniciais, com todos os valores possíveis para a constante cosmológica. Porém, aplicar a teoria quântica a todo o universo – onde os observadores fazem parte da experiência – é arriscado. Desta forma, não se tem controle algum sobre as condições iniciais, nem se pode repetir, de novo e de novo, a experiência para obter uma significância estatística. Em lugar disso, o enfoque de Hawking-Hertog começa com as condições presentes e usa o que se conhece de nosso ramo do universo para traçar sua hsitória anterior. Mais uma vez, existirão muitos ramos possíveis, mas a maioria pode ser ignorada na "soma de histórias" de Feynman, porque elas são muito diferentes do universo que conhecemos, de forma que a probabilidade de passar de um para o outro é negligível. Por exemplo, diz Hertog, o conhecimento de que o nosso universo está muito próximo de ser plano, poderia permitir que nos concentrássemos em uma parte bem pequena da paisagem da teoria das cordas, cujos valores para a constante cosmológica sejam compatíveis com essa forma plana. Isso, por sua vez, poderia levar a predições que sejam experimentalmente verificáveis. Por exemplo, se poderia calcular se o nosso universo deveria produzir o espectro de fundo de microondas que atualmente observamos. (Physical Review D, artigo a ser publicado)

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09 junho 2006

Physics News Update n° 780


PHYSICS NEWS UPDATE
O Boletim de Notícias da Física do Instituto Americano de Física, número 780, de 9 de junho de 2006 por Phillip F. Schewe, Ben Stein, e Davide Castelvecchi Physics News Update

UM INDÍCIO DE RESISTÊNCIA ELÉTRICA NEGATIVA emerge de uma nova experiência, na qual microondas de duas freqüencias diferentes são dirigidas a um gás eletrônico com 2 dimensões. Os elétrons, que se movem entre dois cristais semicondutores, são sujeitados a um campo elétrico na direção "para a frente" (logitudinal) e um fraco campo magnético na direção perpendicular ao plano. Em tais condições, os elétrons descrevem trajetórias de laço fechado que, adicionalmente, se deslocam para a frente, dependendo da intensidade da voltagem aplicada. Há poucos anos, dois grupos de experimentadores observaram que quando, além disso, os elétrons eram expostos a microondas, a resistência longitudinal geral podia variar muito — por exemplo, aumentar de uma ordem de magnitude, ou decrescer até o zero, formando um estado de resistência zero, dependendo da relação entre a freqüência das microondas e a intensidade do campo magnéticos aplicados (para um histórico, vide "Physics Today", Abril de 2003). Alguns teóricos propuseram que, em um tal estado de resistência zero, a resistência poderia ser, na verdade, inferior a zero: os esvoaçantes elétrons teriam se movido para trás, no sentido contrário da voltagem aplicada. Entretanto, este movimento retrógrado seria difícil de observar por causa de uma instabilidade no fluxo da corrente – ou seja, a distribuição da corrente se tornava de tal modo não-homegênea que as quedas na voltagem ficavam mascaradas. Um grupo dos Laboratórios de Utah/Minnesota/Rice/Bell testou esta hipótese em uma engenhosa experiência bicromática, usando mocroondas nas duas freqüências. Michael Zudov (atualmente na Universidade de Minnesota) e Rui-Rui Du (atualmente na Universidade Rice) enviaram microondas em duas freqüências diferentes sobre os elétrons, tendo observado que, para estdos de resistência não-zero, a resistência resultante era a média dos valores correspondentes às duas freqüências separadas. Por outro lado, quando as medições incluiam freqüências que resultariam em uma resistência zero, os pesquisadores observaram uma importante redução no sinal. Tendo como base a resistência média observada para as medições em estados não-zero, eles deduziram que sempre que uma resistência zero era detectada, a verdadeira resistência microscópica tinha sido, na verdade, menor do que zero. Em outras palavras, a resistência zero estava mascarando o que de fato é um estado instável de resistência negativa. (Zudov et al., Physical Review Letters, 16 de Junho de 2006)

[14/6/06] O PNU mudou o "lead" desta matéria para:
SEUS VIZINHOS IRIAM AMAR VOCÊ EM MARTE.
EM MARTE, NINGUÉM CONSEGUE ESCUTAR SOM DO CAPIM "GEMENDO" a uma distância superior a uma centena de metros, em comparação aos quilômetros que esse som pode atravessar na Terra, de acordo com uma nova simulação em computador da propagação do som em nosso vizinho planetário seguinte. Em termos gerais, como é que as coisas soam em Marte? No encontro desta semana da Sociedade Acústica da América (Acoustical Society of America), em Providence, Amanda Hanford e Lyle Long da Penn State apresentaram detalhados cálculos processados em computador que simulavam como o som se propaga através da atmosfera marciana, que é muito mais rarefeita do que a terrestre (exercendo apenas 0.7% da pressão de nossa atmosfera na superfície) e que tem uma composição muito diferente (contendo 95,3% de Dóxido de Carbono, comparado com os 0,33% em nosso planeta). A perda da sonda de 1999, Mars Polar Lander, que deveria gravar os sons diretamente no planeta, compeliu os pesquisadores a encontrar outros meios para estudar como o som se porpaga lá. Para analisar o comportamento do som em Marte, os pesquisadores analisaram como as moléculas de gás se movimentam e colidem em sua atmosfera. Os pesquisadores levaram em conta o "caminho livre" de uma moléculade gás, a distância média que uma molécula pode atravessar, antes de se chocar com outra vizinha (6 mícrons, comparados com os 50 nanômetros na Terra). Eles, igualmente. consideraram as diferentes maneiras pelas quais as moléculas de gás trocam energia entre si quando colidem. Em seu enfoque computacional, conhecido como "simulação direta Monte Carlo", as colisões ocorrem de maneira aleatória, embora de uma freqüência estatisticamente precisa. Para dar conta das diferentes combinações de espécies de moléculas que poderiam colidir, juntamente com os muitos modos diferentes nos quais poderiam ganhar ou perder energia, foi necessária uma grande quantidade de computação – mais de 60 horas – mesmo para simular um pequeno pedacinho de atmosfera para cada freqüência de som considerada, usando um computador "Beowulf" com 32 processadores paralelos, um dos mais poderosos supercomputadores do mundo. Com sua abordagem, os pesquisadores puderam estabelecer todas as propriedades físicas de interesse para a propagação do som em Marte. Os resultados dos pesquisadores mostramque a absorção dos sons em Marte é cem vezes maior do que na Terra, por causa das diferenças na composição molecular e da pressão atmosférica menor. Devido às limitações de computação (eles só puderam analisar colisões em uma pequena região de espaço), os pesquisadores somente simularam a propagação dos sons de freqüência mais baixa (com freqüências na faixa do ultrassom), porém extrapolaram os resultados até as freqüências audíveis. (Apresentação n° 2aPA3; mais informações em
http://www.acoustics.org/press/151st/Hanford.html)

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PHYSICS NEWS UPDATE é um resumo de notícias sobre física que aparecem em convenções de física, publicações de física e outras fontes de notícias. É fornecida de graça, como um meio de disseminar informações acerca da física e dos físicos. Por isso, sinta-se à vontade para publicá-la, se quiser, onde outros possam ler, desde que conceda o crédito ao AIP (American Institute of Physics = Instituto Americano de Física). O boletim Physics News Update é publicado, mais ou menos, uma vez por semana.

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Como divulgado no numero anterior, este boletim é traduzido por um curioso, com um domínio apenas razoável de inglês e menos ainda de física. Correções são bem-vindas.

03 junho 2006

Um Texto de Carlos Castañeda

Relendo o primeiro (e, dizem, o único verdadeiro) livro de Carlos Castañeda, "A Erva do Diabo", eu me deparei com um trecho particularmente interessante. O livro já é interessante por apresentar um estudante universitário, de origem sulamericana, tentando estudar o comportamento de um feiticeiro índio mexicano, enquanto o feiticeiro tenta transformar o universitário em um feiticeiro índio.

O trecho em questão, trata das dificuldades do aprendizado da magia. Mas, se transportarmos as idéias para qualquer tipo de conhecimento, elas permanecem surpreendentemente válidas. Eu tomei o cuidado de omitir uma série de passagens que nada acrescentam à idéia básica do texto (ou, dito de outra forma, eu tirei toda a baboseira com a qual o Castañeda "enche linguiça").

Lá vai:

– "Quando um homem começa a aprender, ele nunca sabe muito claramente quais são seus objetivos. Seu propósito é falho; sua intenção, vaga. Espera recompensas que nunca se materializarão, pois não conhece nada das dificuldades da aprendizagem."

"Devagar, ele começa a aprender... a princípio, pouco a pouco, e depois em porções grandes. E logo seus pensamentos entram em choque. O que aprende nunca é o que ele imaginava, de modo que começa a ter medo. Aprender nunca é o que se espera. Cada passo da aprendizagem é uma nova tarefa, e o medo que o homem sente começa a crescer impiedosamente, sem ceder. Seu propósito toma-se um campo de batalha."

"E assim ele se depara com o primeiro de seus inimigos naturais: o medo! Um inimigo terrível, traiçoeiro, e difícil de vencer. Permanece oculto em todas as voltas do caminho, rondando, à espreita. E se o homem, apavorado com sua presença, foge, seu inimigo terá posto um fim à sua busca."

(...)

– "E o que pode ele fazer para vencer o medo?"

– "A resposta é muito simples. Não deve fugir. Deve desafiar o medo, e, a despeito dele, deve dar o passo seguinte na aprendizagem, e o seguinte, e o seguinte. Deve ter medo, plenamente, e no entanto não deve parar. É esta a regra! E o momento chegará em que seu primeiro inimigo recua. O homem começa a se sentir seguro de si. Seu propósito toma-se mais forte. Aprender não é mais uma tarefa aterradora. Quando chega esse momento feliz, o homem pode dizer sem hesitar que derrotou seu primeiro inimigo natural."

(...)

– "Uma vez que o homem venceu o medo, fica livre dele o resto da vida, porque, em vez do medo, ele adquiriu a clareza... uma clareza de espírito que apaga o medo. Então, o homem já conhece seus desejos; sabe como satisfazê-los. Pode antecipar os novos passos na aprendizagem e uma clareza viva cerca tudo. O homem sente que nada se lhe oculta."

"E assim ele encontra seu segundo inimigo: a clareza! Essa clareza de espírito, que é tão difícil de obter, elimina o medo, mas também cega."

"Obriga o homem a nunca duvidar de si. Dá-lhe a segurança de que ele pode fazer o que bem entender, pois ele vê tudo claramente. E ele é corajoso porque é claro; e não para diante de nada, porque é claro. Mas tudo isso é um engano; é como uma coisa incompleta. Se o homem sucumbir a esse poder de faz-de-conta, terá sucumbido a seu segundo inimigo e tateará com a aprendizagem. Vai precipitar-se quando devia ser paciente, ou vai ser paciente quando devia precipitar-se. E tateará com a aprendizagem até acabar incapaz de aprender qualquer coisa mais."

(...)

– "Mas o que tem de fazer para não ser vencido?"

– "Tem de fazer o que fez com o medo: tem de desafiar sua clareza e usá-la só para ver, e esperar com paciência e medir com cuidado antes de dar novos passos; deve pensar, acima de tudo, que sua clareza é quase um erro. E virá um momento em que ele compreenderá que sua clareza era apenas um ponto diante de sua vista. E assim ele terá vencido seu segundo inimigo, e estará numa posição em que nada mais poderá prejudicá-lo. Isso não será um engano. Não será um ponto diante da vista. Será o verdadeiro poder."

"Ele saberá a essa altura que o poder que vem buscando há tanto tempo é seu, por fim. Pode fazer o que quiser com ele. Seu aliado está às suas ordens. Seu desejo é ordem. Vê tudo o que está em volta. Mas também encontra seu terceiro inimigo: o poder!"

"O poder é o mais forte de todos os inimigos. E, naturalmente, a coisa mais fácil é ceder; afinal de contas, o homem é realmente invencível. Ele comanda; começa correndo riscos calculados e termina estabelecendo regras, porque é um senhor."

"Um homem nesse estágio quase nem nota que seu terceiro inimigo se aproxima. E de repente, sem saber, certamente terá perdido a batalha. Seu inimigo o terá transformado num homem cruel e caprichoso."

(...)

– "E como o homem pode vencer seu terceiro inimigo, Dom Juan?"

– "Também tem de desafiá-lo, propositadamente. Tem de vir a compreender que o poder que parece ter adquirido na verdade nunca é seu. Deve controlar-se em todas as ocasiões, tratando com cuidado e lealdade tudo o que aprendeu. Se conseguir ver que a clareza e o poder, sem controle, são piores do que os erros, ele chegará a um ponto em que tudo está controlado. Então, saberá quando e como usar seu poder. E assim terá derrotado seu terceiro inimigo."

"O homem estará, então, no fim de sua jornada do saber, e quase sem perceber encontrará seu último inimigo: a velhice! Este inimigo é o mais cruel de todos, o único que ele não conseguirá derrotar completamente, mas apenas afastar."

"É o momento em que o homem não tem mais receios, não tem mais impaciências de clareza de espírito... um momento em que todo o seu poder está controlado, mas também o momento em que ele sente um desejo irresistível de descansar. Se ele ceder completamente a seu desejo de se deitar e esquecer, se ele se afundar na fadiga, terá perdido a última batalha, e seu inimigo o reduzirá a uma criatura velha e débil. Seu desejo de se retirar dominará toda a sua clareza, seu poder e sabedoria."

"Mas se o homem sacode sua fadiga e vive seu destino completamente, então poderá ser chamado de um homem de conhecimento, nem que seja no breve momento em que ele consegue lutar contra o seu último inimigo invencível. Esse momento de clareza, poder e conhecimento é o suficiente."

02 junho 2006

Physics News Update n° 779


PHYSICS NEWS UPDATE
O Boletim de Notícias da Física do Instituto Americano de Física, número 779, de 2 de junho de 2006 por Phillip F. Schewe, Ben Stein, e Davide Castelvecchi Physics News Update

SOUND AMPLIFICATION BY STIMULATED EMISSION OF RADIATION, ou SASER, é o análogo acústico de um laser. No lugar de uma potente emissão de radiação eletromagnética criada por re-alimentação ("feedback"), um saser emite um possante feixe de ultrasom. O conceito já existe há muitos anos e diversos laboratórios construíram modelos com diferentes características. Em uma nova versão, elaborada por cientistas da Universidade de Nottingham, na Grã-Bretanha, e do Instituto Lashkarev de Física de Semicondutores na Ucrânia, o meio de ganho — ou seja, o meio onde ocorre a amplificação — consiste de pilhas (ou uma super-grade) de finas camadas de semicondutores que, em conjunto, formam "poços quânticos". Nestes poços – na verdade apenas regiões planas cuidadosamente confinadas – os elétrons podem ser excitados por pacotes de ultrassom, os quais caracteristicamente possuem energias de mili-elétron-volts (meV), equivalentes a uma freqüência de 0,1 a 1 THz. E, da mesma forma como a luz coerente pode ser amplificada em um laser pela emissão congruente e estimulada de luz de um monte de átomos, em um saser o som coerente pode ser amplificado pela emissão congruente de fonons de um monte de poços quânticos na super-grade. Nos lasers o aumento de intensidade da luz é mantido por uma cavidade opticamente refletiva. No saser anglo-ucraniano, o aumento de intensidade das ondas acústicas é mantidopor um engenhoso espaçamento da espessura das camadas da grade, de forma que as camadas funcionam como um espelho acústico (ver a figura aqui). Eventualmente a onda de som emerge do dispositivo em uma estreita faixa angular, como os pulsos de laser. A natureza monoenergética da emissão acústica, entretanto, ainda não foi totalmente verificada. Os pesquisadores acreditam que seu saser seja o primeiro a alcançar a faixa de freqüência de THz, usando uma pequena fonte de energia elétrica. O som coerente na faixa dos Terahertz é um campo relativamente novo de pesquisas. Sendo essencialmente ultrassom com comprimentos de onda medidos em nm, os dispositivos acústicos de THz podem ser usados para modular ondas de luz em dispositivos optrônicos. (Kent et al., Physical Review Letter, 2 de junho de 2006)

EXISTÊNCIA DOS ÁTOMOS CONFIRMADA NOVAMENTE. Uma nova experiência reproduziu um marco de um estudo de 1908 que demonstrou a existência física dos átomos, até mesmo para os muitos que (como o químico William Ostwald) duvidavam que a matéria consistia de partículas microscópicas, em lugar de serem estruturas contínuas na natureza. A nova experiência, realizada em parte como um exercício educativo para os universitários em Harvard, reproduziu (com equipamentos modernos) o trabalho feito em 1908 por Jean-Baptiste Perrin, um físico francês que, por sua vez, procurava verificar uma previsão de Albert Einstein. A miraculosa produção de Einstein em 1905 incluiu publicações famosas sobre a Relatividade Especial ou Restrita (que descrevia características do espaço-tempo e a equivalência entre matéria e energia) e o efeito fotoelétrico (explicando a natureza quântica da luz). As proposições sobre a relatividade e a teoria quântica se mostraram extremamente frutíferas e são freqüentemente postas à prova. Uma terceira publicação deste mesmo ano, devotada à explicação do Movimento Browniano, é, talvez, menos bem conhecida, mas também é de grande importância. O Movimento Browniano, observado pela primeira vez por Robert Brown em 1827, é o entrechoque de um conjunto de pequenas partículas (neste caso, grãos de pólen) com outras partículas, menores ainda (as moléculas de água circundantes). Einstein interpretou esse "empurra-empurra" como o incessante e flutuante efeito cumulativo de todos os presumíveis átomos ou moléculas sobre os grãos; ocasionalmente, a resultante das forças sobre o grão o empurrariam para um lado. Einstein concebeu uma fórmula que relacionava o tamanho dos grãos de pólen e seu movimento momentâneo médio (parte do que é chamado atualmente de "movimento aleatório" = "random walk") e o tamanho das partículas invisíveis e circundantes que as empurravam (átomos e moléculas). Perrin realizou sua experiência usando emulsões contendo partículas microscópicas de goma-guta (um pigmento) ou mástique (um plástico claro). Usando um microscópio ele, a duras penas, observou, mediu e tabulou diversos deslocamentos das partículas individuais de goma-guta. Dessas observaçoes, ele confirmou as previsões de Einstein acerca da natureza estatística dos movimentos e, a partir disto, se pode calcular o Número de Avogadro, o número de átomos ou moléculas contidos em um mol dessa substância. Isso, por sua vez, apoiou a visão atomística da matéria. A nova versão de Harvard foi fiel ao trabalho de 1908, exceto pelo fato de que uma câmera CCD observou os movimentos das partículas e seus deslocamentos foram analisados por um programa de computador. (Newburgh, Peidle e Rueckner, American Journal of Physics, Junho de 2006).

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PHYSICS NEWS UPDATE é um resumo de notícias sobre física que aparecem em convenções de física, publicações de física e outras fontes de notícias. É fornecida de graça, como um meio de disseminar informações acerca da física e dos físicos. Por isso, sinta-se à vontade para publicá-la, se quiser, onde outros possam ler, desde que conceda o crédito ao AIP (American Institute of Physics = Instituto Americano de Física). O boletim Physics News Update é publicado, mais ou menos, uma vez por semana.

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Como divulgado no numero anterior, este boletim é traduzido por um curioso, com um domínio apenas razoável de inglês e menos ainda de física. Correções são bem-vindas.

26 maio 2006

Physics News Update n° 778


PHYSICS NEWS UPDATE
O Boletim de Notícias da Física do Instituto Americano de Física, número 778, de 26 de maio de 2006 por Phillip F. Schewe, Ben Stein, e Davide Castelvecchi

PHYSICS NEWS UPDATE

O ALEIJADO SISTEMA SOLAR. Tendo viajado muito além dos planetas em sua viagem de 28 anos e meio, as duas espaçonaves Voyager vêm fornecendo novas informações sobre a Heliosfera, a bolha em forma de légrima que separa o sistema solar do espaço interestelar. Na Assembléia Conjunta, nesta semana em Baltimore, da União Geofísica Americana (American Geophysical Union – AGU), Ed Stone da Caltech relatou que a heliosfera é deformada, de acordo com as observações das Voyager, com a borda arredondada da lágrima protuberante no topo (o hemisfério Norte do Sistema Solar) e achatado no fundo (o hemisféio Sul). (Figuras e filmes aqui). Como explicou Rob Decker do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, a assimetria se deve a um campo magnético oriundo do espaço interestelar que pressiona o hemisfério Sul. O campo tem a intensidade de cerca de 1/100.000 do campo da Terra, mas seu efeito pode ser sentido por bilhões de milhas, uma vez que atua em uma grande área sobre o gás extremamente diluído nas bordas do Sistema Solar. O campo interestelar achata até uma importante zona esférica dentro da heliosfera, chamada o choque de terminação. De forma análoga ao círculo que se forma quando a água se despeja sobre uma pia, o choque de terminação representa a fronteira na qual o veloz vento solar (a corrente de gás carregado emitido pelo Sol) freia abruptamente e se acumula. As medições da Voyager 2 indicam que a parte Sul da esfera de terminação podem estar um bilhão de milhas mais próxima do Sol do que a parte Norte. Além disso, as forças dos ventos solares fazem com que o choque de terminação "inspire e expire" em cerca de cada doze anos. A Voyager 1 já passou além do choque de terminação, para o heliofólio, a região onde o vento solar e os gases interestelares se misturam. Assim, de certa forma, o final do Sistema Solar não é claramente definido. Stone estima que podem se passar outros 10 anos (3 a 4 bilhões de milhas) antes que as duas astronaves passem pela heliopausa (a fronteira mais externa da heliosfera) e entrem no espaço puramente interestelar. As espaçonaves ainda têm energia disponível para cerca de mais 15 anos. (Sessão SH02 na Assembléia; ver http://www.agu.org/meetings/ja06/?content=search)

Nota do tradutor: eu não estou bem certo dos termos técnicos de astronomia/astrofísica usados em português para "heliosphere", "termination shock", etc. Para facilitar a visualização dessas zonas, eu sugiro uma vista à figura da WikiPedia (em inglês) associada à página "Heliosphere".

CONTANDO FÓTONS DA FAIXA DOS TERAHERTZ. Cientistas da Universidade de Tokyo e da Corporação de Ciência e Tecnologia do Japão conseguiram detectar fótons isolados na região de terahertz do espectro eletromagnético, pela primeira vez. Até agora, esses fótons, com energias de cerca de 4 mili-elétron-volts, não podiam ser observados individualmente. A radiação da faixa de THz, essencialmente no infravermelho longo, é, potencialmente, uma importante portadora para telecomunicações. Pode-se realizar não só a detecção, como também microscopia nas faixas ultra-baixas de THz. Por meio da varredura com um feixe de ponto quântico (altamente sensível à luz da faixa do THz) na superfície de uma amostra, pode-se capturar uma imagem da amostra com uma resolução de 50 microns (a própria radiação tem um comprimentode onda de 132 mícrons). Isto é ainda mais notável quando se considera que a potência emitida a partir da superfície explorada fica no nível de 10-19 Watts (0,1 attowatt). A atual microscopia de contagem de fótons consegue um vislumbre de uns poucos elétrons de cada vez, oscilando nas freqüências de THz em dispositivos semicondutores em fortes campor magnéticos. De acordo com Kenji Ikushima, a extraordinariamente alta sensibilidade da técnica de contagem de fótons em breve vai facilitar o estudo do "rock & roll" ("shaking, rattling and rolling") de umas poucas moléculas de cada vez, vibrando nas freqüências de THz em dispositivos semicondutores em fortes campos magnéticos. (Ikushima et al., Applied Physics Letters, 10 de abril de 2006; www.dbs.c.u-tokyo.acjp/~komiyama )


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PHYSICS NEWS UPDATE é um resumo de notícias sobre física que aparecem em convenções de física, publicações de física e outras fontes de notícias. É fornecida de graça, como um meio de disseminar informações acerca da física e dos físicos. Por isso, sinta-se à vontade para publicá-la, se quiser, onde outros possam ler, desde que conceda o crédito ao AIP (American Institute of Physics = Instituto Americano de Física). O boletim Physics News Update é publicado, mais ou menos, uma vez por semana.

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Como divulgado no numero anterior, este boletim é traduzido por um curioso, com um domínio apenas razoável de inglês e menos ainda de física. Correções são bem-vindas.

20 maio 2006

Royal Raymond Rife


Sabem como é... uma coisa leva a outra — e se for meu velho e cego cachorro Mozart se enredando nos fios do video-game do meu neto, vai sair uma cagada daquelas! — e assuntos desconexos arrumam um jeito de aparecerem em uma seqüência que deixam um místico como eu desconfiado...

Primeiro, foi uma pergunta no "Queremos Saber" (o link está aí do lado), sobre os processos de tratamento imaginados pelo personagem que dá título a este artigo. É extremamente curioso que um personagem real possa se chamar "Royal Raymond Rife", mas o cara existe. Não só existe, como também inventou uma trapizonga de microscopia – lá pelos idos do século passado – que, segundo seus seguidores, era capaz de observar um vírus individual. E, alegadamente, criou um tratamento para o câncer com base na emissão de ondas eletromagnéticas (na faixa do ultravioleta) que funcionava como uma espécie de "forno de microondas" para os microorganismos específicos: explodia eles!

Uma rápida busca no Google me indicou um site sobre os méritos alegados de Rife. A linguagem do site alcançava uma alta pontuação no "Crackpot Index" do Baez (vide artigo anterior). Mas, como eu sou apenas um burrinho esforçado que tem a sorte de conhecer gente que realmente entende do assunto, fui encher o saco de meu amigo da juventude, o Professor Paulo Paes de Andrade, Biofísico do Departamento de Biologia da UFPE. A resposta que ele me mandou merece ser transcrita:

João, entrei lá no site que você linkou. Desculpe ter sido tão extenso na resposta, mas acho que você vai ler com prazer.

É interessante como um amontoado de coisas técnicas/ científicas pode soar verossímil, mas uma análise mais cuidadosa um pouco mostra que não é.

Abaixo tem um texto colado da página do tal Rife. [observação: o texto original é em inglês, portanto - para não perder o hábito - eu vou traduzir]

Por volta de 1920, Rife tinha acabado de construir o primeiro microscópio para vírus do mundo. Por volta de 1933, ele tinha aperfeiçoado essa tecnologia e construído o incrivelmente complexo Microscópio Universal, composto por quase 6.000 diferentes peças e que era capaz de aumentar os objetos 60.000 vezes. Com este incrível microscópio, Rife se tornou o primeiro ser humano a realmente ver um vírus vivo e, até bem recentemente, o Microscópio Universal era o único capaz de ver vírus vivos.

Os modernos microscópios eletrônicos matam instantaneamente qualquer coisa que fique sob eles, mostrando apenas os resíduos mumificados e escombros. O que o microscópio de Rife podia ver era a enorme atividade dos vírus vivos, à medida em que eles se modificam para se acomodar às mudanças no ambiente, se reproduzir rapidamente em resposta a carcinogênicos e transformar células sadias em células de tumor.

Mas como foi que Rife foi capaz de conseguir isso, em uma época na qual a eletrônica e a medicina ainda estavam apenas evoluindo? Aqui vão alguns detalhes técnicos para aplacar os céticos...

Rife, com muito esforço, identificou a assinatura espectroscópica individual de cada micróbio, usando um espectroscópio de fenda acessório. Então, ele lentamente girava os prismas de blocos de quartzo para focalizar a luz de um único comprimento de onda sobre o microorganismo que queria observar. Esse comprimento de onda era selecionado porque ele estava em ressonância com a assinatura de freqüência espectroscópica do micróbio, com base no, agora estabelecido, fato de que cada molécula vibra em uma freqüência específica própria.

Os átomos que se juntam para formar uma molécula são presos nessa configuração molecular com uma ligação energética covalente que tanto emite, como absorve sua própria freqüência eletromagnética específica. Não há duas espécies de moléculas que tenham as mesmas oscilações eletromagnéticas ou assinatura energética. A ressonância amplifica a luz, do mesmo modo que duas ondas no oceano se intensificam, uma a outra, quando se combinam.

O resultado de empregar um comprimento de onda ressonante é que os micro-organismos que são inivisíveis na luz branca, subitamente se tornam visíveis, em um brilhante clarão de luz, quando são iluminados com a freqüência de cor que entra em ressonância com sua característica assinatura espectrográfica. Rife, assim, foi capaz de ver esses organismos, de outro modo invisíveis, e observá-los invadindo ativamente culturas de tecidos. A descoberta de Rife permitiu-lhe ver organismos que ninguém mais podia ver com microscópios comuns.

Mais do que 75% dos organismos que Rife pode ver com seu Microscópio Universal, somente são visíveis com luz ultravioleta. Mas a luz ultravioleta fica fora da faixa da visão humana, ela é "invisível" para nós. O brilhantismo de Rife permitiu que ele vencesse esta limitação, por meio da heterodinização, uma técnica que se tornou popular com as primeiras emissões radiofônicas. Ele iluminava o micróbio (usualmente um vírus ou bactéria) com dois comprimentos de onda diferentes da mesma freqüência de luz ultravioleta que entrava em ressonância com a assinatural espectroscópica do micróbio. Esses dois comprimentos de onda produzidos, interferiam entre sí ao se misturarem. O resultado dessa interferência era, com efeito, uma terceira onda, mais longa, que ficava dentro do espectro visível da radiação eletromagnética. Foi assim que Rife tornou os inivisíveis micróbios visíveis sem matá-los, um feito que os atuais microscópios eletrônicos não conseguem igualar.


Esta conversa toda acima é para falar que o cabra tinha um microscópio ótico que ampliava 60.000 vezes.

Primeiro ponto: a física prova (não importa quão genial seja o inventor, isto não será mudado) que uma radiação eletromagnética só pode identificar dois pontos como sendo distintos, se a distância entre eles for maior que o comprimento da radiação empregada. Para a luz visível isto vai até 2.000 vezes, para o ultravioleta vai talvez a 5.000 vezes, nunca a 60.000 vezes! O tal Rife afirma que o microscópio dele “via” coisas vivas, então tinha que ser iluminado com luz (visível ou ultravioleta) e não com elétrons.

Segundo ponto: ele afirma que o ultravioleta não é visível, e portanto ele usava o recurso da ressonância para visualizar os objetos (vírus e outros) que ele examinava. As duas coisas estão certas, mas é preciso lembrar que a luz emitida por esta ressonância tem sempre comprimento de luz maior do que a radiação incidente (o próprio texto revela isso), portanto, menos poder de separar objetos próximos. Muitos organismos e moléculas fluorescem naturalmente, e é disso que o autor, de forma elíptica e retórica, fala. Ocorre que o conhecimento deste fenômeno é muito antigo e já foi aproveitado em microscopia. Mas só ganhou contornos de uso comum quando se começou a usar marcadores fluorescentes, isto é, moléculas ligadas a fluoróforos que por sua vez se ligavam especificamente a certos componentes celulares (ou virais, ou do espaço intercelular) para se transformar na microscopia confocal que temos hoje, uma versão muuuuuuito melhorada da proposta simplória do Rife. Mas mesmo a microscopia confocal (que usa vários, se não todos, os princípios enumerados pelo Rife) não consegue ampliar mais do que o limite definido pela física (usualmente 2000 X).
Para ter uma idéia das imagens, olhe o site
http://www.feinberg.northwestern.edu/cif/lsm510.htm .

Outro trechinho do site:

Não obstante, muitos cientistas e doutores têm, desde então, confirmado a descoberta de Rife do vírus do câncer e sua natureza pleiomórfica, usando técnicas de "dark field", o microscópio Naessens e experiências em laboratório.


Há coisas certas e outras nem tanto. A descoberta do vírus do câncer é atribuída a vários pesquisadores, e não a um só. A natureza pleiomórfica dos vírus (não só o do câncer) é bem conhecida, mas não se reflete na sua estrutura física, e sim na organização genômica e na forma como os vírus expressam seus genes e modificam suas proteínas. As técnicas de campo escuro (dark field) não são capazes de mostrar vírus, a menos que eles estejam envoltos com muito material do hospedeiro (fragmentos de membrana da célula hospedeira e coisas assim). O tal microscópio Naessens é essencialmente igual ao do Rife, e da mesma forma, posto em dúvida e declarado fraude por quase todo mundo. É claro que experimentos de laboratório confirmam o pleiomorfismo: que mais poderia confirmar, a inspiração divina?

Deste ponto em diante:

Por meio do aumento da intensidade de uma freqüência que entrava naturalmente em ressonância com esses micróbios, Rife ampliava suas vibrações naturais até que eles se distorcessem e se desintegrassem por fadiga estrutural. Rife chamava essa freqüência de "the mortal oscillatory rate" (taxa de oscilação mortal) ou "MOR" e ela não causava qualquer dano aos tecidos adjacentes


O site envereda pela teoria de que o aumento da energia da freqüência de ressonância é capaz de destruir o objeto ressonante. E dá como exemplo um copo de cristal destruído pelo som. De novo, há aí coisas certas e erradas (faça uma mistura equilibrada de verdades e mentiras, e você consegue convencer qualquer um de qualquer coisa, veja o Ciro Gomes com a transposição do São Francisco, por exemplo).

Primeiro, o som não é uma radiação eletromagnética e o exemplo já começa mal.

Segundo, a radiação incidente tem que atingir o alvo, e os vírus estão dentro de células, por trás da pele e de outros tecidos. As radiações que conseguem penetrar nos tecidos estão todas na faixa dos raios X ou mais intensas ainda, e nada têm a ver com as radiações visíveis ou UV de que ele falava antes.

Terceiro, a ressonância só ocorre se não há outros fatores de atenuação envolvidos, que dispersem a energia, o que não é definitivamente o caso no ambiente celular.

Quarto: o objeto (ou vírus) deveria ser composto todo de uma mesma substância, o que não é o caso da maioria dos vírus, mesmo se levarmos em conta só o capsídeo (a casca deles). Só os vírus filamentosos e bacteríofagos são tão simples, os nossos vírus estão longe disso.

Quinto: para tristeza de todos, muitos dos nossos vírus (inclusive o perigoso HPV) deixam de existir como quase cristais e integram o seu DNA em nosso DNA, de forma que desaparecem completamente do alcance da técnica que é citada no site.

O texto depois se alarga numa discussão estéril de coisas que aconteceram há muitos anos e não têm mais como ser investigadas a não ser lá nos EUA. Nem vou comentar.

Minha análise final é a seguinte: mais uma técnica sem fundamento para engambelar aqueles que estão desesperados (e isso se aplica ao câncer ou a qualquer outra doença, e mesmo aos problemas humanos mais triviais, como falta de dinheiro, calvície, gordura, etc.


Em resumo – exatamente como eu esperava, ao consultar o Dr. Andrade – mais um exemplo de misturar fatos científicos não relacionados entre si e aparecer com "curas milagrosas".

E, aí, me aparece o Physics News Update n° 777 (ver dois artigos atrás) com uma matéria sobre o uso de laser de extremo ultravioleta para observar objetos da ordem de dezenas de nanômetros.

Aí você para e pensa nos seguintes exemplos:

• Voltaire, em um artigo, relatava o hábito que as mães turcas tinham de, quando surgia uma epidemia de varíola, levar seus filhos à casa dos sobreviventes, na fase de "seca" da doença, e esfregar a pele das crianças contra as chagas em processo de cicatrização. Mas os médicos franceses desprezavam essa "crendice" de um "povo atrasado e supersticioso" como os Turcos. Pasteur e todas as noções sobre micro-organismos ainda estavam séculos à frente e "vacina" era um conceito totalmente desconhecido.

• Quando Amedeo Avogadro raciocinou que um mesmo volume de qualquer gás, em iguais condições de temperatura e pressão, deveria conter o mesmo número de moléculas, não se sabia direito o que eram "moléculas" ou "átomos".

• A mesma coisa aconteceu com Mendeleyev e sua Tabela Periódica de Elementos. Ela foi baseada no cálculo do "peso atômico" dos elementos (quando nem se imaginava a existência de isótopos) e só foi devidamente esclarecida com o advento da mecânica quântica.


Será que o "crackpot" do Rife tinha algum fundo de razão? Será que ele realmente disse que podia enxergar os micróbios, ou será que disseram que ele disse? Existe uma técnica para cessar o crescimento de tumores malignos que "queima" com laser as células cancerosas periféricas do tumor. Isso teria alguma relação com os estudos de Rife?

A primeira coisa que o Dr. Andrade "passa batido" – porque é um fato tão conhecido que nem precisa mencionar – é que a técnica de Laser é muito posterior aos experimentos de Rife. Como é que ele conseguiria um feixe coerente de ultravioleta de forma a "mirar" em uma única bactéria? Que pontaria, né?... (Também, com uma acuidade visual como a dele – que conseguia "ver" vírus que ninguém mais conseguia ver...)

A segunda é que a nanotecnologia necessária para construir um microscópio, tal como o descrito no PNU n° 777, é extremamente recente. Com as válvulas e botões do tempo de Rife (e aqueles mostradores de ponteirinho), conseguir o grau de acurácia reivindicado é simplesmente impossível.

O Dr. Andrade fala de uma "técnica sem fundamento". Eu acho que é coisa pior: é uma aldrabice com falsos fundamentos. Coisa que pessoas razoavelmente ignorantes – tais como yours truly – podem até ser convencidas de que realmente são fundamentadas, se derem meia dúzia de fontes de referência suficientemente vagos e não inter-relacionados, contendo as poucas "verdades" que formam uma grande mentira.

The Crackpot Index

Salve, Pessoal!

Eu juro que pedi ao Professor John Baez a devida permissão para traduzir a página "The Crackpot Index". Eu imagino que ele deve estar ocupado com coisas mais sérias do que responder a um "crackpot" brasileiro, de modo que mesmo sem a autorização, lá vai a tradução...

O Daniel, quando eu contei para ele que ia fazer essa tradução, me perguntou como eu ia traduzir "Crackpot"... Depois de muito pensar (quem foi o engraçadinho que falou "coitados dos vizinhos! o cheiro deve ter sido insuportável!"?) , eu me decidi por usar o termo "biruta". Assim, o "Crackpot Index" virou:

O Índice de Birutice
de John Baez

Um método simples para classificar as contribuições potencialmente revolucionárias para a física:

1. Um crédito inicial de 5 pontos.

2. 1 ponto para cada declaração sobre a qual a maioria concorde que é falsa.

3. 2 pontos para qualquer declaração que seja claramente irrelevante.

4. 3 pontos para qualquer declaração que seja logicamente inconsistente.

5. 5 pontos para cada uma dessas declarações que, após uma correção cuidadosa, o autor insista em teimar.

6. 5 pontos para o emprego de uma experiência teórica que contradiga os resultados de uma experiência real largamente acreditada.

7. 5 pontos para cada palavra escrita toda em maiúsculas (exceto para os que têm teclados defeituosos).

8. 5 pontos para cada menção de "Einstien", "Hawkins" ou "Feynmann".

9. 10 pontos para cada afirmação de que a mecânica quântica é fundamentalmente errônea (sem provas concretas).

10. 10 pontos para afirmar que você freqüentou uma Faculdade, como se isso fosse uma prova de sanidade mental.

11. 10 pontos por começar a descrição de sua teoria, dizendo há quanto tempo você vem trabalhando nela.

12. 10 pontos para enviar sua teoria para alguém que você não conhece pessoalmente e pedir que não fale dela a ninguém, por medo de que suas idéias sejam roubadas.

13. 10 pontos para oferecer um prêmio em dinheiro para quem comprovar ou encontrar inconsistências em sua teoria.

14. 10 pontos para cada nova expressão que você inventar e usar sem definí-la adequadamente.

15. 10 pontos para cada declaração do tipo "eu não sou bom em matemática, mas minha teoria é conceitualmente correta, então, tudo que é preciso é que alguém exprima isso em equações".

16. 10 pontos por argumentar que uma teoria corrente, bem estabelecida, "é apenas uma teoria", como se isso fosse um argumento contra ela.

17. 10 pontos por argumentar que, embora uma teoria corrente, bem estabelecida, preveja os fenômenos corretamente, ela não explica "por que" eles ocorrem, ou não consiga explicar um "mecanismo".

18. 10 pontos para cada comparação favorável de você com Einstein, ou qualquer argumento de que a as Teorias da Relatividade, Especial e/ou Geral, são fundamentalmente erradas (sem provas concretas).

19. 10 pontos por afirmar que seu trabalho é a "ponta de lança" de uma "mudança de paradigmas".

20. 20 pontos por me enviar emails e reclamar do meu "Índice de Birutice" (E.g: dizer que ele "suprime o pensamento original" ou que eu escrevi errado "Einstein" no item 8.)

21. 20 pontos por sugerir que você é um candidato ao Nobel.

22. 20 pontos por cada comparação favorável entre você próprio a Newton ou por afirmar que a Mecânica Clássica é fundamentalmente errônea (sem provas concretas).

23. 20 pontos por cada emprego de obras de ficção científica ou mitos como se fossem fatos incontestes.

24. 20 pontos por defender-se mencionando ridicularizações (reais ou imaginárias) feitas a suas teorias anteriores.

25. 20 pontos por batizar alguma coisa com seu próprio nome (E.G, falar acerca da "Equação de Campo de Evans", no caso de seu nome ser Evans.)

26. 20 pontos por falar acerca de como sua teoria é formidável, mas jamais explicar do que se trata.

27. 20 pontos por cada uso da expressão "reacionarismo tacanho".

28. 20 pontos por cada uso da frase "auto-nomeado defensor da ortodoxia".

29. 30 pontos por sugerir que uma figura famosa secretamente não acreditava em uma teoria que ele ou ela publicamente apoiava. (E.g., que Feynman era um secreto opositor da Relatividade Restrita, como se pode deduzir das entrelinhas de seus cadernos de notas quando ele era um calouro.)

30. 30 pontos por sugerir que Einstein, em seus últimos anos, estava inclinado a adotar as idéias que você agora advoga.

31. 30 pontos por afirmar que suas teorias foram desenvolvidas por uma civilização extraterrestre (sem provas concretas).

32. 30 pontos por alusões a um retardo em seu trabalho, durante o tempo em que você descansava em um asilo, ou referências ao psiquiatra que tentou convencê-lo a abandonar sua teoria.

33. 40 pontos por comparar os que discutem contra suas idéias com Nazistas, tropas de choque ou camisas pardas.

34. 40 pontos por afirmar que o "establishment científico" está empenhado em uma conspiração para impedir que seu trabalho obtenha sua merecida fama, ou coisa assim.

35. 40 pontos por se comparar a Galileu, sugerindo que uma Inquisição atual está empenhada em perseguí-lo, e por aí a fora.

36. 40 pontos por afirmar que, quando sua teoria for finalmente reconhecida, a ciência de hoje em dia será vista como a farsa que ela realmente é. (30 pontos adicionais por fantasiar acerca de julgamentos públicos, nos quais os cientistas que ridicularizaram você serão forçados a se retratar.)

37. 50 pontos por afirmar que você tem uma teoria revolucionária, mas não fazer qualquer previsão concretamente testável.

© 1998 John Baez


Esta avaliação, com as necessárias adaptações, serve para qualquer "teoria revolucionária" em qualquer ciência. Eu, honestamente, recomendo que, se você tem uma teoria dessas, examine sua pontuação atentamente.

18 maio 2006

Physics News Update n° 777


PHYSICS NEWS UPDATE
O Boletim de Notícias da Física do Instituto Americano de Física, número 777, de 18 de maio de 2006 por Phillip F. Schewe, Ben Stein, e Davide Castelvecchi
PHYSICS NEWS UPDATE

MICROSCÓPIO DE EXTREMO-ULTRAVIOLETA CONSEGUE UMA RESOLUÇÃO RECORD. Na próxima semana, na Conferência sobre Lasers e Eletro-Óptica – Conferência sobre Eletrônica Quântica e Ciência de Laser, na Califórnia, Courtney Brewer da Universidade do Estado do Colorado e seus colegas vão apresentar um sistema de bancada óptico de obtenção de imagens com o poder de revelar detalhes menores do que 38 nanômetros (bilionésimos de metro), um recorde mundial para um microscópio óptico compacto com fonte de luz. O microscópio pode inspecionar detalhadamente dispositivos de escala nanométrica, projetados para eletrônica e outras aplicações. Ele será capaz de detectar sutís defeitos de manufatura nos atuais circuitos de computador ultra-miniaturizados, nos quais defeitos com apenas 50 nm que, até agora, eram pequenos demais para gerar problemas, mas que poderiam causar desastres nas atuais dimensões nanométricas dos chips de computadores. Exceto por alguns detalhes "high-tech", o microscópio funciona de maneira muito similar a um microscópio óptico convencional. A luz brilha através da amostra em exame. A luz transmitida é coletada em uma "placa de zona de objetiva" que forma uma imagem em um detector CDD, o mesmo tipo de dispositivo que grava as imagens em uma câmera digital. Entretanto, no caso do microscópio-sub-38nm, existem alguns truques tecnológicos. O microscópio usa um laser que produz luz no espectro do extremo ultravioleta (EUV), cujos comprimentos de onda extremamente pequenos tornam possível ver pequenos detalhes em uma amostra. A luz EUV é criada pela ablação (vaporização) da superfície de um material-alvo de prata ou cádmio, de forma a que o material vaporizado forme um plasma (uma coleção de partículas carregadas) que irradiam a luz laser. Para focalizar essa luz, os pesquisadores não usam lentes convencionais, porque estas absorvem a maior parte da radiação EUV. Em lugar delas, o microscópio usa "placas de zona difrativas", estruturas que contém anéis concêntricos com espaçamento nanométrico, que focalizam a luz da maneira desejada. Outros microscópios ópticos do "estado-da-arte" já obtiveram rescoluções de até 15 nm, mas estes precisam de grandes sincrotrons. Este sistema mais compacto e menos dispendioso tem potencial para se tornarem mais largamente disponíveis para pesquisadores e indústrias. Além disso, uma vez que os laser de extremo-ultravioleta produzem pulsos de luz de duração muito curta (4 psicossegundos – trilhonésimos de segundo), os pesquisadores acreditam ser possível criar "instantâneos" na escala de psicossegundos de importantes processos em outras aplicações (Paper CME4, www.cleoconference.org)

FRICÇÃO À DISTÂNCIA, a fricção entre objetos próximos que não estão em contato, ainda não é bem compreendida. Seppe Kuehn e seus colegas em Cornell estão decididos a mudar isso. Em primeiro lugar, o que significa contato? Kuhen sugere que, quando dois objetos estejam separados por menos do que cerca de 1 nanômetro, eles podem ser ditos "em contato". Pode-se pensar na fricção de contato como sendo um micro-processo do tipo "velcro" — os "montes" atômicos em uma superfície raspam através de "vales" atômicos da outra superfície. Para observar a fricção sem contato, a fricção entre duas superfícies separadas por mais de 1 nm, os pesquisadores de Cornell usam um pequeno microcantiléver mono-cristal, com menos de um milímetro de comprimento e com poucos milhares de átomos de espessura. Baixado verticalmente em direção a uma superfície e posto em movimento, o cantiléver vai frear em razão direta da fricção que sentir da superfície abaixo. Surpreendentemente, a fricção entre o cantiléver e a amostra depende da composição química da amostra. Estudando a dependência entre a fricção sem contato e a composição química da amostra, os cientistas de Cornell obtiveram a primeira detecção direta e mecânica da fricção sem contato, que surge dos fracos campos elétricos causados pelo movimento das moléculas nas amostras. As amostras incluiram vários materiais polímeros. Este trabalho é motivado por esforços recentes para a obtenção de Imagens por Ressonância Magnética (MRI) de moléculas singelas, que necessitam da detecção de forças muito pequenas e têm sido frustradas pela fricção sem contato. (Kuehn, Loring, Marohn, Physical Review Letters, 21 de Abril de 2006)

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PHYSICS NEWS UPDATE é um resumo de notícias sobre física que aparecem em convenções de física, publicações de física e outras fontes de notícias. É fornecida de graça, como um meio de disseminar informações acerca da física e dos físicos. Por isso, sinta-se à vontade para publicá-la, se quiser, onde outros possam ler, desde que conceda o crédito ao AIP (American Institute of Physics = Instituto Americano de Física). O boletim Physics News Update é publicado, mais ou menos, uma vez por semana.

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Como divulgado no numero anterior, este boletim é traduzido por um curioso, com um domínio apenas razoável de inglês e menos ainda de física. Correções são bem-vindas.

04 maio 2006

Lembranças de uma Estrela Distante


Esta materia foi postada na Comunidade "Astronomia!" do Orkut em 28/04/06, pela personagem Vanessa Love Schrick (não... eu não vou dar o link para a home-page dela... quem quiser que procure).

Lembranças de uma Estrela Distante... 28/04/2006 19:13

Os Dogon, povo tribal da África Ocidental, intrigam os estudiosos pelo conhecimento que têm do universo e pela precisão de suas noções de astronomia.

Como muitas tribos africanas, os Dogon, da República do Mali {antigos Sudão francês}, têm passado obscuro. Sabe-se que se fixaram no planalto Bandiagara, onde vivem até hoje, em alguma época entre os séculos XIII e XVI. Essa região localiza-se a cerca de 500 quilômetros ao sul de Timbuktu e durante a maior parte do ano é desolada e árida. Entre formações rochosas e desfiladeiros, os Dogon construíram seus vilarejos com casa de barro e palha. Seu modo de vida quase não mudou ao longo dos séculos.

Em princípio, não há nada de extraordinário nessa descrição. Para uma tribo "primitiva" e que vive isolada, não deixa de ser espantoso o conhecimento de astronomia. Os Dogon sabem, por exemplo, que Sirius, a estrela mais brilhante do céu, tem uma estrela vizinha, Sirius B, invisível a olho nu {ela está a 11' da alfa, chamada de Sirius A, e só pode ser observada com auxílio de um telescopio de 320 milimetros}. Contam que é pequena e pesada {sua massa é 36.000 vezes mais densa que a do Sol e 50.000 vezes mais pesada que a da água}. O mais curioso é que os astrônomos nem sequer suspeitavam da existência dessa estrela até meados do século XIX. Uma descrição detalhada de Sirius B só foi feita em 1920 e sua primeira imagem fotográfica data de 1970. E são justamente as informações sobre ela que constituem o fudamento da mitologia dos Dogon. Tal povo cultua Sirius B em seus rituais secretos, representa-a em desenhos na areia, em sua arquitetura sacra, em esculturas e nas estampas dos cobertores, cujos padrões datam de centenas ou talvez de milhares de anos. O mundo ocidental tomou conhecimento da crença dos Dogon por intermédio do trabalho de dois respeitados antropólogos franceses, Marcel Griaule e Germaine Dieterlen. Em 1931, eles decidiram realizar um estudo profundo sobre esse povo. Durante 21 anos conviveram com a tribo.

O trabalho dos dois antrpólogos deixa patente que a crença dos Dogon se baseia num conhecimento profundo de astronomia. Sirius A e os astros e planetas que orbitam em torno dela constituem a referência fundamental de sua cosmovisão. Sirius B, a principal estrela vizinha, é feita de matéria mais pesada que qualquer elemento existente na Terra e seu movimento se dá numa orbita elíptica de cinquenta anos. Os dogons chamam essa estrela de "Po tolo" – referência ao grão de um cereal originário da nascente do rio Níger, cujo peso parece desproporcional a seu tamanho. Já na primeira metade do século XIX, os astrônomos do ocidente verificaram que algo curioso acontecia em torno de Sirius. Notaram, inicialmente, que o movimento da estrela não ocorria em linha reta, mas apresentava oscilações. O fato só poderia ser explicado pela existencia, perto dela, de outra estrela, cujo campo gravitacional atuasse sobre seu movimento. Em 1862, o americano Alvan Graham Clark, ao realizar testes com um novo telescopio, descobriu essa estrela e chamou-a de Sirius B. Após a primeira observação das peculiaridades de Sirius, passaram-se mais de cinqüenta anos até que se chegasse a uma conclusão sobre a estranha capacidade de um corpo tão pequeno exercer atração tão intensa. O responsável pelo esclarecimento foi Arthur Eddington, astrônomo e físico inglês que, na década de 1920, formulou a teoria das estrelas anãs brancas, ou seja, estrelas que no fim da vida, contraem-se e tornam-se superdensas. A descrição do fenômeno coincide com a versão dos Dogon.

"Permanece sem solução o problema de saber como esses homens, sem dispor de nenhum instrumento, podiam conhecer os movimentos e certas características de estrelas virtualmente invisíveis".

Os Dogon conservaram uma antiga sabedoria que incluía não só informações sobre Sirius B, mas tambem sobre nosso sistema solar. Diziam que a Lua era "seca e morta". Desenhavam o planeta Saturno com seus aneis, {há dois outros casos conhecidos de tribos que possuem essa informação}. Sabiam que os planetas giram ao redor do Sol e que a Terra gira em torno de seu próprio eixo. Em sua arquitetura sacra havia gravações dos movimentos de Vênus. Mencionavam as quatros "luas principais" de Júpiter – os quatros satelites descoberto por Galileu Galilei {1564-1642}. Que existe um número infinito de estrelas e que uma força em forma de espiral envolve a via-láctea, à qual a Terra está ligada. No caso particular de Sirius B, no entanto, os argumentos são irrefutaveis. Para simbolizar essa estrela, os dogons escolheram de forma deliberada o menor, embora mais importante, objeto que puderam encontrar: um grão de seu cereal básico. Para dar a ideia do peso do conteudo mineral de Sirius B, eles diziam: "Todos os seres da Terra reunidos não podem erguê-la". A elipse em forma de ovo poderia ser interpretada como a representação do "ovo da vida", ou algum outro símbolo desse tipo; porém os dogons insistiram que se tratava de uma orbita – fato astrônomico descoberto pelo alemão Johannes Kepler {1571-1630} no século XVI, mas certamente desconhecido por tribos africanas sem instrução. Além disso, eles situavam Sirius em sua posição exata dentro de órbita, isto é, no ponto focal, próximo à margem da elipse, e não no centro, como seria natural.

Esse povo conhecia realmente astronomia?

O mais curioso como teve acesso a esse conhecimento? Ainda é um misterio....


Na página da WikiPedia em inglês sobre o Povo Dogon encontra-se a seguinte argumentação, refutando o mistério (explorado pelo inglês Robert Temple, em seu livro The Sirius Mystery de 1975):

• O astrônomo Carl Sagan lida com o assunto em seu livro "Broca's Brain" (1974), onde declara que existem muitos problemas com a hipótese, levantada por Temple (de que os Dogons teriam tido contato com civilizações extraterrestres, no estilo "Deuses/Astronautas"). Como exemplo Sagan menciona que os Dogon não parecem ter conhecimento de um outro planeta, além de Saturno, que tenha anéis, o que significaria que seu conhecimento teria origem européia e não extraterrestre.

• Outro astrônomo, Ian Ridpath, publicou um artigo no "The Skeptical Inquirer (1978), apontando diversos erros no livro de Temple. Ridpath declarou que, embora as informações que os Dogon provavelmente obtiveram de europeus, pareçam muito com os fatos sobre Sirius, o presumível conhecimento dos Dogon sobre o planeta é muito diferente dos fatos.

• James Oberg colecionou diversas alegações referentes à mitologia dos Dogon, no capítulo 6 de seu livro UFO's and Outer Space Mysteries (1982), em seu capítulo 3. De acordo com Oberg, o conhecimento astronômico dos Dogon parece o conhecimento e as especulações do fim da década de 1920. Os Dogon poderiam ter obtido seus conhecimentos de astronomia de europeus visitantes, antes que sua mitologia fosse pesquisada em 1930. Oberg também observa que os Dogons não eram uma tribo isolada, portanto não era sequer necessário que estrangeiros informassem-nos dobre Sirius: eles poderiam ter obtido essas informações em outros lugares e as repassado a sua tribo, posteriormente. Dessa forma, quando Temple visitou os Dogon nos anos 1970, eles já teriam um grande contato com o mundo ocidental e teriam tido tempo de incorporar Sirius B a sua religião.


Pode ser... O que não fica claro, de maneira nenhuma é:

1 - Por que os Dogon – já que estiveram expostos a outras civilizações (não só a européia, mas os pretensiosos europeus não se lembram de que existem outras civilizações, muitas delas muito mais anitgas do que a porcaria da Europa) e, provavelmente, a uma intensa tentativa de cristianização ou maometização, foram incorporar a sua mitologia um fato obscuro da astronomia da década de 1920.

2 - Por que esse e não outro mito, foi tão prontamente incorporado à mitologia de um povo africano, enquanto diversas outras crenças – para os Dogon igualmente fantasiosas, como, por exemplo, os "canais" e a "moribunda civilização Marciana" (então em plena voga, segundo os devaneios de Schiaparelli) – não levantaram qualquer interesse.

3 - Por que – com seiscentos diabos! – um povo, entre todos os existentes na África Equatorial, foi criar uma mitologia nova em folha na década de 1920 e abandonar sua própria mitologia milenar.

Esse é o "modo europeu" de fazer ciência: se os europeus não sabem, ninguém mais pode saber. E se alguém sabe, foram os europeus que ensinaram...

Não vem ao caso se os "Deuses" eram ou não astronautas: bastou um adepto dessa tese (por falar nisso: européia) usar como exemplo o mistério dos Dogon, que, imediatamente, tratam de varrer o mistério para debaixo do tapete.

Se isso é "ciência", eu sou um bule de chá...

Atualizando em 07/05/2006

O Mike Britto, da Comunidade "Astronomia!" do Orkut, apresentou uma contra argumentação bastante válida, que reproduzo abaixo:

Não precisa ir longe.

Os erros de conceitos na "crença" dos dogons, não só indicam que o conhecimento veio da europa... como também indicam que veio por meio de fontes não totalmente aprofundadas em física.

Contam que é pequena e pesada {sua massa é 36.000 vezes mais densa que a do Sol e 50.000 vezes mais pesada que a da água}.

"Massa mais densa"? "mais pesada do que qual quantidade de água"? Isso não só tem cara de contato cultural... como tem cara de contato cultural "mal aprendido".

Tal povo cultua Sirius B em seus rituais secretos, representa-a em desenhos na areia, em sua arquitetura sacra, em esculturas e nas estampas dos cobertores, cujos padrões datam de centenas ou talvez de milhares de anos.

Uma pergunta que uma pessoa de bom senso imediatamente faz: Onde estão essas representações? É centenas ou é milhares de anos? Isso normalmente não é conclusão de uma pessoa experiente em datações. Um datador experiente não fornece uma datação dessas (a precisão é menor que o intervalo).

Isso tá parecendo um belo de um chute sem nenhum rigor, dado talvez, por alguem que estivesse interessado em fabricar uma evidência.

O trabalho dos dois antrpólogos deixa patente que a crença dos Dogon se baseia num conhecimento profundo de astronomia. Quem tem um pouco de afinidade com argumentação lógica, normalmente para de ler o texto nessa frase.

O conhecimento mostrado não é profundo:

• É estagnado: eles misteriosamente passaram centenas de anos com um conhecimento equivalente a especulações da década de 20... e misteriosamente pararam aí. O que foi descoberto depois pela astronomia eles não sabiam.

• É mal aprendido: As confusões de conceitos são muito comuns... "massa mais densa"... "mais pesado que a água".

Isso é exatamente o que acontece quando um conhecimento é trasmitido e não totalmente assimilado.

Vamos direto ao que é muito claro:

«1 - Por que os Dogon – já que estiveram expostos a outras civilizações e, provavelmente, a uma intensa tentativa de cristianização ou maometização, foram incorporar a sua mitologia um fato obscuro da astronomia da década de 1920.»

«2 - Por que esse e não outro mito, foi tão prontamente incorporado à mitologia de um povo africano, enquanto diversas outras crenças – para os Dogon igualmente fantasiosas, como, por exemplo, os "canais" e a "moribunda civilização Marciana" (então em plena voga, segundo os devaneios de Schiaparelli) – não levantaram qualquer interesse.»

Que os dogons cultuavam Sírius já era sabido. Isso não era nenhuma novidade... nem é nada demais... já que Sírius é a estrela mais brilhante do céu.

Então, eles passam tendo contato com todo tipo de cultura. Num determinado momento, eles têm contato com informações sobre exatamente o simbolo maior da mitologia deles. Alguma dúvida sobre o motivo que os levou a incorporarem essas informações tão rápido?

Isso explica 2 coisas muito importantes:

• o fato de incorporar informações específicamente sobre sírius... e não outras informações culturais com as quais tiveram contato.

• sugerir que a mitologia sobre sírius é antiga... mesmo porque, ela é. Mas na verdade, as evidências que apontam apenas para o conhecimento da estrela em si... e não de detalhes dela.

Se colocarmos os fatos de forma lógica:

• Provar que o culto a sírius é antigo, é completamente diferente de provar que o conhecimento de suas caracteristicas também seja.

• O que se vê na pesquisa de Temple, é uma tentativa falaciosa de usar o fato da Sirius ser objeto antigo de mitologia, como argumento para demonstrar que o conhecimento das caracteriscas de Sírius também sejam antigas.

«3 - Por que – com seiscentos diabos! – um povo, entre todos os existentes na África Equatorial, foi criar uma mitologia nova em folha na década de 1920 e abandonar sua própria mitologia milenar.»

Eles não abandoram.

Se vc prestar atenção a todo o contexto, verá que eles apenas incorporaram informação ao que já estava no topo da mitologia deles.


«Esse é o "modo europeu" de fazer ciência: se os europeus não sabem, ninguém mais pode saber. E se alguém sabe, foram os europeus que ensinaram...»
Falácia. Linguagem preconceituosa.

Isso não é argumento para afirmar que o conhecimento em questão não seja europeu.

Além do mais, o tempo demonstrou claramente que a conhecimento dos Dogons estagnou. Era igual ao europeu, naquela época. O conhecimento deles não deu um passo depois disso.

Agora, responda vc:

Porque diabos a astronomia continuou avançou e a cultura dogon não deu 1 passo sequer??

O conhecimento que os dogons têm hoje, é identico ao que tinham quando foram visitados por Griaule e Dieterlen.

E esse conhecimento, se comparado com a astronomia de hoje, está muito longe de poder receber o adjetivo de "preciso".
Por que?


Atualizando em 16/5/06:

Os pontos levantados pelo Mike são, obviamente, pertinentes. Existem indícios fortes de que houve uma "contaminação cultural". O que me deixa "doente" é que, quando Griaule e Dieterlen constatarm esta curiosidade, o fato foi deixado de lado, provavelmente porque a maioria dos antropólogos desconhecia o fato astronômico. E – o que importa o que pensa uma tribo perdida no meio da África sobre uma estrêla que é matéria de suas "superstições pagãs"?.

Foi necessário que outro europeu, com idéias "crackpot" sobre "Deuses Astronautas" chamasse a atenção para o fato, de maneira sensacionalista, para que os luminares da ciência prontamente descartassem qualquer outra possibilidade, que não fosse a "contaminação cultural" e com origem européia.

Às perguntas do Mike, eu respondo o seguinte:

1 - A cultura Dogon não se importava com os aspectos "científicos" da estrêla Sirius – apenas com os aspectos mitológicos associados a ela. Provavelmente, como você observou, por ser ela a estrela mais brilhante do céu. Os Dogons nunca foram "cientistas" e sua tecnologia ainda é bastante primitiva.

2 - Os conhecimentos atuais dos Dogon são identicos àqueles constatados pelos antropólogos. Mas ninguém se lembrou de perguntar, em 1930, de onde vinham e a quanto tempo os Dogons acreditavam nisso. Agora, em 2006, é fácil descartar a hipótese de outra fonte para esse conhecimento. Mas o fato é que, na época, ninguém pesquisou.

3 - O conhecimento está longe de ser "cientificamente rigoroso", mas, volto a dizer, para os Dogon trata-se de "crença", de "misticismo", não de um fato essencial a seu dia-a-dia. Um conhecimento expresso dentro de suas limitações culturais, que, evidentemente, não incluem sequer cálculos de paralaxe.

Eu sempre me reporto a um artigo de Voltaire que relata que os turcos tinham por hábito levar suas crianças para junto dos sobreviventes da varíola e esfregar a pele das crianças nas chagas em processo de seca. E constatava que a varíola era muito menos letal entre os turcos do que em outras etnias. Mas, na época, Pasteur ainda estava longe de nascer e esse fato não tinha qualquer "respaldo científico", de acordo com o "estado da arte" médica.

Não se deve aplicar a "Navalha de Occam", antes de estarmos certos de que não foram os "Ídolos de Bacon" que afiaram seu gume.

02 maio 2006

Physics News Update n° 776


PHYSICS NEWS UPDATE
O Boletim de Notícias da Física do Instituto Americano de Física, número 776 de 2 de maio de 2006 por Phillip F. Schewe, Ben Stein, e Davide Castelvecchi

O MAR DE QUARKS VIRTUAIS que vibram dentro de cada próton de cada átomo, foi agora estudado com uma espantosa precisão em uma experiência realizada no Jefferson Lab. O resultado surpreendente é que os pares quark-antiquark que borbotam irresistivelmente, sendo criados e aniquilados, especialmente os de sabor Estranho, contribuem tão pouco para a vida do próton que os teóricos ficaram mais embatucados ainda com a questão básica: o que é um próton? A resposta mais simples sempre foi que o próton consiste de três quarks regulares (de valência), sempre presentes, mais um efervescente "mar de quarks" que brotam do vácuo, mais uma frota de glúons mediadores de força. Mas o velho aforismo: "o todo é maior que a soma de suas partes", é particularmente verdadeiro para o próton. Some-se as cargas dos quarks de valência e se obtem a carga do próton. Até aí, tudo bem. Mas, some-se as massas dos quarks de valência e obteremos menos de 1% da massa do próton. O "Hall A Proton Parity Experiment" (HAPPEx) no Jefferson Lab espalha um feixe de elétrons de 3-GeV, a partir de uma esbelta garrafa térmica de Hidrogênio líquido, que fornece um alvo cheio de prótons, e de um alvo de hélio, que fornece prótons e nêutrons. Somente os eventos onde os elétrons se espalham elasticamente (eles não perdem nada de sua energia, mas são defletidos em um ângulo de 6 graus) são escolhidos para análise. Pode-se raciocinar que um elétron é espalhado por um próton por meio do envio de um fóton virtual (portador da força eletromagnética) ou de um bóson Z virtual (portador da força fraca) que examina o próton da mesma forma que uma luz brilhante, enviada e espalhada por um microscópio, examina uma bactéria. Neste caso, o comprimento de onda do "microscópio" do HAPPEx é escolhido com grande cuidado (por meio da fixação da energia dos elétrons e pelo posicionamento do detector) para ser igual ao tamanho do próprio próton – mais exatamente um fentômetro: 10-15m. Neste caso, o "microscópio" visualiza todo o próton de uma só vez. Ele não tenta "fotografar" o próton, mas tenta determinar o que o próton é na ocasião do espalhamento. Controlando-se a polarização (orientação do spin) dos elétrons e comparando-se os dados do espalhamento produzido pelos alvos de prótons e de Hélio, pode-se estabelecer separadamente as contribuições para o espalhamento da eletricidade, do magnetismo e da força fraca. E, a partir destas, deduzir o grau de presença dos "quarks do mar" nos prótons (encapsulado em um parâmetro chamado de fator de forma). O próton é nominalmente feito de dois quarks Up e um quark Down, e, desta forma, os outros quarks Up e Down do "mar" contribuem com pouquíssima coisa digna de menção. Assim sendo, uma sondagem do "mar" é, na verdade, um referendo sobre o status do quark Estranho – o próximo quark na escala de massa – dentro do próton. Teorias anteriores, apoiadas em alguns indícios experimentais mais grosseiros, apoiavam a idéia de que os quarks Estranhos poderiam responder por até 10% do momento magnético do próton. Um dos cientistas do HAPPEx, Paul Souder, de Syracuse, relatou no Encontro de Abril da APS, na semana passada em Dallas, que, com uma precisão muito maior, os quarks Estranhos podem responder por cerca de 1% da carga do próton e não mais do que 4% de seu momento magnético, e que, devido à incerteza experimental, ambos os valores são consistentes com zero. Em outras palavras, o próton é muito menos estranho do que se pensava. Além de ser a melhor exposição dos quarks do "mar", o HAPPEx é notável por três razões: é o emprego de um feixe de elétrons polarizados com maior controle; fornece a melhor medição, até agora, do espalhamento dos elétrons com seus spins apontados ao longo ou ao contrário do eixo de movimento, o que, por sua vez, fornece uma medição da força relativa do espalhamento eletromagnético e da força fraca, com um valor de cerca de 10-7; e chega a uma medição rudimentar de 20 attometros (nota do tradutor: 1am = 10-18m) para a distância entre um quark do "mar" e seu aniquark gêmeo, dentro do próton.

GANHO-SEM-INVERSÃO EM LASERS, EM UM SÓLIDO. Antigas descrições dos lasers enfatizavam que a maioria dos átomos participantes de um meio laser precisava ter passado por uma "inversão de população". Isto é, a maioria dos átomos teriam que estar em um estado excitado, para que fossem melhor estimulados a emitir luz e contribuir para um crescente pulso de luz laser. Mas esse "ganho" pode ser conseguido sem inversão. Experiências mostraram que, mediante o controle de coerência dos elétrons em átomos em estado fundamental ("ground state"), através de um processo chamado transparência eletromagneticamente induzida, os elétrons podem, em sua maioria, serem impedidos de absorver a luz laser que é criada entre um pequeno número de átomos na amostra, estes sim, em estado excitado. Este fenômeno de "ganho-sem-inversão" ("gain-without-inversion" – GWI) foi agora demonstrado em um material sólido, pela primeira vez. Em uma apresentação, semana passada, na Conferência do Instituto de Física de Matéria Condensada e Física dos Materiais, em Exeter (Grã-Bretanha) Chris Phillips, do Imperial College, disse que seu laboratório conseguiu GWI em um dispositivo de nanoestruturas de semicondutores — com efeito, átomos artificiais. Não só o ganho, como a diminuição da velocidade da luz, podem ser obtidos a partir do dispositivo em estado sólido do Imperial College, tornando-o possivelmente útil para aplicações futuras em informação quântica. (Ver, também, Frogley et al., Nature Materials, Março de 2006)

CORREÇÃO. Nós erramos por 39 ordens de grandeza: no PNU n° 775, a densidade de energia máxima obtida pelo RHIC, em colisões de alta energia, é de 15 GeV por fentômetro cúbico, não por centímetro cúbico.

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Como divulgado no numero anterior, este boletim é traduzido por um curioso, com um domínio apenas razoável de inglês e menos ainda de física. Correções são bem-vindas.