15 fevereiro 2008

Nova Zona Morta - 2

Via EurekAlert, esta matéria se relaciona com Nova Zona Morta cuja tradução eu publiquei em 07 de agosto de 2006.

Pesquisadores do Oregon estudam amplas áreas de baixa oxigenação ao largo da Costa Noroeste
Cientista de pesca da NOAA trabalha no caso

Uma equipe de cientistas que estudam a Corrente da Califórnia – uma massa de águas frias que se move lentamente para o Sul ao longo da costa, desde a Colúmbia Britânica até a Baja Califórnia – estão encontrando áreas cada vez maiores, ao largo das costas de Washington e Oregon com pouco ou nenhum oxigênio, que possivelmente resultarão na morte de animais marinhos que não conseguem sair dessas áreas de baixa oxigenação.

“Nós estamos vendo agora baixos níveis de oxigênio que estão muito mais difundidos e muito mais intensos do que qualquer registro passado”, declara William Peterson, um dos pesquisadores e um oceanógrafo do centro de ciências do Serviço de Pesca do NOAA em Newport, Oregon.

“Os peixes simplesmente se mudaram dessas áreas e, provavelmente, estão muito bem em outro lugar qualquer”, diz Peterson. “Mas animais que não podem se mudar para águas melhores, tais como o caranguejo Dungeness, anêmonas e estrelas-do-mar, vão morrer”.

Peterson acrescenta que, durante o verão de 2006, a anoxia – uma completa falta de oxigênio na água – foi registrada na região central da costa do Oregon pela primeira vez.

Em um artigo publicado hoje na revista 'Science', os pesquisadores dizem que os dados, que remontam a 1950, mostram poucos indícios de baixa oxigenação generalizada ao longo da estreita plataforma continental antes de 2000. Desde então as condições começaram a mudar.

A equipe realizou uma pesquisa com base em submersíveis no verão de 2006 e descobriu que não havia peixes vivendo ao longo dos penhascos rochosos que são, normalmente, o saudável habitat para várias espécies de peixes comercialmente importantes. Isto contrasta com pesquisas semelhantes, realizadas entre 2000 e 2004, que registraram abundantes populações de peixes. Nas áreas de águas rasas, em particular, a equipe encontrou uma quase completa ausência de organismos habitantes do fundo do mar e um aumento no número de bactérias que florescem nas condições de baixa ou nenhuma oxigenação.

Embora as causas para as condições de baixa e nenhuma oxigenação ainda não sejam totalmente compreendidas, é sabido que água com baixa oxigenação é associada com a ressurgência costeira – o processo no qual águas ricas em nutrientes são trazidas do fundo para a superfície do mar. Aí, estes nutrientes alimentam uma produção extraordinariamente alta de pequenos vegetais e animais ao largo das costas do Pacífico Noroeste, durante o verão.

Eventualmente, a maior parte desse plâncton morre e cai para o fundo do oceano, onde se decompõe, reduzindo o conteúdo de oxigênio da água e causando a hipoxia (pouca oxigenação) e até a anoxia (nenhum oxigênio).

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O artigo da "Science", “Emergence of Anoxia in the California Current,” foi escrito por F. Chan, J.A. Barth, J. Lubchenco, A. Kirincich e B.A. Menge da Oregon State University, H. Weeks com o Oregon Department of Fish and Wildlife, e Peterson.

A Administração Nacional do Oceano e Atmosfera (National Oceanic and Atmospheric Administration = NOAA), uma agência do Departamento de Comércio do governo dos EUA, é dedicada ao aumento da segurança econômica e a segurança nacional, através da previsão e pesquisa de eventos relacionados com o clima e o tempo, e o fornecimento de informações para transportes e a gerência geral dos recursos marítimos e costeiros da nação. Através do nascente projeto Sistema de Sistemas de Observação Global da Terra (Global Earth Observation System of Systems = GEOSS), a NOAA trabalha em conjunto com seus parceiros federais, mais de 70 países e a Comissão Européia para desenvolver uma rede de monitoramento global que seja integrada como o planeta que ela observa, prediz e protege.

Na Web:
NOAA Fisheries Service: http://www.nmfs.noaa.gov

2 comentários:

Carlos Hotta disse...

Cada vez mais eu fico impressionado com as condições do oceano... estou fazendo pesquisa sobre o plástico no mar e deve sair um post mais tarde nesta semana.

Ana Cláudia Bessa disse...

É João, quando postei sobre esse vórtex de lixo no mar, foi justamente porque eu não tinha a menor dimensão do mal que já causamos aos oceanos.

Impressiona.

Eu acredito sinceramente que a natureza se recupera. Contudo , antes disso, seremos extintos.