Endless Love Mozart, Cocker-Spaniel Inglês, Azul-Ruão (•07-11-1993; †20-06-2006).
Adeus amigo!
(Por favor, sem comentários)
Chi vó, non pó; chi pó, non vó. Chi sá, non fá; chi fá, non sá. Cosi, male il mondo vá. (Quem quer, não pode; quem pode, não quer. Quem sabe, não faz; quem faz, não sabe. E, assim, mal vai o mundo)
– "Quando um homem começa a aprender, ele nunca sabe muito claramente quais são seus objetivos. Seu propósito é falho; sua intenção, vaga. Espera recompensas que nunca se materializarão, pois não conhece nada das dificuldades da aprendizagem."
"Devagar, ele começa a aprender... a princípio, pouco a pouco, e depois em porções grandes. E logo seus pensamentos entram em choque. O que aprende nunca é o que ele imaginava, de modo que começa a ter medo. Aprender nunca é o que se espera. Cada passo da aprendizagem é uma nova tarefa, e o medo que o homem sente começa a crescer impiedosamente, sem ceder. Seu propósito toma-se um campo de batalha."
"E assim ele se depara com o primeiro de seus inimigos naturais: o medo! Um inimigo terrível, traiçoeiro, e difícil de vencer. Permanece oculto em todas as voltas do caminho, rondando, à espreita. E se o homem, apavorado com sua presença, foge, seu inimigo terá posto um fim à sua busca."
(...)
– "E o que pode ele fazer para vencer o medo?"
– "A resposta é muito simples. Não deve fugir. Deve desafiar o medo, e, a despeito dele, deve dar o passo seguinte na aprendizagem, e o seguinte, e o seguinte. Deve ter medo, plenamente, e no entanto não deve parar. É esta a regra! E o momento chegará em que seu primeiro inimigo recua. O homem começa a se sentir seguro de si. Seu propósito toma-se mais forte. Aprender não é mais uma tarefa aterradora. Quando chega esse momento feliz, o homem pode dizer sem hesitar que derrotou seu primeiro inimigo natural."
(...)
– "Uma vez que o homem venceu o medo, fica livre dele o resto da vida, porque, em vez do medo, ele adquiriu a clareza... uma clareza de espírito que apaga o medo. Então, o homem já conhece seus desejos; sabe como satisfazê-los. Pode antecipar os novos passos na aprendizagem e uma clareza viva cerca tudo. O homem sente que nada se lhe oculta."
"E assim ele encontra seu segundo inimigo: a clareza! Essa clareza de espírito, que é tão difícil de obter, elimina o medo, mas também cega."
"Obriga o homem a nunca duvidar de si. Dá-lhe a segurança de que ele pode fazer o que bem entender, pois ele vê tudo claramente. E ele é corajoso porque é claro; e não para diante de nada, porque é claro. Mas tudo isso é um engano; é como uma coisa incompleta. Se o homem sucumbir a esse poder de faz-de-conta, terá sucumbido a seu segundo inimigo e tateará com a aprendizagem. Vai precipitar-se quando devia ser paciente, ou vai ser paciente quando devia precipitar-se. E tateará com a aprendizagem até acabar incapaz de aprender qualquer coisa mais."
(...)
– "Mas o que tem de fazer para não ser vencido?"
– "Tem de fazer o que fez com o medo: tem de desafiar sua clareza e usá-la só para ver, e esperar com paciência e medir com cuidado antes de dar novos passos; deve pensar, acima de tudo, que sua clareza é quase um erro. E virá um momento em que ele compreenderá que sua clareza era apenas um ponto diante de sua vista. E assim ele terá vencido seu segundo inimigo, e estará numa posição em que nada mais poderá prejudicá-lo. Isso não será um engano. Não será um ponto diante da vista. Será o verdadeiro poder."
"Ele saberá a essa altura que o poder que vem buscando há tanto tempo é seu, por fim. Pode fazer o que quiser com ele. Seu aliado está às suas ordens. Seu desejo é ordem. Vê tudo o que está em volta. Mas também encontra seu terceiro inimigo: o poder!"
"O poder é o mais forte de todos os inimigos. E, naturalmente, a coisa mais fácil é ceder; afinal de contas, o homem é realmente invencível. Ele comanda; começa correndo riscos calculados e termina estabelecendo regras, porque é um senhor."
"Um homem nesse estágio quase nem nota que seu terceiro inimigo se aproxima. E de repente, sem saber, certamente terá perdido a batalha. Seu inimigo o terá transformado num homem cruel e caprichoso."
(...)
– "E como o homem pode vencer seu terceiro inimigo, Dom Juan?"
– "Também tem de desafiá-lo, propositadamente. Tem de vir a compreender que o poder que parece ter adquirido na verdade nunca é seu. Deve controlar-se em todas as ocasiões, tratando com cuidado e lealdade tudo o que aprendeu. Se conseguir ver que a clareza e o poder, sem controle, são piores do que os erros, ele chegará a um ponto em que tudo está controlado. Então, saberá quando e como usar seu poder. E assim terá derrotado seu terceiro inimigo."
"O homem estará, então, no fim de sua jornada do saber, e quase sem perceber encontrará seu último inimigo: a velhice! Este inimigo é o mais cruel de todos, o único que ele não conseguirá derrotar completamente, mas apenas afastar."
"É o momento em que o homem não tem mais receios, não tem mais impaciências de clareza de espírito... um momento em que todo o seu poder está controlado, mas também o momento em que ele sente um desejo irresistível de descansar. Se ele ceder completamente a seu desejo de se deitar e esquecer, se ele se afundar na fadiga, terá perdido a última batalha, e seu inimigo o reduzirá a uma criatura velha e débil. Seu desejo de se retirar dominará toda a sua clareza, seu poder e sabedoria."
"Mas se o homem sacode sua fadiga e vive seu destino completamente, então poderá ser chamado de um homem de conhecimento, nem que seja no breve momento em que ele consegue lutar contra o seu último inimigo invencível. Esse momento de clareza, poder e conhecimento é o suficiente."
João, entrei lá no site que você linkou. Desculpe ter sido tão extenso na resposta, mas acho que você vai ler com prazer.
É interessante como um amontoado de coisas técnicas/ científicas pode soar verossímil, mas uma análise mais cuidadosa um pouco mostra que não é.
Abaixo tem um texto colado da página do tal Rife. [observação: o texto original é em inglês, portanto - para não perder o hábito - eu vou traduzir]Por volta de 1920, Rife tinha acabado de construir o primeiro microscópio para vírus do mundo. Por volta de 1933, ele tinha aperfeiçoado essa tecnologia e construído o incrivelmente complexo Microscópio Universal, composto por quase 6.000 diferentes peças e que era capaz de aumentar os objetos 60.000 vezes. Com este incrível microscópio, Rife se tornou o primeiro ser humano a realmente ver um vírus vivo e, até bem recentemente, o Microscópio Universal era o único capaz de ver vírus vivos.
Os modernos microscópios eletrônicos matam instantaneamente qualquer coisa que fique sob eles, mostrando apenas os resíduos mumificados e escombros. O que o microscópio de Rife podia ver era a enorme atividade dos vírus vivos, à medida em que eles se modificam para se acomodar às mudanças no ambiente, se reproduzir rapidamente em resposta a carcinogênicos e transformar células sadias em células de tumor.
Mas como foi que Rife foi capaz de conseguir isso, em uma época na qual a eletrônica e a medicina ainda estavam apenas evoluindo? Aqui vão alguns detalhes técnicos para aplacar os céticos...
Rife, com muito esforço, identificou a assinatura espectroscópica individual de cada micróbio, usando um espectroscópio de fenda acessório. Então, ele lentamente girava os prismas de blocos de quartzo para focalizar a luz de um único comprimento de onda sobre o microorganismo que queria observar. Esse comprimento de onda era selecionado porque ele estava em ressonância com a assinatura de freqüência espectroscópica do micróbio, com base no, agora estabelecido, fato de que cada molécula vibra em uma freqüência específica própria.
Os átomos que se juntam para formar uma molécula são presos nessa configuração molecular com uma ligação energética covalente que tanto emite, como absorve sua própria freqüência eletromagnética específica. Não há duas espécies de moléculas que tenham as mesmas oscilações eletromagnéticas ou assinatura energética. A ressonância amplifica a luz, do mesmo modo que duas ondas no oceano se intensificam, uma a outra, quando se combinam.
O resultado de empregar um comprimento de onda ressonante é que os micro-organismos que são inivisíveis na luz branca, subitamente se tornam visíveis, em um brilhante clarão de luz, quando são iluminados com a freqüência de cor que entra em ressonância com sua característica assinatura espectrográfica. Rife, assim, foi capaz de ver esses organismos, de outro modo invisíveis, e observá-los invadindo ativamente culturas de tecidos. A descoberta de Rife permitiu-lhe ver organismos que ninguém mais podia ver com microscópios comuns.
Mais do que 75% dos organismos que Rife pode ver com seu Microscópio Universal, somente são visíveis com luz ultravioleta. Mas a luz ultravioleta fica fora da faixa da visão humana, ela é "invisível" para nós. O brilhantismo de Rife permitiu que ele vencesse esta limitação, por meio da heterodinização, uma técnica que se tornou popular com as primeiras emissões radiofônicas. Ele iluminava o micróbio (usualmente um vírus ou bactéria) com dois comprimentos de onda diferentes da mesma freqüência de luz ultravioleta que entrava em ressonância com a assinatural espectroscópica do micróbio. Esses dois comprimentos de onda produzidos, interferiam entre sí ao se misturarem. O resultado dessa interferência era, com efeito, uma terceira onda, mais longa, que ficava dentro do espectro visível da radiação eletromagnética. Foi assim que Rife tornou os inivisíveis micróbios visíveis sem matá-los, um feito que os atuais microscópios eletrônicos não conseguem igualar.
Esta conversa toda acima é para falar que o cabra tinha um microscópio ótico que ampliava 60.000 vezes.
Primeiro ponto: a física prova (não importa quão genial seja o inventor, isto não será mudado) que uma radiação eletromagnética só pode identificar dois pontos como sendo distintos, se a distância entre eles for maior que o comprimento da radiação empregada. Para a luz visível isto vai até 2.000 vezes, para o ultravioleta vai talvez a 5.000 vezes, nunca a 60.000 vezes! O tal Rife afirma que o microscópio dele “via” coisas vivas, então tinha que ser iluminado com luz (visível ou ultravioleta) e não com elétrons.
Segundo ponto: ele afirma que o ultravioleta não é visível, e portanto ele usava o recurso da ressonância para visualizar os objetos (vírus e outros) que ele examinava. As duas coisas estão certas, mas é preciso lembrar que a luz emitida por esta ressonância tem sempre comprimento de luz maior do que a radiação incidente (o próprio texto revela isso), portanto, menos poder de separar objetos próximos. Muitos organismos e moléculas fluorescem naturalmente, e é disso que o autor, de forma elíptica e retórica, fala. Ocorre que o conhecimento deste fenômeno é muito antigo e já foi aproveitado em microscopia. Mas só ganhou contornos de uso comum quando se começou a usar marcadores fluorescentes, isto é, moléculas ligadas a fluoróforos que por sua vez se ligavam especificamente a certos componentes celulares (ou virais, ou do espaço intercelular) para se transformar na microscopia confocal que temos hoje, uma versão muuuuuuito melhorada da proposta simplória do Rife. Mas mesmo a microscopia confocal (que usa vários, se não todos, os princípios enumerados pelo Rife) não consegue ampliar mais do que o limite definido pela física (usualmente 2000 X).
Para ter uma idéia das imagens, olhe o site
http://www.feinberg.northwestern.edu/cif/lsm510.htm .
Outro trechinho do site:Não obstante, muitos cientistas e doutores têm, desde então, confirmado a descoberta de Rife do vírus do câncer e sua natureza pleiomórfica, usando técnicas de "dark field", o microscópio Naessens e experiências em laboratório.
Há coisas certas e outras nem tanto. A descoberta do vírus do câncer é atribuída a vários pesquisadores, e não a um só. A natureza pleiomórfica dos vírus (não só o do câncer) é bem conhecida, mas não se reflete na sua estrutura física, e sim na organização genômica e na forma como os vírus expressam seus genes e modificam suas proteínas. As técnicas de campo escuro (dark field) não são capazes de mostrar vírus, a menos que eles estejam envoltos com muito material do hospedeiro (fragmentos de membrana da célula hospedeira e coisas assim). O tal microscópio Naessens é essencialmente igual ao do Rife, e da mesma forma, posto em dúvida e declarado fraude por quase todo mundo. É claro que experimentos de laboratório confirmam o pleiomorfismo: que mais poderia confirmar, a inspiração divina?
Deste ponto em diante:Por meio do aumento da intensidade de uma freqüência que entrava naturalmente em ressonância com esses micróbios, Rife ampliava suas vibrações naturais até que eles se distorcessem e se desintegrassem por fadiga estrutural. Rife chamava essa freqüência de "the mortal oscillatory rate" (taxa de oscilação mortal) ou "MOR" e ela não causava qualquer dano aos tecidos adjacentes
O site envereda pela teoria de que o aumento da energia da freqüência de ressonância é capaz de destruir o objeto ressonante. E dá como exemplo um copo de cristal destruído pelo som. De novo, há aí coisas certas e erradas (faça uma mistura equilibrada de verdades e mentiras, e você consegue convencer qualquer um de qualquer coisa, veja o Ciro Gomes com a transposição do São Francisco, por exemplo).
Primeiro, o som não é uma radiação eletromagnética e o exemplo já começa mal.
Segundo, a radiação incidente tem que atingir o alvo, e os vírus estão dentro de células, por trás da pele e de outros tecidos. As radiações que conseguem penetrar nos tecidos estão todas na faixa dos raios X ou mais intensas ainda, e nada têm a ver com as radiações visíveis ou UV de que ele falava antes.
Terceiro, a ressonância só ocorre se não há outros fatores de atenuação envolvidos, que dispersem a energia, o que não é definitivamente o caso no ambiente celular.
Quarto: o objeto (ou vírus) deveria ser composto todo de uma mesma substância, o que não é o caso da maioria dos vírus, mesmo se levarmos em conta só o capsídeo (a casca deles). Só os vírus filamentosos e bacteríofagos são tão simples, os nossos vírus estão longe disso.
Quinto: para tristeza de todos, muitos dos nossos vírus (inclusive o perigoso HPV) deixam de existir como quase cristais e integram o seu DNA em nosso DNA, de forma que desaparecem completamente do alcance da técnica que é citada no site.
O texto depois se alarga numa discussão estéril de coisas que aconteceram há muitos anos e não têm mais como ser investigadas a não ser lá nos EUA. Nem vou comentar.
Minha análise final é a seguinte: mais uma técnica sem fundamento para engambelar aqueles que estão desesperados (e isso se aplica ao câncer ou a qualquer outra doença, e mesmo aos problemas humanos mais triviais, como falta de dinheiro, calvície, gordura, etc.
• Voltaire, em um artigo, relatava o hábito que as mães turcas tinham de, quando surgia uma epidemia de varíola, levar seus filhos à casa dos sobreviventes, na fase de "seca" da doença, e esfregar a pele das crianças contra as chagas em processo de cicatrização. Mas os médicos franceses desprezavam essa "crendice" de um "povo atrasado e supersticioso" como os Turcos. Pasteur e todas as noções sobre micro-organismos ainda estavam séculos à frente e "vacina" era um conceito totalmente desconhecido.
• Quando Amedeo Avogadro raciocinou que um mesmo volume de qualquer gás, em iguais condições de temperatura e pressão, deveria conter o mesmo número de moléculas, não se sabia direito o que eram "moléculas" ou "átomos".
• A mesma coisa aconteceu com Mendeleyev e sua Tabela Periódica de Elementos. Ela foi baseada no cálculo do "peso atômico" dos elementos (quando nem se imaginava a existência de isótopos) e só foi devidamente esclarecida com o advento da mecânica quântica.
O Índice de Birutice
de John Baez
Um método simples para classificar as contribuições potencialmente revolucionárias para a física:
1. Um crédito inicial de 5 pontos.
2. 1 ponto para cada declaração sobre a qual a maioria concorde que é falsa.
3. 2 pontos para qualquer declaração que seja claramente irrelevante.
4. 3 pontos para qualquer declaração que seja logicamente inconsistente.
5. 5 pontos para cada uma dessas declarações que, após uma correção cuidadosa, o autor insista em teimar.
6. 5 pontos para o emprego de uma experiência teórica que contradiga os resultados de uma experiência real largamente acreditada.
7. 5 pontos para cada palavra escrita toda em maiúsculas (exceto para os que têm teclados defeituosos).
8. 5 pontos para cada menção de "Einstien", "Hawkins" ou "Feynmann".
9. 10 pontos para cada afirmação de que a mecânica quântica é fundamentalmente errônea (sem provas concretas).
10. 10 pontos para afirmar que você freqüentou uma Faculdade, como se isso fosse uma prova de sanidade mental.
11. 10 pontos por começar a descrição de sua teoria, dizendo há quanto tempo você vem trabalhando nela.
12. 10 pontos para enviar sua teoria para alguém que você não conhece pessoalmente e pedir que não fale dela a ninguém, por medo de que suas idéias sejam roubadas.
13. 10 pontos para oferecer um prêmio em dinheiro para quem comprovar ou encontrar inconsistências em sua teoria.
14. 10 pontos para cada nova expressão que você inventar e usar sem definí-la adequadamente.
15. 10 pontos para cada declaração do tipo "eu não sou bom em matemática, mas minha teoria é conceitualmente correta, então, tudo que é preciso é que alguém exprima isso em equações".
16. 10 pontos por argumentar que uma teoria corrente, bem estabelecida, "é apenas uma teoria", como se isso fosse um argumento contra ela.
17. 10 pontos por argumentar que, embora uma teoria corrente, bem estabelecida, preveja os fenômenos corretamente, ela não explica "por que" eles ocorrem, ou não consiga explicar um "mecanismo".
18. 10 pontos para cada comparação favorável de você com Einstein, ou qualquer argumento de que a as Teorias da Relatividade, Especial e/ou Geral, são fundamentalmente erradas (sem provas concretas).
19. 10 pontos por afirmar que seu trabalho é a "ponta de lança" de uma "mudança de paradigmas".
20. 20 pontos por me enviar emails e reclamar do meu "Índice de Birutice" (E.g: dizer que ele "suprime o pensamento original" ou que eu escrevi errado "Einstein" no item 8.)
21. 20 pontos por sugerir que você é um candidato ao Nobel.
22. 20 pontos por cada comparação favorável entre você próprio a Newton ou por afirmar que a Mecânica Clássica é fundamentalmente errônea (sem provas concretas).
23. 20 pontos por cada emprego de obras de ficção científica ou mitos como se fossem fatos incontestes.
24. 20 pontos por defender-se mencionando ridicularizações (reais ou imaginárias) feitas a suas teorias anteriores.
25. 20 pontos por batizar alguma coisa com seu próprio nome (E.G, falar acerca da "Equação de Campo de Evans", no caso de seu nome ser Evans.)
26. 20 pontos por falar acerca de como sua teoria é formidável, mas jamais explicar do que se trata.
27. 20 pontos por cada uso da expressão "reacionarismo tacanho".
28. 20 pontos por cada uso da frase "auto-nomeado defensor da ortodoxia".
29. 30 pontos por sugerir que uma figura famosa secretamente não acreditava em uma teoria que ele ou ela publicamente apoiava. (E.g., que Feynman era um secreto opositor da Relatividade Restrita, como se pode deduzir das entrelinhas de seus cadernos de notas quando ele era um calouro.)
30. 30 pontos por sugerir que Einstein, em seus últimos anos, estava inclinado a adotar as idéias que você agora advoga.
31. 30 pontos por afirmar que suas teorias foram desenvolvidas por uma civilização extraterrestre (sem provas concretas).
32. 30 pontos por alusões a um retardo em seu trabalho, durante o tempo em que você descansava em um asilo, ou referências ao psiquiatra que tentou convencê-lo a abandonar sua teoria.
33. 40 pontos por comparar os que discutem contra suas idéias com Nazistas, tropas de choque ou camisas pardas.
34. 40 pontos por afirmar que o "establishment científico" está empenhado em uma conspiração para impedir que seu trabalho obtenha sua merecida fama, ou coisa assim.
35. 40 pontos por se comparar a Galileu, sugerindo que uma Inquisição atual está empenhada em perseguí-lo, e por aí a fora.
36. 40 pontos por afirmar que, quando sua teoria for finalmente reconhecida, a ciência de hoje em dia será vista como a farsa que ela realmente é. (30 pontos adicionais por fantasiar acerca de julgamentos públicos, nos quais os cientistas que ridicularizaram você serão forçados a se retratar.)
37. 50 pontos por afirmar que você tem uma teoria revolucionária, mas não fazer qualquer previsão concretamente testável.
© 1998 John Baez
Lembranças de uma Estrela Distante... 28/04/2006 19:13
Os Dogon, povo tribal da África Ocidental, intrigam os estudiosos pelo conhecimento que têm do universo e pela precisão de suas noções de astronomia.
Como muitas tribos africanas, os Dogon, da República do Mali {antigos Sudão francês}, têm passado obscuro. Sabe-se que se fixaram no planalto Bandiagara, onde vivem até hoje, em alguma época entre os séculos XIII e XVI. Essa região localiza-se a cerca de 500 quilômetros ao sul de Timbuktu e durante a maior parte do ano é desolada e árida. Entre formações rochosas e desfiladeiros, os Dogon construíram seus vilarejos com casa de barro e palha. Seu modo de vida quase não mudou ao longo dos séculos.
Em princípio, não há nada de extraordinário nessa descrição. Para uma tribo "primitiva" e que vive isolada, não deixa de ser espantoso o conhecimento de astronomia. Os Dogon sabem, por exemplo, que Sirius, a estrela mais brilhante do céu, tem uma estrela vizinha, Sirius B, invisível a olho nu {ela está a 11' da alfa, chamada de Sirius A, e só pode ser observada com auxílio de um telescopio de 320 milimetros}. Contam que é pequena e pesada {sua massa é 36.000 vezes mais densa que a do Sol e 50.000 vezes mais pesada que a da água}. O mais curioso é que os astrônomos nem sequer suspeitavam da existência dessa estrela até meados do século XIX. Uma descrição detalhada de Sirius B só foi feita em 1920 e sua primeira imagem fotográfica data de 1970. E são justamente as informações sobre ela que constituem o fudamento da mitologia dos Dogon. Tal povo cultua Sirius B em seus rituais secretos, representa-a em desenhos na areia, em sua arquitetura sacra, em esculturas e nas estampas dos cobertores, cujos padrões datam de centenas ou talvez de milhares de anos. O mundo ocidental tomou conhecimento da crença dos Dogon por intermédio do trabalho de dois respeitados antropólogos franceses, Marcel Griaule e Germaine Dieterlen. Em 1931, eles decidiram realizar um estudo profundo sobre esse povo. Durante 21 anos conviveram com a tribo.
O trabalho dos dois antrpólogos deixa patente que a crença dos Dogon se baseia num conhecimento profundo de astronomia. Sirius A e os astros e planetas que orbitam em torno dela constituem a referência fundamental de sua cosmovisão. Sirius B, a principal estrela vizinha, é feita de matéria mais pesada que qualquer elemento existente na Terra e seu movimento se dá numa orbita elíptica de cinquenta anos. Os dogons chamam essa estrela de "Po tolo" – referência ao grão de um cereal originário da nascente do rio Níger, cujo peso parece desproporcional a seu tamanho. Já na primeira metade do século XIX, os astrônomos do ocidente verificaram que algo curioso acontecia em torno de Sirius. Notaram, inicialmente, que o movimento da estrela não ocorria em linha reta, mas apresentava oscilações. O fato só poderia ser explicado pela existencia, perto dela, de outra estrela, cujo campo gravitacional atuasse sobre seu movimento. Em 1862, o americano Alvan Graham Clark, ao realizar testes com um novo telescopio, descobriu essa estrela e chamou-a de Sirius B. Após a primeira observação das peculiaridades de Sirius, passaram-se mais de cinqüenta anos até que se chegasse a uma conclusão sobre a estranha capacidade de um corpo tão pequeno exercer atração tão intensa. O responsável pelo esclarecimento foi Arthur Eddington, astrônomo e físico inglês que, na década de 1920, formulou a teoria das estrelas anãs brancas, ou seja, estrelas que no fim da vida, contraem-se e tornam-se superdensas. A descrição do fenômeno coincide com a versão dos Dogon.
"Permanece sem solução o problema de saber como esses homens, sem dispor de nenhum instrumento, podiam conhecer os movimentos e certas características de estrelas virtualmente invisíveis".
Os Dogon conservaram uma antiga sabedoria que incluía não só informações sobre Sirius B, mas tambem sobre nosso sistema solar. Diziam que a Lua era "seca e morta". Desenhavam o planeta Saturno com seus aneis, {há dois outros casos conhecidos de tribos que possuem essa informação}. Sabiam que os planetas giram ao redor do Sol e que a Terra gira em torno de seu próprio eixo. Em sua arquitetura sacra havia gravações dos movimentos de Vênus. Mencionavam as quatros "luas principais" de Júpiter – os quatros satelites descoberto por Galileu Galilei {1564-1642}. Que existe um número infinito de estrelas e que uma força em forma de espiral envolve a via-láctea, à qual a Terra está ligada. No caso particular de Sirius B, no entanto, os argumentos são irrefutaveis. Para simbolizar essa estrela, os dogons escolheram de forma deliberada o menor, embora mais importante, objeto que puderam encontrar: um grão de seu cereal básico. Para dar a ideia do peso do conteudo mineral de Sirius B, eles diziam: "Todos os seres da Terra reunidos não podem erguê-la". A elipse em forma de ovo poderia ser interpretada como a representação do "ovo da vida", ou algum outro símbolo desse tipo; porém os dogons insistiram que se tratava de uma orbita – fato astrônomico descoberto pelo alemão Johannes Kepler {1571-1630} no século XVI, mas certamente desconhecido por tribos africanas sem instrução. Além disso, eles situavam Sirius em sua posição exata dentro de órbita, isto é, no ponto focal, próximo à margem da elipse, e não no centro, como seria natural.
Esse povo conhecia realmente astronomia?
O mais curioso como teve acesso a esse conhecimento? Ainda é um misterio....
• O astrônomo Carl Sagan lida com o assunto em seu livro "Broca's Brain" (1974), onde declara que existem muitos problemas com a hipótese, levantada por Temple (de que os Dogons teriam tido contato com civilizações extraterrestres, no estilo "Deuses/Astronautas"). Como exemplo Sagan menciona que os Dogon não parecem ter conhecimento de um outro planeta, além de Saturno, que tenha anéis, o que significaria que seu conhecimento teria origem européia e não extraterrestre.
• Outro astrônomo, Ian Ridpath, publicou um artigo no "The Skeptical Inquirer (1978), apontando diversos erros no livro de Temple. Ridpath declarou que, embora as informações que os Dogon provavelmente obtiveram de europeus, pareçam muito com os fatos sobre Sirius, o presumível conhecimento dos Dogon sobre o planeta é muito diferente dos fatos.
• James Oberg colecionou diversas alegações referentes à mitologia dos Dogon, no capítulo 6 de seu livro UFO's and Outer Space Mysteries (1982), em seu capítulo 3. De acordo com Oberg, o conhecimento astronômico dos Dogon parece o conhecimento e as especulações do fim da década de 1920. Os Dogon poderiam ter obtido seus conhecimentos de astronomia de europeus visitantes, antes que sua mitologia fosse pesquisada em 1930. Oberg também observa que os Dogons não eram uma tribo isolada, portanto não era sequer necessário que estrangeiros informassem-nos dobre Sirius: eles poderiam ter obtido essas informações em outros lugares e as repassado a sua tribo, posteriormente. Dessa forma, quando Temple visitou os Dogon nos anos 1970, eles já teriam um grande contato com o mundo ocidental e teriam tido tempo de incorporar Sirius B a sua religião.
Não precisa ir longe.
Os erros de conceitos na "crença" dos dogons, não só indicam que o conhecimento veio da europa... como também indicam que veio por meio de fontes não totalmente aprofundadas em física.
Contam que é pequena e pesada {sua massa é 36.000 vezes mais densa que a do Sol e 50.000 vezes mais pesada que a da água}.
"Massa mais densa"? "mais pesada do que qual quantidade de água"? Isso não só tem cara de contato cultural... como tem cara de contato cultural "mal aprendido".
Tal povo cultua Sirius B em seus rituais secretos, representa-a em desenhos na areia, em sua arquitetura sacra, em esculturas e nas estampas dos cobertores, cujos padrões datam de centenas ou talvez de milhares de anos.
Uma pergunta que uma pessoa de bom senso imediatamente faz: Onde estão essas representações? É centenas ou é milhares de anos? Isso normalmente não é conclusão de uma pessoa experiente em datações. Um datador experiente não fornece uma datação dessas (a precisão é menor que o intervalo).
Isso tá parecendo um belo de um chute sem nenhum rigor, dado talvez, por alguem que estivesse interessado em fabricar uma evidência.
O trabalho dos dois antrpólogos deixa patente que a crença dos Dogon se baseia num conhecimento profundo de astronomia. Quem tem um pouco de afinidade com argumentação lógica, normalmente para de ler o texto nessa frase.
O conhecimento mostrado não é profundo:
• É estagnado: eles misteriosamente passaram centenas de anos com um conhecimento equivalente a especulações da década de 20... e misteriosamente pararam aí. O que foi descoberto depois pela astronomia eles não sabiam.
• É mal aprendido: As confusões de conceitos são muito comuns... "massa mais densa"... "mais pesado que a água".
Isso é exatamente o que acontece quando um conhecimento é trasmitido e não totalmente assimilado.
Vamos direto ao que é muito claro:
«1 - Por que os Dogon – já que estiveram expostos a outras civilizações e, provavelmente, a uma intensa tentativa de cristianização ou maometização, foram incorporar a sua mitologia um fato obscuro da astronomia da década de 1920.»
«2 - Por que esse e não outro mito, foi tão prontamente incorporado à mitologia de um povo africano, enquanto diversas outras crenças – para os Dogon igualmente fantasiosas, como, por exemplo, os "canais" e a "moribunda civilização Marciana" (então em plena voga, segundo os devaneios de Schiaparelli) – não levantaram qualquer interesse.»
Que os dogons cultuavam Sírius já era sabido. Isso não era nenhuma novidade... nem é nada demais... já que Sírius é a estrela mais brilhante do céu.
Então, eles passam tendo contato com todo tipo de cultura. Num determinado momento, eles têm contato com informações sobre exatamente o simbolo maior da mitologia deles. Alguma dúvida sobre o motivo que os levou a incorporarem essas informações tão rápido?
Isso explica 2 coisas muito importantes:
• o fato de incorporar informações específicamente sobre sírius... e não outras informações culturais com as quais tiveram contato.
• sugerir que a mitologia sobre sírius é antiga... mesmo porque, ela é. Mas na verdade, as evidências que apontam apenas para o conhecimento da estrela em si... e não de detalhes dela.
Se colocarmos os fatos de forma lógica:
• Provar que o culto a sírius é antigo, é completamente diferente de provar que o conhecimento de suas caracteristicas também seja.
• O que se vê na pesquisa de Temple, é uma tentativa falaciosa de usar o fato da Sirius ser objeto antigo de mitologia, como argumento para demonstrar que o conhecimento das caracteriscas de Sírius também sejam antigas.
«3 - Por que – com seiscentos diabos! – um povo, entre todos os existentes na África Equatorial, foi criar uma mitologia nova em folha na década de 1920 e abandonar sua própria mitologia milenar.»
Eles não abandoram.
Se vc prestar atenção a todo o contexto, verá que eles apenas incorporaram informação ao que já estava no topo da mitologia deles.
«Esse é o "modo europeu" de fazer ciência: se os europeus não sabem, ninguém mais pode saber. E se alguém sabe, foram os europeus que ensinaram...»
Falácia. Linguagem preconceituosa.
Isso não é argumento para afirmar que o conhecimento em questão não seja europeu.
Além do mais, o tempo demonstrou claramente que a conhecimento dos Dogons estagnou. Era igual ao europeu, naquela época. O conhecimento deles não deu um passo depois disso.
Agora, responda vc:
Porque diabos a astronomia continuou avançou e a cultura dogon não deu 1 passo sequer??
O conhecimento que os dogons têm hoje, é identico ao que tinham quando foram visitados por Griaule e Dieterlen.
E esse conhecimento, se comparado com a astronomia de hoje, está muito longe de poder receber o adjetivo de "preciso".
Por que?