14 março 2008

Physics News Update nº 858

O Boletim de Notícias da Física do Instituto Americano de Física, número 858, de 14 de março de 2008 por Phillip F. Schewe e Jason S. Bardi.
PHYSICS NEWS UPDATE

O MENOR ANEL DE DIAMANTES DO MUNDO, medindo somente 5 mícrons (milionésimos de metro) de diâmetro e 300 nanômetros (bilionésimos de metro) de espessura, foi feito pelos cientistas na Universidade de Melbourne.

O anel é um componente em um dispositivo para a produção e detecção de fótons isolados. Uma figura do anel (ver a imagem aqui) foi exibida por Steven Prawer em uma sessão dedicada aos circuitos com base em diamantes artificiais, durante o Encontro de Março da Sociedade Americana de Física (American Physical Society = APS) em Nova Orleans. Para mais informações sobre o trabalho australiano ver na página do Centre for Quantum Computer Technology.

QUBITS DE DIAMANTE. Essa sessão da APS apresentou diversos outros resultados impressionantes no processamento quântico de informação (quantum information processing = QIP).

Mas, em primeiro lugar: por que diamantes? O diamante é um excelente condutor de calor e isolante elétrico, e parece que vai ser um excelente hospedeiro para os qubits. Qubits são um tipo especial de bit. Diferentemente dos bits (que podem ter os valores "1" ou "0"), empregados nos computadores digitais normais, os qubits podem ter os valores de 1 e 0 ao mesmo tempo. Isso se deve ao fato de que o qubit se manifesta na forma de um sistema quântico que existe em uma superposição de dois estados diferentes.

Os exemplos incluem fótons que podem estar em qualquer um de dois estados de polarização, ou Pares de Cooper que podem ficar de ambos os lados de uma Junção Josephson, ou o spin total (para cima ou para baixo) de um "ponto quântico" ("quantum dot").

Uma forma relativamente nova de qubit emprega as duas orientações de um elétron não-emparelhado que circula um estranho tipo de "molécula" no coração de uma película de diamante artificial. A molécula consiste de um átomo de Nitrogênio e um vazio próximo, um local no cristal que não contém qualquer átomo.

As vantagens de empregar esse "centro de cor NV"¹ (assim chamado porque a molécula, quando excitada, re-emite um fóton de cada vez) inclui o fato de que ela é facilmente polarizável por luz laser; ela permanece polarizada até um milissegundo, em comparação com os meros nanossegundos para a maioria dos elétrons em um semicondutor; e tudo isso à temperatura ambiente. Colocar o elétron simultaneamente em ambos os estados de spin o torna um qubit de longa duração.

Com mais algumas redes ópticas, este qubit pode ser emaranhado (colocado em coerência) com outros qubits próximos, criando uma porta lógica ou processador lógico para um futuro computador quântico. (O artigo de David Awschalom na edição de Out 2007 da "Scientific American" fornece um excelente "background".)

Em rápida sucessão, aqui vão algumas das notícias sobre diamantes do encontro da APS.

ESR DE ELÉTRON ISOLADO. Ronald Hanson (do Instituto Kavli, Delft, Holanda) relatou resultados da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara que revelam a capacidade de inverter o spin de um elétron (associado com o centro NV) em poucos nanossegundos e observar esse elétron, na medida em que o mesmo perde sua determinada polarização, por meio de interações com o ambiente circundante do diamante; este ambiente é chamado de "banho de spin", já que ele é composto por vários átomos de Nitrogênio circundantes, cujos spins podem ser ajustados.

Hanson argumenta que ele e seus colegas obtiveram ressonância de spin eletrônico (electron spin resonance = ESR, essencialmente o equivalente à ressonância magnética nuclear {nuclear magnetic resonance = NMR}, para elétrons) com sensibilidade para um elétron individual. Os resultados foram igualmente relatados na "Science on-line" de 13 de março.

CONTROLE DE SPIN DE NUCLEOS INDIVIDUAIS. Mikhail Lukin, de Harvard, descreveu o efeito de um núcleo magnético de Carbono-13 no comportamento observado de centros de cor no diamante.

O Carbono-13, um isótopo presente em diamantes muito puros na faixa de 1%, é magnético, ao passo que os núcleos comuns de Carbono-12 não são. Lukin disse que ele espera emaranhar vários desses NV/C-13 qubits, criando um registrador potencial para a realização de processamento quântico (ver Dutt et al., Science, 1 de junho de 2007, para "background").

Um único átomo de C-13 poderia ser localizado dentro de um espaço de 1 nm e seu spin pode permanecer estável por períodos tão grandes quanto 1 segundo. Além disso, a interação do NV/C-13 fornece uma maneira de realizar espectroscopia NMR em um único spin nuclear isolado e sensoriar campos magnéticos muito fracos.

Lukin e seus colegas realizaram experiências nas quais um sítio NV em um pequeno diamante, montado na extremidade de uma sonda, foi usado para sensoriar a assinatura magnética de uma amostra em repouso logo abaixo. Campos tão pequenos como 10 nanoTesla foram sensoriados. Com efeito, afirmou Lukin, este dispositivo atuou como um magnetômetro de um único átomo.

REDE FOTÔNICA DE QUBIT. Finalmente, Charles Santori (da Hewlett Packard) relatou a criação de qubits em diamantes à temperatura ambiente, sem a necessidade de qualquer campo magnético externo (para polarizar elétrons) ou microondas (para inverter a polarização). Todas essas tarefas, disse ele, podem ser realizadas com um laser de luz visível modulada em duas freqüências.

A abordagem totalmente óptica para a manipulação de spins, empregando guias de onda ópticos e cavidades, era um passo necessário para a aceleração e ampliação da escala do processo de criação e interligação de vários qubits, em um computador quântico viável.

¹ Nota do Tradutor: eu mantive a forma usada pelos redatores do PNU "centro de cor NV" ("NV color center"), embora a forma mais correta talvez não seja essa. O mais usual é chamar isso de "Centro F" (do alemão: Farbzentrum ) e foi assim que eu encontrei referências a esse fenômeno, composto de um átomo de "impureza" (no caso Nitrogênio, "N") e um "vazio" ("V").

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PHYSICS NEWS UPDATE é um resumo de notícias sobre física que aparecem em convenções de física, publicações de física e outras fontes de notícias. É fornecida de graça, como um meio de disseminar informações acerca da física e dos físicos. Por isso, sinta-se à vontade para publicá-la, se quiser, onde outros possam ler, desde que conceda o crédito ao AIP (American Institute of Physics = Instituto Americano de Física). O boletim Physics News Update é publicado, mais ou menos, uma vez por semana.

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Como divulgado no numero anterior, este boletim é traduzido por um curioso, com um domínio apenas razoável de inglês e menos ainda de física. Correções são bem-vindas.

10 março 2008

"Guerra Contra o Terrosimo": quem aproveita?

Meu amigo virtual, que prefere ser identificado apenas como o Moderador da Comunidade "Geopolitical Analisys" do Orkut, consegue desencavar matérias incríveis.

Uma das mais recentes, ele foi buscar no "The Independent"... da Ilha de Malta!...

Uma reflexão interessante sobre essa nova onda de "proteção contra o terrorismo internacional" e a real validade das medidas adotadas:



Re-pensando o contraterrorismo
por Bjørn Lomborg e Todd Sandler

Guardas de fronteira de faces sombrias e duras medidas de segurança em aeroportos internacionais nos dão uma poderosa sensação de segurança em que o mundo desenvolvido está gastando centenas de bilhões de dólares para nos proteger contra o terrorismo. Mas será que isso vale a pena?

Embora cidadãos dos países ricos vejam o terrorismo como uma das maiores ameaças mundiais, os terroristas transnacionais tiram, em média, somente 420 vidas a cada ano. Será que, então, os terroristas obtiveram sucesso em fazer com que o mundo desenvolvido realize investimentos de baixo retorno em contraterrorismo, enquanto problemas mais urgentes, tais como os que envolvem saúde, meio ambiente, conflitos e governabilidade, são ignorados?

Recentemente, o "Consenso de Copenhagen" ("Copenhagen Consensus"), cujo propósito é sopesar os custos e benefícios de diferentes soluções para os maiores problemas do mundo, recomendou novas pesquisas sobre os méritos dos diferentes métodos de combate ao terrorismo. Os resultados são surpreendentes e preocupantes.

Os gastos globais com segurança nacional registraram um aumento de cerca de US$70 bilhões desde 2001. De maneira nada surpreendente, isto se traduziu, inicialmente, em uma queda de 34% nos ataques terroristas transnacionais. O que surpreende é que aconteceram mais 67 mortes, em média, a cada ano.

Este aumento na taxa de mortes é causado pela resposta racional dos terroristas aos maiores riscos, impostos pelas medidas de segurança mais rígidas. Eles passaram a realizar ataques onde podem causar maiores carnificinas, de modo a aumentar o impacto com um número menor de ataques.

As medidas antiterrorismo aumentadas, simplesmente transferiram a atenção dos terroristas para outros lugares. A instalação de detectores de metais nos aeroportos em 1973 diminuiu os seqüestros de aeronaves, mas aumentou o de seqüestros de pessoas; a fortificação das embaixadas americanas reduziu os ataques às embaixadas, mas aumentou o número de assassinatos de diplomatas. Desde que as medidas de contraterrorismo foram aumentadas na Europa, Estados Unidos e Canadá, houve uma clara mudança de alvo para ataques contra os interesses americanos no Oriente Médio e na Ásia.

Gastar importâncias cada vez maiores para tornar os alvos mais "difíceis" é, na verdade, uma má escolha.

O aumento nas medidas defensivas em escala mundial em 25%, custaria ao menos US$75 bilhões em cinco anos. Os terroristas irão, inevitavelmente, se voltar para alvos mais frágeis. No cenário extremamente improvável de que os ataques caíssem os mesmos 25%, o mundo economizaria cerca de US$22 bilhões. Mesmo assim, os custos são três vezes mais altos do que os benefícios.

Dito de outra forma, cada dólar extra gasto no aumento de medidas defensivas obterá – no máximo – um retorno de cerca de 30 cents. Poderíamos salvar cerca de 105 vidas por ano, neste cenário mais otimista. Para colocar isso no devido contexto, 30.000 vidas são perdidas anualmente nas rodovias dos EUA.

Ao contrário do efeito do aumento das medidas defensivas, patrocinar uma maior cooperação internacional para cortar o financiamento dos terroristas seria relativamente mais barato e mais eficaz. Isto envolveria uma maior extradição de terroristas e um aperto nos fundos de ajuda humanitária, tráfico de drogas, mercadorias "piratas", comércio de "commodities" e atividades ilícitas que lhes permitem continuar com suas atividades.

Embora esta abordagem tenha pouca ou nenhuma eficácia na redução de eventos de pequeno escopo, tais como atentados a bomba "rotineiros" ou assassinatos políticos, ela prejudicaria sensivelmente os ataques espetaculares que envolvem uma grande soma de planejamento e recursos.

O aumento da cooperação internacional que esta abordagem necessita, seria difícil de se conseguir, porque as nações protegem agressivamente sua autonomia sobre questões de polícia e segurança interna. Uma única nação não-cooperativa pode desfazer muito dos esforços das outras.

Entretanto, as vantagens seriam substanciais. Dobrar o orçamento da Interpol e alocar um décimo do orçamento anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a monitoração financeira e capacitação, para rastrear os fundos de financiamento do terrorismo, custariam cerca de US$128 milhões anualmente. Impedir um evento terrorista catastrófico, faria o mundo economizar ao menos US$1 bilhão. Os benefícios seriam 10 vezes maiores do que os custos.

Outra opção é que as nações-alvos pensem com mais largueza em suas abordagens do contraterorismo. Alguns observadores argumentam que os EUA – o alvo chave – poderia fazer mais para projetar uma imagem positiva e negar a propaganda dos terroristas.

Isto poderia ser parcialmente obtido mediante a realocação ou aumento na ajuda externa.

Atualmente, os EUA destinam apenas 0,17% de seu PIB para assistência oficial para o desenvolvimento – a segunda menor parcela de contribuição entre os países da OCDE – e sua ajuda é altamente direcionada para países que apóiam a agenda de política externa americana. Ao estender o auxílio humanitário sem anzóis dentro, os Estados Unidos poderiam fazer mais para lidar com problemas tais como a fome, doenças e miséria, colhendo ao mesmo tempo consideráveis benefícios para sua imagem e diminuindo os riscos de ser alvo do terror.

Não estamos advogando concessões às reivindicações dos terroristas: em lugar disto, nós recomendamos que a política externa seja mais astuta e mais inspiradora.

Não existe uma panacéia contra o terrorismo. Ele é, por si só, assustador. Entretanto, não devemos deixar que o medo nos desvie de responder a ele da melhor forma. Nem deve o medo nos impedir de salvar mais vidas, por gastar o dinheiro nas questões menos alardeadas que desafiam nosso planeta.



Bjørn Lomborg é o organizador do "Copenhagen Consensus", professor adjunto na Escola de Administração de Copenhagen e autor de "Cool It: The Skeptical Environmentalist Guide to Global Warming" e "The Skeptical Environmentalist: Measuring the Real State of the World". Todd Sandler é Professor de Economia e Política Econômica, na Universidade do Texas em Dallas, e recebeu o Prêmio da Academia Nacional de Ciências para Pesquisa de Comportamento Relevante para a Prevenção da Guerra Nuclear.



Copyright (devidamente ignorado): Project Syndicate, 2008.


Esta tradução contou com a inestimável colaboração do "Moderador". Como a matéria foi traduzida a quatro mãos, eu não vou incluir, por hora, comentários pessoais.

Atualizando em 13/03/2008:

Já que nem meu cúmplice se dignou a comentar, eu vou continuar... Em primeiro lugar, é muito otimismo dos autores acharem que um país que chama seu campeonato nacional de beisebol de "World Series", vá se importar com uns sujeitinhos que vestem camisolões e "batem cabeça" voltados para uma obscura cidade na Península Arábica onde não há um poço de petróleo sequer...

Aliás, é meio irônico um "Consenso de Copenhagen" se a Dinamarca é o primeiro país insignificante que fica sacaneando os muçulmanos, com as infelizes "charges de Maomé"... Bem "jesuítico": "faça o que eu digo, não o que eu faço"...

Claro que é muito mais fácil se livrar de terroristas se, em primeiro lugar, eles não tiverem motivos para explodir ninguém!... Elimine a fome, a miséria, os governos corruptos e ditatoriais de Faissal & curriola, Musharraf & patota, e, sobretudo, parem de dar apoio ao Estado Terrorista de Israel e desmontem o KZ de Guantánamo, e dá para começar a conversar...

A velha União Soviética "foi para o vinagre" exatamente porque gastava demais com "Segurança & Repressão". Espero estar vivo para ver a "balcanização" dos EUA... (Não fui eu quem lançou este vaticínio: foi Robert Anson Heinlein , o mesmo que previu a implosão da União Soviética, desde 1955). Já passou por perto, quando o Furacão Katrina assolou a Costa do Golfo do México, mas o W. Bush estava mais preocupado com o que acontecia no Golfo Pérsico... O "Direito de Secessão" continua na Constituição de lá... E a Governadora Blanco da Louisiana teve que ameaçar exercer esse direito para ter sua Guarda Nacional de volta...

O que me incomoda são as alternativas disponíveis...


28 fevereiro 2008

Physics News Update nº 857

O Boletim de Notícias da Física do Instituto Americano de Física, número 857, de 28 de fevereiro de 2008 por Phillip F. Schewe e Jason S. Bardi.
PHYSICS NEWS UPDATE

FRACTAIS ATRAVÉS DO TEMPO.

Um novo estudo teórico observa não só como coisas fractais se parecem quando são ampliadas no espaço (elas apresentam invariância de escala: parecem exatamente iguais em escalas de tamanho cada vez menores), mas também como se as amplia no tempo — ou seja, quando se observa as mesmas em intervalos de tempo cada vez menores.

Fractais são aquelas formas geométricas que são tão tortuosamente intrincadas que assumem uma dimensionalidade extra. Por exemplo, uma curva, nominalmente unidimensional, pode, com suficientes volutas, começar a ser caracterizada em uma dimensão em algum lugar entre 1 e 2. Em outras palavras, a curva começa a apresentar as características de uma superfície. Da mesma forma, uma superfície bidimensional pode ser tão dobrada que adquire um "volume".

Esta geometria fractal é especialmente interessante quando se considera os minerais e certos seres vivos (tais como tumores) onde interfaces altamente não-Euclideanas são importantes. Em um novo artigo, Carlos Escudero do Instituto de Matemática e Física Fundamental de Madri, realiza cálculos da ampliação dinâmica (como uma superfície se modifica no espaço e através do tempo em diversas escalas diferentes) de estruturas em crescimento, tais como os filmes de semicondutores usados na indústria de microchips, onde, mesmo nas condições mais cuidadosamente controladas, podem acontecer geometrias não-Euclideanas.

Ele descobriu que o comportamento, momento a momento, das superfícies são fortemente afetadas pela geometria fractal. Em breve, Escudero estará testando suas teorias com colegas em várias áreas de pesquisas práticas, inclusive o crescimento de tecidos tumoríferos em plantas e o crescimento dos filmes semicondutores. (Physical Review Letters, artigo em publicação; na página http://www.aip.org/png/2008/297.htm foi colocada uma figura de um tumor de planta fornecida pelo Laboratório de Sistemas Complexos da Universidade Técnica de Madri. )

MAIS ANOMALIAS NAS VELOCIDADES DE NAVES ESPACIAIS.

Uma nova observação das trajetórias de várias naves espaciais, à medida em que elas passam pela Terra, tem encontrado em cada caso um pequeno excesso de velocidade. Para as naves que seguem uma trajetória mais simétrica com respeito ao Equador, o efeito é mínimo. Para naves que seguem uma trajetória mais assimétrica, o efeito é maior.

No caso da nave NEAR (<http://near.jhuapl.edu/>), por exemplo, a anomalia na velocidade chega a 13 mm/seg. Embora isso seja apenas um milionésimo da velocidade total, a precisão da medição da velocidade, realizada mediante a pesquisa do efeito Doppler nas ondas de rádio refletidas pela nave, é de 0,1 mm/seg, e isto sugere que a anomalia representa um efeito real e um que precisa de uma explicação.

A uns dez anos atrás, outra anomalia foi identificada na nave Pioneer 10 (ver PNU nº 391, matéria nº 1) e uma certa controvérsia sobre o assunto se estabeleceu, desde então.

Um dos pesquisadores que participou daquelas primeiras medições, faz parte do novo estudo, conduzido pelos cientistas do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL). John D. Anderson diz que os cientistas do JPL estão, agora, trabalhando em conjunto com colegas alemães para procurar possíveis anomalias na recente passagem da espaçonave Rosetta. (Anderson et al., Physical Review Letters, artigo em publicação, designado como "sugestão do editor" )


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PHYSICS NEWS UPDATE é um resumo de notícias sobre física que aparecem em convenções de física, publicações de física e outras fontes de notícias. É fornecida de graça, como um meio de disseminar informações acerca da física e dos físicos. Por isso, sinta-se à vontade para publicá-la, se quiser, onde outros possam ler, desde que conceda o crédito ao AIP (American Institute of Physics = Instituto Americano de Física). O boletim Physics News Update é publicado, mais ou menos, uma vez por semana.

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Como divulgado no numero anterior, este boletim é traduzido por um curioso, com um domínio apenas razoável de inglês e menos ainda de física. Correções são bem-vindas.

19 fevereiro 2008

Uma (outra) nação de idiotas...

Pescado do Washington Post do último domingo:

A estupidificação da América
Podem me chamar de ensobe, mas, realmente, somos uma nação de ignorantes

Por Susan Jacoby
Domingo, 17 de fevereiro de 2008

“A mente deste país, ensinada a mirar em objetivos baixos, devora a si própria”. Ralph Waldo Emerson apresentou esta observação em 1837, mas suas palavras ecoam com uma dolorosa presciência nos atuais e muito diferentes Estados Unidos. Os americanos estão com sérios problemas intelectuais ─ em risco de perderem nosso arduamente conquistado capital cultural para uma virulenta mistura de anti-intelectualismo, anti-racionalismo e baixas espectativas.

Este é o último assunto que qualquer candidato ousaria levantar no caminho longo e tortuoso para a Casa Branca. É praticamente impossível falar sobre a maneira com que a ingorância do público contribui para agravar os problemas nacionais, sem ser taxado como “elitista”, um dos pejorativos mais poderosos que podem ser aplicados a qualquer um que aspira a um alto cargo eletivo. Em vez disto, nossos políticos repetidamente asseguram aos americanos que eles são apenas “povão”, um eufemismo que você pode procurar, em vão, nos discursos presidenciais anteriores a 1980. (Imagine só: “Nós aqui soberanamente resolvemos que esses mortos não terão morrido em vão... e que o governo do povão, pelo povão, para o povão, não perecerá deste mundo”). Tais exaltações de mediocridade estão entre os indícios seguros de anti-intelectualismo em qualquer era.

O trabalho clássico sobre este assunto é o “Anti-Intellectualism in American Life”, do historiador Richard Hofstadter da Universidade de Columbia, publicado no início de 1963, entre as cruzadas anti-comunistas da era McCarthy e as convulsões sociais do final da década de 1960. Hofstadter viu que o anti-intelectualismo americano era, basicamente, um fenômeno cíclico que freqüentemente se manifestava como o lado negro dos impulsos democráticos do país em religião e educação. Mas a atual marca de anti-intelectualismo é menos um ciclo do que uma enchente. Se Hofstadter (que morreu de leucemia em 1970 com a idade de 54) tivesse vivido o suficiente para escrever uma continuação atual, ele teria descoberto que nossa era de “info-entretenimento” (“infotainment”) 24/7 teria superado suas previsões mais apocalípticas acerca do futuro da cultura americana.

A ignorância, parafraseando o falecido senador Daniel Patrick Moynihan, tem sido constantemente definida em termos cada vez mais baixos por várias décadas, pela combinação de duas forças, até hoje, irresistíveis. Elas incluem o triunfo da cultura do vídeo sobre a cultura impressa (e, quando eu digo vídeo, eu quero dizer qualquer forma de meio digital, inclusive os mais velhos meios eletrônicos); uma defasagem entre o crescente nível de educação formal do americano e sua frágil compreensão das noções mais básicas de geografia, ciência e história; e a fusão do anti-racionalismo com o anti-intelectualismo.

O primeiro e principal vetor do novo anti-intelectualismo é o vídeo. O declínio da leitura de livros, jornais e revistas, já é matéria velha. Esta tendência é mais pronunciada entre os jovens, mas continua a se acelerar e a afligir americanos de todos as idades e níveis de educação.

O hábito da leitura não declinou apenas entre os menos educados, de acordo com um relatório do ano passado do National Endowment for the Arts (nota do tradutor: um programa federal para o patrocínio das artes nos EUA). Em 1982, 82 % dos formandos em universidades liam novelas ou poemas por prazer; duas décadas depois, somente 67% o faziam. E mais de 40% dos americanos com menos de 44 anos não leu um único livro ─ de ficção ou não-ficção ─ durante o período de um ano. A proporção de pessoas com 17 anos que não lê coisa alguma (a menos que obrigada pela escola) mais do que dobrou entre 1984 e 2004. Este período de tempo, é claro, abrange o crescimento do uso de computadores pessoais, Web surfing e video games.

Será que isso importa? Os tecnófilos ridicularizam as catilinárias acerca do fim da cultura impressa como sendo apenas como “contemplação-do-próprio-umbigo” dos (quem mais?) elitistas. Em seu livro “Everything Bad Is Good for You: How Today's Popular Culture Is Actually Making Us Smarter” (“Tudo que é ruim é bom para você: como a atual cultura popular está nos tornando mais sabidos”) o escritor de ciências Steven Johnson nos assegura que não temos com o que nos preocupar. Claro, os pais podem ver seus “vibrantes e ativos filhos fitando silenciosamente, de bocas abertas, uma tela”. Mas este comportamento de zumbis “não são sinais de uma atrofia mental. São sinais de atenção focalizada”. Baboseira. O problema real é o que as crianças estão assistindo, não no que a atenção deles está focalizada, enquanto eles se sentam mesmerizados por vídeos que eles já assistiram dezenas de vezes.

A despeito de uma agressiva campanha de marketing que visa encorajar crianças a partir de 6 meses a assisitir vídeos, não há qualquer indício de que focalizar uma tela seja outra coisa que não prejudicial para ciranças de tenra idade. Em um estudo publicado em agosto passado, pesquisadores da Universidade de Washington descobriram que bebês entre 8 e 16 meses reconheciam uma média de menos seis a oito palavras para cada hora gasta assitindo vídeos.

Eu não posso provar que ler por horas em uma casa-na-árvore (que é o que eu fazia quando tinha 13 anos) cria cidadãos mais informados do que martelar horas na Microsoft Xbox ou ser obsessivo acerca de perfís do Facebook. Mas a incapacidade em se concentrar por longos períodos de tempo ─ ao contrário de breves buscas por informação na Web ─ me parece intimamente relacionada com a incapacidade do público em se lembrar até de notícias de eventos recentes. Não é surpreendente, por exemplo, que se tenha ouvido menos dos candidatos à presidência sobre a guerra no Iraque nestes últimos estágios da campanha, do que no começo dela, simplesmente porque têm havido menos reportagens e vídeos sobre a violência no Iraque. Os candidatos, tal como os eleitores, dão ênfase às últimas notícias, não necessariamente às mais importantes.

Não surpreende que propagandas políticas negativas funcionem. “Com o texto, é até fácil perceber os diferentes níveis de confiabilidade entre diferentes pedaços de informação”, observou recentemente o crítico cultural Caleb Crain no New Yorker. “Uma comparação entre duas reportagens de vídeo, por outro lado, é mais difícil. Forçado a escolher entre duas histórias conflitantes na televisão, o espectador recai nos seus palpites, ou no que ele já acreditava antes de começar a ver”.

No mesmo passo em que os consumidores de vídeo ficam cada vez mais impacientes com o processo de aquisição de informação através da linguagem escrita, todos os políticos se acham sob a pressão de entregar suas mensagens tão rápido quanto possível ─ e “rápido”, atualmente, é muito mais “rápido” do que costumava ser. Kiku Adatto, da Universidade de Harvard, descobriu que, entre 1968 e 1988, a “deixa” média de um candidato à presidência nos noticiários ─ onde aparecia a voz do próprio candidato ─ caiu de 42,3 segundos para 9.8 segundos. No entorno de 2000, de acordo com outro estudo de Harvard, a “deixa” diária do candidato tinha caído para apenas 7,8 segundos.

O encolhimento da amplitude de atenção do público, promovida pelo vídeo, é intimamente ligada à segunda importante força anti-intelectual na cultura americana: a erosão da cultura geral.

Pessoas acostumadas a ouvirem seu presidente explicar complicadas escolhas políticas com um desdenhoso “Quem decide sou eu”, devem achar quase impossível imaginar o trabalho que Franklin D. Roosvelt teve, nos sombrios meses depois de Pearl Harbor, para explicar por que as forças dos EUA estavam sofrendo uma derrota atrás da outra no Pacífico. Em fevereiro de 1942, Roosevelt pediu aos americanos que abrissem um mapa, durante suas “conversas ao pé do fogo” pelo rádio, de modo a que compreendessem melhor a geografia da batalha. Nas lojas por todo o país os mapas foram vendidos; cerca de 80% dos adultos americanos ligavam seus rádios para ouvir o presidente. FDR tinha dito a seus redatores de discursos que estava certo de que, se os americanos entendessem a imensidão das distâncias pelas quais os suprimentos tinham que viajar até as forças armadas, “eles poderiam tomar com as más notícias na ponta do queixo”.

Isto é um retrato não só de uma presidência diferente, mas também de um país e de cidadãos diferentes, um que não tinha o acesso aos Google Maps por satélite, mas era muito mais receptiva à idéia de aprendizado e de complexidade do que o público atual. De acordo com uma pesquisa de 2006 da National Geografic-Roper, quase metade dos americanos entre 18 e 24 anos não achavam necessário saber a localização dos outros países onde as importantes notícias estavam acontecendo. Mais de um terço considerava “nem um pouco importante” saber uma língua estrangeira e somente 14% consideravam isto “muito importante”.

Isso nos leva ao terceiro e final fator por trás da nova ignorância americana: não a fata do conhecimento, em si, mas a arrogância acerca desta falta de conhecimento. O problema não é apenas o que não sabemos (considerem que um em cada cinco adultos americanos, de acordo com a Fundação Nacional de Ciências, pensa que o Sol gira em torno da Terra); é o alarmante número de americanos que petulantemente concluiu que não precisa saber dessas coisas, para começo de conversa. Chame isto de anti-racionalismo ─ uma síndrome que é particularmente perigosa para nossas instituições e o discurso público. Não conhecer uma língua estrangeira ou a localização de um país importante é uma manifestação de ignorância; negar a importância de tal conhecimento é puro anti-racionalismo. O hálito tóxico do anti-racionalismo e da ignorância fere as discussões das políticas públicas dos EUA em tópicos que vão da política de saúde aos impostos.

Não existe uma cura rápida para esta epidemia de anti-racionalismo e anti-intelectualismo arrogante; esforços “tipo decoreba” para aumentar os resultados de exames padronizados, por meio de fazer os estudantes “decorebar” respostas específicas para perguntas específicas em exames específicos, não vai resolver o assunto. Além disto, as pessoas que personificam o problema são, usualmente, ignorantes do próprio probelma. (“Vai ser difícil achar alguém que se ache ser contra o pensamento e a cultura”, notou Hofstadter). Já passou da hora de uma séria discussão nacional acerca de se, como uma nação, nós realmente valorizamos o intelecto e a racionalidade. Se esta se tornar, realmente, uma “eleição de mudanças”, o baixo nível do discurso em um país cuja mente foi ensinada a mirar em objetivos baixos, tem que ser o primeiro item da agenda de mudanças.


info@susanjacoby.com

O último livro de Susan Jacoby se chama "The Age of American Unreason" (“A Era do Irracionalismo Americano”)




Adendo do tradutor:
E isso no país mais rico do mundo, com escolas de fazer qualquer professor (de qualquer grau) do Brasil babar de inveja, onde o transporte escolar não é feito em "pau-de-arara" e a Merenda Escolar não vai parar na casa dos apaniguados do prefeito...

Já em um certo país democrático da America do Sul, onde o Presidente democraticamente eleito pelo voto majoritário direto (não por um "Colégio Eleitoral" que só quem usa sistema de medidas "Avoirdupois" entende...), o BBB-8 vai "bombando" na audiência, e o Fantástico desse mesmo domingo em que esse artigo foi publicado, concedeu o dobro do tempo da reportagem sobre a precariedade do transporte escolar, para a bombástica estréia em carreira solo de uma cantora de "axé-bunda", cuja apresentação foi a modesta frase: "eu sou a mulher mais gostosa do mundo!"...

Áurea mediocritas!...

15 fevereiro 2008

Um Americano Intranqüilo

"Pirateado" da Newsweek:


“Nosso País Está em Perigo”

Um ex-caçador de bin Laden explica porque os EUA não venceram a Al Qaeda.

Por John Barry | Newsweek Web Exclusive 13 de fevereiro de 2008

Michael Scheuer é um homem preocupado — e zangado. Ele está preocupado com o que ele vê como o fracasso dos Estados Unidos em traçar uma estratégia de sucesso contra Osama bin Laden e zangado com o que ele vê como uma timidez política por trás desse fracasso. Scheuer tem motivos para ser ouvido. Ele foi um agente da CIA por quase 20 anos. Nos anos 1980 ele esteve envolvido com o fornecimento de armamentos para os mujahedin do Afeganistão contra os Soviéticos. Pela maior parte da década de 1990 ele liderou a equipe que caçou Osama bin Laden. Em 2004 ele deixou a CIA e escreveu um livro, intitulado "Imperial Hubris" ("Arrogância Imperial"), um relato dos anos de fracasso do Ocidente em tratar seriamente a crescente ameaça do terrorismo Islâmico. Agora Scheuer escreveu um novo livro, "Marching Toward Hell: America and Islam After Iraq" ("Caminhando para o Inferno: a América e o Islam depois do Iraque"). Ele falou ao repórter da NEWSWEEK, John Barry, acerca do livro. Extratos:

NEWSWEEK: Por que você escreveu este novo livro?

Michael Scheuer: Porque eu acho que nosso país está em perigo. O inimigo que estamos encarando, Osama bin Laden e o movimento que ele chefia, é muito mais perigoso do que qualquer um acredita. É muito mais esperto, muito mais talentoso e, agora, está recrutando, cada vez mais, uma nova geração que é melhor educada, não somente em termos de escolaridade, mas em termos operacionais e tecnológicos. Nós derrotamos os espadachins. Os Errol Flynns do jihad se foram; eles estão perto de serem julgados em Guantánamo. Agora, nós temos os mocinhos de terno cinza que são calmos, não atraem atenções para si, mas são tremendamente sabidos.

Nós subestimamos Osama bin Laden?

Eu acho que existe um tremendo racismo em nossa resposta a bin Laden. Ele usa uma barba e umas roupas esquisitas e vive em uma caverna. (Eu duvido que isso seja verdade, por falar nisso. Esta a versão feita-para-Hollywood). De forma que desprezamos ele. Mas é incrível tratar seu inimigo como um idiota, especialmente quando você está perdendo duas guerras para ele, e quando seu diretor da Inteligência Nacional está avisando que a Al Qaeda foi reconstruída, reequipada e está mais forte do que nunca.

Nós estamos combatendo bin Laden a mais tempo do que lutamos na Segunda Guerra Mundial. Por que não ganhamos?

Porque nossa elite política não quer se rebaixar a explicar ao povo americano as reais razões porque bin Laden nos odeia e se opõe a nós. Nossos líderes dizem que ele e seus seguidores nos odeiam por causa de quem somos, porque temos primárias antecipadas em Iowa a cada quatro anos e deixamos nossas mulheres trabalharem. Isto é idiotice. Eu não acho que ele queira essas coisas no país dele. Mas não é por isso que ele se opõe a nós. Eu leio os escritos de bin Laden e aceito a palavra dele. Ele e seus seguidores nos odeiam por causa de aspectos específicos de nossa política externa. Bin Laden expõe esses motivos para qualquer um que queira ler. Seis elementos: nosso inqualificável apoio a Israel; nossa presença na península Arábica, cuja terra eles julgam sagrada; nossa presença militar em outros países Islâmicos; nosso apoio a outros estados que oprimem muçulmanos, especialmente Russia, China e India; nossa política de longo prazo de manter os preços do petróleo artificialmente baixos para beneficiar os consumidores ocidentais em detrimento do povo árabe; e nosso apoio às tiranias árabes que concordam com isso.

Você diz que bin Laden explicou tudo isto. Mas não é o que se ouve na corrente campanha presidencial.

Eu cheguei à conclusão de que isto é apenas inconveniente demais para nossa classe política. É muito mais fácil dizer aos americanos que uns malucos estão querendo pegar você e que amanhã sua filha vai ter que ir para a escola usando uma burqa. E nós temos pouquíssimas pessoas, ainda hoje, com conhecimentos sobre o mundo árabe. No mesmo ano do ataque de 11/9, houve três PhDs concedidos sobre assuntos árabes. Três, no país todo. Um foi sobre Arquitetura Islâmica. Um foi sobre a Poesia Islâmica. O terceiro foi sobre a História Islâmica. E as coisas não melhoraram muito desde então. Nós ainda estamos construindo o capital intelectual que precisamos. Na Guerra Fria, será que nós dizíamos: "Nós não precisamos realmente entender o que Marx, Lênin ou Stálin escreveram, porque eles são gangsters, não pessoas brilhantes, são somente niilistas e nós podemos vencer eles porque nós somos 'os mocinhos'"? Não. Nos construímos, com dinheiro do governo, instituições para estudar a União Soviética. Mas nada comparável a isso está sendo feito agora. O esforço é mínimo. E, cada vez mais, você descobre que os institutos existentes são financiados por dinheiro saudita. O que significa que existem limitações reais sobre o que eles podem dizer. Então eu leio na National Review ou no Weekly Standard acerca de Osama bin Laden ser um gangster ou um idiota, ou ambos. Mas eu tenho que dizer que há um toque de gênio aí. Pegar em seis elementos da política externa americana que são os mais identificados com nossas políticas domésticas é uma grande peça de análise. Porque isso torna o debate franco tão difícil.

E se não tivermos este debate?


Veja, nós temos uma classe política neste país que vive e morre com base em pesquisas. Eles não vão ao banheiro sem ver as pesquisas. Pois bem, as pesquisas nos dizem que, no mundo muçulmano, algo como 75 a 80 % concordam com Osama bin Laden em que a política externa americana é destinada a prejudicar ou destruir o Islam. Bem, pouquíssimos deles vão pegar em uma AK-47. Mas quantos são precisos para causar um problema? Osama bin Laden está, de alguma forma, falando de uma guerra de libertação. E é verdade que por 50 anos nós apoiamos tiranias que oprimiam muçulmanos, tiranias com fortes elementos fascistas. Nós ouvimos um bocado sobre os "Islamofascistas". Sim, existem muitos deles por aí. E eles estão todos do nosso lado. Eles estão em Riyadh, Amman, Kuwait City, Cairo. Até Bernard Lewis, o santo patrono de nossos "neocons", escreveu que os governos que dominam os muçulmanos estão praticando basicamente um Facismo Europeu adaptado às areias... Nós podemos manter o atual curso da política externa americana, mas temos que compreender que, com o tempo, isto pode acabar nos envolvendo em enviar tropas para lutar em cada continente, na medida em que novos jovens muçulmanos se alistem na bandeira da Al Qaeda. Os candidatos na campanha presidencial estão falando de ressuscitar empregos e salários, e partir para uma saúde universal. Nada disso vai ser possível se nosso país estiver envolvido. Meu próprio ponto de vista é que é mais sensato enfrentar o fato de que nossa política externa com relação aos árabes é o único aliado indispensável para Osama bin Laden.

© 2008 Newsweek, Inc.

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Caramba! Contrariando todos os indícios, existe vida inteligente em Washington!... Só que deveria ser inscrita entre as espécies ameaçadas de extinção...

Nova Zona Morta - 2

Via EurekAlert, esta matéria se relaciona com Nova Zona Morta cuja tradução eu publiquei em 07 de agosto de 2006.

Pesquisadores do Oregon estudam amplas áreas de baixa oxigenação ao largo da Costa Noroeste
Cientista de pesca da NOAA trabalha no caso

Uma equipe de cientistas que estudam a Corrente da Califórnia – uma massa de águas frias que se move lentamente para o Sul ao longo da costa, desde a Colúmbia Britânica até a Baja Califórnia – estão encontrando áreas cada vez maiores, ao largo das costas de Washington e Oregon com pouco ou nenhum oxigênio, que possivelmente resultarão na morte de animais marinhos que não conseguem sair dessas áreas de baixa oxigenação.

“Nós estamos vendo agora baixos níveis de oxigênio que estão muito mais difundidos e muito mais intensos do que qualquer registro passado”, declara William Peterson, um dos pesquisadores e um oceanógrafo do centro de ciências do Serviço de Pesca do NOAA em Newport, Oregon.

“Os peixes simplesmente se mudaram dessas áreas e, provavelmente, estão muito bem em outro lugar qualquer”, diz Peterson. “Mas animais que não podem se mudar para águas melhores, tais como o caranguejo Dungeness, anêmonas e estrelas-do-mar, vão morrer”.

Peterson acrescenta que, durante o verão de 2006, a anoxia – uma completa falta de oxigênio na água – foi registrada na região central da costa do Oregon pela primeira vez.

Em um artigo publicado hoje na revista 'Science', os pesquisadores dizem que os dados, que remontam a 1950, mostram poucos indícios de baixa oxigenação generalizada ao longo da estreita plataforma continental antes de 2000. Desde então as condições começaram a mudar.

A equipe realizou uma pesquisa com base em submersíveis no verão de 2006 e descobriu que não havia peixes vivendo ao longo dos penhascos rochosos que são, normalmente, o saudável habitat para várias espécies de peixes comercialmente importantes. Isto contrasta com pesquisas semelhantes, realizadas entre 2000 e 2004, que registraram abundantes populações de peixes. Nas áreas de águas rasas, em particular, a equipe encontrou uma quase completa ausência de organismos habitantes do fundo do mar e um aumento no número de bactérias que florescem nas condições de baixa ou nenhuma oxigenação.

Embora as causas para as condições de baixa e nenhuma oxigenação ainda não sejam totalmente compreendidas, é sabido que água com baixa oxigenação é associada com a ressurgência costeira – o processo no qual águas ricas em nutrientes são trazidas do fundo para a superfície do mar. Aí, estes nutrientes alimentam uma produção extraordinariamente alta de pequenos vegetais e animais ao largo das costas do Pacífico Noroeste, durante o verão.

Eventualmente, a maior parte desse plâncton morre e cai para o fundo do oceano, onde se decompõe, reduzindo o conteúdo de oxigênio da água e causando a hipoxia (pouca oxigenação) e até a anoxia (nenhum oxigênio).

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O artigo da "Science", “Emergence of Anoxia in the California Current,” foi escrito por F. Chan, J.A. Barth, J. Lubchenco, A. Kirincich e B.A. Menge da Oregon State University, H. Weeks com o Oregon Department of Fish and Wildlife, e Peterson.

A Administração Nacional do Oceano e Atmosfera (National Oceanic and Atmospheric Administration = NOAA), uma agência do Departamento de Comércio do governo dos EUA, é dedicada ao aumento da segurança econômica e a segurança nacional, através da previsão e pesquisa de eventos relacionados com o clima e o tempo, e o fornecimento de informações para transportes e a gerência geral dos recursos marítimos e costeiros da nação. Através do nascente projeto Sistema de Sistemas de Observação Global da Terra (Global Earth Observation System of Systems = GEOSS), a NOAA trabalha em conjunto com seus parceiros federais, mais de 70 países e a Comissão Européia para desenvolver uma rede de monitoramento global que seja integrada como o planeta que ela observa, prediz e protege.

Na Web:
NOAA Fisheries Service: http://www.nmfs.noaa.gov

13 fevereiro 2008

Physics News Update nº 856

O Boletim de Notícias da Física do Instituto Americano de Física, número 856, de 13 de fevereiro de 2008 por Phillip F. Schewe e Jason S. Bardi.
PHYSICS NEWS UPDATE

CAOS SUPERCONDUTOR.

Uma nova experiência na Universidade do Estado do Colorado estuda a dinâmica caótica das "gotas de fluxo" — vórtices microscópicos de supercorrente — que fluem ao longo de um estreito canal que cruza uma faixa supercondutora. Uma corrente aplicada perpendicularmente ao canal faz com que uma gota de fluxo se forme, cresça e se rompa no final do canal. Esta gota é, então, carregada ao longo do canal pela corrente.

Este processo é uma reminiscência de gotas d'água que pingam de um registro, o que tem sido por longo tempo um dos principais processos para a compreensão do caos. Os investigadores da Universidade do Estado do Colorado utilizaram um sensor magnético, micrométrico, para detectar diretamente o campo magnético das gotas individuais, à medida em que passavam por baixo dele. A resultante seqüência temporal das gotas de fluxo, exatamente como as gotas d'água em uma torneira, exibem claras assinaturas de caos determinístico, o que implica em que a seqüência aparentemente irregular de gotas não é aleatória, mas previsível, a partir do conhecimento dos intervalos de tempo das gotas anteriores.

Entretanto, predizer a seqüência além de 4 ou 5 gotas futuras se torna exponencialmente mais difícil — uma outra marca registrada do caos. De acordo com Stuart Field, esta é a primeira observação conclusiva de comportamento caótico em estruturas de fluxos móveis. A observação direta de uma série temporal permite uma identificação sem ambiguidade do caos neste sistema. (Field and Stan, Physical Review Letters, artigo em publicação, designado como "sugestão do editor")

ÁTOMOS DE ANTI-HIDROGÊNIO DETECTADOS EM UMA ARMADILHA PENNING-IOFFE.

A Colaboração de Armadilhas para Antiprótons (Antiproton Trap Collaboration = ATRAP) que funciona no CERN, obteve sucesso em detectar, pela primeira vez, a presença de átomos de anti-Hidrogênio (cada um feito de um antipróton e um posítron) no interior de uma armadilha combinada Penning-Ioffe. Ambos os tipos de armadilha combinam campos elétricos e magnéticos para capturar partículas carregadas e partículas neutras com momentos magnéticos.

Ambas as armadilhas desempenham um papel importante: a armadilha Penning é necessária para capturar e controlar os posítrons e antiprótons o suficiente para que eles possam se unir na contraparte dos átomos de Hidrogênio, enquanto a armadilha Ioffe é necessária para capturar esses átomos, uma vez feitos, a fim de realizar estudos espectroscópicos de alta precisão.

Produzir e, depois, resfriar antiprótons (criados em poderosas colisões em energias de bilhões de elétron-Volts e, então, freados por estágios até energias da ordem de mili e micro-elétron-Volts) é difícil de fazer, em primeiro lugar, e, mais difícil ainda, é combiná-los com posítrons de uma fonte radiativa. Alguns cientistas temiam que fosse impossível manter os posítrons e antiprótons por tempo suficiente para produzir anti-átomos quando uma Iofffe para átomos neutros estivesse em posição, mas esta nova experiência acabou com esta preocupação.

Gerald Gabrielse, chefe da equipe ATRAP (<http://hussle.harvard.edu/~atrap/>), diz que eles ainda não têm provas de anti-átomos capturados, somente de que os anti-átomos estão sendo produzidos; na verdade, o número de anti-átomos sobe quando a armadilha Ioffe é ligada. (Gabrielse et al., Physical Review Letters, artigo em publicação)

OS PRÊMIOS DO INSTITUTO AMERICANO DE FÍSICA para obras científicas foi anunciado. Há quatro categorias de obras: jornalismo, cientista, difusão e literatura infantil.
Tim Folger ganhou o prêmio de 2007 na categoria de jornalismo por seu artigo na Discover Magazine, "If an Electron can be in Two Places at Once, Why Can't You?" ("Se um elétron pode estar em dois lugares ao mesmo tempo, por que você não pode?")
James Trefil ganhou o prêmio da categoria cientista de 2007 por seu artigo na Astronomy Magazine, "Where is the Universe Heading?" ("Para onde vai o universo?")
Jacob Berkowitz ganhou o prêmio na categoria literatura infantil com seu livro "Jurassic Poop", (trocadilho com "Jurassic Park" e que usa o termo "poop" que pode significar "popa" ou "titica") publicado pela Kids Can Press.
E o prêmio de difusão foi para os novamente premiados Bob McDonald, Pat Senson e Jim Handman pelo programa "Multiple Worlds, Parallel Universes" ("Múltiplos Mundos, Universos Paralelos") que foi ao ar no programa de rádio da CBC "Quirks & Quarks" (nem vale a pena tentar traduzir...)

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PHYSICS NEWS UPDATE é um resumo de notícias sobre física que aparecem em convenções de física, publicações de física e outras fontes de notícias. É fornecida de graça, como um meio de disseminar informações acerca da física e dos físicos. Por isso, sinta-se à vontade para publicá-la, se quiser, onde outros possam ler, desde que conceda o crédito ao AIP (American Institute of Physics = Instituto Americano de Física). O boletim Physics News Update é publicado, mais ou menos, uma vez por semana.

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Como divulgado no numero anterior, este boletim é traduzido por um curioso, com um domínio apenas razoável de inglês e menos ainda de física. Correções são bem-vindas.

05 fevereiro 2008

Physics News Update nº 855

O Boletim de Notícias da Física do Instituto Americano de Física, número 855, de4 de fevereiro de 2008 por Phillip F. Schewe e Jason S. Bardi.
PHYSICS NEWS UPDATE

O MATERIAL MAIS ESCURO JAMAIS FEITO, consiste de um tapete de nanotubos de Carbono orientados verticalmente. A escuridão ou brilho de qualquer objeto depende da fração da luz incidente sobre o objeto que é refletida.

A refletividade do dispositivo de nanotubos desenvolvido pelos físicos do Rensselaer Polytechnic Institute (RPI) é de somente 0,045%, três vezes menor do que o objeto mais escuro anterior (ver figura em aqui ). Shawn Lin e seus colegas montam os nanotubos sobre nanopontos no topo de um "wafer" de Silício. O tapete resultante é fino (10-800 microns) e leve (0,01- 0,02 g/cm³).

Possíveis aplicações incluem a revisão dos padrões de escuridão, tais como os empregados pelos fotógrafos. O ponto inferior da escala de escuridão atualmente definida pelo NIST é de refletividades de cerca de 1,5%. O material pode também ser útil em detectores astronômicos (onde se deseja enxugar a radiação difusa) ou em células fotovoltáicas que transformam a luz solar em eletricidade.

Lin diz que uma característica adicional deste novo material é que ele representa uma substância controlavelmente porosa com um índice de refração (1,02) não muito diferente do ar. (Yang et al., NanoLetters, 9 de janeiro de 2008)

ANTI-NEUTRINOS E NÃO-PROLIFERAÇÃO.

Um novo detector compacto pode auxiliar os inspetores internacionais a bisbilhotar o interior de um reator nuclear em funcionamento de maneira não-invasiva, medindo diretamente o fluxo de antineutrinos que é emitido.

Desde que entraram em uso, os reatores nucleares, pelo menos em princípio, têm sido estreitamente relacionados com armas nucleares. Por exemplo, reatores produzem Plutônio que pode, depois, ser utilizado na fabricação de bombas nucleares. A questão de como monitorar o funcionamento de um reator nuclear em particular e comparar os estoques de Plutônio esperados de um funcionamento normal (digamos, a produção de energia elétrica) é um dos principais componentes nos esforços da não-proliferação.

O detector na escala de metros cúbicos, proposto por Adam Bernstein, chefe do Grupo de Detectores Avançados do Lawrence Livermore National Laboratory e construído por uma equipe do Livermore e do Sandia National Laboratories da California, não necessitaria monitorar o desempenho do reator em uma base momento a momento. Em lugar disto, sua sensibilidade é mais dirigida ao número de antineutrinos produzidos em intervalos horários, diários e semanais. Estas escalas de tempo, diz Bernstein, são bem adequadas para o tipo de monitoramento realizado pela AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica).

O detector construído pela colaboração LLNL/SNL funciona sozinho por longos períodos sem necessitar de manutenção significativa, é auto-calibrador e não afeta o funcionamento ds instalações de forma alguma (ver ilustração de um detector em funcionamento aqui ).

Os dados do detector são obtidos remotamente em tempo-real. O módulo do detector pode ser tornado à prova de fraudes pelo emprego de técnicas padrão e a assinatura dos antineutrinos, observada pelo detector (a chegada de um posítron seguida de um nêutron 30 microssegundos depois) é difícil de imitar com fontes alternativas de nêutrons ou raios Gama. Em conjunção com o conhecimento da entrada de combustível e o projeto do núcleo, o fluxo de antineutrinos observado fornece uma medição direta da potência do reator e do seu conteúdo de isótopos. (Bernstein et al., Applied Physics Letters, artigo em publicação)

A PHYSICAL REVIEW LETTERS está celebrando seu quinquagésimo aniversário este ano. Vários eventos especiais estão planejados, tais como os encontros vindouros de março e abril da APS. Igualmente, vários artigos famosos da PRL publicados neste último meio século, estão disponíveis
, junto com um breve sumário da importância dos artigos, no seguinte website:


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PHYSICS NEWS UPDATE é um resumo de notícias sobre física que aparecem em convenções de física, publicações de física e outras fontes de notícias. É fornecida de graça, como um meio de disseminar informações acerca da física e dos físicos. Por isso, sinta-se à vontade para publicá-la, se quiser, onde outros possam ler, desde que conceda o crédito ao AIP (American Institute of Physics = Instituto Americano de Física). O boletim Physics News Update é publicado, mais ou menos, uma vez por semana.

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Como divulgado no numero anterior, este boletim é traduzido por um curioso, com um domínio apenas razoável de inglês e menos ainda de física. Correções são bem-vindas.

30 janeiro 2008

Ajude a manter o "Domínio Público" na ar!

Divulgaram uma mensagem na comunidade de Astronomia do Orkut, alertando que o site Domínio Público estaria para ser desativado por falta de uso.

Vai ser mais uma derrota para as boas iniciativas em matéria de educação no Brasil, se isso realmente acontecer...

Então, divulgue, escreva para lá, faça o que puder...

23 janeiro 2008

Physics News Update nº 854

O Boletim de Notícias da Física do Instituto Americano de Física, número 854, de 23 de janeiro de 2008 por Phillip F. Schewe e Jason S. Bardi.
PHYSICS NEWS UPDATE

UM NOVO CÁLCULO EXPLICA O MECANISMO POR TRÁS DA DATAÇÃO POR CARBONO, em termos da maneira com que a massa dos mésons muda, à medida em que eles se deslocam através de um núcleo atômico. Acredita-se que os mésons (patículas tais como os píons {ou mesons PI} que contém um quark e um antiquark) sejam os mediadores da Força Nuclear {Forte} entre dois núcleons.

A datação por Carbono radiativo começou a ser feita em 1949 quando Willard Libby disse que a quantidade de Carbono-14 (o primo radiativo do Carbono-12) remanescente em um objeto (tal como uma árvore fossilizada) poderia dar uma estimativa de quão antigo o objeto era. A idéia era que o organismo, enquanto estava vivo, iria ingerir constantemente o raro Carbono-14 em quantidade suficiente para substituir os núcleos que decaíam abaixo de 14 (sendo os outros subprodutos um elétron e um neutrino).

Porém, assim que o organismo morria, a proporção entre C-14/C-12 começaria a diminuir exponencialmente, uma vez que o C-14 não estaria mais sendo substituído. A medição dessa proporção em termos de meias-vidas dos isótopos radiativos forneceria uma boa estimativa da idade do fóssil. Este processo tem sido empregado desde então pelos arqueologistas para medir a idade das coisas, ao menos das coisas que estiveram vivas.

Uma grande questão se apresentava: se a meia-vida radiativa do C-11 é 20 minutos, a do O-14 é de 1 minuto, a do O-15 é de 2 minutos e a do N-13 é de 10 minutos, por que a meia-vida do C-14 é de cerca de 3 bilhões de minutos (cerca de 5.730 anos)?

Foi isto que Jeremy Holt e seus colegas em Stony Brook, TRIUMF (o acelerador de partículas em Vancouver) e da Universidade do Idaho se propuseram a estabelecer.

Holt declara que a meia-vida anormalmente longa do C-14 tem sido um mistério para os teóricos por meio século. Uma teoria anterior, chamada de escala Brown-Rho (assim chamada por ter sido apresentada por Gerry Brown e Mannque Rho, em 1991), sugeria que as massas da maior parte dos mésons diminuía uniformemente quando eles atravessavam o denso material nuclear (na medida em que eles portam a Força Nuclear {Forte} - ver figura aqui ). Holt e seus colegas autores atualizam o assunto, dando conta, de maneira particularmente precisa, da observada longa vida do C-14. (Holt et al., Physical Review Letters, artigo em publicação e designado como uma "Sugestão do Editor")

VELOCIDADE RECORDE NO GRAFENO.

Andre Geim e seus colegas na Universidade de Manchester observaram a maior mobilidade para um elétron em qualquer material eletrônico. Neste caso, os elétrons se moviam através de Grafeno, com uma mobilidade de 200.000 cm²/Volt-segundo.

O Grafeno só foi descoberto há poucos anos (por Geim: ver see PNU nº 769, matéria 1 ). Um material verdadeiramente bidimensional já é suficientemente espantoso, porém ainda menos usual era a facilidade observada com com que os elétrons se movem através do Grafeno.

Elétrons que se movem através de qualquer estrutura de cristal ficam interagindo constantemente com os átomos na estrutura, especialmente se houver irregularidades presentes. Isto faz com que os elétrons diminuam a velocidade. Sua massa efetiva será diferente para cada tipo de cristal. No Grafeno a massa efetiva dos elétrons é zero.

Uma outra maneira de descrever quantitativamente a viagem de um elétron através dos "becos" de um cristal é em termos de sua "mobilidade", expressa em unidades de cnetímetros quadrados por Volt/segundo. A mobilidade do portador de carga é, talvez, a mais importante característica meritória para um material eletrônico, de forma que os pesquisadores procuram sempre por uma mobilidade maior. Para dar alguns exemplos: a mobilidade no Silício é 1.500, enquanto no GaAs é de 8.500. É por isso os circuitos nos telefones celulares são baseados no GaAs. Para o InSb a mobilidade é ainda maior: 80.000. O novo recorde de mobilidade de Gelm de 200.000 não vai fazere com que a indústria de eletônicos jogue no lixo o Si ou o GaAs em um futuro próximo.

Os problemas com os primeiros circuitos de Grafeno agora, diz Gelm, são, primeiro, que o Grafeno não pode ser fabricado em "wafers" de qualidade uniforme; e, segundo, que o protótipo de transistor-comutador de Grafeno (que passa de "desligado" para "ligado") é muito lento.

Entretanto, Geim prediz que, a curto prazo (3 a 5 anos), o Grafeno pode emergir como a base para sensores químicos e para geradores de luz na faixa de TeraHerz - uma faixa de freqüências (e que ainda não foi conseguida de qualquer modo prático) onde os corpos humanos ficam transparentes - tornando possível máquinas de imageamento para segurança e medicina. (Morozov et al., Physical Review Letters, artigo em publicação)

POLÍTICA PRESIDENCIAL DOS EUA. Os políticos, embora tenham preocupações com assuntos tais como guerras, imigração e a economia, também têm um lado voltado para ciência e tecnologia. Para saber o que os candidatos estão dizendo sobre tópicos relacionados à ciência, visitem estes sites da Physics Today: http://blogs.physicstoday.org/politics08/ ou http://physicstoday.org


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PHYSICS NEWS UPDATE é um resumo de notícias sobre física que aparecem em convenções de física, publicações de física e outras fontes de notícias. É fornecida de graça, como um meio de disseminar informações acerca da física e dos físicos. Por isso, sinta-se à vontade para publicá-la, se quiser, onde outros possam ler, desde que conceda o crédito ao AIP (American Institute of Physics = Instituto Americano de Física). O boletim Physics News Update é publicado, mais ou menos, uma vez por semana.

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11 janeiro 2008

Physics News Update nº 853

O Boletim de Notícias da Física do Instituto Americano de Física, número 853, de 11 de janeiro de 2008 por Phillip F. Schewe e Jason S. Bardi.
PHYSICS NEWS UPDATE

ESPECTROSCOPIA SEM PRECEDENTES, UTILIZANDO A MELHOR ESCALA JÁ FEITA PARA A LUZ.

Os físicos do NIST-Boulder realizaram um novo poderoso estudo espectroscópico de uma amostra de gás, utilizando pentes de freqüência. O trabalho do NIST, que pode, muito bem, modificar a maneira de fazer espectroscopia, é particularmente remarcável porque ele fornece o espectro completo do gás, em uma ampla região do espectro e com uma precisão de freqüência que pode chegar a 1 Hz (para freqüências de espectro da ordem de 2 x 1014 Hz).

O feito espectroscópico do NIST é equivalente a enviar, simultaneamente, 155.000 lasers individuais de freqüência singela através da amostra e medir a amplitude e o desvio de fase de cada laser individual. Além disto, o espectro é medido rapidamente, usando um dispositivo sem peças mecânicas móveis.

A invenção do processo de pente óptico de freqüência foi um grande passo adiante na tecnologia de laser. John Hall (NIST) e Ted Haensch (Max Planck) ganharam o Prêmio Nobel em 2005 por seu trabalho pioneiro nesta área. (Para um tutorial [em inglês, é claro] sobre pentes de freqüência, veja esta página do NIST)

No processo do pente, um laser de pulsos emite luz, não em uma única freqüência, mas em uma série de freqüências. Um espectro de freqüências desse laser composto se parece com um pente, com as emissões de luz em intervalos de freqüência regulares, que cobrem a faixa infravermelha do espectro eletromagnético [ou, como está virando moda dizer: "luz"]. O pente de freqüências é uma ferramenta ideal para a espectroscopia por várias razões. Sua luz cobre uma grande parte do espectro óptico e a freqüência de cada linha individual do pente pode ser conhecida com uma precisão de 1 Hz.

Quando se faz passar um pente de freqüências através de uma célula de gás, uma dada linha, tal como qualquer feixe laser, vai ser absorvida quando for ressonante com qualquer um dos vários níveis de energia quântica do gás. O desafio com os pentes de freqüências é descobrir quais dentre as cem mil linhas do pente são absorvidas e quais não são.

Para resolver este problema, os pesquisadores do NIST pegam o pente usado para a espectroscopia e o misturam com um segundo pente de freqüências cuidadosamente planejado. Este conjunto de pulsos de luz resulta em um pulso de "batimento de freqüência" que pode ser medido com dispositivos eletrônicos convencionais. A partir desse pulso de batimento de freqüência, a absorção e o desvio de fase de cada linha individual do pente podem ser observados separadamente. Este trabalho representa, de longe, o maior número de "dentes" em um pente de freqüências já observado individualmente.

A presente experiência do NIST procura pelos efeitos de absorção por um gás de 155.000 linhas do pente, intervaladas de 125 nm em comprimento de onda. A precisão de 1 Hz do NIST deve ser comparada com a precisão de dezenas de MHz que caracteriza outras técnicas de espectroscopia. Os pesquisadores do NIST acreditam que este novo trabalho pode mudar o modo de realizar espectroscopias. (Coddington, Swann, Newbury, Physical Review Letters, 11 de janeiro de 2008; este é um dos artigos em destaque pelos editores da PRL)

OCULTAMENTO ACÚSTICO.

Simulações em computador e o emprego da teoria de dispersão de ondas demonstraram que, ao contrário do anteriormente previsto, deve ser possível produzir uma cápsula tridimensional material, invisível para as ondas de som, analogamente ao "ocultamento óptico", o processo pelo qual as ondas de luz são guiadas em torno de um objeto e re-focalizadas na outra ponta e na mesma direção (sem qualquer reflexão de luz que traia a posição) de forma a tornar o objeto "invisível".

Um ocultamento óptico ainda não foi conseguido, porém os pesquisadores esperam ser capazes de fazê-lo. Pode a mesma coisa ser feita com ondas de som?

Em princípio, não há razão para que isso não possa ser feito. O líder de um grupo de cientistas que está examinando a questão, Steven Cummer da Duke University, diz que vários dos princípios que dizem respeito à canalização de ondas de luz em torno de um objeto, podem ser também aplicáveis a ondas de som. Certamente, existem diferenças. As ondas de som oscilam na direção de seu movimento, enquanto os campos elétrico e magnético que compõem as ondas de luz, oscilam perpendicularmente à direção de movimento da onda.

No caso óptico, o ocultamento vai requerer um material (na verdade um meta-material) específico, com um índice de refração altamente anisotrópico (que varie largamente de acordo com a direção através do material). Na prática, o índice de refração para ondas eletromagnéticas depende da permissividade, uma medida da resposta do material a um campo elétrico aplicado, e da permeabilidade, sua resposta a um campo magnético aplicado (para um relato sobre a demonstração de materiais com índice negativo, veja Boletim PNU n° 476, matéria n°1).

Os equivalentes acústicos desses dois parâmetros são a densidade de massa e a compressibilidade (a resiliência) do fluido ambiente (usualmente ar ou água) no qual o objeto se encontra. Cummer diz que, a curto prazo, o ocultamento acústico pode ser mais prático do que o ocultamento óptico. Uma das limitações do ocultamento eletromagnético, declara ele, é que requer que partes da onda se movam mais rápido do que a velocidade da luz (em total concordância com a Relatividade Restrita); isto pode ser feito com amplitudes de freqüência muito limitadas, porém não para amplitudes maiores, o que limita a aplicabilidade do ocultamento óptico. Esta limitação não se aplica a ondas de som que se propagam pela matéria. Além disto, as propriedades acústicas da maior parte dos materiais significam que ondas de som podem não ser absorvidas tão prontamente como o são as ondas de luz no ocultamento óptico (caso no qual o ocultamento óptico seria menos do que perfeito).

As aplicações do ocultamento acústico vêm à mente facilmente: esconder submarinos do sonar, por exemplo. Outra aplicação prática potencial pode ser na arquitetura, onde considerações sobre a acústica (redução de ruídos) não precisarão ser sacrificados em favor da integridade estrutural. Entre os colaboradores de Cummer estão David Smith da Duke (um dos primeiros pioneiros no campo de materiais com índices negativos) e John Pendry do Imperial College (o teórico inicial dos estudos sobre índices negativos). (Cummer et al., Physical Review Letters, 11 de janeiro de 2008;
este é outro dos artigos em destaque pelos editores da PRL)


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Como divulgado no numero anterior, este boletim é traduzido por um curioso, com um domínio apenas razoável de inglês e menos ainda de física. Correções são bem-vindas.

03 janeiro 2008

Physics News Update nº 852

O Boletim de Notícias da Física do Instituto Americano de Física, número 852, de 3 de janeiro de 2008 por Phillip F. Schewe e Jason S. Bardi.
PHYSICS NEWS UPDATE

AMEBAS ANTECIPAM MUDANÇAS CLIMÁTICAS.

Uma nova experiência mostra que amebas diminuem sua movimentação em sincronia com mudanças adversas periódicas no ambiente e irão, como se antecipando um evento, diminuir o movimento até quando as condições adversas não ocorrerem.

Uma equipe de cientistas da Universidade de Hokkaido e dos Laboratórios de Engenharia de Ondas ATR, no Japão, cultivaram Micetozoários Physarum Polycephalum (um membro do clan das amebas) em uma camada de flocos de aveia em lagar. A cada dez minutos o ar era tornado ligeiramente mais frio e mais seco, o que resultava na diminuição da movimentação das amebas por um caminho estreito. Então, as melhores condições do ar eram restauradas e a movimentação retornava ao que era antes. Depois de vários ciclos, as amebas reduziam a movimentação mesmo quando as condições adversas não se materializavam.

Posteriormente, quando os organismos já tinham sido tapeados em antecipar mudanças climáticas iminentes várias vezes, elas deixavam de reduzir a movimentação sem uma verdadeira mudança nas condições. Um dos pesquisadores, Toshiyuki Nakagaki de Hokkaido, alerta para o fato de que amebas não possuem cérebros e isso não é um exemplo do clássico comportamento de "reflexo condicionado" Pavloviano.

Não obstante, isto pode indicar um maior indício de de uma sensibilidade primitiva ou "inteligência" baseada no comportamento dinâmico das estruturas tubulares desdobradas pela ameba. (Saigusa et al., Physical Review Letters, 11 de janeiro de 2008)

DEMOLINDO VÍRUS

Um novo estudo está tentando estabelecer os modos intrínsecos de vibração dos capsídeos — as cascas de proteínas das partículas de vírus que embalam seu material genético — com vistas a rompê-los e, desta forma, matar os vírus patogênicos. Se as freqüências de ressonância dos capsídeos puderem ser estabelecidas, então será possível que ondas de luz ou som possam ser usadas para romper os capsídeos da forma com que alegadamente o cantor de ópera Enrico Caruso estilhaçava copos de vinho, sustentando uma nota na exata freqüência de ressonância do vidro.

Esta abordagem de ataque aos vírus é uma alternativa a tratá-los com substâncias químicas, que não são sempre eficazes; além disto, as substâncias químicas podem causar danos a células sadias, ou os vírus podem passar por mutações e vencer as defesas químicas. Daí a importância de desfazer os vírus com processos mecânicos.

Eric Dykeman e Otto Sankey, físicos da Arizona State University, estão modelando vibrações de capsídeos a nível atômico para comparar com as experiências que estão sendo realizadas por K.T. Tsen na ASU, nas quais pulsos laser de picossegundos são defletidos por capsídeos. Os capsídeos que são feitos em sua maior parte de complexos aglomerados de proteínas, tipicamente absorvem algo da luz laser, um processo que os faz vibrar. O resto do feixe laser, com sua energia algo diminuída, terá sua freqüência diminuída. Isto permite que os observadores deduzam a freqüência de ressonância dos capsídeos. Induzindo o pulso laser de curta duração de modos diferentes, todo um catálogo de freqüências de ressonância pode ser obtido.

Sankey diz que as simulações realizadas até agora, sugerem que as freqüências de ressonância para seu vírus escolhido, o vírus satélite de necrose de tabaco (ver aqui a animação da vibração), estão nas vizinhanças de 60 a 90 GHz. (Dykeman e Sankey, Physical Review Letters, artigo em publicação)

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PHYSICS NEWS UPDATE é um resumo de notícias sobre física que aparecem em convenções de física, publicações de física e outras fontes de notícias. É fornecida de graça, como um meio de disseminar informações acerca da física e dos físicos. Por isso, sinta-se à vontade para publicá-la, se quiser, onde outros possam ler, desde que conceda o crédito ao AIP (American Institute of Physics = Instituto Americano de Física). O boletim Physics News Update é publicado, mais ou menos, uma vez por semana.

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Como divulgado no numero anterior, este boletim é traduzido por um curioso, com um domínio apenas razoável de inglês e menos ainda de física. Correções são bem-vindas.

O Paradoxo do Celeiro e da Lança

Eu já traduzi o "Crackpot Index" do John Baez. Agora me deu na telha traduzir o "The Barn and The Pole".

Atualizado em 1997 por PEG.
Atualizado em 1992 por SIC.
Original de Robert Firth.

Um Paradoxo da Relatividade Restrita: O Celeiro e a Lança

Estes são os materiais. Você possui um celeiro, com 40m de comprimento, com portas automáticas em ambas as extremidades, que podem ser abertas e fechadas simultaneamente por um comutador. Você também tem uma lança, com comprimento de 80m, que, é claro, não cabe dentro do celeiro.

Agora, alguém pega a lança e tenta passar correndo (quase à velocidade da luz) através do celeiro com a lança na horizontal. A Relatividade Restrita (RR) diz que um objeto em movimento se contrai na direção do movimento: isso se chama a Contração de Lorentz. Assim, se a lança é posta em movimento no sentido de seu comprimento, ela vai se contrair no referencial de um observador estacionário.

Você é o observador, sentado no telhado do celeiro. Você vê a lança vindo em sua direção e ela se contraiu para um pouco menos do que 40m, em seu referencial. (Ela realmente parece mais curta para você? Veja em Can You See the Lorentz-Fitzgerald Contraction? a surpreendente resposta. Mas, de qualquer forma, você iria medir seu comprimento como menos de 40m.)

Assim, quando a lança passar através do celeiro, vai haver um instante em que ela fica inteiramente dentro do celeiro. Neste instante, você fecha ambas as portas simultaneamente, com seu comutador. É claro, você as abre novamente, bem rapidinho, mas, ao menos momentaneamente, você ficou com a lança contraída fechada dentro de seu celeiro. A corredora emerge da porta de trás sem um arranhão.

Porém, considere o problema do ponto de vista da corredora. Ela vai observar a lança como estando estacionária e o celeiro se aproximando em alta velocidade. Neste referencial, a lança ainda mede 80m, e o celeiro tem menos de 20m de comprimento. Certamente a corredora estará com problemas se as portas fecharem quando ela estiver lá dentro. A lança certamente vai ficar presa.

Bom, afinal, a lança fica presa na porta ou não? Você não pode ter ambas as respostas. Este é o chamado "Paradoxo Celeiro-Lança". A resposta está enterrada no uso errado do termo "simultaneamente" na primeira sentença da estória. Na RR, os eventos separados no espaço que parecem simultâneos em um referencial, não precisam parecer simultâneos em outro referencial. As portas que se fecham são dois eventos separados.

A RR explica que as duas portas jamais ficam fechadas ao mesmo tempo no referencial da corredora. De forma que sempre há espaço para a lança. De fato, a transformada de Lorentz para o tempo é

t'=(t-v*x/c2)/sqrt(1-v2/c2)

É o termo v*x no numerador que causa o problema aqui. No referencial da corredora, o evento mais distante (com um valor de x maior) acontece mais cedo. A porta mais distante se fecha primeiro. Ela se abre antes dela chegar lá e a porta mais próxima se fecha atrás dela. Salva novamente -- de qualquer modo que você veja a coisa, conquanto que você se lembre que a simultaneidade não é uma constante na física.

E se as portas ficarem fechadas?

Se as portas forem mantidas fechadas, a lança obviamente vai se esmagar na porta do celeiro em uma das extremidades. Se a porta aguentar a ponta da frente da lança, esta ponta da lança vai entrar em repouso no referencial do observador estacionário. Não pode haver uma coisa tal como uma lança rígida na Relatividade, de forma que a ponta de trás não vai parar imediatamente e a lança vai ser comprimida além da Contração de Lorentz. Se alnça não explodir sob a pressão e for suficientemente elástica, ela vai entrar em repouso e começar a voltar a seu formato original, mas, como ela é grande demais para o celeiro, a outra extremidade vai bater na porta que ficou atrás e a lança vai ficar presa em um estado comprimido dentro do celeiro.

Referências: Spacetime Physics de Taylor e Wheeler é o clássico. As Lectures de Feynman, também são interessantes.

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Nota tardia do tradutor: eu tinha traduzido "Special Relativity" por "Relatividade Especial", mas modifiquei para "Relatividade Restrita" porque é como eu vejo a maior parte das referências a ela.

02 janeiro 2008

Lá, como cá...

A gente reclama (e com razão) da violência no Brasil e dos péssimos serviços públicos. Por isso, eu adoro encontrar esse tipo de notícia nos jornais estrangeiros... Faz o tupiniquim se sentir um pouco menos selvagem.

No The New York Times:

Uma segunda menina é ferida por bala perdida

"Pela segunda vez em menos de 12 horas, uma menina é atingida por uma bala perdida na Cidade de Nova York. (...) Às 3:50 a menina estava voltando a pé, acompanhada por parentes, da casa de uma amiga, quando começou um tiroteio na esquina da Terceira Avenida com a Rua 116. (...)" (As duas meninas foram feridas de raspão e passam bem...)

No The Guardian:

Raiva contra os trens: Milhares ficam sem transporte, enquanto o preço das passagens sobe

"(...) A interrupção [dos serviços] - que vai afetar cerca de 150.000 passageiros na Inglaterra - acontece logo quando os preços das passagens, com grande impacto na inflação, sobem. (...) O preço das passagens [ferroviárias] sobe 11% hoje - mais do que o dobro da taxa de inflação." (O jornal comenta que é provável a ocorrência de distúrbios civis provocados pela má qualidade e o aumento dos preços, ainda nessa quinzena).

No Le Figaro:

Mais de 40.000 automóveis queimados no ano passado

"(...) Imperturbável, o Ministro do Interior declarou que este foi um Reveillon "relativamente calmo". Oficialmente, o número de carros incendiados na passagem do ano diminuiu, de 397 para 372. (...)





Na legenda da foto: "Com quarenta carros destruídos, Nantes detém o recorde de incêndios criminosos na noite do Reveillon"

Contraditoriamente, a notícia declara em outra parte: "Na Região Parisiense, 102 carros foram incendiados na noite de São Silvestre".

O mais interessante é que, logo no início, a notícia esclarece que os incidentes do Reveillon não estão contabilizados em 2007. Só serão considerados nas estatísticas de 2008... Já começaram bem, ao que parece...

01 janeiro 2008

A "evolução" da espécie humana

Traduzo, abaixo, uma notícia veiculada pelo EurekAlert, que vem se somar a duas outras divulgadas pelo Daniel no seu "What's interesting this week" de 16 de dezembro ("Culture speeds up Human Evolution" do Sientific American, e "Modern times causing human evolution to accelerate", do NewScientist). Eu peço especial atenção porque é uma constatação do óbvio, mas que pode ter profundas implicações - e do tipo desastroso - sobre as relações humanas.

University of Utah

Estão os seres humanos evoluindo mais depressa?

Descobertas sugerem que estamos nos tornando mais diferentes, não iguais

Pesquisadores descobriram indícios genéticos de que a evolução do ser humano está se acelerando – e não que tenha se detido ou prosseguido em um ritmo constante, como se pensava – o que indica que os seres humanos nos diferentes continentes estão se tornando cada vez mais diferentes.

“Nós empregamos uma nova tecnologia genômica para mostrar que os humanos estão evoluindo rapidamente e que o ritmo da mudança se acelerou nos últimos 40.000 anos, especialmente desde o fim da Era Glacial, a aproximadamente 10.000 anos atrás”, afirma o pesquisador chefe Henry Harpending, um distinto professor de antropologia na Universidade de Utah.

Harpending diz que existem implicações instigantes a partir do estudo, publicado online na 2ª feira 10 de dezembro no jornal Proceedings of the National Academy of Sciences:

-- “Nós não somos o mesmo povo de 1.000 ou 2.000 anos atrás”, diz ele, o que pode explicar, por exemplo, parte da diferença entre os guerreiros invasores Vikings e seus pacíficos descendentes suecos. “ O dogma é que isso resulta de flutuações culturais, porém quase todas as características de temperamento que se examina, estão sob forte influência genética”.

-- “As raças humanas estão se desenvolvendo em rumos que se afastam” diz Harpending. “ Os genes estão evoluindo rapidamente na Europa, Ásia e África, porém todos eles são peculiares a seu continente de origem. Nós estamos ficando menos parcidos, não nos miscigenando em uma única Humanidade mestiça”. Ele afirma que isto está acontecendo porque os seres humanos se dispersaram da África para outras regiões a 40.000 anos atrás, “ e, desde então, não tem havido muita troca de genes entre as regiões”.

“Nossos estudos negam a crença amplamente difundida de que os modernos seres humanos [estes que adotaram largamente ferramentas e artes avançadas] que apareceram a 40.000 anos atrás, não mudaram desde então e que nós somos ainda os mesmos. Nós demonstramos que os seres humanos estão mudando relativamente rápido em uma escala de séculos a milênios e que estas mudanças são diferentes em diferentes grupos continentais”.

O aumento da população humana de milhões para bilhões nos últimos 10.000 anos acelerou o ritmo de evolução porque “nós estamos em novos ambientes aos quais precisamos nos adaptar”, adicona Harpending. “E, com uma população maior, ocorreram mais mutações”.

O co-autor do estudo, Gregory M. Cochran, diz: “A história parece cada vez mais com uma novela de ficção científica na qual os mutantes surgem repetidamente e tomam o lugar dos humanos normais –algumas vezes pacificamente, sobrevivendo melhor a fomes e doenças, e outras vezes como uma horda de conquistadores. E nós somos estes mutantes”.

Harpending conduziu o estudo com Cochran, um médico do Novo México, auto-didata em biologia evolucionária e professor adjunto de biologia evolucionária na Universidade de Utah; o antropologista John Hawks, um antigo pesquisador pós-doutoral de Utah, agora na Universidade de Wisconsin, Madison; o geneticista Eric Wang da Affymetrix, Inc. em Santa Clara, Califórnia; e o bioquímico Robert Moyzis da Universidade da California, Irvine.

Não se trata de justificativa para discriminação

O novo estudo vem dos mesmos cientistas da Universidade de Utah – Harpending e Cochran – que criaram um "frisson" em 2005, quando publicaram um estudo que argumentava que a inteligência acima da média dos Judeus Ashkenazi – os de ascendência Norte Européia – resultava da seleção natural na Europa medieval, quando eles foram empurrados para profissões tais como financistas, mercadores, gerentes e coletores de impostos. Os mais inteligentes prosperavam, se tornavam ricos e tinham famílias maiores para transmitir seus genes. Entretanto, essa inteligência também era associada a doenças genéticas tais como as síndromes de Tay-Sachs e de Gaucher em judeus.

Aquele estudo e outros que lidavam com diferenças genéticas entre seres humanos – cujo DNA é mais de 99% idêntico – gerou receios de que tais pesquisas solapassem o princípio da igualdade humana e justificar racismos e discriminação. Outros críticos questionavama qualidade científica e argumentavam que a cultura tem um papel maior do que a genética.

Harpending diz que as diferenças genéticas entre as diversas populações humanas “não podem ser usadas para jsutificar discriminação. Os direitos na Constituição não são baseados na total igualdade. As pessoas têm direitos e devem ter oportunidades qualquer que seja seu grupo”.

Analisando os SNPs da aceleração evolucionária

Os estudo procurou por indícios genéticos de seleção natural – as evolução das mutações favoráveis dos genes – durante os últimos 80.000 anos, analizando o DNA de 270 indivíduos no International HapMap Project, um esforço para identificar variações nos genes humanos que causam doenças e servem como alvos para novos medicamentos.

O novo estudo procurou especificamente pelas variações genéticas chamadas “polimorfismo de nucleotídeo simples”, (conhecido pela sigla em inglês de “single nucleotide polymorphisms,” SNPs [pronounciado como “snips”]) que são mutações puntuais em cromossomos que estão se disseminando por uma significativa parte da população.

Imagine um passeio ao longo de dois cromossomos – o mesmo cromossomo de duas pessoas diferentes. Cromossomos são feitos de DNA, uma estrutura em forma de escada espiral, na qual cada degrau é feito de um “par básico” de amino ácidos, G-C, ou A-T. Harpending diz que no entorno de cerca de cada 1.000 pares básicos, haverá uma diferença entre os dois cromossomos. Isto é conhecido como um SNP.

Os dados examinados no estudo incluiam 3,9 milhões de SNPs de 270 pessoas em quatro populações: Chineses Han, Japoneses, Yorubas Africanos e Norte-Europeus, representados grandmente por dados dos Mórmons do Utah, diz Harpending.

Com o tempo, os cromossomos se quebram e se recombinam, aleatoriamente, criando novas versões ou variantes do cromossomo. “Se aparecer uma mutação favorável, então o número de cópias deste cromossomo aumenta rapideamente” na população porque as pesssoas com esta mutação têm mais chances de sobreviver e se reproduzir, diz Harpending.

“E se isto aumenta rapidamente, se torna comum em uma população em um curto prazo”, acrescenta.

Os pesquisadores tiraram vantagem disso para determinar se os genes nos cromossomos tinham evoluído recentemente. Os humanos têm 23 pares de cromossomos, com cada pai/mãe passando uma cópia de cada um dos 23. Se o mesmo cromossomo de vários indivíduos tiver um segmento com um padrão idêntico de SNPs, isto é um indício de que este segmento do cromossomo não se quebrou e recombinou recentemente.

Isso significa que um gene neste segmento de cromossomo deve ter evoluído recentemente e rápido; se tivesse evoluído a muito tempo, o cromossomo teria quebrado e recombinado.

Harpending e seus colegas usaram um computador para examinar os dados à procura de segmentos de cromossomos que tivessem padrões idênticos de SNP e, assim, não tivessem quebrado e recombinado, o que significa que eles teriam evoluído recentemente. Eles também calcularam o quão recentemente os genes tinham evoluído.

Uma descoberta chave: 7% dos genes humanos estão passando por uma evolução rápida e recente.

Os pesquisadores construíram um caso em em que a evolução humana tivesse acelerado para comparar os dados com o que deveriam ser os dados se a evolução humana tivesse sido cosntante:

  • O estudo descobriu que existe muito mais diversidade genética nos SNPs do que seria de se esperar se a evolução humana tivesse permanecido constante.

  • Se o ritmo no qual os genes estão evoluindo nos Africanos fosse extrapolado para 6 milhões de anos atrás, quando os humanos e os chimpanzés se separaram, a diferença entre os chimpanzés modernos e os humanos modernos teria que ser 160 vezes maior do que realmente é. Portanto o ritmo da evolução dos Africanos representa uma aceleração recente na evolução.

  • Se a evolução tivesse sido rápida e constante por um longo tempo, deveria haver muitos genes recentemente evoluídos que teriam se espalhado por todos. No entanto, o estudo revelou que vários genes ainda estão se tornando mais freqüentes na população, indicando uma recente aceleração evolucionária.

A seguir, os pesquisadores examinaram a história do tamanho da população humana em cada continente. Eles descobriram que os padrões de mutação observados nos dados dos genomas eram consistentes com a hipótese de que a evolução é mais rápida em populações maiores.

Mudança Evolucionária e História Humana: Vai um leite aí?

“O rápido crescimento da população tem correspondido a vastas mudanças nas culturas e na ecologia, que criam novas oportunidades de adaptação”, declara o estudo. “Os últimos 10.000 anos testemunharam uma rápida evolução nos esqueletos e na dentição das populações humanas, bem como o aparecimento de várias novas respostas genéticas a dietas e doenças”.

Os pesquisadores notam que as migrações humanas para os novos ambientes Eurasianos, criaram pressões seletivas que favoreceram uma menor pigmentação da pele (de forma a poder absorver mais luz solar pela pele para criar vitamina D), adaptação a climas frios e mudanças na dieta.

Porque a população humana cresceu de vários milhões, no final da Era Glacial, até os 6 bilhões atuais, mais genes favoráveis emergiram e a evolução acelerou, tanto em escala global, como nos grupos continentais de pessoas, diz Harpending.

"Temos que entender as mudanças genéticas para poder compreender a história”, ele acrescenta.

Por exemplo, na China e na maior parte da África, poucas pessoas podem digerir leite fresco quando se tornam adultas. No entanto, na Suécia e na Dinamarca, o gene que produz a enzima que digere a lactose permanece ativa, de forma que “quase todos podem beber leite fresco”, o que explica porque os laticínios são mais comuns na Europa do que no Mediterrâneo e na África, diz Harpending.

Ele agora está estudando se a mutação que permitiu a tolerância à lactose estimulou algumas das grandes expansões de população da história, inclusive quando os povos de idioma indo-europeu partiram do Noroeste da Índia e da Ásia Central, através da Pérsia e através da Europa, entre 4.000 e 5.000 anos atrás. Ele suspeita que o consumo de leite deu aos Indo-Europeus, tolerantes à lactose, mais energia, permitindo que eles conquistassem uma grande área.

Mas Harpending acredita que a aceleração da evolução humana “é um estado de coisas temporário, por causa dos novos ambientes desde a dispersão dos humanos modernos, a 40.000 anos, e especialmente após a invenção da agricultura a 12.000 anos atrás. Isto modificou nossa dieta e mudou nossos sistemas sociais. Se pegassem caçadores-coletores e, subitamente, lhes dessem uma dieta a base de milho, eles ficariam diabéticos com freqüência. Nós ainda estamos nos adaptando a isso. Vários novos genes que se observa estarem se disseminando pela população, estão envolvidos com nos auxiliar a prosperar com uma dieta rica em carboidratos”.

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Uma curiosa mistura de fatos históricos, científicos e "achismos"... Eu cá, um pouco menos auto-didata em genética do que o Dr. Cochrane, fico em dúvida se pelo menos metade desta argumentação não é do tipo "o focinho que causa o rabo".

Tomemos o exemplo, tão bem explorado, da tolerância à lactose. É claro que o pastoreio em regiões montanhosas, onde a agricultura é quase impossível e a caça é extremamente arriscada, é uma vantagem para a sobrevivência. Eu gostaria de ter alguns dados sobre essa característica entre nepaleses e tibetanos, por exemplo... Ou entre os Watusi e os Bantus...

Outro ponto que passa "batido" nessa pesquisa são os grupos de mestiços. Quais seriam os resultados da população afro-descendente no Brasil, por exemplo, onde os negróides são extremamente miscigenados com caucasóides?

Que mutações apresentam, por outro lado, os Afrikaans e os Australianos não-aborígenes? E - que me perdoe o eminente pesquisador - mas usar os Mórmons do Utah como representantes dos caucasóides é brincadeira!... Os Mórmons são extremamente endógenos; por que eles não estudaram os Amishes de uma vez?...

E o parágrafo sobre "não justifica discriminação" é perfeitamente dispensável... Não há Lei ou Decreto que torne um negróide em caucasóide: a bendita Constituição pode dizer o que quiser, mas a anemia falciforme vai atacar mais os povos oriundos de regiões onde abunda a malária - lá, isso é uma característica favorável!...

E essa dos Ashkenazi terem "um QI superior" por conta de sua tradição mercantil é a piada do milênio!... E os Ashkenazi que eram ourives e cortadores de gemas?... Têm maiores habilidades manuais e um QI mais baixo?... Ou "isso não conta; varre para debaixo do tapete!..."

O mais curioso é que esta "pesquisa" vem na esteira daquela "cincada" do eminente Dr. Watson...