24 fevereiro 2006

Conspirações e mais conspirações

Salve, Pessoal!

Não... Eu ainda não acabei de traduzir o artigo da The New Yorker,, mas, quem sabe... um dia desses...

Por enquanto, vou deixar uma "pérola" do Village Voice, que apareceu no 3-quarks daily, sobre as "teorias de conspiração" associadas ao "11 de setembro". Mais do que a discussão sobre o assunto, eu acho extremamente feliz a conclusão do articulista. Vamos lá:

Os que procuram
O nascimento e a vida do "Movimento pela verdade do 11 de setembro"

por Jarrett Murphy
21 de Fevereiro de 2006 11:48 AM

Essencialmente, tudo gira em torno de física e bom senso. Corte o aço e edifícios caem. Derrube um avião e a terra fica com circatrizes. Dispare um míssil e veja um buraco. O que está no alto, tem que cair, causas produzem efeitos e, para que a verdade o liberte, ela própria precisa ser libertada.

Está escuro no porão da Igreja de São Marcos e escuro do lado de fora em uma noite de verão em meados de dezembro, mas as pessoas dentro do porão viram a luz. Entre as mais ou menos cem pessoas no recinto, muitos usam "buttons" onde se lê "9/11 Was An Inside Job" ("O 11 de setembro foi um Serviço Interno"). Outros agarram-se aos textos vitais em suas mãos – "Crossing the Rubicon" ("Atravessando o Rubicão"), "The New Pearl Harbor" ("O Novo Pearl Harbor"), ou "9/11 Synthetic Terror" ("O Terror Sintético de 11 de setembro"). A maior parte dos componentes da multidão predominantemente (mas não exclusivamente) de homens brancos, pode citar para você importantes trechos de "Rebuilding America's Defenses" ("Reconstruíndo as Defesas da América") ou do Relatório da Comissão sobre o 11 de setembro. Uns poucos podem guiar você pelos detalhes de conceitos como "Peak Oil" e fluxo piroclástico. Todos eles suspeitam – e alguns simplesmente sabem – que seu governo foi, de alguma forma, cúmplice nos ataques que mataram quase 3.000 americanos, quatro setembros atrás.

Eles estão assistindo uma nova edição de "Loose Change" ("Mudanças Aleatórias"), um documentário duvidoso e sensacionalista, com uma trilha sonora maneira e uma abordagem do tipo "fogo à vontade" sobre praticamente todos os aspectos da história "oficial" de 11 de setembro. Trabalho do cineasta Dylan Avery (22 anos), "Loose Change" foi lançado no ano passado, passando a ocupar um lugar em uma crescente coleção de DVDs que os céticos sobre o 11 de setembro podem ter: "Painful Deceptions" ("Dolorosos Disfarces"), "Confronting the Evidence" ("Confrontando as Provas"), "911 in Plane Site" ("11 de Setembro do Ponto de Vista dos Aviôes", um trocadilho com "plane sight", "visão plana"), "9-11 Eyewitness" ("Testemunha Ocular de 11 de setembro"). Exibidos em reuniões similares pelo país afora e passado adiante entre amigos com idéias semelhantes, esses filmes são o que une as pontas díspares daquilo que muitos de seus membros chamam de "O Movimento pela Verdade do 11 de Setembro". Eles reunem Luke Rudkowski, um sincero calouro do Brooklyn College, com David Ray Griffin, um teólogo da Califórnia que escreveu "The New Pearl Harbor" ("O Novo Pearl Harbor", uma referência à controvérsia sobre a real surpresa do ataque japonês à Base Naval no Hawaii em 7 de dezembro de 1941). Eles unem Les Jamieson, um "web designer" e um dos coordenadores do "New York 9-11 Truth", com o multimilionário Jimmy Walter que sonha com cidades auto-sustentáveis e livres de automóveis. E eles unem um Tenente do Corpo de Bombeiros de Nova York, comparecendo a sua primeira reunião do "Movimento pela Verdade", com Michael Ruppert, autor de "Crossing the Rubicon", que põe a culpa em uma noiva com ligações com a CIA-&-Mafia em tráfico de drogas e armamentos, por sua demissão do Departamento de Polícia de Los Angeles, vinte anos atrás.

É fácil desprezar esses tipos estranhos. É mais difícil ignorar os caras normais na sala, ou as pesquisas que mostram que 49 % dos residentes da Cidade de Nova York acreditam que o governo sabia sobre o 11 de setembro, antes que acontecesse, ou a certeza pétrea desses supostos desconfiados.«Eu adoraria que me provassem que eu estou errado. Eu adoraria que alguém chegasse e me dissesse que eu só estou falando merda. Só que isso não aconteceu», diz Avery. «Eu tenho cientistas do meu lado. Há tantos indícios apoiando meu lado, e nada apoiando o lado do governo».

Não obstante seu nome, o "Movimento pela Verdade no 11 de Setembro" conta uma historinha – e é uma historinha – sobre o que acontece quando o governo mente. Novamente, é uma simples questão de física: Para cada ação, existe uma reação igual e em sentido contrário.

Todo o mundo tem uma historinha sobre como acompanhou os eventos em 11 de setembro "não conseguindo acreditar". Mas algumas pessoas realmente não acreditaram e, nos instantes que se seguiram aos ataques, suas dúvidas tomaram forma na Internet em sites como "serendipty.li","plaguepuppy.net" e "Killtown". «Eles eram um grupo de teóricos da conspiração condicionados que já andavam por aí desde Kennedy e até antes», diz Steve Ferman, hoje um graduado em Marketing (22 anos) pelo Instituto de Tecnologia de Nova York, que se juntou ao "Movimento pela Verdade" bem depois dos ataques. «Eles sabiam como por a bola em movimento imediatamente. No momento em que aconteceu, as teorias de conspiração sairam voando».

Não demorou muito e essas teorias alcançaram o Rádio pela Internet – e shows como "The Power Hour". O apresentador Dave vonKleist não era nenhum novato em contar histórias alternativas: sua mulher era uma ativista da primeira hora sobre a "Doença da Guerra do Golfo", eles fugiram de Houston antes que acontecesse o "Y2K", e seu show de três horas lida com assuntos tais como Urânio Exaurido e temores de vacinações. Em 11 de setembro, lembra-se ele, «Eu cheguei e disse, "Senhoras e Senhores, aqui é Dave e, antes de poder dizer 'bom-dia', corram para seus vídeo-casetes e comecem a gravar. A América está sob ataque"». Enquanto permanecia grudado a sua TV, naquele dia, ele começou a suspeitar quando as redes começaram a recorrer aos "tapes" do árabe alto com a arma. «Eles ainda estavam discutindo sobre qual tipo de avião tinha batido», diz ele, «mas eles estavam certos como o diabo que sabiam que tinha sido o Osama, e eu disse: "Espere um minuto!"». Essas dúvidas permaneceram incubadas durante meses, até que vonKleist encontrou um site francês "Hunt the Boeing". A França foi um incubador para muitas das dúvidas sobre o 11 de setembro. O Livro de Thierry Meyssan, editado em 2002, "L'Effroyable Imposture" ("A Impostura Horrorosa") espalhou novas questões, inclusive as do filme "911 in Plane Site" de vonKleist.

Enquanto que a história do Pentágono atraia as pessoas, porque muito pouco foi visto ou conhecido sobre o ataque, a destruição do World Trade Center foi enterrada na memória coletiva. Eric Humsfed, um designer de software de Santa Barbara, aceitou pelo valor de face os ataques em 11 de setembro e chegou a fazer pouco das nascentes teorias de conspiração. «Aí eu comecei a olhar para aquilo», disse ele a este repórter. «Ficou óbvio que havia alguma coisa errada quanto às torres. Elas pareciam ter sido implodidas». Ele começou a consultar professores de engenharia, pedindo que pesquisassem sobre o assunto,mas nenhum o fez. Assim, ele tomou a causa a si próprio e rascunhou o livro "Painful Questions" ("Perguntas Dolorosas"), no início de 2002 e produziu o filme acompanhante, "Painful Deceptions", poucos meses depois.

Mais ou menos na mesma época, Dylan Avery estava completando um trabalho como ajudante na construção de um novo restaurante para James Gandolfini. Ele serviu no bar na festa de abertura e quando dispôs de uns minutos a sós com o ator de "Os Sopranos", ele disse que gostaria de dirigir filmes. «James disse: "Se você quer ser um diretor de sucesso, você deve ter algo que você queira contar para todo o mundo"», relembra Avery. Ele saiu para escrever uma história de ficção sobre o tema: "descobrir que o 11 de setembro foi um trabalho interno". «A medida em que eu pesquisava para o filme, eu comecei a pensar que isso poderia ser verdade», diz ele.

O momento do Movimento aumentou em 2004, quando George W. Bush resolveu concorrer à reeleição, a Comissão sobre o 11 de setembro terminou seus trabalhos e o National Institute of Standards and Technology emitiu suas conclusões preliminares sobre o colapso dos edifícios. Membros enviaram petições para o Procurador Geral de Nova York, Eliot Sptizer, para convocar um Grande Juri (nota do tradutor: um Juri que decide se há suficientes indícios para processar alguém por alguma coisa) sobre os ataques. Novas figuras apareceram, tais como Kevin Ryan, um cientista na firma de certificações que deu o certificado para o aço usado na construção das torres gêmeas, que foi despedido depois de escrever uma carta para o NIST desacreditando suas conclusões, e William Rodriguez, um faxineiro nas torres gêmeas, que salvou algumas vidas em 11 de setembro.

Rodriguez entrou com uma ação RICO contra Bush, o pai do presidente e três irmãos, o Comitê Nacional (do Partido) Republicano, Alan Greenspan, Halliburton, várias companhias de máquinas de votação e outros (nota do tradutor: "RICO" é o acrônimo para "Racketeer Influenced and Corrupt Organizations Act", a legislação americana contra o crime organizado). Ele alega que o presidente e sua administração participaram da «aprovação e financiamento dos ataques de 11 de setembro, sequestro, incêndio criminoso, assassinato, traição» a fim de «obter um "cheque em branco" para conduzir guerras de agressão, para consolidar poder político e econômico».

«A culpa dos acusados», alega a petição, «é fartamente sugerida pela sua miríade de mentiras, suas ações impedindo qualquer investigação honesta e sua obstrução e falta de real cooperação até para com ... a Comissão de "Investigação"».

É uma questão de conhecimento público que o governo não contou voluntariamente sempre toda a verdade sobre o 11 de setembro. Nos primeiros dias após a tragédia, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) declarou que o espaço aéreo estava a salvo. A administração Bush declarou que não houve alertas sobre os ataques. A Comissão Parlamentar de Inquérito foi impedida de discutir as informações que a Comunidade de Inteligência forneceu à Casa Branca. A Casa Branca resistiu e formou uma Comissão Independente, procastionou a liberação de documentos, demorou a permitir que Condoleezza Rice prestasse depoimento em público e concordou em que o Presidente se encontrasse com a CPI, sob as condições de que não seria prestado qualquer juramento, não haveria qualquer transcrição formal e que o Vice Presidente Dick Chenney estivesse a seu lado. Muitos membros da Comissão tiveram que se declarar sob suspeição em partes da investigação, porque suas carreiras no governo e na iniciativa privada os colocavam em "conflito de interesses". E, em seu relatório final, a comissão "bicou pela lateral" (Nota do Tradutor: no original: "punted". O "punt" é aquela jogada de futebol americano na qual o time se livra da bola, chutando-a para bem longe) questões tais como de onde veio o dinheiro para os ataques, sob a alegação de que era uma questão de "pouco significado prático".


A longa lista de confusões deliberadas e obstruções ajudou o "Movimento pela Verdade" a atrair simpatizantes que não compram a idéia de que os ataques tenham sido planejados pelo governo. A Congressista Cynthia McKinney, da Georgia, adotou alguns dos temas do Movimento. O ator Ed Begley Jr. foi co-apresentador de um evento do "Movimento pela Verdade", em 11 de setembro de 2004, em Nova York, por conta de suas preocupações com o meio ambiente. «Quanto às outras teorias mais fantásticas sobre os eventos de 11 de setembro, eu nem teço outros comentários, a não ser que elas levantam algumas perguntas muito interessantes que eu adoraria ver respondidas», diz Begley a este jornal, em um email.

Outra ativista ambientalista, Jenna Orkin, também admira aspectos do Movimento, mas se distancia de outros. «Eu acho que é terrivelmente importante», diz ela, «distinguir entre as questões legítimas e as paranóias – e as paranóias contaminaram as questões legítimas de uma maneira muito destrutiva».

Traçar essa linha rachou o Movimento. Muitos ativistas da "Verdade" agora rejeitam a "teoria do suporte (de míssil)" e seu primo "o clarão", que alegavam que os aviôes que atingiram as torres, tinham formatos não usuais em suas barrigas que poderiam ser suportes para mísseis (que teriam sido disparados antes do choque, daí o "clarão"). Mais desacreditada ainda é a teoria de que nenhum avião de verdade atingiu as torres – que o que vimos eram modelos de controle remoto ("drones") ou hologramas. Até a teoria de "nenhum avião no Pentágono" divide os "pela Verdade".

Alguns dos teóricos alternativos evitam eventos que envolvam a Imprensa Livre da América, que reportou muitas das peças vitais da história da "Verdade" mas tem ligações com a neo-nazista Barnes Review. E quase ninguém quer falar de de Jimmy Walter, cujo dinheiro (ele ofereceu um milhão de dólares para quem pudesse provar que as torres cairam por causa do incêndio) ajuda, mas cuja defesa de uma sociedade sem punições, não. As discussões nem sempre são amigáveis. VonKleist, um dos principais propositores da "teoria do suporte", diz que o Movimento foi "tremendamente infiltrado". E Hufschmidt rotula a maior parte do Movimento "parte do movimento criminoso que realizou o ataque em primeiro lugar".

Disputas intestinas não são incomuns entre pessoas que acreditam em conspirações. Mesmo assim, rotular os menbros do "Movimento pela Verdade" de "teóricos da conspiração" é errado por duas razões. Primeiro, porque não há dúvida de que o 11 de setembro foi uma conspiração – a questão é se foi uma conspiração entre os terroristas muçulmanos, ou se há outros envolvidos. Segundo, muitos dos "pela Verdade" negam qualquer teoria. Eles resistem aos esforços para construir uma história alternativa para o crime.

«Eu não posso explicar isso. Essa não é minha função», diz o antigo ministro do Gabinete Germânico Andreas von B, um líder dos céticos sobre o 11 de setembro na Europa, em um recente documentário holandês. VonKleist usa a mesma linha. Ele não cria teorias sobre coisa alguma. Ele diz: «Eu apenas faço perguntas».

Isso parece inicialmente justo, só que não é. As perguntas do Movimento implicam em uma versão diferente da história e o verdadeiro teste é se essa alternativa é mais ou menos plausível do que a versão oficial. Dizendo que estão apenas verificando os fatos, os ativistas "pela Verdade" evitam abordar as fraquezas de suas lógicas. Por que as explosões no Trade Center teriam acontecido muitos minutos antes da implosão? Por que o governo destruiria o WTC7, quando ninguém sabia ou se importava com ele? O que aconteceu com as pessoas nos aviões?

Alguns dos céticos, entretanto, não são tímidos. O político extremista Lyndon LaRouche pensa que os atentados foram "uma tentaitva de golpe de estado militar", Hufschmid diz que os terroristas árabes eram "figuras de proa" para diversos governos, inclusive o dos EUA e, possivelmente, Grã-Bretanha, França, Canadá e Israel. Ruppert, um adepto da teoria de que as reservas de petróleo chegaram a seu pico e que a economia à base de petróleo está correndo grande perigo, postula que o 11 de setembro foi um esforço desesperado, feito por algumas dúzias dos membros das elites nas administrações Clinton e Bush, para se apoderar das fontes de energia remanescentes. Sua versão sublinha as ligações entre a CIA e Wall Street e o cartel das drogas, suspeitas contra o Serviço Secreto e uma conspiração para se livrar de 4 bilhões de pessoas no mundo para reduzir a demanda por petróleo.

Para os passageiros que saltam na estação do metro e sobem as escadas para o "Marco Zero" em um sábado qualquer, o "Movimento pela Verdade sobre o 11 de setembro" é difícil de passar despercebido. Logo na saída ficam Jamieson, Rudkowski e alguns compatriotas segurando uma faixa que declara "O 11 de Setembro foi um Trabalho Interno". Panfletos são distribuídos e alguns dos livros principais do "Movimento pela Verdade" estão à disposição, se um passante quizer debater, o que acontece um par de vezes toda semana. Uma mulher estava rotulando de "bullshit" a idéia de que todo o governo estivesse por trás da trama. Jamieson balança a cabeça. «Não foi todo o governo», diz ele. «Somente uma pequena facção».

Está frio e alguns passantes riem. Não tem sido fácil, diz Rudolwski, mas ele vê um progresso. «A princípio, minha família me achava um idota», lembra ele. «Agora eles estão apenas assustados». Avery e vonKleist dizem que distribuiram algo em torno de 50.000 cópias de seus respectivos filmes, mas o total de pessoas que assistiu os filmes deve ser muito maior, levando em conta que eles devem ter sido exibidos a grupos maiores ou menores. No Marco Zero, no porão da Igreja e nas entrevistas, os membros do "Movimento pela Verdade" são otimistas quanto a sua cruzada ir longe. O que fica claro é que será difícil, senão impossível, para muitos deles mudar de idéia. Uma vez que você acredita que as fontes oficiais não são dignas de crédito porque elas fazem parte da conspiração, torna-se difícil aceitar qualquer prova em contrário.

Tome o "Brief" Diário Presidencial de 6 de agosto de 2001: forçando sua divulgação, a Comissão do 11 de setembro mostrou para o mundo que o Presidente sabia de alguma coisa sobre ameaças extremistas. Mas, para Alex Jones, o apresentador de rádio anti-governamental que pensa que o FBI foi quem planejou o ataque a bomba ao WTC em 1993, o episódio do BDP foi somente uma manobra para que a Comissão parecesse independente. Quando este Jornal disse a Avery que uma testemunha chave entre os bombeiros negou ter dito alguma vez que existissem bombas nas torres e que o "conhecimento antecipado" do Prefeito de San Francisco. Willie Brown, dos ataques parecia ser limitado a alguma coisa que o Departamento de Estado tinha publicado no seu Website, o diretor não se mostrou abalado. «É apenas um dos indícios», disse ele sobre o alerta de Brown.

Ele não está só. Embora o "Movimento pela Verdade" seja rápido em detetar mudanças nas histórias contadas pelo governo, sua própria versão mudou diversas vezes. Meyssan primeiro disse que um caminhão-bomba tinha atingido o Pentágono, depois sugeriu que um "drone" ou um míssil "Cruise" teria feito a coisa. Primeiramente, os céticos disseram que os danos nos anéis interiores do Pentágono eram muito pequenos para terem sido causados por um 757; agora, alguns dizem que os danos são grandes demais. O número de sequestradores que, supostamente, ainda estão vivos, tem subido e descido ao longo dos anos.

A chave para entender o "Movimento pela Verdade" é perceber que seus membros não desacreditam de todas as instituições do governo dos EUA. Ao contário, suas teorias se baseiam em um saudável respeito pelo poder e competência das unidades de Defesa Aérea, agentes do FBI, projetistas de altos edifícios e outros.

Por que Bush diria erradamente que tinha visto o primeiro avião bater, na TV? Como o FBI poderia ter deixado passar tantos indícios? É plausível que a CIA tenha ignorado todos esses avisos? E, depois de todas as supostas múltiplas falhas da FAA e do NORAD em 11 de setembro, como é que ninguém foi despedido?

É estranho. Para um grupo de pessoas que abriga tantas dúvidas acerca das intenções de seu próprio e de outros governos, da mídia e concidadãos, a maior parte do "Movimento pela Verdade" jamais suspeita, por um minuto, de que os gastos com defesa tenham sido dinheiro jogado fora, que o FBI é uma burocracia desajeitada, que nossas agências de espionagem sejam surdo-mudas e que nossos arranha-céus não são 100% seguros. Eles não parecem preocupados em poderem estar sendo parceiros inocentes em uma conspiração muito mais mundana para obscurecer os limites da segurança e da ciência. Às mentiras da administração Bush, muitos no "Movimento pela Verdade" respondem com uma desconcertante e familiar certeza. "Eu não posso pular de volta para o outro lado", diz Avery. "Eu sei que o que eu estou fazendo é certo".


Bom... Para quem acompanhou as críticas feitas à Administração Bush sobre a resposta do governo federal ao Furacão Katrina, quem tem algum conhecimento sobre os antecedentes do envolvimento dos Estados Unidos na 2ª Guerra Mundial, e conhece um pouco sobre construção civil (e sabe que as Torres Gêmeas foram feitos para "implodir" em caso de risco de desabamento: imaginem se elas tivessem tombado de lado... até hoje estariam tirando entulho de Wall Street...), nada parece tão misterioso assim...

Talvez as pessoas prefiram acreditar em uma conspiração maquiavélica, do que admitir que o presidente que elegeram é um imbecil incompetente. O que, absolutamente, não é privilégio dos americanos...

5 comentários:

Guilherme Spader disse...

Gostei muito do texto e também do assunto, mas o que mais me chamou a atenção foi a qualidade jornalística de quem o escreveu. Simplesmente fenomenal.

Toda essa discussão faz parte do jogo democrático e da liberdade das pessoas de questionar certas coisas. Mas no mesmo momento que elas são rigorosas com as versões oficiais, o mesmo pode ser feito com as suas hipóteses e questionamentos, como que diferença faz se existem pequenas contradições em determinadas versões oficiais ou o que teria acontecido então, caso tudo não passe de invenção.

Eu, pessoalmente, acho que não adianta ficar batendo cabeça procurando por informações sobre assuntos recentes. Dados oficiais, relatórios, depoimentos, isso vem com o tempo. Tome-se o exemplo da Segunda Guerra Mundial. Logo após seu término, pipocaram algumas teorias malucas que só ganharam força devido à forte pressão antinazista do imediato pós-guerra. Mas algumas dessas teorias furaram esse bloqueio e ganharam força, como a sobrevivência de Hitler, as guerrilhas nazistas nos Alpes, o bombardeio de Dresden, etc. Todas essas maluquices hoje estão esclarecidas e ninguém são acredita nelas; tolos foram os que cogitaram a veracidade de tais versões sem ter evidências fortes o sufientes.

Antigamente, tolos. Hoje em dia, não. Pelo contrário, o individuo que questiona parece ser uma entidade sacra intocável e que, por estar duvidando, SÓ pode estar certo. E ai daquele que duvidar de suas fantasias.

Mas, como já disse, isso é a democracia. Conquanto que todos, teóricos da conspiração ou não, a considerem um bem sagrado e inquestionável, de tudo pode se conspirar e teorizar.

Guilherme Spader disse...

Corrigindo lá no meio "...que só NÃO ganharam força...". Tem que por esse NÃO ae!

João Carlos disse...

O grande problema com as "teorias de conspiração" é que elas se prestam a servir de veículo de "desinformação". Basta você adicionar elementos totalmente inverossímeis a uma questão embaraçosa.

Muitos fatos da 2ª Guerra Mundial foram deliberadamente obscurecidos com "desinformação", ou porque "pegava mal" a verdade ser conhecida, ou porque envolvem segredos militares ainda válidos.

O "Philadelphia Experiment" (vide a WikiPedia) é uma das maiores obras de desinformação que eu conheço.

O caso do "ET de Varginha" é outro. Mas isso fica para outro artigo.

André Michalzechen Xavier disse...

Acho que há muitas pergunhtas sem resposta quanto ao 11/09/01... e boa parte delas foram respondidas, oficialmente, de forma precária e pouco convincente.

Se tal texto for verdadeiro, isso faz lembra o ataque polonês à estações de rádio alemãs em Agosto de 1939... ou lembra também o "Incidente de Tonkin" em 1964...

Quanto aos comentários acima, eu faço um ressalva quanto à Dresden... um filme alemão sobre o fato está sendo rodado, se não me engano... e ao que me consta, o tal bombardeio REALEMENTE aconteceu.

Haroldo disse...

O mundo mudou com este fato, mas apesar das diversas duvidas sobre a realidade dos personagens envolvidos, poucos debatem sobre isto.
Parabens pelo texto.

Alguns links interessantes sobre o assunto...
Texto
http://www.saindodamatrix.com.br/mob/archives/2006/01/11-9_a_farsa.html

Animação com fotos
http://www.pentagonstrike.co.uk/pentagon_bp.htm#Main

Videos
http://www.youtube.com/watch?v=orbgLHrFJUk&mode=related&search=