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03 abril 2008

Ainda sobre ciência e ética...


Eu deveria ter ficado de boca fechada, já que eu não sou cientista e sou praticante de uma religião particularmente discutível, mas... A discussão também pode ser encarada do ponto de vista do “usuário final”, ou seja, do cidadão comum que não consegue entender direito os termos técnicos e as sutilezas do linguajar dos cientistas (mais ainda quando eles partem para a matemática...), mas que emprega em seu dia-a-dia os efeitos práticos dessa ciência: os avanços tecnológicos.

Acabei me embaralhando todo em um artigo onde eu pretendia dizer uma coisa e acabei me perdendo nos meandros de tentar explicar onde as religiões tinham ido buscar seus "dogmas" e "revelações divinas"...

Então, vamos voltar à vaca-fria e, pelo processo de exposição de idéias predominante no idioma francês, começar cada parágrafo com uma assertiva e discutí-la ao longo da exposição.

Tanto a "ciência", como a "religião", nasceram da observação que o ser humano faz da Natureza. Só que a ciência, a partir de um certo estágio, deixou de encontrar nas "explicações" baseadas na "vontade divina" as respostas para os fenômenos observáveis e passou a confiar no que passou a se chamar "método científico": observação do fenômeno, busca de explicações para o mesmo em hipóteses onde o "sobrenatural" não tivesse que intervir, extrapolação para hipóteses genéricas, previsões experimentáveis a partir dessas hipóteses e a realização de experiências em ambientes controlados para verificar a exatidão dessas previsões. ("Até aí morreu Neves"... calma... eu chego lá...)

Para a ciência, nada é "sobrenatural": tudo tem uma explicação "natural". E aí começou a "briga". A partir deste posicionamento, uns radicalizaram afirmando que "religião é tolice", e seus opositores querendo "tapar o Sol com uma peneira" e se recusando a admitir o óbvio: se os "dogmas" não se enquadram na realidade, provada e comprovada, o dogma é que é a tolice... Isso é particularmente verídico para a civilização ocidental (as religiões orientais não são muito afetadas pela ciência...), onde as Igrejas majoritárias insistiam (e até hoje insistem) em igualar Π a 3, porque isso consta das "Sagradas Escrituras"...

Até hoje, tanto a "ciência", como as "religiões" têm um ponto (errado) em comum: tomam o ser humano como unidade de medida. E esse erro persiste, por mais que a ciência tenha descoberto que a Terra não é o "Centro do Universo" e que o Homo Sapiens é apenas um primata "que deu certo" (pelo menos, mais "certo" do que os outros...). Esse "paroquialismo" também é um entrave à compreensão da Natureza, porque, mesmo os céticos empedernidos, têm esse preconceito tão imbuído em sua mentalidade que até "fabricam" dados para "comprovar" essa "superioridade", embora não exista uma só habilidade do "ser humano" que não seja encontrável em outra espécie da Terra (e, quando se afirma isto, chovem argumentos em contrário, todos eles com o mesmíssimo ranço de preconceito que os "bons cientistas céticos" atribuem aos "reacionários religiosos"...) Ninguém está disposto a conceder o "benefício da dúvida" sobre, por exemplo, a capacidade dos chimpanzés de exprimirem abstrações (coisa já demonstrada), ou de admitirem que o cérebro dos golfinhos pelo menos parece ter uma capacidade de processar informações igual ou superior à do Homo Sapiens...

Todo conceito de "ética" que não possa ser resumido a "não faça aos outros aquilo que não quer que façam com você", é apenas uma "racionalização" de algum preconceito. Só que esta noção também está tendo sua abrangência atualizada pelo progresso da ciência. A espécie humana já está começando a entender (nem que seja pelo processo mais doloroso) que seu meio ambiente não é "casa da sogra": o princípio TANSTAAFL vale para tudo, inclusive para as modificações introduzidas, mesmo que inadvertidamente, sobre o meio ambiente. E existem muitos "efeitos borboleta" que não foram ainda adequadamente estudados... Infelizmente, a grande maioria das pessoas ainda não se deu conta disto e continua discutindo o inevitável, com base em paradigmas paroquianos e escalas de valores mesquinhos que não vão além da vaga noção de um país... As mesmas pessoas que rezam "seja feita a Sua Vontade", não são capazes de mentalizar um "Deus" que não atenda a seus caprichos vãos, e estão certíssimas de que podem ensinar ao "Criador" a gerir sua "Criação"...

As "elites", antes de terem qualquer "direito", têm OBRIGAÇÕES para com seus "súditos". Isso era um princípio básico no nascimento das "aristocracias"... (e, por falar nisso, nas religiões, também...) Os "mais fortes" têm a obrigação de defenderem os "mais fracos". Os "mais sábios" têm a obrigação de ensinar os "menos sábios". Os "mais rápidos" ou "mais espertos" têm o dever de servir de isca para despistar o predador. Os "mais hábeis" têm a obrigação de realizarem os serviços mais difíceis. Etc... Foi assim que esse "macaquinho metido a besta" conseguiu chegar onde chegou... Só que "tem macaco demais"... O próprio "sucesso" da espécie humana traz, em si, o germe de sua perdição: a arrogância. Um dos "Livros Sagrados" diz que "Deus" disse: "crescei e multiplicai-vos". Deveria ter "desenhado"... A parte do "multiplicai-vos" foi bastante fácil de entender (claro!... é a mais prazerosa!...) Mas a parte do "crescei" parece que foi mal entendida. Continuamos achando que somos "filhos únicos de papai rico" e que podemos gastar sem repor, usar e abusar, sujar sem limpar e destruir aquilo que obsta nosso caminho. As pessoas ficam "adultas"; a humanidade, não... E o que começou como reverência perante o desconhecido, transformou-se em mero instrumento de dominação e, atualmente, serve de pretexto para "justificar" selvagerias e obscurantismo. A "Glória de Deus" tem limites!... Limites impostos pela conveniência dos "poderosos" e dos espertalhões... O tal "Criador" não pode ter criado um universo tão grande assim, porque, se assim for, Ele não vai perder seu tempo para ouvir os choramingos e louvaminhas dos incompetentes. Não vai ter traçado um "processo evolutivo" que não pare nestes macaquinhos arrogantes. Não vai ter criado tudo, se não for para servir de play-ground para uma espécie que apareceu ainda agora no universo e acha que todos os segredos podem ser revelados com sua "arte e engenho"...

E o que isso tudo tem a ver com "O Papel do Cientista nas Decisões Éticas"? Bom... Para começo de conversa, para lembrar aos cientistas de que eles têm algumas das perguntas e muito poucas das respostas. São seres humanos como quaisquer outros e sujeitos a erros de avaliação, inclusive quanto ao significado dos dados matemáticos que colhem. A ciência é um meio, não um fim em si. Nenhum cientista que se preze diria, como um jurista, fiat cientia, pereat mundus... E que, se há na Natureza alguma "ética", ela nada tem a ver com as necessidades da espécie humana. O universo andou certinho, durante muito tempo, antes da humanidade aparecer. E não vai sentir a menor saudade se formos extintos... E que sua única obrigação - enquanto cientistas - é a de apresentar os fatos conhecidos. Se, a partir de seus conhecimentos, adquirirem alguma convicção quanto a questões "éticas", se conformarem com o fato de que a grande maioria não possui estes conhecimentos e pode decidir em sentido contrário... por mais que se arrependam depois.

A informação pode estar disponível para todos. O discernimento para o uso dessa informação é que varia. E, por enquanto, nem a ciência, nem qualquer religião conhece uma "cura da estupidez". Asimov usou como título para um de seus livros de sci-fi parte da frase (que ele atribui a Schiller): Contra a estupidez, os próprios Deuses lutam em vão...

Eventuais comentários aqui, por favor)

29 março 2008

Bem informado?...

"Pérola" encontrada no EurekAlert:

Texas A&M University

Um maior conhecimento sobre o Aquecimento Global leva à apatia, mostra um estudo

COLLEGE STATION – Quanto mais uma pessoa sabe, menos se importa – ao menos é o que parece ser o caso com o Aquecimento Global. Uma pesquisa de amostragem por telefone com 1093 americanos, realizada por dois [sic] cientistas políticos da Universidade Texas A&M e um antigo colega, mostra essa tendência, como explicaram em seu recente artigo na publicação (revisada) Risk Analysis.

“Os entrevistados mais informados tanto se mostraram menos pessoalmente responsáveis pelo Aquecimento Global, como também mostraram menos preocupação com o Aquecimento Global,” declara o artigo, intitulado “Personal Efficacy, the Information Environment, and Attitudes toward Global Warming and Climate Change in the USA”.

O estudo mostrou que altos níveis de confiança nos cientistas, entre os americanos, levava a um menor senso de responsabilidade pelo Aquecimento Global.

A preocupação menor e o menor senso de responsabilidade voltam na face de campanhas de conscientização sobre as mudanças climáticas, tais como os filmes "Uma verdade inconveniente" e "A Era do Gelo: o Derretimento", e a crescente ênfase dada pela grande mídia sobre o tema.

A pesquisa foi realizada por Paul M. Kellstedt, um professor associado de ciência política na Texas A&M; Arnold Vedlitz, Bob Bullock, titular da cadeira "Governo e Política Pública" na Escola George Bush de Governo e Serviço Público da Texas A&M’s; e Sammy Zahran, anteriormente da Texas A&M e, atualmente, professor assistente de sociologia da Universidade do Estado do Colorado.

Kellstedt diz que as descobertas foram um pouco inesperadas. O foco do estudo não era, diz ele, medir o quanto os americanos são informados acerca do Aquecimento Global, mas em entender por que alguns indivíduos que são mais ou menos informados sobre isso, mostravam mais ou menos preocupação sobre o assunto.

“Neste sentido, nós realmente não tínhamos quaisquer expectativas sobre o quanto conscientes ou inconscientes as pessoas eram acerca do Aquecimento Global”, diz ele.

Mas, acrescenta ele, “A descoberta de que os entrevistados mais informados estavam menos preocupados com o Aquecimento Global e se sentiam menos pessoalmente responsáveis por ele, nos surpreendeu. Nós esperávamos exatamente o oposto”.

“As descobertas, embora de modesta magnitude – existem outras variáveis que nós medimos, que têm efeitos muito maiores sobre a conscientização sobre o Aquecimento Global – são estatisticamente robustas, o que significa que elas continuaram aparecendo, qualquer que fosse a maneira com que modelássemos os dados”.

Medir o conhecimento acerca do Aquecimento Global é um negócio arriscado, acrescenta Kellstedt.

“Isso é verdade para muitas outras coisas que gostaríamos de medir em pesquisas, é claro, especialmente coisas que poderiam causar embaraço nas pessoas (tais como a ignorância), ou que pudessem sofrer alguma pressão social para serem omitidas (tais como preconceitos)”, diz ele.

“Não existem padrões industriais, por assim dizer, para medir o conhecimento acerca do Aquecimento Global. Nós optamos por realizar uma medição direta e entender que outras medições poderiam produzir resultados diferentes”.

Agora, por bem ou por mal, os cientistas têm que lidar com a grande confiança que o público tem neles. “Mas não deve ser consolador para os pesquisadores na comunidade científica que, quanto mais as pessoas confiam nos cientistas, menos estejam preocupadas com suas descobertas” concluem os pesquisadores em seu estudo.

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O que deixa alguma dúvida sobre se realmente cabe aos cientistas algum papel nas decisões éticas... Talvez o principal papel seja esclarecer o público de que a ciência jamais afirmou ter todas as respostas.

Na verdade, os cientistas responsáveis sempre apregoaram não ter, sequer todas as perguntas...

20 março 2008

O Papel do Cientista nas Decisões Éticas

Por mais que se queira dissociar o tema deste mês do confronto "ciência vs. religião", não há como fugir a isto, uma vez que o próprio tema surgiu da atualidade da decisão que o Supremo Tribunal Federal vai ter que tomar (em minha opinião, já devia ter tomado...) sobre uma questão de suposta "ética", que, na verdade, é apenas sobre um dogma religioso.

Sendo assim, não me resta outro remédio senão analisar, desde a origem, a convivência entre "ciência e religião", uma vez que sou suspeito por ambos os "lados" desse confronto.

Eu afirmei, em comentário ao artigo do Osame, que as religiões tiveram como base a "ciência" (na sua acepção de "conhecimento adquirido"), só que as religiões não foram capazes de se adaptar ao progresso da ciência e se tornaram, mesmo, um entrave ao progresso da humanidade, quando deveriam ser, ao contrário, um esteio ético para este desenvolvimento.

Voltemos à pré-história e analisemos a "ciência" de então, para podermos avaliar de onde surgiu toda essa idéia de "religião" e qual papel ela deveria ter, bem como sua ligação com os conceitos de "moral" e "ética".

A primeira coisa que nossos ancestrais devem ter reparado, deve ter sido a alternância quase regular entre o dia e a noite. Recém saídos de uma Era Glacial que, por pouco não encerrou a promissora carreira desse bando de primatas, o Sol e o calor devem ter sido particularmente proeminentes, apesar da grande importância da Lua, principalmente da Lua Cheia que permitia uma melhor vigilância contra os predadores noturnos. [Parêntesis (primeiro de uma série de muitos): existe muita discussão quanto à coincidência dos ciclos lunares e a fertilidade das mulheres. Usando um raciocínio bem primário, se pode aventar a hipótese de que as mulheres que ficavam férteis no período da Lua Nova, teriam uma melhor chance de procriação; nessas noites mais escuras, é de se esperar que os caçadores estivessem de volta à proteção da caverna...] Bom, já temos duas entidades cujo comportamento era particularmente importante para os humanos e, portanto, sérios candidatos a serem deificados...

Mas qual seria a idéia de um "Deus"?... Afinal, com quem os homens podiam se comparar para criar os seres superiores?... Certos animais eram mais fortes, outros mais rápidos, outros demonstravam habilidades especiais de visão, audição, alguns, mesmo, pareciam possuir um "sentido" desconhecido aos homens. Ora, se os homens eram "superiores" aos animais, os "Deuses" deveriam ser "superiores" aos homens na mesma medida: mais fortes, mais inteligentes, mais belos, mais tudo... "Super-homens". E é exatamente o que vamos encontrar nas primeiras civilizações: "super-homens" com atributos animais. E, como toda tribo tinha um chefe, normalmente escolhido entre os mais "sábios" (ou seja, mais velhos - a figura do guerreiro-chefe só veio aparecer mais tarde) e as mulheres eram naturalmente mais longevas, o matriarcado parece ser apenas um resultado natural. Logo, as Deusas-Mães são apenas um passo lógico adiante. [Parêntesis: em diversas culturas a associação de gênero é inversa à que temos hoje em dia: é A Sol e O Lua...] A "civilização" ("reunião em cidades") parece ter acabado com o matriarcado: os antigos caçadores-coletores já podiam ficar nas habitações, sem se afastar demais dos rebanhos e plantações, e a força física dos machos da espécie, combinada à fragilidade da mulher gestante, parece ter relegado as mulheres a uma função "subordinada" - a de "reprodutora", uma vez que a sobrevivência ainda dependia muito dos números. Os Deuses machos começam igualmente a assumir o comando...

E, de uma pletora de "Deuses" que "governavam" todos os fenômenos naturais, cuja imprevisibilidade era uma ameaça à sobrevivência da espécie e precisava de alguma maneira de "ser propiciada", à exemplo dos homens que os criaram, os Deuses precisavam de um "chefe". E, como tudo que se conhece e é vivo, nasceu e morre, também os Deuses precisavam ter nascido de algum lugar. "É claro" que vamos precisar de um "criador" que, do nada, criou tudo o que existia...

E chega de digressão acerca de Deuses e Deus... O importante é que todas essas noções nasceram da "ciência" disponível: a observação da Natureza e a comparação das coisas da natureza à única medida disponível: o ser humano.

Passando à questão de "moral" e "ética", a Teoria dos Jogos está aí mesmo para comprovar, matematicamente, que o "jogo da sobrevivência da espécie" passa, necessariamente, pelo "altruísmo". Embora em questões menores o "gene egoísta" seja preponderante, para a sobrevivência de uma sociedade é fundamental que o altruísmo seja incentivado. Qual incentivo melhor para forçar um comportamento harmonioso e devidamente cooperativo do que "a vontade divina"?... O medo da morte pode ser habilmente explorado com a crença em uma "vida eterna", na qual o indivíduo será "julgado" por tudo o que fez e deixou de fazer - segundo um conjunto de normas atribuídas ao(s) Deus(es) - e terá recompensa pelos eventuais sofrimentos injustos a que se submeteu, enquanto os infratores serão severamente punidos, por mais "poderosos" que possam ter sido nesta Terra.

Essa é a base de toda e qualquer religião: "esta vida não é tudo" e "quem se comportar bem, ganha um presente"... E este "se comportar bem" geralmente inclui todas as normas necessárias ao "jogo cooperativo" entre os vivos (e os "mais vivos", diria o Barão de Itararé...). Toda a ética humana pode ser resumida a: "não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você". E todas as "normas morais" que forem além de "mulheres e crianças primeiro, depois os idosos (sua sabedoria é útil...)" é pura conveniência local.

E a humanidade poderia ter ficado nisso e apenas deixado que a inveja, a cobiça e a preguiça assumissem seus aspectos positivos: a inveja estimulando o aperfeiçoamento pessoal (não que os demais piorem); a cobiça estimulando a "ter mais" (não necessariamente tirando de quem tem; quando toda a sociedade prospera, cada indivíduo é beneficiado); e a preguiça buscando soluções mais eficientes e menos trabalhosas para realizar o trabalho inevitável (não postergando o que tem que ser feito).

Mas o ser humano é um bichinho curioso... Quer porque quer saber como, quando, onde e por que... E não descansa enquanto não conseguir controlar tudo, desde o meio-ambiente até a "vontade de (os) Deus(es)". E como (os) Deus(es) é(são) caprichoso(s) e nunca desvenda todos os seus segredos, o ser humano resolveu que ia estudar, até entender, pelo menos os mistérios da Natureza. E, de repente, descobriu que não morava no Centro do Universo, mas em um planetinha xinfrim, que orbita uma estrela de quinta, na periferia de uma galáxia perfeitamente medíocre, entre um nunca-acabar de galáxias... Aquele "Super-homem" com poderes compreensíveis e bajulável para ser propício, corruptível com meia-dúzia de louvaminhas e "protestos de elevada estima e consideração" (junto com um suborninho...), já não dava mais para a tarefa para lá de hercúlea de criar um universo desse tamanho... O(s) Deus(es) ficou(aram) irremediavelmente paroquiano(s).

Pior: o ser humano descobriu que nem seu aparente controle do meio-ambiente é suficiente... Nem a velha "Mamãe Natureza" está disposta a aguentar indefinidamente os maus modos desse filho bestalhão que gasta como se não houvesse amanhã... Tudo o que o homem tira da Natureza, está fadado a voltar para ela, com direito a uma catástrofezinha para ensinar ao moleque que com "Mamãe não se brinca"... De "ápice da Criação" e "imagem e semelhança do Criador", o ser humano se viu reduzido, por sua própria curiosidade, a um triste macaquinho "melhorado" que - por muito favor - tem um planeta para morar, mas tem que cuidar dele, senão, é "despejado" e o Planeta nem liga... (e (os) Deus(es) também não...)

Sem este "Deus-bedel" para vigiar e punir/recompensar, sem sequer um "referencial inercial absoluto" para calcular, de onde derivar as certezas sobre o que é "certo" ou "errado"?... Da velocidade da luz no vácuo?... Da absoluta amoralidade da "seleção natural", um "Jogo de Soma Zero", onde a fome do lobo tem o mesmo valor que a vida do carneiro?...

Não... Certamente a ciência não tem respostas para a eterna pergunta da humanidade: "o que é que eu estou fazendo aqui?" E pode apenas apontar, estatisticamente, qual comportamento - a curto prazo - pode trazer uma recompensa maior. O ser humano é muito pequeno, mesmo se comparado apenas com o planetinha xinfrim onde vive... A humanidade pode ser apenas uma doença cutânea temporária no planeta e toda a sua filosofia e ciência serem uma "ilusão impermanente", como afirmam os buddhistas...

E, afinal, qual é o papel do cientista nas Decisões Éticas?...

Apenas isso: buscar os fatos!... Apontar as inconsistências da auto-imagem que o ser humano tem de si próprio e lembrá-lo, sempre, que, se existe um Deus (ou Deusa, ou Deuses...), ele(a, es) é(são) profundamente indiferente(s) a detalhes insignificantes como os enormes dinossauros ou toda a nossa "ciência" E TEMOS QUE PARAR DE NOS COMPORTAR COMO CRIANÇAS MIMADAS E ASSUMIR RESPONSABILIDADE POR NOSSOS ATOS, PORQUE NÃO ADIANTA REZAR QUE A ÁGUA NÃO VAI SUBIR O MORRO!...


Nota de rodapé: seja qual for a decisão do STF sobre as células-tronco embrionárias, nada vai mudar o fato de que aquele embriões estão vivos, mas não são gente... Quer o Papa (o Dalai Lama, ou o Bispo Macedo) goste disso ou não!...

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