06 agosto 2007

A importância da pré-escola


Via EurekAlert, um novo estudo comprova o importante papel da pré-escola na integração social de indivíduos nascidos nas classes economicamente menos favorecidas.

University of Minnesota


Um relatório da Universidade de Minnesota diz que a intervenção na tenra infância melhora o bem-estar dos aultos jovens

Estudo é o primeiro a demonstrar que programas de escolaridade têm impacto duradouro

Estudantes que fizeram a pré-escola, vindos de famílias de baixa renda, que participaram de uma ampla intervenção educacional, se sairam melhor em termos de educação, integração social e economicamente, ao entrarem na fase de jovem-adulto, de acordo com um relatório dos professores Arthur Reynolds e Judy Temple, da Universidade de Minessota. O estudo foi publicado hoje (6 de agosto) no Journal of the American Medical Association’s (JAMA) Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine. Reynolds é um professor de Desenvolvimento Infantil no Colégio de Educação e Desenvolvimento Humano e Judy Temple é uma professora no Departamento de Economia Aplicada e no Instituto Huphrey de Assuntos Públicos.

"Este estudo é o primeiro a mostrar que programas estabelecidos a longo prazo, realizados por escolas podem ter efeitos duradouros, até a fase de adultos, em termos de saúde geral e bem-estar", diz Reynolds. "Programas para o início da infância podem promover não só o sucesso educacional, como também o estado de saúde e comportamental".

O grupo de pesquisas de Reynolds descobriu que, com cerca de 24 anos de idade, crianças que participaram em programas de pré-escola têm mais probabilidade de completar o segundo grau, freqüentarem cursos de nível superior e terem Planos de Saúde, e menos chance de serem presos por pequenos delitos, irem para a cadeia ou desenvolver sintomas de depressão. Por exemplo, o grupo com pré-escola obteve taxas maiores de formatura de 2º grau, com uma taxa de 71,4%, em comparação com a taxa de 63,7% dos que não tiveram pré-escola. Os que tiveram pré-escola também obtiveram uma taxa maior de Planos de Saúde, com 70,2%, comparados aos 61,5% dos que não tiveram pré-escola. As crianças do programa também tiveram taxas mais baixas de detenção por pequenos delitos, com 16,5%, comparados aos 21,1%, e menos sintomas de depressão, com 12,8%, comparados a 17,4%.

O estudo dirigido por Reynolds é chamado de "Estudo Longitudinal de Chicago" e começou, em 1986, a investigar os efeitos dos programas de pré-escola estatais para 1.539 crianças nas Escolas Públicas de Chicago. O grupo de Reynolds estudou os efeitos de longo prazo no Centro de Crianças e Pais e Chicago. Um total de 1.539 crianças de minorias de baixa renda, nascidas entre 1979 e 1980, que freqüentaram programas em 25 lugares, entre 1985 e 1986, foram comparados a 550 crianças que participaram de programas alternativos de pré-escola de tempo integral, disponíveis para famílias de baixa renda. As crianças foram rastreadas até os 24 anos, usando-se diversos métodos, que incluíram histórico escolar, registros médicos (Medicaid) e agências municipais, estaduais e federais, bem como uma pesquisa complementar, realizada pelos participantes entre os 22 e 24 anos de idade.
"As intervenções no início da infância demonstraram efeitos positivos consistentes na saúde e bem-estar das crianças". de acordo com as informações do artigo da JAMA. Os tipos de programa que receberam o maior aporte de recursos nas verbas públicas foram programas de pré-escola para crianças em grupos de risco de 3 a 4 anos que fornecem serviços tanto educacionais, como de apoio familiar, em um ambiente criado em torno de um Centro. Uma dessas intervenções, o programa do Centro de Crianças e Pais em Chicago, fornece instrução de pré-escola a 2º grau com professores qualificados, taxas pequenas de professor-por-aluno, serviços de saúde e nutrição, e um programa intensivo para os pais que inclui envolvimento com as atividades em sala-de-aula, excursões e visitas em domicílio.

As crianças que participaram do programa durante a pré-escola e os primeiros anos escolares, apresentaram uma chance maior de ter empregos de expediente integral (42,7%, contra 36,4%), completaram mais anos de escolaridade e tiveram menores chances de prisão por crimes (13,9% contra 17,9%) e de receber assistência por invalidez (4,4% contra 7%).
O fato dos resultados positivos do programa se estenderem além das realizações educacionais não é surpreendente, dado às ligações entre a saúde física, educacional e comportamental, afirmam Reynolds e Temple em seu estudo. "Já que despesas com assistência médica e o sistema de justiça atingem cerca de 20% do PIB, a economia potencial em custos para governos e contribuintes é considerável"

"As crianças que participaram deste programa têm uma melhor compreensão de que a maior escolaridade, com maior qualidade, é o caminho para se livrar da pobreza", diz Reynolds.

"As crianças que participaram no programa do Centro de Crianças e Pais se tornaram, de maneira geral, mais socialmente engajadas e adeptas da educação", afirmou Reynolds. "Esses benefícios foram fruto do impacto precoce do programa sobre a preparação para a escola, desemepenho escolar e o envolvimento dos pais na escolaridade das crianças"

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E desde o ano passado a Proposta de Emenda Constitucional, apresentada pela então Senadora Heloisa Helena, de incluir a pré-escola no sistema público de educação (que, inexplicavelmente, com um governo que se jacta de ser "popular" e "esquerdista", permaneceu 4 longos anos sendo sabotada pela base governista) entrou em vigor...

Agora, só falta tirar do papel e por em prática, isso se chegarem a alguma conclusão sobre de onde vão tirar os recursos necessários. Bem que poderia ser das fortunas que se gasta em fazer publicidade dos diversos níveis de governo, para "dar visibilidade" a programas de exeqüibilidade duvidosa e de mero clientelismo.

Funcionou em uma sociedade muito menos paternalista (vejam a preocupação com Planos Privados de Saúde) do que a brasileira e - por que não dizer? - muito mais competitiva e individualista. Quando mais não seja, para economizar os impostos na construção de penitenciárias...

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